terça-feira, maio 23, 2017

Master Plan da Beira

O presidente do Conselho Municipal da Beira, Daviz Simango, disse em entrevista  que o Master Plan, concebido colectivamente por vários sectores da sociedade e parceiros da edilidade, constitui um dos instrumentos basilares para a edificação de uma Beira sustentável. Nesta conversa aborda os contornos do referido plano, os resultados da conferência de investidores ocorrida em Setembro de 2015 e ainda se projecta mais um outro evento internacional com vista a atrair potenciais investidores que se interessem pelos projectos da urbe. Falou da necessidade de se juntar sinergias para desembaraçar barreiras e, para tal, conta com o apoio de todos, desde o Governo central e provincial. Presta vénia aos governos da Holanda, Alemanha e Banco Mundial por seu envolvimento técnico em projectos em carteira.

O Conselho Municipal da Beira (CMB) tem usado o MasterPlan como sua bandeira, afinal qual foi a motivação da concepção deste plano?
Resultado de imagem para daviz SimangoAgradecemos a este semanário por esta oportunidade que nos dão para nos debruçarmos em torno deste importante projecto. Devo dizer que somos daqui e vivemos aqui, o que nos impõe que comecemos a preparar o futuro de forma sustentável. A cidade da Beira está localizada no delta do Rio Púnguè. Este curso de água desagua no Oceano Indico e, como deve perceber, este processo natural e outras conjunturas fazem com que a nossa urbe enfrente muitas mudanças, primeiro devido ao crescimento económico e da população, o que influencia profundamente na demanda de ocupação de novos espaços, isto é, a procura de terra para edificação de infra-estruturas, por um lado, e, por outro, têm como desafios provocados pelas mudanças climáticas e escassez de recursos. Embora haja uma forte e positiva correlação entre crescimento económico e urbanização, esse potencial relacionamento não é espontâneo e nem se desenvolve por si mesmo, daí a necessidade de se edificar pilares centrais para um desenvolvimento económico urbano sustentável. Portanto, o CMB tinha de adoptar e estabelecer uma conexão entre dinâmicas de urbanização e o processo desenvolvimento, eis a razão de desenvolvermos o MasterPlan de modo a proporcionar alicerces normativos para a acção, os princípios operacionais, as estruturas organizacionais e as relações institucionais e sociais que se encaixem no processo de urbanização.

Em que consistiu a preparação do MasterPlan? Enquanto gestores urbanos temos como missão de criarmos condições que permitam o desenvolvimento saudável  da vida dos munícipes. Garantir a protecção contra as calamidades, criar um ambiente atraente para investimentos e que possam proporcionar emprego, melhorar a prestação de nesses serviços e mobilização dos munícipes,
Resultado de imagem para Cidade da Beirabusca intervenções e de parcerias inteligentes e atraçcão de oportunidades para o sector privado. Face a esta missão e uma visão para que a Beira se torne numa cidade próspera, segura, saudável, empreendedora, atractiva, empregadora e bonita; bem como tivemos processo plan colocando estudo aspectos saber: situação iniciativas  económicas e c e c e colhas estratégicas e possibilidades de vários cenários e indicadores, escala regional e respectivas oportunidades, vários módulos de simulação de vários cenários corelacionados com as mudanças climáticas e variações do nível do mar, agenda e projectos. Para tal, tivemos de trabalhar com vários interlocutores e agentes de mudanças, criamos uma equipa de gestãon composta pelos técnicos e gestores do Município, um conselho consultivo composto por vários extractos sociais da Beira e por uma equipa técnica do projecto composta por consultores holandeses e nacionais. No fim submetemos a Assembleia Municipal, cuja aprovação foi em 2014.

Quais são os conteúdos do Master- Plan? Bom, tivemos de realizar uma série de combinações e interdependências dos conteúdos tendo em conta várias actividades, tais como industriais e comerciais, o uso do solo e da agricultura, o Porto da Beira, infra-estruturas vitais que possam impulsionar a economia, a energia, o turismo, aspectos de urbanização, a demografia e social, o reassentamento, os serviços públicos, aspectos ambientais, protecção costeira, abastecimento urbano de água, gestão de bacia hidrográfica, a gestão da água, gestão de resíduos e saneamento, paisagem e ecologia, recursos naturais entre outros. Naturalmente esse exercício todo foi feito porque precisávamos obter resultados que podiam satisfazer um plano de urbanização que garantisse soluções técnicas diversas e as questões ambientais.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
Quais são os conteúdos do Master- Plan? Bom, tivemos de realizar uma série de combinações e interdependências dos conteúdos tendo em conta várias actividades, tais como industriais e comerciais, o uso do solo e da agricultura, o Porto da Beira, infra-estruturas vitais que possam impulsionar a economia, a energia, o turismo, aspectos de urbanização, a demografia e social, o reassentamento, os serviços públicos, aspectos ambientais, protecção costeira, abastecimento urbano de água, gestão de bacia hidrográfica, a gestão da água, gestão de resíduos e saneamento, paisagem e ecologia, recursos naturais entre outros. Naturalmente esse exercício todo foi feito porque precisávamos obter resultados que podiam satisfazer um plano de urbanização que garantisse soluções técnicas diversas e as questões ambientais.  Queremos melhorar o nosso sistema fiscal local, endurecer a nossa capacidade interna de receitas e da gestão das mesmas, de modo a serem um real vectorde desenvolvimento. Queremos assegurar os investimentos em serviços urbanos básicos, pois o planeamento apropriado permite a provisão de serviços urbanos básicos mais baratos tais como água, saneamento, maior resiliência, mitigação eadaptação das mudanças climáticas, redução da pobreza e políticas voltadas aos mais necessitados.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
Quais são os grandes parceiros neste momento da Beira? São vários. Os holandeses estiveram desde a primeira hora a liderar a assistência técnica e financeira em relação ao Masterplan, e estão neste momento a trabalhar com o Município na assistência e financiamento do cadastro, na estrada de acesso ao porto, no abastecimento de água, por outro lado, temos cooperação Alemã, o KFW e GIZ, que muito tem feito desde a mitigação das mudanças climáticas, resíduos sólidos, as infra-estruturas verdes, o rio Chiveve que volta ao convívio com a cidade. O Banco Mundial que trabalha connosco também na assistência técnica e financiamento temos o registo da reabilitação das valas do Chiveve, as obras de infra-estruturas verdes que oportunamente começarão, de certeza a constituir o maior parque de género em África, no saneamento e na promoção de gestão de lamas fecais conhecida que é a nossa vulnerabilidade, no abastecimento de água, e agora há uma janela para o campo dos transportes e desenvolvimento portuário e temos muitos outros como a União Europeia, UN Habitat, Real Equity For All, PRODIA, PRODEM, o dialogo entre outros parceiros fundamentais.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
Que avaliação faz sobre a operacionalidade do Rio Chiveve face às últimas chuvas registadas na Beira, que destruíram  infra-estruturas, sobretudo as estradas? Não sei se se lembra de que o fecho do Chiveve trouxe grandes desafios para a cidade. Houve degradação do ecossistema, ausência de drenagem natural que trouxe vulnerabilidade acrescida a inundações, altos níveis de poluição devido ao depósito de resíduos sólidos e fecalismo, contaminação da água e do solo com graves riscos à saúde pùblica, foco de esconderijo de criminosos e com consequências graves a segurança. Portanto, com a abertura do Chiveve, ampliou-se o leito do Rio, criou-se uma lagoa de retenção, aumentamos a retenção das águas de 61.600 metros cúbicos para 247.000 metros cúbicos, houve reflorestamento dos mangais, construiu-se comportas para regulação de marés, para além de se ter dragado o cais de pescas, naturalmente todo o cenário negativo que tínhamos faz parte do passado, as chuvas que recentemente caíram, o sistema do Chivevefuncionou e se comportou bem, todas as áreas que drenam para esta bacia o fizeram com eficiência, portanto estamos satisfeitos com os resultados.

