A ex-governante terá alegadamente recebido os
subornos, quando era ministra do Trabalho na administração Guebuza e nessa
qualidade tutelava o INSS. Numa única conta terão sido depositados cerca de um
milhão de dólares. Os valores eram depositados nas contadas tuteladas por
Taipo. “Não havia nenhuma preocupação de ocultar, o que se sugere que tinha confiança
a um outro nível”, frisou a mesma fonte. Durante as audições no GCCC, Taipo
terá alegado que o dinheiro foi para financiar actividades eleitorais do
partido Frelimo. Não é a primeira vez que surgem alegações de fundos de
instituições públicas desviados para financiar actividades partidárias da
Frelimo. Aquando do julgamento de Diodino Cambaza, ex PCA dos Aeroportos de
Moçambique, este alegou que parte do dinheiro foi para a reabilitação da Escola
Central da Frelimo na Matola e para “outros favores” ao partido no poder.
Também durante a instrução do “Caso Embraer”, que envolve Mateus Zimba
(ex-director da Sasol), Paulo Zucula (ex-ministro dos Transportes e
Comunicações) e José Viegas (ex-PCA da LAM), surgiram indicações de que parte dos
USD800 mil de subornos na compra das aeronaves foram para financiar actividades
políticas do partido governamental, mas fontes do jornal garantem que,
diferentemente dos outros casos, neste não se irá arrastar o nome da Frelimo para
o processo uma vez que existem claras evidências de movimentações de contas
privadas de dois dos envolvidos a partir das “luvas” recebidas da empresa brasileira.
Uma fonte do jornal ligada ao extinto “Nosso Banco” , já depois de serem
tornadas públicas as acusações da Taipo, disse ter recebido um telefonema da
ministra solicitando seis milhões de dólares do banco para a campanha do
Partido Frelimo em Nampula.
A actual embaixadora de Moçambique em Angola é também
acusada de receber ajudas de custos do Ministério do Trabalho e do INSS para as
mesmas viagens de serviço. Helena Taipo terá recebido “luvas” de empresas de
construção civil e do sector gráfico, para poderem prestar serviços e fornecer
bens ao INSS, entidade tutelada pelo Ministério do Trabalho. A acusação cita
empresas como a Calmac, OPWAY Moçambique (agora a NADHARI/OPWAY Moçambique
Limitada) e Académica Magic Impressão Gráfica, uma sociedade unipessoal de
Nampula, como algumas das firmas que terão pago subornos à antiga ministra. FINAL
– Financiamento, Investimentos e Agenciamentos Limitada é uma das empresas
citadas pelos investigadores do Ministério Público como tendo repassado para a ministra
os subornos pagos pela OPWAY. Parte destas acusações, uso indevido de fundos e
equipamentos do ministério e recurso ao INSS como “saco azul”, foram publicadas
na imprensa ainda quando Taipo era ministra depois da informação ter sido
vazada por colaboradores próximos, incluindo com recurso a mensagens de
telemóvel. Porém, Taipo granjeou grandes simpatias entre as franjas populistas do
partido com os seus comunicados bombásticos anunciando a expulsão de gestores de empresas estrangeiros sem
qualquer processo de inquirição.
Multinacionais influentes, apoiadas pelas
representações diplomáticas baseadas em Maputo, foram recebidas várias vezes em
audiência pelo president Armando Guebuza, protestando contra os “excessos” de
Taipo e questionando a intenção do governo em atrair investimento.
Depois do caso emblemático da expulsão do gestor da
empresa G4S (convidado depois a regressar a Moçambique, Taipo expulsou o
administrador Pinto Ribeiro, do Banco Moza, acusado de ter atitudes racistas
para com os seus colegas. O banco recorreu da decisão e o caso foi sanado nos
bastidores, Segundo um dos gestores na altura, “para que a ministra não
perdesse a face”.
Depois de deixar o cargo de ministra do Trabalho em
2015, Taipo foi nomeada governadora da província de Sofala. Vários círculos
afiançam que a ex-governante saiu de Sofala como “uma baixa” do conflito
“fratricida” que flagelou a Frelimo na província, opondo uma ala liderada por
Helena Taipo a uma outra encabeçada pelo ex-primeiro secretário do partido no
poder Paulo Majacunene. Ambos engalfinharam-se numa refrega pelo controlo das
oportunidades de negócios cobiçadas pelas elites ligadas ao partido no poder em
Sofala.
Porém, muitos questionam a decisão de enviar Helena
Taipo para Angola, quando a forma como as instituições judiciais funcionam em
Moçambique levam a uma suspeita fundada de que o Presidente da República já
tinha conhecimento de que a nova embaixadora estava a ser investigada pela
justiça por factos graves.Ironicamente, a dirigente foi enviada para uma missão
diplomática num país que está a ser conhecido por uma nova aurora no combate à corrupção
movido pelo actual chefe de Estado angolano, João Lourenço. O escândalo
financeiro envolvendo Helena Taipo poderá ser mais uma “batata quente” para a
Frelimo, pois a visada é uma das figuras mais conhecidas da etnia macua, um
grupo demograficamente importante na distribuição do voto no norte do país.
Terá sido a forte capacidade de mobilização de Helena Taipo na província de
Nampula que lhe value a saída da discreta posição de directora provincial do
Trabalho para ministra do pelouro em 2005, primeiro ano da governação de
Armando Guebuza. O “sector” macua da Frelimo não ficará alheio ao facto de
Helena Taipo ser a segunda figura do grupo a ser envolvida em escândalos de corrupção,
depois de o ex-ministro da Justiça, Abduremane Lino de Almeida ter sido
condenado por corrupção. Segundo disseram ao jornal, há sectores influentes na
Frelimo que apontam o dedo acusador aos líderes partidários daquela província, por
terem deixado “cair” vários municípios em Nampula, após a sua perda de
protagonismo no congress da Frelimo realizado em Setembro de 2017.
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