quarta-feira, outubro 15, 2014

Eleições 2014



MAPUTO: Centenas de eleitores que queriam votar na EPC de São Dâmaso, foram instruídos a regressarem às suas casas porque não existem cadernos com seus nomes. Tal aconteceu nas mesas: 09, 10 e 21. Ninguém sabe dizer onde estão os cadernos. Tal situação verifica-se em muitas outras mesas, como foi o caso da EPC Patrice Lumumba na Matola, onde os eleitores que deviam votar na mesa 3011 foram instruídos a irem para as suas casas.
QUELIMANE: Neste momento (14 horas e 45 minutos) dois camiões e um Land Cruiser transportando aproximadamente 100 agentes da FIR fortemente armados e com máscaras e capacetes acabam de passar a zona de Sampene em direcção ao centro da cidade de Quelimane. Não se conhece o propósito!
Estão detidos quatro membros da Renamo no Distrito de Tsangano, por terem impedido a entrada na sala de urnas com votos, já votados a favor do partido Frelimo e se candidato. Quando os Delegados da Renamo se aperceberam pediram explicação ao presidente da mesa, mas, este tratou de chamar a Policia, que prendeu os delegados da Renamo. Enquanto isso, os membros da Renamo eram levados pela polícia mais urnas com votos entravam para a sala. A população quando viu a fraude, tratou de pegar as urnas e queimou-as. A polícia teve de regressar e está neste momento a disparar contra a população. Neste momento, a votação foi interrompida. Tsangano e Changara são os os satélites da fraude da Frelimo. Nas eleições gerais passadas, Guebuza ganhou em todas as mesas, mas o número de votos era superior ao número de eleitores. Ou seja: houve enchimento de urnas.
BEIRA: Encontrado um cidadão com mais de seis urnas no populoso bairro da Munhava. O Chefe das Operações do STAE diz que não conhece o cidadão e que o mesmo não devia estar lá. O cidadão escapou a um linchamento. O referido cidadão, que estava acompanhado por uma mulher que fugiu, diz que foi mandado pelo Director do STAE para transportar as urnas. A população exige medidas para o "transportador de urnas".
TETE: A mineradora brasileira VALE decidiu violar a tolerância de ponto decretada pelo Ministério do Trabalho, para o dia de hoje, quarta-feira, 15 de Outubro, para que os trabalhadores moçambicanos possam exercer o direito de voto. A empresa obrigou todos os trabalhadores a comparecerem aos seus postos de trabalho. Assim os mais de 200 trabalhadores não poderão votar. A Direcção Provincial de Trabalho confirma o caso e diz que já enviou uma brigada à empresa Vale.
ANGOCHE: Na Assembleia de voto que funciona na Escola Secundária de Angoche em Nampula, ainda não existem as mesas de votos desde 510, 511, 512, 513, 514, 515, 516 e 517. Há troca de cadernos eleitorais. O administrador local levou uma hora para votar porque o caderno que tinha o seu nome não estava lá.
Ilha de Moçambique – EPC Namicote – Mesa de votação 030111004 – Polícia fere um eleitor a tiro que tentava votar pela segunda vez. Este acto ocorreu quando este tentava incitar uma fuga após ser descoberto.
EPC – Eduardo Mondlane – Chicualacuala – Decorre a votação sem editais de contagem de votos em todas as mesas de votação.
Urnas clandestinas foram encontradas no carro de um agente da polícia em Quelimane com a chapa de matricula PRM 00313.Interpelados pela população, a polícia entregou as urnas a dois cidadãos estranhos que as transportaram em dois carros que continham a chapa de matricula ACU 173 MC e ADJ 481 MC.
Assembleia de Voto 501 e 502 os MMVs só 8horas e as mesas abriram às 8h30, e por sua vez os eleitores começaram a votar às 9horas – Namaacha.
EPC de Monapo - Nacala Velha - foram enviados boletins de voto sem a devidas urnas, os eleitores que estiveram lá pelas primeiras horas da manhã abandonaram o local.As urnas só chegaram quando eram 10:15 minutos.
Presença da polícia na porta da mesa de votação: Distrito de Quissanga – Posto Administrativo de Bilibiza – Aldeia 19 de Outubro-
Foram interpeladas duas viaturas com chapa de matrícula MMM 35 43 e AAC 303 MP com dizeres do partido Frelimo e seu candidato na Escola EPC de Manhiça.
Porta-Voz da CNE, Paulo Cuinica apela aos Presidentes das mesas para deixarem entrar os Delegados de Candidatura, mesmo sem as credenciais. A falta de credenciais para os delegados regista-se com todos os partidos.
Em vários postos de votação na Cidade de Maputo, muitos delegados de lista não possuem credenciais para o efeito e não podem entrar no posto de votação. Esses casos estão a acontecer com todos (3) partidos, nomeadamente Renamo, Frelimo e MDM.Exemplo: Bairro das Mahotas – EPC Hulene – Mesa 11006902.
Na Cidade de Nampula e Maputo Cidade o processo de credenciação já encerrou e muito pedidos de várias organizações da Sociedade Civil não foram atendidos, razão pela qual há muitos observadores sem credenciais.
MAPUTO: Com as informações de tentativas de fraude a aumentarem, Afonso Dhlakama já regressou à Escola Secundária da Polana para vigiar o seu voto, tal como prometeu de manhã. Está na sua companhia, o membro da sociedade civil e Reitor da Universidade APolitécnica, Lourenço do Rosário.
(fonte: Parlamento Juvenil que está a realizar observação eleitoral em todo país, com cerca de 2000 observadores)