Resultado de imagem para Cidade da BeiraE as obras de reabilitação do Chiveve? Gostaria de trazer à memória o problema de drenagem e saneamento da Beira, uma Cidade plana e de muita baixa altitude, o que proporciona condições naturais de deficiência de drenagem e elevado risco de inundações. Notando que as preia-mares de águas vivas atingem 7,10 metros e que alguns locais o leito de certos arruamentos e quintais se situa 20 ou 30 centímetros abaixo dos 7,00 metros, não falando dos terrenos livres onde há cotas inferiores a 6,00 metros, logo se compreende a existência de nível freático elevado, influenciado pela oscilação das marés, e avaliamos as dificuldades extraordinárias de que se reveste, nesta terra, qualquer problema de enxugo ou de drenagem por gravidade, seja ela de carácter pluvial, seja de natureza sanitária, especialmente pela ausência quase absoluta de altitude e de desníveis naturais aproveitáveis, bem como pela falta de capacidade de absorção de um solo e de um subsolo praticamente saturados de água durante todo o ano. Dadas as características acima mencionadas, o volume de precipitação não tem possibilidades naturais de ser conduzido ao Púngoè ou directamente ao oceano entre duas marés altas consecutivas. 
Resultado de imagem para Cidade da BeiraCriam-se assim, durante a época das chuvas, extensos lençóis de água sobre o terreno, que apenas parcialmente se evaporavam ao longo da estação seca, permanecendo algumas depressões com água estagnada desde cada estação chuvosa até à seguinte, mantendo-se deste modo, durante todo o ano, condições propícias à postura e desenvolvimento de mosquitos e propagação de cólera. Eis a razão da necessidade de retalhamento da cidade por uma rede de canais de drenagem convergentes com saída para o mar, para se garantir a melhoria notável na salubridade do meio. Portanto, o sistema de drenagem é complexo que requer estudos especializados, daí que se deve ter em conta vários aspectos condicionantes tais como a estrutura de escoamento que se encontrava insuficiente e num estado precário de conservação; a Geomorfologia: terrenos planos e áreas com altitude abaixo do nível do mar; Geologia: terrenos impermeáveis e níveis freáticos elevados; a Precipitação elevada com fenómenos frequentes de elevada intensidade e duração; o Clima: sujeição a fenómenos do tipo ciclone; Marés: variações importantes com amplitudes máximas de até 7.10 metros e as alterações climáticas: Intensificação dos fenómenos de precipitação (aumento aproximadamente 20 por cento em 25 anos), aumento do nível médio do mar (aumento aproximadamente14 centímetros em 25 anos), intensificação dos fenómenos de erosão costeira e aumento da frequência de fenómenos do tipo ciclone.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
…. alguma solução? Há várias soluções complementares que podem ser tomadas, mas para amelhoria notável na salubridade do meio, é importante para nós o alargamento das secções dos canais que se vão subdividir em reperfilamento, revestimento e construção de bacias de armazenamento. No entanto, neste processo ainda se seguem novos pontos de descarga estrategicamente localizados; segmentação da rede de drenagem para dispersão e repartição dos caudais colectados e a gestão integrada dos diversos segmentos de redes com instalação de pontos de conexão interna para recurso e segurança e para optimização dos caudais de descarga. 
Resultado de imagem para Cidade da BeiraPor questões económicas e oportunidades e de acordo com os resultados, estabelecemos a construção e a reabilitação do sistema de drenagem em três fases de intervenção: A primeira fase, ou seja Fase 1, consistiu na intervenção nos canais A0, A2 e A4, construção da Bacia de Armazenamento da Maraza, obras de beneficiação urgentes na rede secundária de drenagem na zona da Mananga; (intervenção ditada por razões sociais e de custo-benefício e limitada pelos fundos disponíveis); A segunda fase consistirá na intervenção nos canais A1 e A3, construção da bacia de armazenamento da Chota-Estoril, beneficiação e extensão da rede secundária de drenagem na Zona da Chota (que mais valoriza as intervenções realizadas na 1ª Fase); e Fase três que é a construção dos sistemas de drenagem das zonas do Alto da Manga, Munhava e Maraza, e terminação das obras de beneficiação na zona da Chota. O desafio neste momento é mobilizar recursos para as fases dois e três, o que de certo modo vai melhorar a salubridade. Para nós, é fundamental que as outras duas fases aconteçam.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
A quantas é que anda o projecto de infra-estruturas verdes. Tem pés para andar? Tem sim fundos confirmados pelos dois financiadores, o Banco Mundial e a KFW, estamos em processo técnico de empreitada, oportunamente as obras irão começar com objectivo claro de proteger os ecossistemas do Chiveve e arredores (urbanização, poluição); melhorar a adaptação baseada nos ecossistemas; protecção contra inundação e tempestade, purificação do ar, água e solo; balanceamento de temperaturas no centro da cidade e outros benefícios correlacionados, como oportunidades para emprego devido às actividades económicas (mercados, restaurantes e quiosques), turismo, lazer devido ao anfiteatro e espaços verdes, segurança devido à protecção, saúde devido ao circuito de manutenção e educação oportunidade realização de palestras e descobertas de diversas plantas e naturalmente estudo do ecossistema.

