quinta-feira, maio 26, 2011

TATA em Mocuba

Empresários de nacionalidade indiana pretendem instalar uma fábrica de montagem de viaturas da marca Tata, segundo garantiu ao nosso diário, naquele ponto do país, o ministro da indústria e comércio, Armando Inroga. Inroga disse ainda que neste momento decorrem negociações em estado muito avançado com respectivos empresários. Acrescenta que o Governo tem estado a fazer uma reavaliação do potencial para reaproveitar as instalações da indústria têxtil de Mocuba, construída no período pós-independência. Este projecto tem como objectivo tornar o sonho do primeiro presidente de Moçambique Independente, Samora Machel, que era o de criar a maior indústria do ramo, a nível da África Austral, no nosso país.De acordo com os dados preliminares da avaliação do “gigante” adormecido em Mocuba, já feito, é possível instalar a referida indústria de montagem de automóveis, tendo em conta que há condições de acesso de energia e água.As negociações, no sentido de se colocar a fábrica de montagem de viaturas na Zambézia, foram feitas recentemente na viagem que o Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, fez a Índia, onde manteve conversações com os empresários da empresa TATA no sentido de avaliarem o potencial das instalações de uma unidade de montagem de viaturas da marca TATA em Moçambique.“Obviamente que ainda vai ser avaliada a capacidade da infra-estrutura em poder acolher este tipo de unidade industrial, e igualmente vai ser avaliado o tipo de carro, que já esta em Moçambique com o ministério da Indústria e comércio para avaliação, para se adequar com as condições do nosso país, e se tudo der certo, será potencialmente uma das indústrias a ser instalada em Mocuba”, disse o ministro, acrescentado que também estão a ser discutido outros tipos de projectos que poderão ser instalados no espaço da referida infra-estrutura, que outrora pretendeu ser o parque da indústria têxtil de Mocuba.Questionado sobre a data em que a indústria começará a operar, Armando Inroga disse que há várias fases que deverão ser obedecidas, desde o interessado que já foi identificado, até ao tipo de modelo de viatura, e a TATA já enviou o modelo NANO que neste momento está a ser avaliado pelo ministério da Indústria e comércio. Depois vai decorrer o período de avaliação da eficácia do tipo de transporte se servirá ou não para Moçambique, e igualmente se é compatível com as nossas estradas ou não, entre outras...

Morte das “ladies eagles”

É o fim da temível equipa sénior feminina de basquetebol do Desportivo de Maputo, que colocou África a seus pés ao conquistar, em 2007, em Maputo, e 2008, em Nairobi, Quénia, a Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol, um feito inédito. As atletas e o técnico Nazir Ismael Issufo Salé, que ao longo dos 10 anos à frente das “ladies eagles” conquistou dois títulos africanos e três nacionais, assumiram um vínculo contratual com a Liga Muçulmana, clube que este ano introduziu o basquetebol, num negócio com contornos. Dos 778.400,00 meticais exigidos pelo Desportivo para a cedência das sua atletas pela compensação a título de formação, a Liga Muçulmana acabou pagando apenas duzentos e noventa e oito mil meticais, conforme comprova um cheque datado de 18 de Maio de 2011. Mas vamos aos contornos desta novela: tudo começa quando a Liga Muçulmana envia, a 9 de Maio de 2011, uma carta ao Desportivo a solicitar que este clube apresentasse as condições para a desvinculação das atletas Anabela Cossa, Leia Dongue e Odélia Mafanela. “Não constitui verdade. O Desportivo nunca vai vender nenhuma equipa porque a nossa vocação é praticar o desporto. O Desportivo nunca faria uma coisa desta. O que aconteceu é que o treinador Abdul Salé saiu do Desportivo onde fez nome e foi trabalhar com a equipa feminina de Basquetebol da Liga Muçulmana,diz Adelino Chirindza, vice do clube “alvi-negro”.

quarta-feira, maio 25, 2011

Ouro,prata e diamante para a Beira

O presidente do Conselho Municipal da Beira (CMB), Daviz Simango, disse ontem à noite, na Praça do Município da capital da província de Sofala que a edilidade irá assinar um contrato este Maio , através do qual serão alocados três milhões e duzentos e cinquenta mil dólares americanos, que serão usados num projecto de defesa da costa da cidade a começar, desde a Praia Nova até ao Estoril.Falando à população local, à sua chegada de Maputo onde esteve segunda-feira a receber três prémios nas categorias de Limpeza (ouro), Combate ao Crime (prata) e Boa Administração (diamante), sendo os primeiros dois pelo CMB e o último a título pessoal, Simango afirmou que todo o mérito daqueles prémios pertence aos munícipes e aos trabalhadores da edilidade.Daviz Simango falou dos desafios que se impõem aos beirense e apelou para que “trabalhem todos em conjunto, independentemente de raça, tribo, confissão religiosa e convicção política, tendo em vista a prosperidade e criação de uma sociedade que beneficie a todos, de forma justa e transparente”.“Há pessoas que não querem que o município progrida, mas, pela vontade de Deus, não conseguem vencer-nos, pois gozamos da protecção contra as forças diabólicas do mal, que fazem tudo por tudo para tirar-nos a gestão desta cidade. Mas uma coisa é certa: não irão conseguir. Estamos predestinados a esta missão, e por isso, seja lá por que meios forem, iremos vencê-los. São pessoas que não querem que desenvolvamos, mas todos unidos poderemos dinamizar a sociedade, organizando a urbe, fomentando o desenvolvimento, porque a Beira é o centro de todas as mudanças que irão ocorrer no País”, afirmou, tendo posteriormente anunciado o referido financiamento, embora sem dar outros detalhes.“A erosão costeira está impedir o desenvolvimento da actividade de pesca artesanal na Praia Nova. Com este financiamento poderemos avançar em projectos duradouros”, disse.Daviz Simango chegou ontem à Beira com os prémios que recebeu da instituição sul-africana, pelo quinto ano consecutivo. Eram 16h30. Do Aeroporto Internacional da Beira à Praça do Município foi acompanhado por uma caravana de carros e uma moldura humana considerável. Um trajecto de cerca de dez quilómetros levou três horas a percorrer. Até ao centro da cidade onde estão os Paços do Conselho, foram entoados cânticos, numa festa que contou com a animação de dançarinos locais. A Beira celebra assim as honrarias que lhe concedem.“Temos que dar lição àqueles que desacreditam o nosso trabalho, pois estes troféus são símbolos de vitórias que nos inspirarão a novos desafios, em prol do nosso bem-estar”, acrescentou. Daviz apelou na circunstância para o redobramento da colaboração na limpeza e tapamento dos buracos da cidade. (Adelino Timóteo)