terça-feira, outubro 14, 2014

Senhores jornalistas, 
Atravês de vós, a Resistência Nacional Moçambicana, saúda a cadamoçambicana e moçambicano.
As últimas horas têm sido de reflexão em torno do processo eleitoral que foi antecedido de 45 dias de intensa actividade de campanha. Se por um lado, lamentamos que nalguns pontos da Província de Nampula registaram-se confrontos entre partidários de A e B, B e C ou A e C, por outro apelamos para que a resposta policial, doravante, sirva para educar o eleitor e não tratá-lo como inimigo a abater. 
A Polícia da República de Moçambique deve promover a paz e tranquilidade em cada Assembleia de Voto e oferecer segurança a cada cidadão.
Sob pretexto de respeitar o voto especial que nenhum quartel, caserna, local de culto, ministério, residência de particulares ou outro lugar diferente das mesas de voto previamente estabelecidas seja usado para fins de votação. 
Recomendamos aos cidadãos eleitores a irem todos votar, um direito Constitucional. 
Apelamos aos cidadãos eleitores a formarem filas ordeiras para facilitar a votação, mantendo-se serenos, mas sempre vigilantes.
Que nenhum cidadão aceite bebibas alcóolicas, estupefacientes para promover desordem no dia da votação eleitoral.
Apelamos aos gestores da empresa pública Electricidade de Moçambique para garantirem o pleno fornecimento de corrente eléctrica a nível nacional para que nada obstrua o processo de votação, contagem e apuramento dos resultados eleitorais. 
Apelamos aos órgãos eleitorais a garantir que todas as Mesas de Voto tenham todo o material necessário para o processo eleitoral decorrer normalmente. 
Apelamos a Força de Intervenção Rápida e a PRM a obedecerem e se conformarem com a Constituição e com a Lei Eleitoral em particular. O ponto mais alto da Democracia é aquele em que o povo tem a liberdade de eleger os seus representantes. Esse direito Constitucional não pode ser negado por nenhum agente das forças de Defesa e Segurança moçambicanas.
Que os Observadores Eleitorais Nacionais e Internacionais procedam a uma observação eleitoral plena, criteriosa, honesta, isenta, transparente, responsável e presencial. 
Que os órgãos de comunicação social públicos e privados agarrem-se ao compromisso de cobrir as eleições com objectividade, imparcialidade, neutralidade levando para o país e para o mundo a verdade. 
Boa sorte a todos os candidatos e partidos concorrentes. 
O voto é secreto. Exerça o seu direito lúcida e tranquilamente.
Cada Voto Conta.
Por eleições justas, transparentes e livres de violência.


