sexta-feira, novembro 04, 2016

Moçambola 2016

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Apesar de o Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Alberto Simango Júnior, ter recuado, semana finda, da ideia de banir os clubes não licenciados do Moçambola- 2017, Ananias Couane garantiu que esta medida irá continuar, pois, é a única forma de garantir uma prova com clubes sustentáveis.

Que balanço faz ao Moçambola-2016, o primeiro sob sua liderança e o primeiro com 16 equipas?
Resultado de imagem para estadio nacional zimpeto-Estamos satisfeitos com os níveis alcançados, em termos de organização. Quando preparamos o plano de actividades e o orçamento para a prova não contávamos com a actual situação económica. Mas, sentimo-nos satisfeitos porque terminamos bem o nosso primeiro Moçambola e com 16 equipas. Em termos competitivos, sentimos que houve competitividade, pelo que assistimos ao surgimento de novos atletas que deram vigor ao campeonato. Tivemos a situação de crise nos clubes, mas fizeram de tudo para que se mantivessem até ao fim do campeonato.
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Qual foi o verdadeiro impacto desta crise, ao nível da LMF? 
-Afectou na medida em que tivemos  de adiar o pagamento de alguns serviços. Há outros que tivemos de negociar com os fornecedores porque nem todos os patrocinadores desembolsaram os valores. Também não foi possível aumentarmos os subsídios dos árbitros, melhorar as suas condições de acomodação e transporte terrestre (seria a LMF a pagar o transporte terrestre e não os próprios árbitros). A tensão político-militar também nos afectou porque não foi possível as equipas da zona centro deslocarem-se via terrestre, o que reduziria a factura de transporte.

Uma falta de comparência e paralisação de treinos, devido a questões salariais, marcaram este campeonato. Olhando para a situação que os clubes atravessam, é possível considerarmos a passagem de 14 para 16 clubes, uma decisão acertada?
Resultado de imagem para moçambola-Penso que não há nenhuma relação.Temos de olhar as duas situações de forma distinta. Quando aumentamos o número de equipas, havia um objectivo por atingir (aumentar a competitividade) e conseguimos. Por outro lado, constatamos que as equipas repescadas (Desportivo de Nacala e 1º de Maio de Quelimane) souberam estar na prova, diferentemente do Desportivo do Niassa, que estaria mesmo sem o seu alargamento. Portanto, não há nenhuma ligação. A crise teria nos afectado da mesma forma com 14 clubes.

Embora os custos da organização da prova recaiam sobre a LMF, não sente que ter um maior número de clubes “deficientes” afecta a competição e a LMF, como organizadora?
-Se os clubes tivessem tido crise, faltando um mês para o fim do campeonato, apontava o aumento de número de clubes como responsável. Mas, a crise verificou-se antes do final da primeira volta. Portanto, o aumento de clubes não tem nada a ver com a crise financeira. O nosso desafio não é reduzir o número de clubes, mas ter clubes organizados (em termos financeiros e noutros aspectos ligados ao marketing desportivo).
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Podemos concluir que para 2017 estão confirmados os 16 clubes...
-É nosso objectivo, mas é verdade que a situação financeira ainda vai nos abalar em 2017, pois, as previsões indicam a melhoria para 2018. Porém, qualquer alteração será feita na Assembleia-Geral, onde se aprovou o alargamento.

Resultado de imagem para estadio nacional zimpetoDisse publicamente, que “só o licenciamento ditaria quem deve estar no Moçambola”. Neste momento, apenas duas equipas estão licenciadas (Liga Desportiva de Maputo e Ferroviário da Beira) e oito estão à espera, sendo que cinco (incluindo as duas equipas que ascenderam a primeira divisão) ainda não moveram palha. Com este facto, há condições para estas colectividades fazerem parte da prova?
-Estamos preocupados porque o tempo já não existe e os clubes não estão a cumprir com os prazos. Mas, o licenciamento é a chave para estar no Moçambola. Se não estiverem devidamente licenciados não vão participar no Moçambola de 2017. Mas, acredito que os clubes vão resolver a situação porque é na base do licenciamento que vamos poder ver a sua mínima organização.
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Ou seja, é possível não termos 16 equipas, caso não se licenciem...
-Sim. Tem de se cumprir com os requisitos.

Que informações têm sobre os clubes que ascenderam ao Moçambola.Não está a caminho um novoDesportivo do Niassa”?
Resultado de imagem para moçambola-A questão dos novos clubes ainda não está concluída. Estamos à espera de uma comunicação oficial, como também ainda não comunicamos quem são os despromovidos. A verdade desportiva é um dos seus cavalos de batalha”.

Na penúltima jornada, o treinador da UDS apontou nomes dos que “arquitectam”
campeões. Até que ponto, esta declaração belisca esta prova e a própria LMF, tendo em conta,também, a situação dos “nove minutos” da época passada?
Resultado de imagem para moçambola-Estamos preocupados em ver esse assunto resolvido, mas em termos de resultados desportivos estamos claros de que o Ferroviário da Beira é justo vencedor. Ninguém deve questionar isso. Terminou com maior número de pontos e golos marcados. Mas, os pronunciamentos merecerão o seu devido tratamento porque levantam dúvidas
sobre a organização do campeonato. Se houver matérias que não sejam desportivas, mas que atentam a nossa verdade desportiva iremos encaminhá-las para as entidades competentes.