Facilidades na aquisição de remédios

Os funcionários e agentes do Estado passarão a dispor de um mecanismo que lhes permite obter medicamentos directamente nas farmácias cobertas pelo Sistema Nacional de Saúde, nomeadamente as farmácias da FARMAC, Empresa Estatal (EE). Para a efectivação do mecanismo, que assegura o acesso a medicamentos, foi firmado um contrato de prestação de serviços entre o Ministério da Saúde (MISAU) e a FARMAC para o fornecimento de medicamento aos servidores do Estado e seus dependentes.O novo mecanismo está em conformidade com preconizado no Regulamento de Assistência Médica e Medicamentosa prestados aos funcionários e agentes do Estado.O Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado preconiza o direito a assistência médica e medicamentosa aos funcionários e Agentes do Estado e familiares.Para o efeito, são abrangidos por esta disposição todos os que por motivo de nomeação, contrato ou qualquer outro vínculo, aufiram salário ou qualquer outra espécie de remuneração suportada pelo Orçamento do Estado.Com o protocolo assinado entre o MISAU e a FARMAC, o processo de acesso aos medicamentos por parte dos funcionários e Agentes do Estado passa a ser mais simples e efectivo, refere um comunicado de imprensa do Ministério da Função Pública.

José Salvador acorda com ossadas à porta

Um incidente insólito agitou terça-feira o bairro da Matola “H”, no Município da Matola, província meridional de Maputo, em Moçambique, quando populares acordaram em pânico logo que se aperceberam que o secretário do bairro recebera, durante a madrugada, uma ameaça de morte. Segundo o diário independente “O País”, os mentores depositaram à porta da casa do secretário do bairro uma pequena urna contendo ossos. No seu interior também vinha colado um papel com os seguintes dizeres: “José Salvador Mondlane se continuar como secretário cuidado”.A população, incrédula com a notícia, acorreu em massa à casa do seu secretário para testemunhar o sucedido.O visado, que dirige o bairro desde 2005, conta que só tomou conhecimento da existência da urna quando uma das filhas, por volta das 05h50, preparava-se para ir trabalhar.Curiosamente, a mesma, quando abriu a porta que dá acesso à rua, deparou-se com a pequena urna e tratou imediatamente de informar o seu pai. Imediatamente, o pânico instalou-se no seio da família, que não conseguia entender as razoes para a presença daquela urna a porta de sua casa. Quando menos se esperava, surge uma outra notícia ao secretário do bairro, revelando a presença de outro objecto estranho a porta do seu gabinete de trabalho. Desta vez tratava-se de uma cruz, acompanhada de cinzas.Comentando sobre o assunto, Mondlane diz não entender o que estaria a acontecer, pois goza de um bom relacionamento com a população do seu bairro. Apesar de não estar em condições de produzir provas, Mondlane afirma que suspeita que o acto poderá ter sido cometido por dois cidadãos, um dos quais ele terá demitido do cargo de Chefe de Quarteirão e que nunca se conformou com a perda do seu posto.A polícia, que se deslocou ao local dos acontecimentos, diz que esta a investigar o caso.

terça-feira, maio 24, 2011

MDM tenta aguentar pressão interna

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, abordou pela primeira vez em público a alegada “crise” no seu partido, cuja face mais visível foi a demissão do Secretário-Geral (SG), Ismael Mussa. Falando ao Canalmoz ontem em Maputo, Simango disse que “não há ambiente turvo no seio do MDM”.Recorde-se que Ismael Mussa, o então SG, chegou a dizer em entrevista exclusiva ao Canalmoz, que já não se comunicava com o presidente do partido. Numa carta assinada Ismael Mussa, João Colaço, Dionísio Quelhas, Marcelo Cardoso, Henriques Tembe e Abel Quita, encabeçados pelo SG, acusavam Daviz Simango de “gestão autoritária” do partido e de “falta de diálogo”.Daviz Simango tece os seguintes comentários sobre o assunto que figura na carta: “por características próprias e princípios do partido, os quais respeito muito e os coloco em primeiro lugar não costumo comentar sobre as pessoas, muito menos comento sobre certas atitudes de pessoas”.Insistência para que Simango falasse da sua relação com Ismael Mussa e com os restantes subscritores da referida missiva, mas da sua boca não saiu nem sequer uma palavra. Daviz Simango não quer comentar sobre as acusações que pesam sobre si. Apenas diz que “não há nenhum ambiente infernal” e “a saída do SG não afectou o normal funcionamento do partido”.“Há coisas mais importantes como é o caso da preparação dos futuros pleitos eleitorais com os quais estamos preocupados”, disse mudando de assunto.Falando do posto de Secretário-geral, concretamente sobre o substituto de Ismael Mussa, Daviz Simango não avança nomes e diz que tudo dependerá do Conselho Nacional. “Ainda estou empenhado nas actividades correntes do partido. Neste momento não encontro espaço para pensar nisso, porque afinal de contas o partido é vasto e tem desafios e é com estes desafios que estamos preocupados. Neste momento, o presidente do partido acumula as funções de SG e vamos ver o que se vai decidir no Conselho Nacional”, referiu.Ainda sobre o Conselho Nacional, Daviz Simango disse que para além de debater a questão do novo SG, terá como um dos pontos da agenda o Relatório de Contas de 2010, o Plano Estratégico do partido a ser apresentado pela Comissão Política, em função dos processos eleitorais que se avizinham. Ismael Mussa apareceu em público a afirmar ser difícil fazer política quando os princípios são relegados para o segundo plano e passamos a citar – “criticamos a FRELIMO por partidarizar o Estado e nós, MDM, estamos a levar as nossas famílias para a sua direcção. Acusamos de má gestão dos fundos do Estado e a nossa base que é o Município da Beira, foi um dos três no País que não apresentou as suas contas no final do ano” – disse Mussa ( Matias Guente)

“Combatentes não são mercenários”

