terça-feira, dezembro 20, 2016

Estado geral da Nação

Resultado de imagem para nyusi estado da nacao«A situação geral da Nação mantém-se firme. A Nação moçambicana é capaz de enfrentar os desafios presente e futuros.»
Filipe Nyusi

Agora segue-se o meu comentário...

Filipe Nyusi conseguiu dar um informe realista e simplificado do Estado geral da Nação moçambicana(19.12.16), mas a sua conclusão admite interpretações ambíguas.
A situação geral da Nação moçambicana NUNCA foi vacilante ou de falta de firmeza, e NUNCA esta Nação foi incapaz de enfrentar os desafios do presente e do futuro. Infelizmente, o parágrafo de fecho do informe do Presidente da República (PR) de Moçambique sobre o estado geral da Nação deixa espaço para aproveitamento político pela oposição ao seu Governo. Com efeito, já se diz, por exemplo, que o "«estado geral da Nação continua firme» na protecção dos bajuladores que ladeiam o PR e o impedem de ver correctamente a situação real do país".
E esta agora? Será que é isso que Filipe Nyusi quis dizer? Será que os assessores do PR não se aperceberam de que aquele último paragrafo do informe sobre o estado geral da Nação admitia interpretações subversivas? O próprio PR não se deu contra de que aquele último parágrafo era ambíguo e abria espaço para aproveitamento político desconstrutivo?
Que tal se o informe terminasse com uma "frase" assim(?):
«Moçambicanas, moçambicanos, compatriotas! O estado geral da nossa Nação, a Nação moçambicana, é caracterizado por vários desafios, incluindo a ausência de paz efectiva (por nos permitirmos conviver com a Renamo teimando em manter-se armada fora da lei),  altos níveis de percepção da corrupção, baixos níveis de produção e de produtividade da nossa economia, baixa qualidade de serviços prestados pelas nossas instituições públicas e privadas, e acentuada queda de princípios e valores morais, entre outros males. Claramente, neste estado não se pode dizer que a nossa Nação está bem. A nossa Nação NÃO está bem. E esta Nação NÃO está bem só por causa de quem está a governar. Esta Nação NÃO está bem por culpa da nossa incapacidade colectiva de viver debaixo da lei.«
«Só onde as pessoas, na sua maioria, aceitam assimilar e defender bons princípios e valores de convivência social como parte integrante da sua cultura, só onde as pessoas aceitam voluntariamente viver debaixo da lei, é que pode a Nação que elas (as pessoas) formam estar bem e prosperar. A nós moçambicanos, como sociedade, como povo, ainda nos falta compreender a importância de vivermos debaixo da lei.«
«É por isso que, por exemplo, aceitamos conviver com a Renamo armada e não vemos mal nisso; aceitamos corromper e sermos corrompidos e não vemos mal nisso; aceitamos viver de mão estendida e não vemos mal nisso; aceitamos a chantagem como forma legítima de fazer política e não vemos mal nisso. É por isso também que a nossa vida colectiva está a ficar cada mais caracterizada por frustrações que nos levam a viver de apontar dedos acusadores uns aos outros. Enfim, é por isso que o nosso progresso está a ser lento e titubeante.«
«Para sairmos desta situação, impõe-se que mudemos de mentalidade. E para que esta mudança que se impõe por si mesma seja pacífica e efectiva, é imperioso que a sua necessidade seja sentida por todos nós. É para fazer sentir esta necessidade que o Governo que eu estou a liderar está, por exemplo, a conversar com a Renamo para o alcance da paz efectiva em Moçambique. A nossa intenção é que este diálogo seja franco, nacional e inclusivo.«
«Recentemente falei com Afonso Dhlakama sobre a necessidade de o diálogo ora em curso ser célere, honesto, franco, inclusivo e fundado na nossa lei mãe, a Constituição da República de Moçambique. É minha convicção que este é o caminho mais apropriado para alcançarmos paz efectiva no nosso País. Continuarei a explorar esta via, a via do diálogo construtivo, fundado na lei que jurei respeitar e fazer respeitar, na busca da paz efectiva para o nosso País. Continuo focado na busca da paz efectiva por entender que só vivendo em paz efectiva é que teremos tempo para pensar nas melhores opções para acelerar o desenvolvimento do nosso País.«
«...«
«Por tudo o atrás dito, e apesar dos esforços que temos estado a empreender para manter Moçambique na rota do progresso, temos que reconhecer que o nosso progresso nesta rota tem sido lento. Não obstante, e medindo pelo que fomos capazes de conseguir realizar no meio de todas as adversidades que marcaram a nossa governação no ano de 2016 prestes a findar, podemos afirmar categoricamente que a Nação moçambicana continua firme na rota do progresso. Esta nossa convicção é sustentada pelo facto de que, apesar de o crescimento da nossa economia ter desacelerado devidos aos múltiplos factores adversos já mencionados atrás, não houve inversão da tendência de crescimento. Para o ano de 2017 prevemos um crescimento da nossa economia maior do que registamos este ano de 2016. Isto é o que significa dizermos que a Nação moçambicana continua firme na rota do progresso: estamos a crescer de forma sistemática, cada vez mais aprendendo dos nossos próprios erros e dos erros dos outros.»

Este talvez fosse uma forma mais feliz de concluir o informe sobre o Estado da Nação moçambicana.
...

Minha opinião!
(Por:Juliao Joao Cumbana in Facebook)

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