Será que teremos, de facto, resultados deste trabalho? Aquando das palavras de Augusto Matine não tivemos desfecho...
-Faremos de tudo para que possamos esclarecer este caso. Vamos analisar as questões desportivas e traremos resultados.

O que falhou para que o blackout declarado aos treinadores não tivesse efeito... será o melhor caminho para preservar a imagem da competição?
Resultado de imagem para moçambola-O árbitro não é o elemento mais importante do jogo, mas fundamental. Quando falamos de não comentar sobre o trabalhos do árbitro, referíamo-nos à necessidade de se usar uma linguagem cuidada, por um lado, e, por outro, fazer leitura do jogo porque o habitual é não fazer análise do desempenho da equipa ou o mérito e demérito do adversário. Foca-se, simplesmente, no trabalho do árbitro.

O calendário voltou a ser colocado em causa, na medida em que houve período em que as equipas faziam jogos num espaço de três dias, enquanto as condições de transporte são as que conhecemos...
-De facto, precisamos melhorar a nossa calendarização e no trabalho que faremos com a FMF procuraremos não ter jogos ao meio da semana e nem jogos da Taça da Liga, em datas-FIFA. Porém, a Taça da Liga veio para melhorar a utilização dos recursos humanos dos clubes porque os planteis são constituídos por 25 a 26 jogadores. Por isso marcávamos jogos nas datas-FIFA.
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Com este argumento, a LMF não estará a ditar que atletas devem ser utilizados nesta competição, competência exclusiva aos treinadores e numa prova já declarada oficial e, ao mesmo tempo, milionária?
-O nosso objectivo era trazer a competitividade e despertar talentos. Mas, com esta crise, os clubes preferiram apostar na equipa principal, pelo que nos leva a pensar e reorganizar o calendário desta prova. Já não queremos que os jogos coincidam com os da selecção nacional. Se as condições financeiras e climatéricas permitirem iremos começar a prova, em Fevereiro, para permitir que o Moçambola seja jogado apenas aos fins-de-semana, assim como a própria Taça da Liga.

Resultado de imagem para moçambolaUma das maiores batalhas travadas por esta direcção é das transmissões televisivas do Moçambola. Que avaliação faz da implementação do acordo com a ZAP?
-Embora se tenha transmitido poucos jogos, a avaliação é positiva porque veio trazer mais-valia ao nosso campeonato, pois, passa a ser visto fora do país e com imagem de qualidade. Estão surpreendidos com a qualidade do nosso campeonato e pela forma como está a decorrer, podemos renovar.

Nesta fase, só tivemos a transmissão de jogos disputados, em Maputo. O que prevê o contrato sobre este aspecto e o que está sendo feito para que na próxima época, o cenário seja diferente...
Resultado de imagem para clube costa do sol-Neste ano, a empresa estava numa fase experimental. Estando satisfeita vai aumentar o investimento para que possa transmitir jogos a partir de outras cidades. Mas, o jogo de Songo e o da consagração não foram transmitidos, devido à tensão político-militar, pois, era difícil se deslocarem por via terrestre.

Qual é a vantagem financeira deste contrato para os clubes. Há relatos de que vão render 300 mil MT por ano, valor considerado irrisório. Pode explicar-nos como é feita a partilha deste bolo?
-Os ganhos financeiros deste contrato serão definidos em AG Extraordinária, entre Novembro e Dezembro.
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A violência voltou a manchar o nosso campeonato. Além de jogos à porta fechada, que outras medidas concrectas a LMF está a tomar para acabar com esta situação?
Resultado de imagem para moçambola-Estamos a elaborar um regulamento específico sobre a segurança nos campos de futebol. Vamos buscar também outras experiências, como a inglesa em que também não era fácil ver o futebol. Mas, não são só as leis e nem penalizações que vão mudar o comportamento. É preciso que haja um trabalho de educação cívica para que as pessoas saibam que o futebol é um sítio de lazer e não um campo de batalha. É um trabalho a ser feito pela sociedade e não apenas pela LMF ou FMF.

As condições dos nossos campos (falta de bancadas em alguns) não propiciam estes actos?
-Propicia. A violência tem várias origens e é uma delas. É um desafio que se coloca aos clubes para melhorarem os seus campos. A UDS tem um projecto para ampliar as bancadas. Em Nacala não temos informações, mas deviam ter um projecto similar.
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Mas, não havendo projecto, o que a LMF irá fazer?

-O regulamento que estamos a preparar já prevê a capacidade mínima dos campos que devem acolher o Moçambola e a partir daí faremos o controlo das presenças, se ultrapassou-se ou não o limite. (foto:Ferroviário da Beira/Campeão Nacional 2016)

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