O presidente do Partido Renamo disse em Nampula que a recém aprovada Lei do Estatuto do Combate é uma lei “partidarizada e discriminatória”, por isso não faz sentido a sua existência. Segundo disse Dhlakama, “se a Frelimo quer uma lei como está, que a invente lá no Comité Central e que arranje dinheiro para pagar aos seus homens. Não deve pagá-los com fundos provenientes dos impostos dos moçambicanos pobres”. “Nós não podemos e nem devemos permitir isso”, apelou. “A Frelimo está a comprometer a família moçambicana, criando problemas para as futuras gerações (…), não estamos numa aldeia comandada pela Frelimo, somos um povo com seus direitos conquistados com muito suor e sacrifício”, disse Afonso Dhlakama.O líder histórico da Renamo entende que “se há democracia deve ser vivida por todos nós e deve ser respeitada”, porque “Guebuza e seus amigos gozam tudo sozinhos. Estão cheios de regalias”. “Somos obrigados a mudar aquilo”, disse Dhlakama para quem “a Frelimo não pode pensar que vai se manter com a maioria ilegal na AR, porque são resultados falsos e os 191 deputados que tem lá são inconstitucionais”.Disse que o partido que dirige, cuja bancada parlamentar na AR votou contra a aprovação da referida lei, “não vai aceitar uma lei que apenas está a favor dos membros da Frelimo”.“A Frelimo queira ou não, esta Lei vai desaparecer. Não vai ser aplicada aqui em Moçambique e não tem razão de ser”, disseDhlakama questiona, entretanto, “por que razão devem haver três escalões de desmobilizados”.Diz ele que o primeiro é dos que militaram na luta pela independência e dos que pelo menos entraram nas fileiras da Frelimo até duas ou uma hora antes da assinatura dos acordos de Lusaka, os quais gozam de todo tipo de regalias.Afirma que o segundo grupo é constituído pelos então da Frente Popular de Libertação de Moçambique (FPLM), chamado por grupo da defesa, os quais gozam de muitas regalias, embora condicionadas (exigindo-se um mínimo de três anos até a data.Diz que o terceiro grupo é constituído pelos que lutaram pela democracia, que é a Renamo, os quais não têm regalia nenhuma, sendo-lhes exigidos um mínimo de dez anos nas fileiras militares e que até à data tenham o mínimo de catorze anos. Observa que esta medida é para reduzir o número dos desmobilizados que poderão se beneficiar.“Porquê isto se todos lutaram pela causa do país?”, questiona Afonso Dlhakama. O líder do maior partido da oposição em Moçambique entende que osdesmobilizados/combatentes “não são mercenários para serem pagos. Não se pode tratar de uma situação como se estivessem a pagar a mercenários. Apenas é o reconhecimento feito a todos os grupos e as regalias devem ser iguais”.“Por isso, se não forem tratados da mesma forma que seja retirada a lei”.“A Frelimo fala da existência de pouco mais de sessenta mil combatentes da luta de libertação nacional. É um número falso, porque até em 1974 a Frelimo tinha apenas cerca de oito mil desmobilizados. Onde arranjou estes pouco mais de sessenta mil?”, questiona Dhlakama.“Se nós forçarmos a Frelimo para formar os antigos combatentes em cada província, vamos encontrar jovens com trinta anos que ainda não tinham nascido à data da assinatura do acordo de Lusaka. Isto é uma forma de aumentar membros que não tem. Por isso andam a meter filhos, primos, esposas e amantes”, denuncia Dhlakama.“É errado atribuir o estatuto de combatente a uma pessoa que entrou para a Frelimo duas horas antes da assinatura dos acordos de Lusaka”.

Cadeia para ex-ministro

O Tribunal Supremo acaba de deliberar sobre os recursos interpostos pelos advogados de defesa dos réus do “caso Aeroportos de Moçambique”, caso que teve a sentença em primeira instância, assinada pelo juiz Dimas Morrôa, no dia 26 de Fevereiro de 2010. Diodino Cambaza, António Munguambe, Antenor Pereira e Deolinda Matos viram as suas penas reduzidas drasticamente, enquanto António Bulande teve a sua pena suspensa. Embora o esforço feito para que fosse facultado aos orgãos de comunicação o Acórdão que por lei é público não resultou.. Contudo, junto de fontes próximas do processo soube-se o essencial da decisão dos juízes que produziram o Acórdão do Supremo. Diodino Cambaza, ex-PCA dos Aeroportos de Moçambique, é considerado cérebro do desfalque. Tinha sido condenado a 22 anos de prisão pelo juiz Dimas Morrôa. O acórdão do Supremo reduziu a sua pena para 12 anos. Encontrava-se em prisão preventiva antes do julgamento em primeira instância e continuou. Permanece preso. António Munguambe, ex-ministro dos Transportes e Comunicações, que fora condenado a 20 anos de prisão, por ter beneficiado de dinheiro e bens frutos do roubo aguardava em liberdade. A sua pena foi reduzida para apenas 4 anos e foi ontem detido na sua residência em Maputo e conduzido à Cadeia Central da Machava sob prisão para cumprir a pena. Antenor Pereira, antigo administrador financeiro da Aeroportos de Moçambique estava detido e continua. Fora condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por cumplicidade com Cambaza. O Tribunal Supremo reduziu-lhe a pena para 4 anos. Deolinda Matos, da empresa SMS, que fora condenada a 24 meses de prisão na primeira instância, viu agora a sua pena ser reduzida para 21 meses. Deverá ser restituída à liberdade ainda este mês. Segundo apurámos dentro de poucos dias. António Bulande, chefe do Gabinete do ministro dos Transportes e Comunicações, António Munguambe, aquando da ocorrência dos factos. Foi o único que teve a sua pena suspensa. Em primeira instância fora condenado a 2 anos de prisão, mas o acórdão do Supremo dá-lhe 4 anos de pena suspensa. Estes foram os dados que o Canalmoz conseguiu apurar junto de fontes próximas do Tribunal Supremo. Embora o acórdão seja público, por lei, o Tribunal Supremo ainda não o disponibilizou à imprensa. Quando a sentença do julgamento em primeira instância foi lida, Diodino Cambaza, Antenor Pereira e Diolinda Matos já se encontravam detidos. Estão detidos desde dia 21 de Outubro de 2008. O julgamento decorreu entre 16 de Novembro e 24 de Dezembro, já em prisão. António Munguambe e António Bulande aguardaram pelo julgamento em liberdade e continuaram em liberdade até sair ontem o Acordão do Tribunal Supremo. Antócio Munguambe torna-se o primeiro membro do Conselho de Ministros, a ser preso para cumprir uma pena atribuída por uma sentença transitada em julgado.