Resultado de imagem para Cidade da BeiraUm dos projectos inseridos no Masterplan é a estrada do acesso directo ao Porto. Em que estágio estamos? Sim temos a estrada de acesso directo ao Porto da Beira, neste momento estão assegurados os custos de estudos  de viabilidade e do traçado financiado pela embaixada da Holanda. Na semana passada esteve entre nós o consórcio que está a trabalhar nesta matéria. Esperamos que entre Dezembro e Fevereiro do próximo ano tenhamos tudo pronto e comecemos a mobilizar mais recursos, uma vez que estão garantidos  45 por cento do valor da obra que seráfinanciado pelo FMO, uma instituição financeira holandesa. Isso quer dizer que temos de trabalhar com as autoridades centrais, sector privado e outras instituições na mobilização desses recursos. A construção da estrada é por nós rotulada como uma das prioridades no quadro do Masterplan, a sua construção irá contribuir para o desenvolvimento sustentável da cidade da Beira. Pois a construção de uma nova estrada vai redireccionar o tráfego, especialmente o tráfego pesado, criando condições para fluidez do trânsito e redução dos custos de manutenção das estradas urbanas da cidade. O Conselho Municipal já respondeuao inquérito levado a cabo pelo consórcio e temos esperança, à semelhança do que fizemos na elaboração do Master Plan, em envolver vários actores de mudança, o mesmo estamos a fazer para a estrada de acesso directo, que naturalmente vai ser um grande factor e vector de desenvolvimento, na medida em que vai influenciar positivamente na nossa economia.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
Na sessão da Assembleia Municipal falou das estratégias que pretende em relação ao cadastramento e registos de terrenos. Pode desenvolver mais. O cadastro de Beira é herdado da época colonial. Isso significa que é quase inteiramente no papel. As operações ocorrem não com base na localização ou nome (sobrenomes registados em banco de dados municipal), mas com base na transacção (DUAT – Direito do Uso e Aproveitamento da Terra). Como um sistema em si para controlo e registo é desatualizado. E porque o arquivamento é feito ao nível dos postos administrativos e a própria secretaria do cadastro, mas bastante aleatório, os dados não são facilmente acessíveis. Daí ser necessário inverterm este cenário caduco e não fiável, recorrendo-se a várias técnicas de registos mais modernos e informatizados. Tendo sido efectuado o diagnóstico era preciso quebrar com as práticas anteriores, o Município da Beira conscientedas consequências disto, priorizou a reorganização e digitalização do cadastrodevido ao aumento dramático da demanda de terrenos para os diversos fins económicos e sociais e pelo facto de não estarmos satisfeitos com a forma como está organizado e nas condições em que funciona, desde o arquivo e a forma precária de controlo. 
Resultado de imagem para Cidade da Beira
Daí contactamos o cadastro holandês, que por sinal apresenta novas tecnologias e métodos de controlo eficiente, embora internamente estávamos a iniciar um processo mesmo assim estava longe de ser o que queríamos, daí a parceria com as autoridades do cadastro, de modo a garantir a eficiência e eficácia funcional, apresentamos o que de facto queríamos e juntos desenhamos o pacote que consideramos ser um passo importante para as soluções dos problemas. Temos objectivos de criação de capacidades profissionais para a gestão do solo urbano no Município, através da introdução do sistema digitalizado de cadastro; assegurar a introdução de rotinas técnicas e administrativas que possam garantir uma maior celeridade no atendimento ao público de forma geral e na tramitação de requerimentos e melhor a organização do uso do solo nas áreas de intervenção. Por outro lado, a digitalização vai permitir fazer interligação e cruzamento nos bancos de dados de controlo de receitas, num sistema de gestão financeira concebida pelo Município, vai permitir melhorar a informação do sistema de endereçamento e facultar o sistema de controlo financeiro do Município toda informação complementar para fontes de receitas e tributação.
Resultado de imagem para Cidade da Beira 
Haverá algum projecto que lhe tira sono? Não sei o que lhe dizer, mas os meus olhos devem dizer sim, tenho orgulho de ser beirense e de servir esta cidade, tudo o que toca a Beira mexe com a minha parte. Um dos projectos que vai dinamizar o desenvolvimento e a economia de Moçambique é a empresa de desenvolvimento de terras. Estamos empenhados no sentido de dinamizar e melhorar a nossa administração municipal com dois propósitos: o controlo e a demanda financeira por um lado e, por outro, dar resposta à procura de espaços para diversos fins. O Conselho Municipal da Beira vem definindo políticas de reestruturação do Município e de dinamização da gestão autárquica, conforme definido no seu programa de acção. Nesse contexto, vem assumindo um exercício de interpretação de como governar uma edilidade num cenário de descentralização. E as tónicas fundamentais centram-se em quatro vectores, que são modelo de administração reestruturado; intervenção dirigida e directa no que respeita à resolução de problemas concretos;abertura à dinamização de associações e parcerias com investidores privados e a utilização plena das possibilidades facultadas pela autonomia financeira e patrimonial. Tal Programa de Gestão Municipal Integrada preconiza e compatibiliza uma lógica de intervenções a curto, médio e longo prazo, identificando as acções a ela ligadas, bem como as motivações e objectivos enquadráveis. As parcerias a eleger deverão ter uma participação financeira de carácter diferenciado. 
Resultado de imagem para Cidade da BeiraÉ com este propósito e visão, decidimos fazer a empresa de desenvolvimento de terras, que ainda esta na sua fase de constituição, tudo vai depender do estágio e das autorizações que esperamos do Maputo para a viabilização do projecto de interesse público. Os estudos de viabilidades foram feitos e estudados cinco métodos de dragagem, o que realmente queremos é ter a permissão no mar para extrairmos material que vai servir de aterros às várias áreas identificadas no Masterplan, o que pode ser feito duma forma directa com parceiros privados ou públicos como a Emodraga e outros já temos reservados 500 hectares para o desenvolvimento da zona industrial e de 500 para o desenvolvimento de áreas de habitação, esperamos com essas novas áreas de desenvolvimento garantir as cotas mínimas de aterros, a construção de infra-estruturas de água, de energia, de esgotos, de drenagem de estradas e assim os munícipes estarão a construir em condições seguras. Por outro lado, devido a elevados custos de obras de protecção costeira, queremos é usar o material dragado para reposição das dunas, com custos extremamente baixos, com oportunidade de alargamento das nossas praias e consequentemente oportunidade para infraestruturasturísticas e do turismo em si. Com estes procedimentos, vamos integrar a equidade na agenda do desenvolvimento da Autarquia, que por sinal é uma questão de justiça social, assegurar o acesso à esfera pública, estendendo as oportunidades e aumentando a igualdade. Montar um projecto envolvente e estruturado com impactos positivos a diversos níveis: Qualidade arquitectónica e urbanística; impactos sociais positivos e criação de modelos integrados de operação; proporcionar situações que  resolvam de forma natural, problemas de equilíbrio ambiental, com consequências directas na redução de custos de investimento futuro do CMB, nomeadamente no que se refere à infraestruturas públicas e de erosão costeira. Criar oportunidades de negócio e do projecto, com impactos directos no abaixamento dos custos unitários de construção civil. Garantir o reordenamento e requalificação das diversas zonas informais, e naturalmente a redução do desenvolvimento dos assentamentos informais evitando ocupações ilegais e inadequadas.