Nampula, 14 de Outubro de 2014.
(MENSAGEM DO GABINETE CENTRAL DA RENAMO - NAMPULA PARA O DIA 15 DE OUTUBRO DE 2014)

"Tenho Um Sonho"

Moçambicanos e moçambicanas da localidade ao distrito, às províncias e à Nação inteira, chegou a hora de irmos colocar o preto no branco, votando no partido Frelimo, sobre a liderança de Filipe Nyusi. No dia 15 de Outubro vamos todos usar a prerrogativa disciplinada, votando em massa no partido Frelimo e em Filipe Nyusi, por serem eles os garantes da paz, da sutentabilidade económica, e desenvolvimento.A FRELIMO é um partido com maturidade suficiente para melhorar, ainda mais, as condições de vida dos moçambicanos.Por outro lado com Filipe Nyusi e o Partido Frelimo os interesses de Moçambique e dos moçambicanos estão defendidos e garantidos, e a cintura patriótica que governa a Africa Austral fica sedimentada.
Os mitos não ganham eleições nem governam país algum.
Fala-se em romarias de pessoas para ver Dlhakama.Não discuto a asserção nem fico indignado.Há gostos para tudo, mas romarias não votam, nem mesmo quando se trata de alguém que ordenou sem remorsos a matança de membros da familia moçambicana;de alguém que anda há pouco andava de braços dados com o apartheid, e com apoio deles chacinou mais de 1 milhão de moçambicanos.
Somos africanos e disso temos orgulho, mas sempre constatamos que algumas crenças populares aliadas à demagogia e populismo colocam-nos à altura de idade da pedra.Certas pessoas consideram-se previlegiadas na relação com espíritos insepulcros,outros há que se acham dotados de  poderes que lhes permite receber dicas destes, para cometer barbaridades com fins políticos.Em sociedades em desenvolvimento como a nossa, aqueles que aparentemente conseguem sair mentalmente ilesos de um situação de grau de dificuldade elevada  depois de desafiar a Lei, passam a ser olhados como predestinados do além.Vêm-me à mente as figuras do crime como Zeca Russo, do Anibalsinho , ou daqueles rufias de bairros circundantes nas cidades moçambicanas, muito temidos pela vizinhança, mas bajulados de outros, inclusive de alguns policias pouco inteligentes.Todos usam a auréola do poder maléfico adquirido de  tinhangas de poder inquestionável.Nesta perspectiva questiono a seriedade política de Afonso Dlhakama, que depois de mandar matar moçambicanos, ainda tem a ousadia de pedir o seu  voto de confiança ?Ante esta realidade e a despeito do acordo de paz entre governo e Renamo pergunto como é possível haver conciliação?
O verdadeiro herói  é o povo de Moçambique, que consegue discernir o que é melhor para o país, legitimando a governação do partido Frelimo , eleição pós eleição.
Os mitos não governam, contudo podem fazer falsas promessas para enganar as mentes incautas, e nem Moçambique se encontra dividido a partir do Sul do Save.Os mitos perturbam mentes volúveis e despreparadas , mas não governam  ninguém, e para o Estado de Direito Democrático vingar em África, é preciso que haja capacitação e participação dos cidadãos na vida do país.Nós que militamos e simpatizamos com o partido Frelimo, e nos identificamos com o programa político eleitoral de Filipe Nyusi, acreditamos na coesão étnica que sustenta o mosaico cultural, que nos define como povo;combatemos o racismo , e toda a forma de exclusão política, social e económica.A Frelimo de outro lado proporcionou as condições para a libertação do género feminino, e bateu-se sempre em defesa dos seus direitos.O partido Frelimo é o partido da governação e que nos últimos 20 anos, com a ajuda do Fundo Monetário Internacional e parceiros económicos internacionais, tem conseguido garantir a estabilidade macroeconómica, e tem feito reformas positivas em termos de investimento estrangeiro. Com Filipe Nyusi na presidência a sustentabilidade democrática e económica de Moçambique estão garantidas, bem como a construção de infratesruturas económicas e digitais ligadas a investigação.Moçambique e os moçambicanos não podem viver ameaçados daqueles que vêm tentando branquear a verdade, usando a mentira e as fofocas como arma de arremesso político;nem por aqueles que tentaram alterar as regras do jogo democrático, recorrendo sempre que lhes convém a violência armada, matando moçambicanos inocentes e destruindo os seus bens; assim como daqueles que não se coibem a assomos de regionalismo e tribalismo para dividir Moçambique e os moçambicanos.

