segunda-feira, dezembro 05, 2016

Cravos vermelhos para a tripulação do TU-134

Resultado de imagem para tripula;ao tupolev samoraNão muito afastado da margem esquerda do Rio Neva, que atravessa a cidade de São Petersburgo, está o Cemitério das Vítimas do 9 de Janeiro construído em memória dos manifestantes pacíficos mortos pelo regime do Czar Nicolas II em 1905. A densa vegetação de bétulas torna o lugar aprazível, mesmo em Outubro, quando a estação do Outono vai a meio, as árvores despidas e o chão coberto de folhas de tons vermelho, laranja e amarelo. Chamam-lhe o Outono dourado.  Há no cemitério um recinto com quatro campas de granito, uma em cada canto. Ao centro, uma lápide feita da mesma pedra. Cravada na parte superior, uma placa em mármore com os dizeres, “À Tripulação do Tu-134, tragicamente falecida no cumprimento do dever internacionalista na República de Moçambique,19 de Outubro de 1986”. 
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As campas estão dispostas de forma idêntica à dos lugares que os tripulantes ocupavam na cabine do avião sinistrado em Mbuzini. Para quem observe as campas de fora do recinto, à direita está a do Comandante Yuri Victorovitch Novodran. À esquerda a de Igor Petrovitch Kartamychev, o Co-Piloto. Por detrás da campa do Comandante, a de Anatoli Aleksandrovitch Choulipov, que era o Radiotelegrafista. Ao lado, a do Navegador Oleg Nikolaevitch Koudriachov. As viúvas de três dos tripulantes, coincidentemente todas elas com nome próprio igual – Valentina – voltaram ao cemitério para homenagear os que partiram há 30 anos.
Imagem relacionada Ausente, a viúva de Igor Kartamychev, entretanto falecida. O casal não deixou filhos. Igor Novodran também lá esteve. Frequentava o terceiro ano da Academia de Aviação quando o pai faleceu. Foi piloto de aviões Boeing-767 da Aeroflot, mas agora entretém-se a cuidar dos netos. Vladimir Borisovitch Novoselov era o Mecânico de Bordo do Tupolev presidencial. Hoje está reformado. Vive com a esposa, Nadezhda, em São Petersburgo. Os dois filhos do casal, já adultos, moram perto. Como habitualmente, Vladimir Novoselov foi em romaria ao cemitério, desta vez por ocasião do 30º aniversário da tragédia. Seguindo a tradição russa, Vova, como o tratam na intimidade, levou oito cravos vermelhos que depositou aos pares emcada campa onde jazem os colegas que com ele haviam seguido para Moçambique.

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