Resultado de imagem para Cidade da BeiraCom este progresso quererá dizer que a conferência de investidores está a produzir resultados? Bom, enquanto pessoa muito envolvida por dentro e conhecendo os desafios todos de afirmação e de desenvolvimento, digo-lhe de que estou muito Satisfeito que o Plano Director/Beira MasterPlan está a ter uma função de coordenação e mobilização de fundos para investimento na Beira. Estou também ciente de que a realização do MasterPlan vai requerer mais investimento e que a Beira precisa de investir na adaptação às mudanças climáticas o mais rapidamente possível. Tenho esperança que os parceiros actuais possam continuar os seus investimentos no futuro, e tenho também esperança que outros parceiros de investimento possam ser identificados com ajuda dos presentes e das pessoas de bem. Naturalmente estamos disponíveis e continuaremos a assumir um papel activo nos contactos com potenciais investidores e financiadores internacionais, e como não deixaria de ser a nível nacional a todos os níveis de decisão. Esperamos realizar mais uma conferência do género ainda este ano, e queremoscontinuar a contar com todos os parceiros especialmente os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), que de mãos dadas demos um exemplo de que quando há vontades e empenho é possível sim organizar com sucesso, bem como os nossos consultores holandeses que foram impecáveis na assistência técnica e institucional.