Um Olhar Sobre Simango

Há horas que estou aconchegadamente entalado entre dois colegas no banco de trás de um quatro por quatro adornado com bandeiras esvoaçantes do partido, pelo menos o ar condicionado está a funcionar. O carro serpenteia por uma estrada de areia batida na província do Niassa levantando a poeira vermelha que quando se entranha na roupa não sai nem depois de lavar. Que calor, e nem sequer começou o verão! Mesmo assim as crianças vêm a correr ter connosco, surpreende-me sempre o eterno bom humor com que Daviz Simango cumprimenta a população, mesmo depois de mais de um mês intenso de campanha política, noites mal dormidas e viagens desconfortáveis por estradas esburacadas e apoiantes da Frelimo tentando sabotar o seu trabalho a cada cruzamento.
O meu trabalho consiste em acompanhar o candidato como jornalista, documentando a sua campanha do Revuma ao Maputo numa caravana. Daviz Simango fez a maioria da campanha por terra no seu carro e noutras alturas de boleia de mota como quando atravessa-mos a ponte Dona Ana sobre o rio Zambeze a caminho de Mutarara onde apoiantes do partido govermental bloquearam a passagem do candidato do MDM.
Tenho vergonha de admitir que senti vertigens ao passar aquela ponte, enquanto não muito longe Daviz Simango subia numa mota com um sorriso nos lábios e muita confiança.
É esse sorriso amigável ao fim de cada dia que me faz acreditar que não devia estar em mais outro lugar no mundo a não ser aqui, a percorrer o meu Moçambique ao lado de um candidato presidencial em quem realmente acredito!
A primeira vez que vi o Candidato Daviz Simango foi em 2012 durante um congresso onde os delegados do partido que formam a delegação nacional foram eleitos para cada província. De acordo com a política do MDM cada delegação provincial tem de ter 20% de jovens e 20% de mulheres. Quando os delegados da primeira província se apresentaram não tinham nenhuma mulher na sua comitiva, fiquei impressionado coma reação de Daviz Simango que os mandou voltar para trás e retornar quando tivessem a cota mínima de representantes mulheres e jovens.
Pequenos imprevistos e problemas na votação fizeram com que o congresso se alarga-se pela noite dentro. Depois de ceder ao cansaço e dormitar um pouco usando o casaco do meu fato como almofada, acordei para me deparar com o Daviz Simango de boné de camionista sentado ao seu computador teclando pacientemente. A sua perseverança e gosto pelo trabalho foram as qualidades que mais me chamaram a atenção durante o congresso e foi naquela madrugada rodeado de companheiros adormecidos, verdadeiramente “the last one standing” que me senti verdadeiramente inspirado. Realmente só com esforço e sacrifício se pode mudar um partido, um país, uma forma de viver. Por isso este ano, quando surgiu a oportunidade de acompanhar Daviz Simango na sua campanha eleitoral não resisti e fui à aventura! Muito poucas pessoas têm a oportunidade de conhecer Moçambique por inteiro e muito menos na companhia de alguém por quem têm tão grande admiração como eu tenho pelo candidato.
Ao contrário do que muitos julgam a campanha eleitoral do candidato Daviz Simango consiste de muitas noites mal dormidas, horários trocados e refeições que consistem em meia lata de atum, pão, uma garrafa de água e um refresco, e um jantar que nunca sabemos a que horas será.
Tenho que admitir que isto também se dá ao facto de ter um estômago fraco que nestas viagens não aguenta muito mais que umas bolachas de água e sal. Ainda no mês passado, depois de um dia muitíssimo longo que começou as 6 da manhã e só à meia noite é que me pude refastelar num sofá do hotel mas ainda com trabalho para fazer. Já de olhos semicerrados tentava editar a fotografias do dia, quando de repente vi pelo canto do olho uns chinelos que se aproximavam, para minha grande surpresa era o candidato Daviz Simango que com certeza estava mais cansado que todos nós mas ainda assim se preocupou em perguntar como tinha corrido o meu dia. Mas assim é Daviz Simango, sempre com uma palavra amiga. À medida que a campanha se aproxima da meta final cada vez mais sinto que a decisão de acompanhar o representante do MDM, Daviz Simango foi uma boa decisão. Pois tive o privilégio de conhecer o homem por detrás do candidato. Um homem de grandes planos para o país mas de uma simplicidade refrescante, um líder forte mas um pai carinhoso. Daviz Simango é um homem do povo para o povo.