domingo, maio 22, 2011

Crematorio abandonado

As infra-estruturas bastantes degradadas do forno crematório, localizadas no bairro da Munhava, na Beira, viraram nos últimos tempos covil de assaltantes, segundo depoimentos de cidadãos que já sugerem a sua destruição, para que o local não sirva de refúgio de bandidos. “Estamos igualmente preocupados, porque este crematório virou já covil de marginais, os quais, munidos de catanas e facas grandes, assaltam às pessoas que passam por aqui, na calada da noite”, disse o cidadão Luís Magugi, entrevistado nas proximidades do crematório. Ele afirmou que gostaria de ver a infra-estrutura destruída. Luís Magugi afirmou ter sido uma das vítimas que escapou da morte por um triz ao ser atacado por assaltantes, tendo apanhado golpes de catana no ano passado, quando regressava da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, onde trabalha. Contou que, recentemente, viu uma mulher a ser esfaqueada, tendo sido depois abandonada com a faca cravada no abdómen, o que lhe levou à morte, a caminho do Hospital Central da Beira.“O crematório deve ser destruído, se bem que o Conselho Municipal da Beira já não o precisa”, insistiu.Rosa Mialo, outra fonte , é também da opinião de que o crematório seja destruído, para o bem da população local, justificando que, actualmente, a infra-estrutura não está a servir para nada, senão tonar-se esconderijo de malfeitores, que todos os dias despojam as pessoas dos seus haveres, para além de matar e ferir, em certos casos.“Vivo na Beira há bastante tempo. Ví este crematório a funcionar, mas a uma dada altura, deixou de trabalhar e eu pensava que foi encontrada uma outra infra-estrutura para a incineração de lixo tóxico, por exemplo” - palavras de Rosa Mialo, que na altura da entrevista olhava para o crematório com uma certa estranheza, dado o facto de existirem no seu interior fezes de pessoas que a coberto da noite defecam, como se de latrinas se tratasse.Antónia Fernando, outra cidadã , afirmou que também gostaria de ver aquele crematório destruído, porque no estado em que se encontra já não dá para mais nada.Ela disse que quando chega perto do crematório fica com a sensação de que a infra-estrutura está num total abandono pelo Conselho Municipal da Beira. Acrescentou que houve relatos segundo os quais as pessoas são assaltadas por bandidos, a coberto da noite.“Então, se já não serve como crematório, que seja destruído, porque virou local onde os marginais escondem-se. A pessoa que passa por ali é surpreendida e logo assaltada e quando aparece socorro, os bandidos refugiam-se no interior, que fica muito escuro” - sugeriu a nossa interlocutora. O Conselho Municipal da Beira (CMB) reconhece que, de facto, o crematório está caduco, não sendo, por isso, usado para incinerar o lixo tóxico, pois simplesmente são queimados os papéis inúteis, obviamente.Jeremias Liando, vereador para a área de gestão urbana e meio ambiente, explicou que aquela infra-estrutura deixou de funcionar há bastante tempo. Acrescentou não haver, porém, perspectivas para a sua reabilitação.Segundo a fonte, quando foi instalado o crematório, naquela área não havia muitos habitantes, sendo que agora já não se aconselha a sua existência, pois este tipo de infra-estruturas deve estar distante da área habitada.Respondendo com certo receio a uma pergunta, Liando disse que “cedo ou tarde teremos que encontrar uma incineradora correspondente a esta época”. Apontou que, actualmente, o CMB enterra nas lixeiras os cães e gatos e outros animais atropelados nas diferentes artérias da urbe.“Embora reconheçamos que está caduco, não vamos destruir o crematório, porque ainda usamos para a queima de papéis” - disse Jeremias Liando, quando respondia a uma pergunta da nossa Reportagem, que constatou haver vestígios de fogo no interior daquela infra-estrutura.

Obama irrita Israel

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em que defendeu a criação de um Estado palestiniano baseado nas fronteiras de 1967, irritou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que os Estados Unidos "não entendem a realidade". Obama defendeu que a Palestina seja criada na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e conte com os territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que incluiria Jerusalém Oriental.Netanyahu já tinha reagido em comunicado dizendo que a ideia defendida por Obama pode deixar Israel com fronteiras "indefensáveis".Mas antes de embarcar para Washington, afirmou que "há uma sensação de que Washington não entende a realidade, não entende o que enfrentamos".Já dentro do avião, questionado pelos jornalistas sobre o motivo da crítica a Obama, Netanyahu afirmou que "há coisas que não podem ser varridas para debaixo do tapete".Entretanto, a líder da Oposição o israelense Tzipi Livni reagiu à reacção de Netanyahua Obama, dizendo que "expõe Israel ao risco".

Para sair do FMI...

O Fundo Monetário Internacional esclareceu, que o ex-director-geral Dominique Strauss-Kahn (detido e acusado de tentativa de esturpo pelos EUA) recebeu 250 mil dólares (176 mil euros) como pagamento único por cessação do vínculo, como previsto contratualmente, e que o valor futuro da pensão será "muito inferior". .O porta-voz da instituição, William Murray, afirma em comunicado que "o valor da pensão e de outros benefícios anuais do antigo director-geral Strauss-Kahn têm sido sobrestimados (...) parecem baseados erradamente num pagamento único de separação de 250 mil dólares. O pagamento anual será muito, muito inferior a esse montante nos anos subsequentes". O contrato, para um período de cinco anos, de Strauss-Kahn como director-geral do FMI começou em 1 de Novembro de 2007. Nos seus termos, o salário anual líquido foi estipulado em 420.930 dólares, acrescidos de 75.350 dólares anuais para despesas de representação. Admitiu-se ainda o reembolso de "despesas razoáveis", além de outras, como as incorridas com viagem e alojamento da esposa em reuniões anuais do Conselho de Governadores do FMI fora de Washington. O contrato estipulava também o ajustamento anual do salário e das despesas de representação em 1 de Julho de cada ano, a começar em 2008. O documento determina ainda um pagamento no fim da ligação de Strauss-Kahn ao FMI, igual a uma percentagem do salário total no último ano de serviço, de acordo com o número de anos completos de serviço. Os três anos inteiros em que Strauss-Kahn dirigiu o FMI dão direito a uma percentagem de 60 por cento, que correspondem aos 250 mil dólares mencionados. O texto divulgado revela, sem pormenorizar, que Strauss-Kahn beneficiaria ainda do plano de reforma dos colaboradores do FMI e de um suplemento anual à pensão recebida.

Muito giro

Se gosta de miniaturas, o Miniatur Wunderland em Hamburgo tem uma surpresa para si. A exposição acaba de adicionar ao seu portfólio um aeroporto em miniatura que captura quase todos os detalhes de um verdadeiro aeroporto.A peça tem o valor de 3,49 milhões de euros e levou seis anos a fazer. Impressiona por ser extremamente detalhada, incluindo miniaturas altamente realistas de aviões e outros veículos, que podem, inclusive, mover-se pela pista.Este aeroporto é uma adição de peso à Miniatur Wunderland, que se dedica desde 2000 à construção de miniaturas de diversos cenários e infraestruturas. O projeto é o maior do seu género em todo o mundo e já conta com mais de 10 mil comboios, que se movem automaticamente pelos carris em miniatura.