Vitória do sector privado

O ministro que tutela opelouro do Trabalho já não pode anular unilateralmente contratos de trabalho de cidadãos estrangeiros em Moçambique e expulsá-los sem direito à defesa. Em causa está a deliberação doConselho Constitucional (CC) que,através do Acórdão nrº 1/CC/2017,declarou inconstitucional a norma contida no nrº 7 do artigo 27 do Regulamento dos Mecanismos e Procedimentos para a Contratação de Cidadãos de Nacionalidade Estrangeira, aprovada pelo Decreto nrº 37/2016 de 31 de Agosto. Concluiu o CC que aquela norma contraria os princípios constitucionais de segurança jurídica, do contraditório, da protecção efectiva e do direito ao trabalho constantes da Constituição da República.O pedido de inconstitucionalidade da norma foi levantado em 2012 pela Associação de Comércio, Indústria e Serviços (ACIS) sedeada na Beira. A organização diz que, nos últimos cinco anos, pelo menos 30 cidadãos estrangeiros que trabalhavam no país e filiados entre as 240 empresas que compõem a agremiação foram expulsos de Moçambique pelos ministros que superintendem a área do Trabalho.
Resultado de imagem para diamantino miranda moçambique
Deste número, não se inclui o antigo treinador do Costa do Sol, Diamantino Miranda, que também viu o seu contrato de trabalho revogado pela mão dura da então ministra do Trabalho Maria Helena Taipo, pelo facto de o clube não ser membro da associação.
Mas da lista faz parte o ex-representante do BES no Conselho de Administração do Moza Banco, José Alexandre Pinto Ribeiro, expulso por alegados insultos e maus tratos a trabalhadores moçambicanos. Nos casos mais mediáticos consta a directora do Pemba Beach Hotel, Claudine Moodley, uma militante do ANC da África do Sul, a directora dos Recursos Humanos da Açucareira de Marromeu, Ana Fernandinho (decisão de expulsão revogada por ser casada com moçambicano e com um filho menor) e os administradores da G4S, John Mortimer e Cassie Van der Merwe, invariavelmente acusados de racismo e maus tratos aos trabalhadores.O administrador do grupo Maeva teve a sua expulsão revogada depois de os trabalhadores apelarem junto do ministério.Preocupada com a contínua aplicação da norma em causa, que, no seu entender, estava a deteriorar os índices de confiança dos investidores em Moçambique, resultando no encerramento de empresas, perturbação do ambiente laboral nas empresas, com o agravante dos visados não terem o direito à defesa, a ACIS solicitou um estudo jurídico especializado sobre o assunto, que depois submeteu à Procuradoria Geral da República (PGR).
Segundo Carlos Henriques, presidente  da ACIS, o pedido da revisão da norma contida nrº 7 do artigo 27 do decreto nrº 37/2016 de 31 de Agosto foi objecto de apreciação pela PGR numa reunião específica do Conselho Técnico, que produziu um parecer favorável à sua agremiação, mas que depois foi barrado pelo Conselho de Ministros, por não ver nenhuma ilegalidade. O documento ficou engavetado durante quatro anos e em 2016 a ACIS voltou à carga, via Provedor de Justiça, que, em menos de duas semanas, fez um despacho solicitando a intervenção do CC, que, por sua vez, requereu, uma vez mais, o pronunciamento do Conselho de Ministros. O Conselho de Ministros reiterou que não via nenhuma anormalidade e fez aprovar um novo documento legal, mantendo os poderes de expulsão conferidos ao ministro do Trabalho. Mas, desta vez, o entendimento do Governo foi contrariado pelo CC,que, a 9 de Maio corrente, exarou o seu primeiro acórdão, declarando a inconstitucionalidade daquela norma. 
“ Aquilo que nós pretendemos é que haja um bom ambiente de negócios, que as leis sejam claras para que nós as possamos implementar devidamente e fazer progredir o país e o emprego. Isto mostra que há espaço para o pronunciamento de todas as camadas da sociedade e há espaço para que todos encontremos melhores formas de trabalhar para que Moçambique progrida”, disse Carlos Henriques, esta terça-feira, numa conferência de imprensa convocada para reagir à deliberação do CC. Faltava clareza da lei O sector privado entende que o debate do Decreto 55/2008, que regula os mecanismos e procedimentos para contratação de cidadãos estrangeiros em Moçambique, tinha como foco a simplificação das exigências processuais e a negociação do âmbito de regimes de quotas. Nesse sentido, foi introduzido o nr.5 do artigo 22 no Regulamento de Contratação de Cidadãos de Nacionalidade Estrangeira, mas o mesmo enfermava de vícios, tal como estabelece que:
“Em caso de violação dos princípios plasmados na Constituição da República e demais leis e normas vigentes no país, o exercício do direito ao trabalho por parte do estrangeiro em causa pode ser interdito por despacho do ministro que superintende a área do trabalho”.
É com base neste entendimento, segundo Carlos Henriques, que desde 2008, os titulares do pelouro do Trabalho têm usado dos poderes conferidos no nrº5 do artigo 22 do decreto 55/2008 para interditar o direito ao trabalho para estrangeiro, por via de despachos que concediam o tempo máximo de 48 horas, sendo recusado aos visados novos pedidos de autorização de trabalho. O Governo foi forçado a revogar o decreto 55/2008 mas voltou à carga com o 37/2016. Com a deliberação do CC, a ACIS considera que foi reposta a justiça, abrindo-se espaço para interposição de recurso. Doravante, nenhum trabalhador estrangeiro será expulso sem um processo instruído como emana a lei.  O pedido de declaração de inconstitucionalidade enviado pelo Provedor de Justiça ao CC visava o nr 5 do artigo 22 do decreto 55/2008, de 30 de Dezembro que aprova o Regulamento relativo aos Mecanismos e Procedimentos para Contratação de Cidadãos de Nacionalidade Estrangeira. Notificado, o Governo negou a existência de inconstitucionalidade, apontando que uma eventual anomalia decorre da interpretação que se atribui à expressão “interditar”. 
Resultado de imagem para expulsaoO executivo fundamentou também com o argumento de que a interpretação do conceito interdição extravasa em larga medida o sentido original que o legislador quis dar ao conferir poderes do Ministro de Trabalho para autorizar, em determinadas circunstâncias, que cidadãos estrangeiros possam trabalhar em Moçambique. Nesse contexto, o Governo ensaia uma fuga para frente, aprovando um novo Regulamento para Contratação de cidadãos de nacionalidade Estrangeira, através do decreto 37/2016, de 31 de Agosto, e revoga o Decreto nrº55/2008 de 30 de Dezembro. Compulsado o novo decreto, o CC conclui que, apesar de ligeira transformação do texto, o conteúdo continuava o mesmo do dispositivo revogado, dado que o ministro que superintende a área do Trabalho ainda detinha poderes para, de forma discricionária, revogar o acto administrativo que permitiu a contratação do trabalhador estrangeiro. Com a revogação da anterior norma, o CC centrou as suas atenções na nova norma constante do nrº 7 do artigo 27 do decreto nrº37/2016 de 31 de Agosto, tendo, por isso, concluído que um despacho revogatório do ministro do Trabalho, que põe termo ao contrato privado, sem antes abrir espaço para, em tempo útil, o visadose defender, está a violar flagrantemente o princípio do contraditório, que se mostra essencial num estado de direito. Juristas contactados pelo SAVANA consideram que os visados pelas expulsões dos ministros do Trabalho podem agora intentar uma acção contra o Estado. Os mesmos juristas consideram ser necessário questionar igualmente os poderes do ministro do Interior que pode igualmente expulsar cidadãos estrangeiros com visto de trabalho ou de residência sem que possam articular a sua defesa. Foi nessas circunstâncias que foi expulsa de Moçambique a activista espanhola Eva Moreno, envolvida na  controversa medida do ex-ministro da Educação, Jorge Ferrão, que fez baixar o comprimento das saias nos uniformes escolares.