"Por Michel Olofsson"

segunda-feira, outubro 13, 2014

A CORUJA DA MINERVA


Há quase dez anos publiquei um texto no jornal Notícias que era meio comentário, meio recensão crítica dum livro curioso. Era da autoria do ex-Presidente da Guiné, o falecido Koumba Yalá, e a intenção imediata do texto era de chamar a atenção dos governantes para a importância da credibilidade para evitar que os eleitores, desorientados, depositem a sua fé nas pessoas erradas. Fui desenterrar esse texto para o postar aqui porque em conversa sobre as eleições em Moçambique com um amigo guineense na semana passada ele falou-me de quão útil o texto tinha sido para ele nos seus esforços de perceber o desastre que se havia abatido sobre o seu próprio país. O vilão deste texto é a arrogância do poder, mas se o tivesse escrito agora o vilão teria sido a falta de discernimento, sobretudo da parte de pessoas de quem mais se devia esperar isso. É por isso que falo da coruja de Minerva. Faço-o com muita reluctância porque a expressão foi popularizada por um filósofo alemão que não é exactamente o meu ídolo, Hegel, que no final do prefácio da sua grande obra sobre a filosofia do direito compara a filosofia a essa coruja que só levanta vôo quando a noite se abate sobre a terra. Minerva (ou Atenas em grego) era a deusa da sabedoria e a coruja o seu símbolo.No parágrafo que precede essa frase célebre, Hegel escreve algo mais profundo ainda. Ele escreve que a razão não se compadece com aquele tipo de desespero que acha que tudo no mundo ou é mau ou indiferente e que nada melhor se pode esperar. Ele considera que o que honra o ser humano é a sua recusa de aceitar o que não foi justificado pelo raciocínio. Pelo menos uma vez na vida sinto-me bem no aconchego filosófico de Hegel, pois a maior licção que teremos de aprender destas eleições é justamente esta: nem todos estão preparados a confiar no seu próprio raciocínio. Quando tivermos votado no dia 15 a primeira coisa que devemos fazer logo a seguir é trabalhar seriamente na recuperação da confiança no nosso raciocínio. Esse será também o principal desafio enfrentado por Nyusi e pela Frelimo se, conforme espero, os eleitores renovarem a sua confiança neles.
Eis o texto antigo:

“A democracia e os seus riscos
‘A confusão é a certeza de uma mente, sem pista de direcção’
Estas não são minhas palavras, mas sim de alguém que, muito provavelmente, não sabe o que diz. São do excelentíssimo Presidente da Guiné, Dr. Koumba Yalá. É um presidente democraticamente eleito. A citação é extraída dum livro recentemente publicado com o título pomposo de “Os pensamentos políticos e filosóficos”. Trata-se de pensamentos, para citar o próprio autor, “sem pista de direcção” e duma incoerência vergonhosa que acabam colocando a questão importante de saber se os guineenses não terão cometido um erro grave. Ou melhor ainda, será que os africanos estão suficientemente maduros para a democracia?

