terça-feira, julho 11, 2017

Bolas & Asas

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São descritas como tensas e de cortar à faca as relações entre a Liga Moçambicana de Futebol (LMF), entidade que gere o principal campeonato nacional de futebol do país, o Moçambola, (20ªJornada)e a transportadora oficial, a nossa companhia de bandeira (LAM). O cerne da discórdia prende-se com a manifesta intenção das Linhas Aéreas de Moçambique de suspenderem a emissão de bilhetes aéreos para as 16 equipas que militam no Moçambola
Esta atitude está a ser mal digerida na LMF, até porque põe em risco o futuro da prova. Mas o recente contexto do país, influenciado por factores endógenos e exógenos, contribuiu para a degradação das condições económicas, daí não se poder estranhar o posicionamento do Presidente da República, quando afirma, repetidas vezes, que Moçambique está de volta. A crise fez-se sentir, igualmente, no contexto desportivo, onde os clubes passaram a ter dificuldades de arcar com as suas responsabilidades, em especial para com os jogadores. Esta triste realidade levou Ananias Coana, presidente da LMF, a avançar, na última Assembleia Geral, realizada ainda este ano, com o projecto de regionalização de futebol, para minimizar as dificuldades. Porém, o projecto não passou porque os seus associados não aceitaram. A parceria entre as duas instituições remonta a 16 anos, quando a LMF tinha como presidente Alberto Simango Júnior, actual presidente da FMF, sendo que o actual presidente da LMF, Ananias Coana, ocupava vários cargos importantes neste organismo, entre eles, o de vogal e de vice-presidente, o que lhe permite ver as mudanças de relacionamento que estão a acontecer com as várias direcções da LAM. Com efeito, durante esse período que dura a parceria entre a LAM e a LMF, desde 2001, a companhia teve vários presidentes de Conselho de Administração, entre eles, José Viegas, Carlos Jeque, Silvestre Sechene e António Pinto de Abreu e, ao que tudo aponta, algumas direcções vêem no relacionamento entre as partes uma oportunidade para alavancar o negócio, conhecidas que são as dificuldades financeiras que a empresa atravessa, e outras se mostravam mais comprometidas com a causa de futebol, no espírito de responsabilidade social. Como que a consubstanciar este relacionamento amargo, a LAM anunciou as novas taxas que devem ser suportadas pela LMF, a saber, taxa de emissão, taxa de combustível, para além do IVA. Mais ainda: a LAM diz que não se responsabiliza pelas despesas de alojamento e alimentação decorrentes da reprogramação de vôos que possa surgir por vários motivos.
Imagem relacionadaImagem relacionada Sobre o assunto, um renomado jurista, que também fez parte da direcção da Liga nos primeiros anos da criação da instituição (actualmente dirige um clube que participa na Divisão de Honra), disse, recentemente ao SAVANA, haver um vazio em termos de a quem cabe a responsabilidade na acomodação dos jogadores, quando os vôos atrasam, “o que não deve continuar”. Entende, ainda, que pelo que a LAM faz, disponibilização de transporte, os clubes, no mínimo, deviam se precaver destas situações e procurar resolvê-las, no lugar de cruzarem os braços deixando tudo à responsabilidade da LMF.  A questão das viagens aéreas versus atrasos de vôos é um assunto que fez correr muita tinta, sobretudo depois que os jogadores do Textáfrica acabaram dormindo nos bancos do Aeroporto em Pemba, durante a viagem para Chibuto.
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Entretanto, o Presidente da LMF, Ananias Coana, faz um esforço indisfarçável para acalmar os desportistas e não só, afirmando que o Moçambola não está tremido, mas ressalva a necessidade de haver mais ponderação, tendo em conta o facto deste organismo não sobreviver das receitas uma vez que não as produz. Consta ainda que a LMF nunca se recusou a assinar contrato com a LAM, mas apenas a teria alertado no sentido de respeitar escrupulosamente as normas internacionais da aviação civil e a revisão das taxas que, nos contratos anteriores nunca fizeram parte. De outras fontes insuspeitas, apuramos que as novas taxas sobre o transporte aéreo das equipas do Mocambola, concretamente, do combustível e do IVA, poderão ser isentas como fruto das negociações que estão a decorrer entre o governo e a LMF. Coana é citado pelo matutino . Notícias desta semana a afirmar o seguinte: “Tivemos a comunicação antecipada sobre o novo contrato e posterior negociação, mas a LAM insistiu que já não podia cobrir essas taxas e recorremos ao Governo para que a LMF fosse isenta das mesmas”, explicou Coana, que aguarda pela resposta do Governo. E enquanto esta não aparece, ainda que o contrato continue a ser executado nos moldes dos anos passados, o espectro de incerteza mantem-se. Sabe-se que a instituição que regula as taxas é o Ministério da Economia e Finanças. Mas os próximos dias serão esclarecedores.

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