Americanos consomem mais "Made in Mozambique"

As exportações moçambicanas para o mercado dos Estados Unidos da América (EUA) atingiram quase 40 milhões de dólares em 2009, substancialmente mais do que os 7 milhões de dólares registados em 2001.A evolução registada em 2009 ficou a dever-se, em grande medida, ao impacto da Lei norte-americana de Oportunidade e Desenvolvimento para África (AGOA), uma iniciativa do governo federal norte-americano ao abrigo da qual os países africanos podem exportar para o mercado dos EUA sem quaisquer taxas.Apesar deste crescimento nas exportações, os empresários moçambicanos ainda não estão a explorar as oportunidades disponibilizadas por esta iniciativa do governo norte-americano.Segundo informações reveladas durante o encontro de balanço dos primeiros 10 anos do AGOA e do seu impacto na economia moçambicana, realizado em Maputo, a receita alcançada em 2009 resultou da exportação de minerais e metais, com 32,5 milhões de dólares, bens agrícolas, com 5,5 milhões de dólares, 150 mil dólares em produtos florestais e 145 mil dólares em bens electrónicos.O encontro foi organizado pelo Centro dos Estudos Moçambicanos e Internacionais, em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos da América e com a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID).Na ocasião, o vice-Ministro da Indústria e Comércio, Keneth Marizane, disse que o governo moçambicano está a desenvolver esforços no sentido de melhorar a qualidade dos produtos nacionais, tendo citado como exemplo, a recente certificação do ananás de Muxúnguè (Sofala), que passou a ter portas abertas no mercado europeu.Por outro lado, o país tem estado a conseguir diversificar os produtos colocados no mercado internacional.Desde a criação do AGOA, em 2000, as exportações de 40 países beneficiários atingiram 86 mil milhões de dólares, contra 21,5 mil milhões antes da sua entrada em vigor, para além da criação de pelo menos 300 mil empregos.

Aprovado

Moçambique acaba de ser agraciado com dois prémios pela Rede das Nações Unidas para a Administração Pública (UNPAN). Trata-se dos prémios “Compromisso com a Gestão de Conhecimento” e “Excelência em Performance no Conhecimento”.Segundo um comunicado do Ministério da Função Pública, a distinção ocorreu na cidade sul-africana de Joanesburgo, no decurso do Workshop do Portal Regional da SADC da Rede de Administração Pública das Nações Unidas, que decorreu no inicio deste mês.Estes prémios são resultado dos empreendimentos que Moçambique tem desenvolvido em vários domínios da modernização da administração pública para coloca-la, cada vez mais, capacitada, próxima e efectivamente ao serviço do cidadão.De acordo com a Organizacao das Nacoes Unidas (ONU), 'são dignos de reconhecimento os feitos da nossa administração pública, em termos de inovações e práticas, que consubstanciam de facto a gestão e disseminação de conhecimento'. Concorreram para que a administração pública moçambicana fosse este ano distinguida a criação e instituição dos fóruns de gestores de recursos humanos do Estado, dos chefes de secretaria e dos inspectores-gerais administrativos, a formação das lideranças e escolas de governo, a disponibilidade de informação, dados relevantes e actualizados, incluindo o uso de novas tecnologias de informação e comunicação.A UNPAN é uma plataforma da ONU que se dedica a promoção da partilha de conhecimentos e intercâmbio de práticas inovadoras e lições aprendidas com respeito às directrizes públicas e de gestão a níveis local, nacional, sub-regional, regional e intercontinental.O objectivo fundamental da UNPAN é o de apoiar o desenvolvimento de sistemas de administração pública eficientes e eficazes e a competência nos serviços de função pública, particularmente nos países em vias de desenvolvimento.
Empresários moçambicanos queixam-se do facto de as inspecções realizadas pela instituições governamentais serem mais punitivas do que educativas.Assim, os mesmos pedem à direcção da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) que intervenha junto do executivo.O problema levantado pelos empresários é o facto de os inspectores, ao detectarem qualquer anomalia, limitam-se a aplicar multas ou outro tipo de sanções, antes de advertir os empresários para melhores praticas.Esta preocupação foi apresentada durante vários encontros mantidos entre a direcção do CTA e os empresários que operam nas províncias de Sofala, Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa.Tais encontros ocorreram no âmbito das visitas levadas a cabo de 9 a 12 de Maio pelo Presidente da CTA, Salimo Abdula e seus Vice-Presidentes: Rogério Manuel e Henk Son, bem como pela Directora Executiva, Alima Hussein.As visitas ocorreram no âmbito das acções de monitoria e avaliação das actividades do empresariado nacional com vista a medir o pulso do mecanismo de interacção e diálogo com o Governo.Durante as visitas, foram apresentadas outras questões como os elevados custos de transportes na zona norte, difíceis vias de acesso, altas taxas praticadas pelos municípios ao nível das cidades sem critérios claros.Todas estas questões encarem as operações dos empresários, o que tem impacto negativo na sua competitividade.

sábado, maio 21, 2011

Com a corda na garganta

Os motoristas moçambicanos deverão a partir desta semana evitar ao máximo viajar para o vizinho Malawi ou passar por aquele território na sequencia de uma ordem do governo de Bingu Wa Mutharika para a policia de transito nacional colectar, no espaço de dois meses, o equivalente a 48 milhões de Meticais (o dólar equivale a cerca de 30 meticais) para o pagamento de salários em atraso dos agentes da corporação.Segundo a Rádio Moçambique, citando o Jornal Malawi News, a policia malawiana deverá, por si própria, produzir os seus salários através de multas a aplicar aos automobilistas.As províncias de Tete, Zambézia e Niassa limitam Moçambique e o Malawi, pelo que, diariamente, centenas de motoristas moçambicanos cruzam o Malawi, presumindo-se que sejam eles as principais vítimas desta decisão do governo do Malawi. A regiãoSul do Malawi, que faz fronteira com as três províncias moçambicanas, é, por coincidência, aquela que deverá “sacar” a maior parte da receita para o pagamento dos salários da polícia malawiana.O governo do Malawi afirmou que a colecta de receitas pelos agentes da policia de transito é um imperativo nacional e que as metas deverão ser cumpridas não perdoando a toda e qualquer infracção cometida pelos motoristas, cujas multas deverão ser pagas na hora pelos infractores.O Malawi está aparentemente na bancarrota e sem dinheiro para pagar salários aos funcionários públicos, incluindo professores e agentes da polícia.Há cerca de duas semanas, o antigo governador do Banco Central do Malawi disse que o país está tecnicamente falido, mas o governo indicou que isso não correspondia à verdade.