Erros que se não devem repetir

1. A linha de Sena deixou os CFM individados (US$ 500.000.000!), e agora que a Vale Moçambique construiu a sua linha para escoar o carvão de Moatize via Porto de Nacala à Velha, a linha de Sena vai virar um elefante branco... Se ele (Armando Guebuza) tivesse ouvido os argumentos contra o aumento da capacidade da linha Sena, teria evitado o endividamento excessivo dos CFM.
2. O Aeroporto de Nacala é, por ora, um outro elefante branco, por conta de uma decisão errada de Armando Guebuza. Se ele tivesse ouvido cuidadosamente os argumentos para examinar o interesse dos norte-americanos pela antiga base aérea de Nacala, e pela capacidade natural da Baía de Nacala para acomodar navios de grande calado sem precisar de dragagem, a Província de Nampula poderia rapidamente transformar-se na Califórmia de Moçambique.
3. O projecto de constituição das empresas EMATUM, Proindicus e MAM foi bem concebido, em princípio. Porém, os planos de negócios desta empresas foram mal preparados e mal executados no detalhe. O resultado disso é que as referidas empresas não estão a produzir para responder às suas obrigações, e o Estado moçambicano ficou com uma dívida de US$ 2,2 mil milhões por conta disso. Pode dizer-se EMATUM, Proindicus e MAM são elefantes brancos.
4. A revolução verde foi discurso que ficou letra morta, antes de produzir frutos. Não sei em que às quantas anda o projecto de produção da jetrofa...
5. O fundo de desenvolvimento distrital (FDD), vulgo "7 milhões", está com mutuários que não estão a honrar os seus compromissos sem consequências para si, mas com consequências nefastas para os demais cidadãos moçambicanos...
Resultado de imagem para erros de gestao
Neste momento, estou com dúvida sobre se o projecto de construção do Aeroporto de Chongoene não vai produzir mais um elefante branco... Também tenho dúvidas sobre se a iniciativa "Um Distrito, Um Banco" vai vincar com a banca comercial à frente, num momento em que a actividade produtiva e a rede comercial em Moçambique são fracas... Questiono-me ainda sobre os planos que existem para a utilização da quota de 2 milhões de toneladas de carga diversa, disponibilizados pela Vale Moçambique ao Estado moçambicano, no recentemente inaugurado corredor logístico de Nacala. Enfim, ouvir atentamente a opinião contrária pode evitar erros de palmatória na hora de tomar decisões cruciais para viabilizar a independência económica e o desenvolvimento sustentável de um país. Reitero que o Presidente Filipe Nyusi precisa mais é de ouvir e analisar questionamentos sobre as decisões que toma, do que dos nossos aplausos ao seu mais simples gesto.
Pessoalmente acho que em Moçambique temos muitos fundos dispersos e mal geridos. Por que não pegar nesses fundos e constituir bancos de fomento de actividades produtivas por sector?
Que tal um "Banco de Fomento Pesqueiro", no lugar do "Fundo de Fomento Pesqueiro"?
Que tal um "Banco de Fomento dos Transportes", no lugar do "Fundo bla... bla... dos Transportes"?
Que tal um "Banco de Fomento da Indústria", no lugar do "Fundo bla...bla... da Indústria"?
E assim por diante...
Tenho comigo que estes "bancos sectoriais" seriam fáceis de capitalizar, e de gerir responsavelmente. (J.J.Cumbane in facebook)


segunda-feira, maio 22, 2017

10 exames em busca de uma artrite

A sociedade moderna assemelha-se ao comboio que descarrilou, todavia continua em andamento.                                                                                                  José Vilema, investigador da Universidade de Évora
“Tenho saudades dos tempos em que a educação ainda não sofria de anemia científica”, eis a resposta do meu amigo Nkulu quando o abordei sobre o tema em epígrafe. De facto, a nossa educação está a atravessar o pior momento da sua história com a escassez de qualidade. E já não constituiu novidade para ninguém (cautos) que o pelouro da Educação tem responsabilidades nisso. Trabalha-se mais pela estatística em detrimento da qualidade do ensino.
Resultado de imagem para  medicos fracosQuando os alicerces não são bem implantados, através de um investimento maciço no ensino primário, no superior os estudantes pervertem o processo de ensino e aprendizagem e anula todo os resultados desejados de qualidade. Há necessidade de se fazer um investimento sério, não apenas no capital humano, mas também em infraestruras e equipamentos. A técnica exige laboratórios modernos e em qualquer parte do mundo são caros de se adquirir. Mas vale a pena, se quisermos formar com qualidade. Eu ia jurar que, se parássemos de politizar o ensino e apostássemos mais em reformas estruturais que garantem uma educação com qualidade, hoje estaríamos numa posição respeitada nos rankings mundiais. Se assim fosse, insisto, o país não dependeria do carvão e do gás (que são recursos esgotáveis) para se desenvolver.
A qualidade do ensino fala todas as línguas e esta seria o carimbo para que os nossos diplomados facilmente fossem escoados no mercado de emprego. Só o pelouro da educação é que não vem esta aberração (ou não quer ver). Os nossos alunos não produzem o que aprendem (a transformação do conhecimento em matéria-prima). Não são capazes de pensar e criticar pela própria cabeça. São repetidores. Estamos a formar “papagaios.” Não se admire, caro leitor, que hoje na política haja tantos desses tipos, malandros e medíocres!
Não me causou admiração o facto de quase metade dos graduados em medicina tenham reprovado no exame de certificação médica, simplesmente porque reimprimiram a imagem que o país tem nestes sectores (digo bem: educação e saúde). A mim o que me preocupa não são os anos que um licenciado em medicina leva na faculdade, mas sim como é que foi o seu processo de formação (o processo de ensino e aprendizagem). Questões têm de ser feitas para responder algumas hipóteses, como por exemplo, a qualidade das infraestruturas, o acesso aos laboratórios e aos materiais didácticos, a seriação do corpo docente para expurgar os chamados professores turbos, etc. Mas ainda, o mais importante, é apurar o espírito (a vocação) dos estudante que é a base para se ter um bom médico.
Os estudantes devem estudar a medicina porque gostam e devem fazê-lo de corpo e alma, não para satisfazer os caprichos de quem patrocina os estudos. Porque a medicina hoje virou uma actividade comercial e não humanitária no verdadeiro sentido da palavra, muitos desses estudantes apenas fazem a medicina para agradar os seus financiadores sem no entanto construir o compromisso com a profissão que pretendem abraçam.
Note-se que, não foi a Ordem dos Médicos quem os reprovou. Esta, a Ordem, apenas chancelou os resultados obtidos pelos visados no teste de certificação. Se a Ordem os tivesse admitido e os mesmos – no exercício da profissão - matassem vidas nas unidades sanitárias do país, de quem seria a culpa? Não preciso fazer um exame profundo de consciência para saber que a responsabilidades, pelo menos em peso de 80%, seria atribuída à Ordem. E os prejuízos também. Cabe a Ordem, como uma espécie de funil, amputar, literalmente, a mediocridade que reinava e acredito que ainda reina na medicina. Esta atitude da Ordem não deve criar espalhafato, antes acarinhado pelos reitores de todas as universidades e pela população em geral. Fiquei indignado quando vi um reitor atacar a Ordem. Até certo ponto compreendi que aquele reitor agia em defesa do seu rebanho, mas do ponto de vista académico, esteve mal na fotografia, porque parecia vestir a pele de um paternalista da mediocridade. A constatação deste fato não deve, porém, reduzir os esforços e conquistas do aludido reitor em prol do desenvolvimento da educação. Mas…
Resultado de imagem para exames medicos
Quem anda pelos nossos hospitais sabe que alguns médicos deixam muito a desejar. Certo dia o meu filho mais novo passou mal e ouvido a opinião de um amigo médico dirigi-me a uma unidade sanitária do país para a certificação do diagnóstico e efectivo tratamento. Chegado ao hospital a primeira coisa que percebi daquela médica foi a insegurança com quem me transmitira ao atender o meu filho. Coitado do miúdo, mal perceberá que seria mais uma vítima da incompetência médica. Uma “simples” artrite, mas por causa das deficiências de formação médica, recomendara que se fizesse mais de 10 exames. A ideia era, no meu entender, o exame que desse errado (alguma anomalia) seria, então, essa a causa do mal-estar da criança. Ou seja, entrou com suspeitas de uma doença de trato ligeiro e saiu com várias lesões corporais graves causadas, neste caso, pelas impiedosas seringas que daquela mão médica picara à procura de veias. Soube mais tarde que aquela médica havia sido uma das mais fracas durante a sua formação. Levei o caso à direcção daquele hospital, nunca mais tive resposta alguma...Alegra-me, porém, que a Ordem dos Médicos tenha-se apercebido destas deficiências e decida primar pela qualidade e competência. Seja louvada a Ordem dos Médicos. (Por Viriato C. Dias)

