segunda-feira, julho 17, 2017

Ângelo e os guarda-redes

Resultado de imagem para angelo rocha de oliveira maputoPara os amantes do futebol da zona centro, e nem só, este título, se mais vividos, os faz recordar o perigosíssimo Ângelo (Jerónimo) do Textáfrica do Chimoio, que, como ponta de lança exímio, atingiu a esplendorosa marca de trinta e três (33) golos num único jogo! Se estiver errado, ele ou quem se interesse me corrija.
Do estou mesmo certo é que vos vou falar doutro Ângelo. O saudoso Ângelo Rocha de Oliveira, mais conhecido por Angêlo de Oliveira, jornalista, “nado na linda e tropicalíssima cidade de Quelimane, nos tempos de futebóis, de que foi um dos seus mais aptos praticantes”(no Sporting de Lourenço Marques), escreve Jorge Matine no prólogo do seu, infelizmente, único livro: Isto De Futebóis, publicado quando contava 62 anos de idade, em 1998.
Sobre o livro, muito se disse e escreveu na altura, até porque, e sobretudo, o Ângelo de Oliveira, que tive a honra de conhecer escrevendo ambos no jornal azul “Desafio”, atingira então “28 anos de profissão nos principais jornais deste país”, sendo, por isso, que Matine asseverava: “ninguém pode ousar dizer que passou pela vida anonimamente”. Escrita a introdução, passemos ao que mais nos interessa, ou seja: porquê “Ângelo e os guarda-redes”? Teria ele marcado tantos golos, quanto o seu homónimo do Chimoio?
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Na verdade, sem os ter quantificado, marcou muitos golos, cuja beleza e fascínio só o livro pode atestar. Agora, o que me atraíu a atenção para o “velho” jornalista, é que nem a FIFA, organismo supremo do futebol mundial, centra a sua atenção na magnitude da actuação dos guarda-redes, quando se trata de escolher o melhor jogador do ano. É, até, como se os guarda-redes fossem apenas, simples, “apanha bolas”. Mas, o saudoso Ângelo de Oliveira veio a terreiro debater esta questão (que remédio?) no âmbito estritamente moçambicano. E fê-lo com dignidade, com isenção, sem a clubite que mal sabia disfarçar. Aí vai: o melhor guarda-redes?
Quem terá sido o melhor guarda-redes moçambicano de sempre? De 1941 a esta parte, eu estou em condições plenas para poder opinar sobre o assunto, dado que me vejo, desde essa data, a mim próprio assistindo aos jogos de futebol em Moçambique. Se de imediato me solicitassem uma lista-de-escolha eu não hesitaria:
Mendonça(Desportivo); Felizardo (Sporting); Costa Pereira (Sporting e, depois, Ferroviário); 
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Pedro Santos (Desportivo); Octávio de Sá (Sporting); Nuro Americano (Maxaquene) e José Luís (Textáfrica). Para os mais antigos, me lembro que Acúrcio Carrelo não era (nem é) moçambicano. Não é fácil realmente ordenar os melhores, por ordem decrescente. Haverá, de imediato, uma natural tendência para se colocar no topo esse “fabuloso” Costa Pereira, isto porque foi aquele que chegou mais longe; chegou à selecção nacional portuguesa através do Benfica de Lisboa e deixou nome grande no Maracanã. Mas, para mim, ele não foi o melhor: terá sido, talvez o número-dois. Quanto a mim, o melhor “keeper” moçambicano de todos os tempos chamou-se (e chama-se) Pedro Santos. Jogava no Desportivo da nossa capital, nos anos 50/60, e foi várias vezes, variadíssimas vezes, abordado para ingressar no profissionalismo. Nunca quis! Pedro Santos era um guarda-redes seguro, espectacular, com uma extraordinária colocação entre os postes, audacioso e, sobretudo, elegante e elástico nas suas intervenções. Depois deles, de Pedro Santos e Costa Pereira, talvez Octávio de Sá, com Nuro Americano na peugada.
Este é o meu parecer. Quem quiser, que discorde dele, que eu não deixarei de respeitar-lhe a opinião, sem alterar a minha. Pedro Santos foi um “keeper” excepcional!”.Isto mesmo escreveu, corajosamente, digo eu, o saudoso Ângelo de Oliveira, que no seu livro ainda nos brindou com “À propósito de Pedro dos Santos”. Escreve sobre um derby Desportivo- Sporting(hoje Maxaquene). “Tinha chovido torrencialmente e, durante o jogo, continuava chovendo, embora com menos intensidade”. E o campo era então pelado. Prosseguindo: “Ao intervalo, os “alvi-negros” ganhavam por 1-0. O golo “leonino” de empate, com que terminaria a partida, fui eu quem marcou, não sem que tenha mandado um quilo de lama para o rosto do Pedro Santos, mas não deliberadamente”.E muito mais escreveu Ângelo de Oliveira. Já agora, por que não um prémio para o jornalismo desportivo com o nome do conceituado e saudoso A. De Oliveira?!(Tavares Braz)

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