Perigo deixar ao legislador ordinário matérias "sensíveis"

Jornalistas e académicos moçambicanos consideram que a revisão da actual Constituição da República, proposta pelo partido no poder, a Frelimo, constitui uma oportunidades para o alargamento e salvaguarda dos direitos fundamentais e da liberdade de imprensa no país.Eles entendem que a questão do direito de acesso à informação, que muito preocupa os profissionais da comunicação social, poderá ser resolvida com a revisão da actual Constituição, uma vez que a proposta de lei submetida em 2005 não foi agendada e nem sequer se sabe quando a mesma terá o respectivo tratamento naquele órgão legislativo.Estes pronunciamentos foram feitos em Maputo, durante a conferência nacional de sobre o “Direito à informação e revisão constitucional: oportunidades de desafios”, organizada pelo capitulo moçambicano do Instituto de Comunicação Social da Africa Austral (MISA-Moçambique), por ocasião do dia da liberdade de imprensa celebrado recentemente.Em Moçambique, as leis são muito genéricas e vagas, o que abre espaço para interpretações de acordo com a perspectiva e pretensão de cada um.Por outro lado, a Constituição da República, remete os vários direitos fundamentais a lei especifica, criando um vazio, sobretudo quando tais leis não existem.Alguns desses casos são o direito de acesso à informação, que é uma garantia que assegura o direito dos cidadãos à informação, a questão do direito à réplica política, entre outros assuntos, que estão estatuídos na constituição, mas remetida a sua aplicabilidade à lei específica.Segundo o docente e investigador da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, Paulo Comuane, no que refere ao acesso à informação, a revisão da Constituição abre espaço para a clarificação das circunstancia em que há obrigatoriedade das entidades públicas e privadas de darem informação aos jornalistas e ao público.Outro aspecto determinante para o exercício do direito à informação, sobretudo quando se trata dos profissionais desta área, é o sigilo profissional ou protecção das fontes de informação. Para Comoane, “é necessário que a lei defina qual a natureza deste direito. Poderá haver alguma circunstância em que o Jornalista pode ser obrigado a divulgar a sua fonte? Em que circunstancias e quem pode determinar essa obrigatoriedade? Isto porque, apesar de estar previsto na constituição o direito de protecção das fontes, muitas vezes os jornalistas são obrigados a revelar as fontes das suas informações e há que clarificar em que situações isso pode ocorrer”.Por seu turno, Salomão Moyane, director do semanário privado Magazine Independente, defendeu que a Constituição deve ser clara quanto a aplicabilidade dos direitos fundamentais e mandar aplicar tais direitos e não remeter ao legislador ordinário.Segundo Moyana, o perigo que existe em deixar para o legislador ordinário matérias fundamentais é de o que está estatuído na constituição não ser cumprido ou ser aplicado de forma contrária ao pretendido pelo legislador constituinte.Por exemplo, enquanto a Constituição estatui no numero 5 do artigo 48, que o Estado garante a isenção dos meios de comunicação social do sector público, bem como a independência dos jornalistas perante o Governo, a administração e os demais poderes políticos, o legislador ordinário, através da lei 17/91, Lei das Empresas Públicas, manda o Governo nomear os PCAs das empresas públicas de comunicação social e os ministros de pelouro a nomear os demais membros do conselho de administração, inviabilizando, desse modo, a aspiração do legislador constituinte.“Por outro lado, o legislador constituinte advoga a independência dos jornalistas do sector público perante o governo, a administração e os demais poderes políticos, mas, por seu turno, o legislador ordinário deixa os mesmos jornalistas à mercê das interferências diárias, precisamente, por parte das entidades que o legislador constituinte quis proibir”, explicou.No que refere à revisão da constituição, Moyana defendeu que “pensamos que, havendo pressão suficiente sobre os órgãos de revisão constitucional e existindo vontade democrática suficiente por parte desses órgãos, é possível incorporar no texto fundamental da Constituição o conteúdo básico da almejada lei de acesso à informação, encurtando, deste modo, a margem de manobra para o legislador ordinário sobre matéria tão decisiva, a construção democrática da nação moçambicana”.Para Ericíno de Salema, jornalista e pesquisador, neste momento a exercer as funções de director do programa de acesso à informação no Íbis, organização não governamental dinamarquesa, a revisão da constituição pode ser uma oportunidade “excelente” de o país ver os direitos fundamentais transformados em direitos fundamentalíssimos, o que sucede quando a lei fundamental se basta a si mesma.“A revisão em si pode, se os deputados da bancada maioritária agirem como reais defensores do interesse público, constituir uma oportunidade para a efectivação imediata dos direitos fundamentais, incluindo aqui a liberdade de expressão e direito à informação. Com um arranjo visando a sua efectivação imediata, a Constituição da República bastaria a ela própria, o que significa que deixaria de ser relevante a existência de uma lei específica sobre o direito à informação”, defendeu.Por sua vez, Tomas Vieira Maria, coordenador do Instituto Planos da Africa Austral, defendeu que a revisão da constituição constitui uma oportunidade para que se clarifiquem os aspectos relativos ao segredo de Estado.É que, muitas vezes, o acesso à informação é vedado aos jornalistas em nome do segredo de Estado. Entretanto, não se sabe exactamente que informação constitui ou deve constituir segredo de Estado.A lei sobre o segredo de Estado, de 1979, está desactualizada, mas, apesar disso, ela é utilizada como escudo para a não disponibilização da informação.“Não há clareza sobre o que é informação classificada (segredo de Estado) e sequer quem classifica tal informação. A questão cultural, de reter a informação deve ser mudada. Há que limitar o segredo de Estado e quem tem competências para classificar a informação. Sabemos que o segredo máximo tem a duração de 30 anos e depois se abre ao público, o segredo médio tem 20 anos e o baixo tem 10 anos. Mas aqui, o segredo de Estado parece ser eterno e temos que discutir este assunto com muita seriedade”, defendeu.O académico, Eduardo Sitoe, explicou, na ocasião, que a liberdade de imprensa tem limite quando se trata de assuntos de defesa e segurança da integridade territorial do Estado para garantir a ordem política estatuída.Por outro lado, o acesso à informação é limitado por imperativos de segredo de justiça que encontra sustentação na protecção dos magistrados, funcionários de justiça e dos visados, bem como na necessidade de limitação da influência ou pressão externa na solução de assuntos entregues à justiça.“ Em Moçambique, os limites estabelecidos para o exercício do direito dos cidadãos à informação contribuem, decisivamente, para o alcance e preservação do conteúdo desse direito, sobretudo, estes limites actuam no sentido de prevenir que, em virtude e em nome do seu exercício, outros direitos fundamentais dos cidadãos sejam sonegados e, por essa via, sejam descaracterizadas a natureza e finalidade da consagração quer do direito à informação, quer da liberdade de imprensa”, explicou.

sexta-feira, maio 20, 2011

Temos que parar de importar alimentos básicos!