Tremedeira no gás do Rovuma

O drama das chamadas dívidas escondidas encerra uma ironia também melodramática. Os empréstimos ilegais foram supostamente investidos em empresas criadas para aproveitar as oportunidades geradas pelas multinacionais do gás. Contudo, a turbulência financeira criada pelos empréstimos pode resultar em consequências negativas para o negócio do gás no que toca à participação moçambicana.
Resultado de imagem para gas do rovuma 
“Numa altura em que a crise financeira em Moçambique complica a já melindrosa situação financeira dos projectos de LNG (Gás Natural Liquefeito), pode ser que os negócios em torno da EMATUM, Proindicus e MAM tenham comprometido exactamente os mesmos projectos que pretendiam proteger”, refere o portal. O incumprimento do Governo no pagamento das dívidas a que prestou aval, a favor das três empresas, vai tornar mais difícil a arrecadação de dinheiro necessário para permitir que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) realize a sua parte de investimento nos projectos de gás natural na Bacia do Rovuma. As concessionárias das Áreas 1 e 4 nos blocos de gás natural da bacia do Rovuma comprometeram-se a financiar a entrada da ENH nos financiamentos dos referidos projectos, mas esse esforço financeiro será altamente oneroso para a companhia que representa o Estado moçambicano na extracção dos recursos energéticos. A Zitamar estima em 2.5 biliões dólares o montante do ingresso da ENH nos projectos de produção de GNL nas Áreas 1 e 4, assinalando que esse valor poderá mostrar- -se insuportável em ser angariado junto da banca. “Dependerá de quanto e da rapidez com que os projectos de gás começarem a gerar dividendos”, lê-se na matéria. A ENH, diz o texto, lançou recentemente um concurso para a contratação de assessoria legal e financeira, visando ajudar a refinanciar a sua participação nos projectos de gás, tendo em conta um quadro mais favorável. Mas essa missão,  não será fácil e as opções são limitadas. A Anadarko, cujo consórcio opera a Área 1, terá de mobilizar 15 mil milhões de dólares para o seu projecto. A maioria do financiamento virá de agências de crédito às exportações, mas parte significativa será suportada por bancos comerciais. “Ninguém estará disposto a emprestar dinheiro, enquanto Mo- çambique estiver em incumprimento. Todos estão atentos ao que o Fundo Monetário Internacional irá fazer, quanto é que irá emprestar ao país, isso vai abrir as portas”, considera um banqueiro. Um novo programa do FMI não é pré-condição para o financiamento dos projectos de gás, mas esta entidade tem estado em contactos com as empresas, acrescenta. Nos recentes encontros com o Governo de Moçambique em Washington, o FMI deu contribuições positivas em vários aspectos, que são necessários para a prossecução dos projectos. A Zitamar observa que as companhias de gás estão protegidas de qualquer deriva nas acções do Governo e dos enormes desafios que as operações enfrentam em Moçambique. Elas operam como os chamados “enclaves”, com os seus próprios projectos de lei, elaborados para garantir a exequibilidade dos projectos financeiros. A estrutura financeira dos projectos foi delineada para blindá-los de riscos “on shore”, com contas domiciliadas “off shore” e os “special vehicles purpose” (SVP), visando proteger os fluxos de caixa, como tem sido padrão neste tipo de projectos em países emergentes. “O financiamento dos projectos estará inteiramente dependente dos contratos de exportação de GNL e dos credores e é quase acidental que o gás natural esteja em Moçambique”, considera Stewart Smith, da firma de advogados Bracewell, de Londres. Nessa perspectiva, os progressos nos projectos de gás vão depender da procura na Ásia do que dos desenvolvimentos em Moçambique, de acordo com Mark Bohlund, economista para África da Bloomberg Intelligence. Até ao momento, a Anadarko conseguiu contratos de venda não vinculativos para oito milhões de toneladas por ano, mas vai precisar de conseguir 10 milhões de toneladas anuais em contratos efectivos, para alcançar o fecho financeiro nas negociações dos projectos. Uma vez que peritos da indústria de gás não projectam um aumento da procura antes de meados de 2020, espera-se que a decisão final de investimento (FID) demore mais um ano, pelo menos. O projecto da plataforma flutuante de LNG da ENI será o primeiro a ser implementado, mas o consórcio não conseguiu anunciar em Março a FID orçada em 9000 milhões de dólares. Não foram indicadas as razões para o adiamento, mas fontes ligadas a bancos apontam a complexidade do projecto como motivo do incumprimento, observando que o projecto é o maior no mundo envolvendo pela primeira vez uma plataforma flutuante. A ENI assegurou, entretanto, a aprovação da companhia chinesa CNPC, que detém 20% no consórcio, mas que esteve condicionada a uma pesada burocracia por parte do Governo da China, para realizar o seu capital no empreendimento.
Resultado de imagem para gas do rovuma 
Num outro desenvolvimento, o Governo moçambicano aprovou, na terça-feira, a estrutura de financiamento do projecto de construção de uma plataforma flutuante para a produção de gás natural pelo consórcio liderado pela ENI, na Área 4 da Bacia do Rovuma, norte do país. Em conferência de imprensa no fi- nal da sessão semanal do Conselho de Ministros, o porta-voz do órgão, Mouzinho Saíde, declarou que o projecto da plataforma flutuante está orçado em 4,6 mil milhões de dólares. Na mesma sessão, o Conselho de Ministros aprovou ainda o Acordo Directo de Financiamento do Projecto FLNG Coral sul, que será desenvolvido pelo consórcio dirigido pela ENI. Mouzinho Saíde afirmou que a aprovação vai permitir ao consórcio o início das operações na Área 4 da bacia do Rovuma. Com a decisão tomada nesta terça- -feira pelo Conselho de Ministros, espera-se que o consórcio tome a decisão final de investimento (FID) nas próximas semanas. Apesar de estar presente no consórcio da ENI, através da ENH, o Governo moçambicano não vai realizar a sua parte do capital no investimento, devido à incapacidade financeira para o efeito, estando ainda por negociar as formas de compensação desse esforço financeiro, que poderá incluir a renúncia aos dividendos durante algum período. Segundo a Zitamar, a ENI ainda não tem finalizado o financiamento para a construção da plataforma flutuante nos estaleiros da Samsung, na Coreia do Sul.