O livro é uma espécie de “best-seller” em Portugal, contudo à maneira africana: passam-se fotocópias do mesmo no seio da comunidade africana e portuguesa que se interessa por assuntos africanos. Não é, porém, a sede do conhecimento que está por detrás do interesse. Todos querem se rir à custa dos guineenses. O livro não desaponta. É duma ridicularidade perversa: em 90 páginas contendo os tais “pensamentos”, alguns dos quais vou colocando aqui para a apreciação do leitor, o livro cumpre várias missões. Para algumas pessoas confirma apenas a opinião generalizada de que algo não está bem com o dirigente guineense. Para outras confirma certos preconceitos sobre os africanos. Para outros ainda o livro explica tudo quanto está errado naquele País.
‘Vento é o baralho da realidade flutuante em movimento constante’. Depois do riso vem um misto de consternação e desalento. Os “pensamentos” não são apenas ridículos porque incoerentes. São-no também porque é difícil imaginar o que deve estar a torturar uma mente para supor que o pobre povo guineense seja capaz de decifrar algo tão críptico como o que o autor propõe. A leitura causa consternação porque a Guiné já produziu cabeças excelentes: Amílcar Cabral é o exemplo eminente, provavelmente o intelectual mais coerente do movimento nacionalista das ex-colónias portuguesas; mais recentemente juntaram-se a ele jovens como Carlos Cardoso e Carlos Lopes, cuja excelente produção intelectual nos ajuda a apreciar quão aberrante esta obra é.
‘O infinito é consciência do limite do próprio infinito, que assim se define com perfeição’. Mas há também o desalento. Koumba Yalá não subiu ao poder por via de golpe de estado. Não fez guerrilha. Convenceu o eleitorado guineense que era o político mais capaz de resolver os seus problemas. Costuma-se dizer que cada povo tem os dirigentes que merece. Os guineenses, pelo que tudo indica, merecem Koumba Yalá. Eles estão a pagar bem caro um grande equívoco. Segundo muita gente que passou pela Guiné recentemente, o País já deixou de existir como estado. Faz parte dos chamados “failed states”, estados falhados. Está de rastos: descapitalizado, desabastecido, desesperado. Embora seja evidente que os guineenses estão a pagar bem caro a sua preferência eleitoral, é menos evidente que essa preferência tenha sido um equívoco. O povo, num sistema democrático, não se engana. Tal como o cliente na economia de mercado que serve de suporte às democracias mais eficientes o povo tem sempre razão.
‘O não tempo é o tempo de não poder ser tempo, com o tempo’. Em Moçambique avizinha-se um período de eleições. O caso da Guiné pode ser altamente instrutivo para os políticos moçambicanos de boa fé que apesar de todas as tentações estão na política pelo bem do País. O eleitor raramente vota pelo País, mas sim por si próprio. Ele entrega o seu voto àquele que, mesmo contra todas as regras da cautela, lhe promete o paraíso na terra. Atravessando o nosso País um momento delicado da sua evolução democrática e socio-económica é muito natural que as eleições atraiam todo o tipo de demagogos: desde aqueles que prometem acabar com as famosas assimetrias regionais num ápice até aos que vão dar emprego a todos. Seria cego o político que não visse nesta conjuntura um excelente potencial de demagogia.