Presidente moçambicano, Armando Guebuza, disse que o Governo trabalha sem mãos a medir no aproveitamento das potencialidades agro - ecológicas do país, com vista a garantir que, o mais rápido possível, deixar de importar o arroz.A consumação, segundo o estadista moçambicano, deste desiderato passa pela garantia de um mínimo duas colheitas por ano. "A nossa política é aproveitar totalmente as potencialidades que o país tem para a produção do arroz. É um processo que vai levar o seu tempo, mas esperamos que o mais cedo possível deixemos de importar o arroz', disse o Presidente.Para o efeito, o Japão e o Vietname estão prontos a ajudar o país a introduzir novas técnicas de produção, mas que, para tal, Moçambique precisa de estar bem estruturado.Guebuza falava a jornalistas na sede distrital de Namacurra, província da Zambézia, no final da presidência aberta e inclusiva aquela província do centro do país que, de 13 a 17 de Maio corrente o levou sucessivamente aos distritos de Mopeia, Ile, Mocuba, Gilé, e Namacurra. Antes de escalar a Zambézia, Guebuza trabalhou, de 09 a 12 do presente mês, na província de Sofala, onde visitou os distritos de Buzi, Cheringoma, Maringue e Marromeu. A maior parte do arroz moçambicano é de um ciclo longo e o que se pretende é no mínimo possuir uma semente que possa garantir pelo menos duas colheitas por ano. Por outro lado, segundo Guebuza, o país tem de criar outras capacidades, referindo se claramente a colheita, escoamento e ao próprio descasque.O Presidente sublinhou que técnicos moçambicanos já estão também engajados na materialização deste plano governamental. Quanto ao que constatou durante a visita, Guebuza disse que a população esta animada e tem clareza de que há muito ainda por fazer na agenda nacional de luta contra a pobreza. 'Vimos isso nos comícios como nos encontros que mantivemos com os órgãos locais. Nos encontros com os membros dos órgãos locais, estes mostraram que conhecem as suas responsabilidades em responder as preocupações da população, recorrendo ao fundo dos sete milhões e aos três milhões alocados para a área de infra-estruturas', afirmou Guebuza.'Sinto-me satisfeito e também consciente de que há ainda um longo caminho por percorrer. Por exemplo, no fundo dos sete milhões ainda continuámos com o problema do baixo nível de reembolsos', indicou GuebuzaQuanto as florestas comunitárias e ao programa um aluno uma planta, Guebuza disse serem questões absolutamente necessárias porque quando alguém planta uma árvore e sustenta o respectivo crescimento, essa mesma pessoa não vai, de forma nenhuma, promover as queimadas descontroladas. Sobre as reclamações levantadas pela população segundo as quais importantes infra-estruturas a nível distrital, como são os casos de estradas serem reabilitadas sempre que se anuncia a visita do Presidente, Guebuza disse que a sua manutenção é prioritária na sua presidência.Segundo Guebuza, fazer a manutenção significa ter-se uma atitude que faca com que sempre que alguma coisa estranha acontece com alguma infra-estrutura se tome medidas para a sua correcção.'É preciso compreender que não estamos habituados a fazer manutenção, mas apenas a reabilitar normalmente em cada cinco anos. Com a manutenção gastamos muito menos do que com a reabilitação. Estamos a trabalhar para que haja uma atitude por parte dos governantes para que a manutenção seja algo permanente', disse Guebuza.

Renegociar contratos? Aconselha-se?

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) tentou sem sucesso, convencer a Assembleia da Republica (AR), o parlamento moçambicano, a conferir ao governo o direito de decidir unilateralmente a renegociação dos mega-projectos que operam no país.A tentativa do MDM surge na sequência da aprovação pelo parlamento da proposta de lei complementar sobre as Parcerias Públicas Privadas (PPP), Projectos de Grande Dimensão (PGD) e concessões empresariais (CE), numa sessão que contou com o voto positivo desta bancada minoritária.Na ocasião, a bancada maioritária da Frelimo também votou a favor desta lei, apesar de o MDM sugerir que este instrumento devia deixar expressa a prorrogativa do governo de renegociar os mega-projectos quando as condições económicas assim o justificarem.Entretanto, hoje, o MDM submeteu um pedido de avocação à presidente da AR, Verónica Macamo, propondo a introdução de uma alínea com o texto 'verificando-se um contexto macro-económico e social que se mostre desfavorável ao tesouro, o governo toma a iniciativa de renegociação dos contratos referidos no número anterior'.A alínea proposta pelo MDM surge para complementar o artigo 36 desta proposta de lei, num capítulo sobre as disposições diversas dos empreendimentos outorgados. No seu número dois, o artigo indica que 'sem prejuízo da salvaguarda do equilíbrio económico financeiro equitativo contratualmente acordado em empreendimentos de PPPs, PGDs e CES já outorgados à data da entrada em vigor desta lei e mediante mútuo acordo entre as partes contratantes, é permitida a renegociação de determinadas cláusulas contratuais para esse efeito relevantes, com vista à adequação da prevenção e mitigação de riscos e da partilha, com equidade, de benefícios inerentes ao empreendimento, em conformidade com as disposições desta lei'.Na hora de decisão sobre esse pedido de avocação, a bancada parlamentar da Renamo, o maior partido da oposição, abandonou a sala de sessões, a semelhança do que fez Quarta-feira na sequência da rejeição do parlamento em adiar a discussão sobre esta proposta de lei, alegando ainda precisar de assessoria técnica.Os 172 deputados da Frelimo rejeitaram o pedido de avocação, o que foi suficiente para esmagar o voto a favor dos sete deputados do MDM.A Frelimo afirma ter rejeitado o pedido do MDM porque a sua preocupação está acautelada no número dois do artigo 36 desta proposta de lei.'Sendo o governo um dos parceiros das PPPs, PGDs e CÊS não pode recuar e decidir renegociar unilateralmente os contratos porque pode retrair os investimentos', disse o deputado Danilo Ragú, da bancada parlamentar da Frelimo, durante a leitura das declarações de voto.Por seu turno, o MDM diz ter votado a favor porque defende que esta proposta de lei deve manter expressa a 'prorrogativa de o governo renegociar os contratos quando o contexto macroeconómico e social se mostrar desfavoráveis ao tesouro'.'Na nossa opinião, a iniciativa tem de ser sempre do governo', disse o deputado do MDM, José de Sousa.Na hora da apreciação desta proposta de lei na especialidade e por definitivo, ganhou o voto maioritário da Frelimo, com os sete deputados do MDM posicionando-se contra o instrumento legal.