segunda-feira, maio 08, 2017

Planificação,números,metas não é com eles

O Presidente da República, Filipe Nyusi, manifestou a sua insatisfação com a falta de domínio de matérias relativas a planificação por parte dos administradores distritais da província de Cabo Delgado, na região norte de Moçambique.Por isso, Nyusi recomenda a elaboração de cursos de capacitação para os administradores, que deverão incluir matérias tais como avaliação e monitoria, para que possam melhorar o seu desempenho.O Chefe de Estado constatou o facto durante a visita de trabalho àquela província durante a qual escalou sucessivamente os distritos de Nangade, Ancuabe, Macomia, Montepuez e que teve como ponto de entrada a vila municipal da Mocímboa da Praia.
“Não fiquei satisfeito com o domínio dos administradores na planificação. A concepção dos planos, a implementação dos planos, a monitoria”, disse
Resultado de imagem para nyuse cabo delgadoEstabeleceu um paralelismo entre a falta de domínio e clareza daquilo que se pretende produzir, com um atleta que corre sem meta.Nyusi, que falava em conferência de imprensa havida hoje, no posto administrativo de Namanhumbir, distrito de Montepuez, e que marcou o término da visita a Cabo Delgado, sublinhou que quando não existe sensibilidade sobre números e indicadores não é possível saber se estão a correr rápido ou devagar, ou saber se vão a tempo de cortar a meta.
“A felicidade, minha, é o facto de ter estado cá, tendo constatado que precisamos de dar este tipo de apoio. Esta é a razão da nossa vinda aqui para não estarmos no gabinete. Temos de dar o apoio necessário aos que precisam para poderem trabalhar”, afirmou o Presidente da República.
Reiterou que o governo vai organizar cursos de capacitação dos administradores para dotá-los de ferramentas necessárias para que possam melhorar o seu desempenho. De uma forma geral, Nyusi avalia positivamente o desempenho da província nas diferentes componentes.
“A avaliação geral que fazemos é que as coisas estão a acontecer em Cabo Delgado’ sublinhou o Chefe de Estado, apontando, como exemplo, as áreas de infra-estruturas, emprego, agricultura, pecuária e pesca, como as que vem registando avanços, embora esta ultima área não tenha muita tradição nesta província como acontece com as regiões sul e centro do país.
“Por isso mesmo, encorajamos a população e saudamos a província para que isso possa continuar”, anotou.Em Cabo Delgado, Nyusi manteve encontros com as autoridades e populações locais, onde se inteirou do nível de execução do Plano Economico e Social (PES), e inaugurou algumas infra-estruturas sociais e económicas.


L A M & Low-Cost

O artigo em questão  tenta mapear a fracção de custos cobertos pelo número de passageiros a bordo do avião. Assim, se um voo com 100 passageiros pagando a mesma tarifa, 29 pessoas (e portanto, 29% da receita) é usada para pagar o combustível queimado em vôo. Veja a figura ao lado.
A imagem mostra que 29% da receita com passagens é usada para pagar combustível. Salários consomem 20%, custos ligados à propriedade ficam com 16%, enquanto impostos e taxas governamentais (nos EUA) ficam com 14%. Fazer a manutenção da aeronave custa 11 assentos, e outros custos ficam com 9%. O lucro da companhia aérea é de apenas 1 assento, ou 1% da receita com as passagens vendidas! Nos EUA, isso representa em média 164 dólares. Apenas 164 dólares de lucro por vôo.
Portanto hoje o combustível é o maior componente na estrutura de custos de uma companhia aérea, o que tem estimulado o fabrico de aeronaves mais eficientes.Face a situação actual das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) uma saída proposta pelo capitão André Goís é uma gestão de transporte de passageiros e cargas, operando no Low-Cost. LEIA AQUI.....