‘A morte do mundo é a impossibilidade da sua morte’. Oxalá que os mais responsáveis entre os nossos políticos resistam à tentação. A história remota e recente está cheia de casos como o da Guiné, o que prova, de resto, que o equívoco, se equívoco há, não é privilégio dos africanos. O mais perverso é o de Hitler na Alemanha. George W. Bush na América é outro, embora neste caso quem paga as favas imediatas é a comunidade internacional e não o eleitorado americano (se calhar todo o mundo devia votar nas eleições presidenciais americanas). Não obstante, em nenhum desses casos o povo se enganou. O povo escolheu os que, nas circunstâncias, falaram para os seus receios, ansiedades, sonhos e fins imediatos. É assim na democracia. É uma empresa arriscada, mas risco não quer dizer perigo. Risco é, quando muito, um perigo calculado. A democracia vive do risco como a forma mais segura de auscultar o povo e levá-lo consigo.
‘A beleza duma mulher elegante, é a atrapalhação do cabrão do macaco da indochina!’. A experiência dos sistemas políticos anteriores em Moçambique parece revelar que foi melhor apostar no seguro. Todavia, as aparências, como diz o velho ditado, iludem. Tanto no período colonial como no da experiência socialista o sistema político procurou proteger-se do risco do erro do povo projectando nele as suas próprias fantasias. O estado colonial arrogou-se a missão civilizadora ao preço, como aliás Eduardo Mondlane com muita perspicácia observou, de só reconhecer os africanos como pessoas na condição de estes recusarem a sua africanidade. A Frelimo revolucionária, por sua vez, preferiu inventar um novo povo, todo ele fundado na ideia dum “homem novo”. Ambas as opções falharam porque não puderam manter o dedo no pulso do povo. No primeiro caso o povo preferiu ele próprio “civilizar-se” sem a tutela colonial. No segundo caso o povo pura e simplesmente ficou apático.
‘A mentira é o movimento do cérebro pensante em direcção da falsidade, no seu quotidiano contacto com a realidade objectiva’. Numa das teses menos compreendidas do pensamento político recente Francis Fukuyama, um autor americano, defende no seu livro intitulado “O fim da história e o último homem” a ideia de que a democracia liberal constitui a solução final, e melhor, do problema do instinto auto-destruidor do homem. A existência deste instinto é discutível, mas o argumento de Fukuyama é válido, mesmo se apresentado bombasticamente e com a convicção apodíctica típica dos americanos. A democracia liberal desenvolveu um aparato que encoraja os governantes a manter o vínculo com o povo. Este encorajamento implica responsabilidade e dignidade na gestão dos bens públicos. Implica humildade e integridade na conduta pública. Implica uma governação pelo País.
Os políticos moçambicanos responsáveis que não querem dizer, depois da vaga de eleições, que o povo se enganou, precisam de prestar muita atenção à experiência da Guiné. Se bem que a alternância democrática seja salutar, ela precisa de assentar numa base que dá ao eleitorado uma verdadeira oportunidade de decidir racionalmente. Como bem diz Koumba Yalá, como que a confirmar que apesar de tudo os caminhos da sabedoria são sinuosos, ‘grandeza é sentido de responsabilidade’. O seu livro tem o sub-título ‘volume I’. Estão todos avisados.
O livro: Koumba Yalá, 2003: Os pensamentos políticos e filosóficos, Vol.I, editora escolar: Bissau”.
Já não haverá volume II, mas o texto continua actual em todos os sentidos.(Elisio Macamo/)