quinta-feira, maio 19, 2011

EUA desejam presidente muçulmano

A Administração americana numa previsão geopolítica procura aliar a inevitabilidade da política moçambicana a necessidade de conter a expansão islâmica nas lideranças africanas patentes no corno de África.Acontece que a FRELIMO, movimento de guerrilha libertador e hoje um Partido saído de uma orientação socialista para amarrar-se ao FMI, vai eleger no seu X Congresso no ano que vem (Cabo Delgado) o seu candidato presidencial para 2014. Corredores dão certezas que estão na forja algumas candidaturas, sendo a mais forte a do actual primeiro ministro , Aires Aly, visto por Washington como um muçulmano moderado.Internamente, e para os históricos do Partido governamental a 35 anos no poder uma figura útil ao actual “status” pois é natural da província nortenha do Niassa.

No seu trabalho de pesquisa "A Província de Nampula como Estudo de Caso" de Maria João Baessa Pinto , conclui que Moçambique é o país que, a sul do continente africano, apresenta maior percentagem de população muçulmana. O processo de islamização data praticamente dos primeiros contactos estabelecidos no século VII na costa oriental de África, por via essencialmente do desenvolvimento do comércio com o Índico e no quadro institucional da acção missionária das confrarias. A região norte do país, e em particular as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, são fortemente habitadas por muçulmanos sunitas que integram as diferentes escolas islâmicas. A predominante é a escola Chafita, cujos membros são maioritariamente associados às confrarias e ao Congresso Islâmico. Os outros muçulmanos são representados pelo Conselho Islâmico (Wahaabita), pela Associação Mahometana Seita Sunni (Hanafita) e pela Comunidade Xiita Seita Shia Ithna-Asheri. Na região, o Islão das confrarias surge fortemente enraizado nas tradições, costumes e culturas locais, é maioritariamente rural e pouco erudito. A Província de Nampula é o santuário mais expressivo da influência islâmica em Moçambique. De acordo com o Censo de 1997, 42,3% dos muçulmanos moçambicanos estão concentrados nessa província. A comunidade muçulmana é dominante no que se refere à distribuição por religiões da população que habita a província, onde 47,1% são muçulmanos. O crescimento destes crentes islâmicos tem-se processado de forma contínua, ainda que a ritmos diferentes, ao longo dos tempos. Se o papel social da comunidade muçulmana adquiriu, nos anos 90, maior dimensão e visibilidade e se o seu papel económico era já generalizadamente reconhecido, a última década do século XX foi marcada pela emergência dos muçulmanos na esfera da acção política, não apenas por via das ligações que se estabeleceram com os representantes do poder, no sentido da concentração de esforços para promover o desenvolvimento ou para superar situações de crise (p.e. no plano da ajuda humanitária), mas também pelas diversas manifestações de elementos da comunidade islâmica no sentido de fazer corresponder o seu peso populacional e sócio-económico a uma crescente participação nas instituições políticas e nas estruturas decisórias. Este crescimento é acompanhado por profundas transformações internas no seio do universo islâmico moçambicano. Nota-se uma perda de influência relativa do Islão tradicional, difundido pelas confrarias, a favor das correntes mais próximas da visão reformista-integrista, do designado Islão erudito. Cresce também a interligação entre a(s) comunidade(s) islâmica(s) moçambicana(s) e a comunidade islâmica internacional, por via das ligações estabelecidas com as instituições internacionais islâmicas, com alguns países islâmicos empenhados na difusão do Islão e com ONG's islâmicas. No contexto de todo este conjunto de transformações, começaram a manifestar-se sinais de um crescente desejo de afirmação, protagonismo e participação na esfera político-económica-social, inclusive um candidato muçulmano ao invés a de todos os outros de crença católica.

Há também a velha e crescente contestação, já cristalizada, quanto a distribuição do poder embora Armando Guebuza, o actual Chefe de Estado tenha colocado nas chefias intermédias uma substancial representatividade das principais etnias, com realce para a “makwa” a primeira em população e ao norte de Moçambique.

É imperioso para a FRELIMO que a sua liderança se desloque em definitivo e nos próximos anos do sul para o norte, pois o seu fundador Eduardo Mondlane, o primeiro Presidente do país, Samora Machel, o seu sucessor Joaquim Chissano são todos originários da província sulista de Gaza.O actual Presidente não esconde as suas raízes urbanizadas da então colonial cidade de Lourenço Marques hoje Maputo, capital da República, falando com naturalidade suas línguas linguas locais, e quase nada da terra que o viu nascer, Murrupula ,distrito da província nortenha de Nampula.Mas outras duas figuras se preparam para o assalto ao lugar de Presidente da histórica FRELIMO: Eduardo Mulémbwè, então Procurador Geral e quinze anos na Presidência da Assembleia da República, formado em direito e natural da maior província, Niassa. Outra que desponta ... Luísa Diogo. Fez uma dupla como Primeira Ministra nos três mandatos do Presidente - diplomata Joaquim Chissano , ainda hoje recordada com alguma saudade perante os actuais sistemáticos atropelos na gestão economica e relações internacionais. “Dona Lulu” assim como é conhecida, economista respeitada pelo FMI e Banco Mundial, onde num deles foi funcionária antes de abraçar a política, representa a mulher, a maioria do eleitorado e da central província carbonífera de Tete.

O interesse dos Estados Unidos da América, vai mais além do que ter a frente dos destinos de Moçambique uma figura de consenso político e religioso , mas sim que satisfaça algumas vontades do “tio Sam”. O petróleo,gás ,carvão mineral, urânio, rubis em toda a região centro norte é uma exigência da estratégia a médio e longo prazo. Não é por acaso que a transformação do base aérea de Nacala em aeroporto internacional, cujo valor de investimento supera ao do recém inaugurado aeroporto internacional de Maputo. Também estão atentos os senhores do capital internacional a toda uma região norte, decisiva no plano eleitoral e rampa segura para o desenvolvimento de Moçambique por muitos e muitos anos ,com excelentes polos de acesso ao mar, para navios de qualquer calado.

Aguardar!