Macau ++

A banda moçambicana, The Monreira Project, venceu hoje (13) um festival internacional de jazz e blues em Macau, apoiado pelo governo, anunciou a organização.A banda ficou em primeiro lugar no festival The Cotai Jazz & Blues, que teve outros três vencedores, numa iniciativa organizada pelo casino The Venetian Macao e apoiada pelo gabinete de Assuntos Culturais do governo macaense.A competição decorreu entre quinta-feira e sábado, com os 12 finalistas a realizarem atuações de 30 minutos, durante as quais o júri avaliou o estilo, improvisação, técnica, musicalidade, performance e reação do público.

Em ano de eleições, frases para reflexão política

“O maior inimigo de um governo é um povo culto.” Jô Soares
“O Sistema não teme o pobre que tem fome, porque, como regra, basta enganá-lo com cestas básicas e outras cantilenas da solidariedade. O Sistema teme o pobre que sabe pensar, porque vai atrás de seus direitos.” Pedro Demo
“Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém.” Jacques Rousseau
“O Brasil tem fome de ética e passa fome em consequência da falta de ética na política.” Herbert de Souza
“Roubou, mas fez…fome. Contra a corrupção use esta arma: o voto.” Organização Transparência Internacional

“O que se promete sem cumprir é recebido como afronta pelo superior, injustiça pelo igual e tirania pelo inferior; que a língua não ofereça o que não se sabe se pode ser cumprido.” Diego de Saavedra Fajardo.
“Considero a honestidade e a integridade valores muito importantes e que devem ser mantidos e promovidos. Lembro que, para o meu pai, que completou apenas a quinta série, um aperto de mão era tão importante quanto um contrato assinado.” Irmã Annella, freira da Ordem Beneditina.
“Todos canalhas são desinibidos. Nada incomoda mais um canalha que uma pessoa de bem. Fere a auto-estima do canalha saber que há pessoas honestas.” Senador Jefferson Peres.
“O único progresso verdadeiro é o progresso moral. O resto é simplesmente ter mais ou menos bens.” José Saramago.
“A corrupção tem efeitos destrutivos. Abala as instituições, corrói a ética, desvirtua a justiça, impede o desenvolvimento econômico/social sustentável e enfraquece a vigência da lei.” Carlos Steger
“Não há espelho que melhor reflita a imagem do homem do que suas palavras.” Luís Vives
“Eu espero que eu sempre possua firmeza e virtude suficientes para manter o que eu considero o mais invejável de todos os títulos, o caráter de um homem honesto.” George Washington.
“A corrupção é como uma bola de neve: uma vez posta a rolar, fatalmente cresce.” Charles Caleb Colton
“Se te falta educação culpe o governo. Mas se te falta governo culpe a si mesmo. Vote consciente.” Autor desconhecido
“Este é o ano de não dar chances aos desonestos.” Autor desconhecido
“O esquecimento é o adubo que nutre a impunidade.” Wesley E. Hayas.
“O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.” Luther King
“A arte de governar consiste em não deixar envelhecer os homens nos seus postos.” Napoleão Bonaparte
“A coisa que mais odeio é a hipocrisia. É a mentira da mentira.” Tim Maia
“O ilícito não adquire legitimidade graças ao simples decurso de tempo.” Miguel Reale
“Todas as virtudes estão compreendidas na justiça: se és justo, és um homem de bem.” Teognis de Megara
“A palavra “Progresso” não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes.” Albert Einstein
“Perdoando demais a quem falhou, faz-se injustiça a quem não falha.” Baldassare Castiglione

“Onde se acham em ação forças morais, é nosso dever fortalecê-las.” Stefan Zweig
“Todos aqueles, cuja alma é sufocada pela soberba e a arrogância, sempre estão fazendo se identificar também pela ingratidão, um dos mais baixos sentimentos que assolam a humanidade.” Ivan Teorilang.
“Três coisas precisam os homens: prudência no ânimo, silêncio na língua e vergonha na cara.” Sócrates
“Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.” Eça de Queiroz
“Não venda seu voto! Mais tarde você não terá nem comprovante que o valide e não poderá cobrar de nenhum político que você elegeu.” Autor desconhecido
“O verdadeiro cristão não vota em político ladrão.” Autor desconhecido
“Quem não respeita a educação, não merece reeleição.” Campanha do SEPE
“Ficha suja no poder, o responsável é você!” Autor desconhecido
“Como um país que quer o desenvolvimento, tem os políticos mais caros do mundo e os professores mais baratos!” Autor desconhecido
“Não eleja quem já governou, enganou, mentiu e enterrou a cidade no atraso!” Autor desconhecido
“Se vender seu voto não reclame dos políticos, pois você é tão corrupto quanto eles!” Autor desconhecido
“Quando for votar não seja egoísta e pense nos outros e em sua cidade. Vote consciente, sabendo das consequências disso.” Autor desconhecido

“Você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas pessoas por algum tempo, mas não consegue enganar todas as pessoas por todo o tempo.“ Abraham Lincoln
“A única coisa constante em nossas vidas é a mudança. Aprender é mudar. Cada vez que aprendemos alguma coisa, há uma mudança em nós.” Autor desconhecido
“Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.” Dalai Lama
“Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos.” Luís de Camões.
“Se você quer mudar tudo, basta mudar a sua atitude.” (H. Jackson Brown)
“Se você está seguindo no rumo errado, lembre-se de que Deus encheu a estrada de retornos.” H. Jackson Brown
“Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova.” Mahatma Gandhi
“Em certas situações, nós precisamos virar a página do livro da vida para perceber que aquilo que vem depois, é muito, muito melhor.” Autor desconhecido
“Não se iluda, que nada muda se você não mudar.” Maria Eugênia

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Chico Xavier