domingo, setembro 13, 2015

Um diálogo de paz

Os Estados Unidos da América (EUA), Portugal e Reino Unido condenaram hoje o uso de violência e palavras ameaçadoras que atentam à paz e estabilidade para a resolução de diferendos entre as várias esferas da sociedade moçambicana, em lugar do diálogo.Este sentimento foi manifestado pelos respectivos embaixadores acreditados no país, Douglas Griffiths, Joanna Kuenssberg e José Duarte, durante um encontro que mantiveram, em separado, com o Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, em Maputo.Nas suas declarações à imprensa, após o encontro com o Primeiro-Ministro, os diplomatas mostraram-se satisfeitos e disseram ter manifestado o interesse de cada um dos países que representam apoiar sempre ao povo e às autoridades moçambicanas no desenvolvimento, prossecução da paz e no respeito pela democracia no país.O diplomata português, por exemplo, disse existirem dois motivos grandes que se ligam ao interesse em apoiar o país, nomeadamente afectivo e material, como são os casos da ligação histórica longa que os dois países têm, que permite à sociedade portuguesa ter uma relação de afectividade genuína com Moçambique e os investimentos.
Resultado de imagem para paulo duarte embAIXADOR“Tensões políticas existem em todos os Estados democráticos. Fazem parte do debate político. Não têm problema. Contudo, essas tensões políticas devem ocorrer em todo o lado no estrito respeito da lei e na estrita utilização das instâncias democraticamente eleitas para o efeito. Se há leis que necessitam ser mudadas, as pessoas debatem-nas e aprovam as mudanças que consideram adequadas para responder a essas mesmas necessidades. Para nós, isso é claro, não apenas para Moçambique, mas para todos os países do mundo”, afirmou o embaixador.Na sua política externa, Portugal apela sempre ao respeito pela paz, vida humana e instâncias democraticamente eleitas, bem como instâncias normais para debater pontos de vista, reformar leis, e contextos, o que com Moçambique não foge à regra.Para Duarte, os moçambicanos são suficientemente maduros e sabem perfeitamente o que querem para, por si sós, chegarem às negociações. “No entanto, cabe a eles encontrarem os modelos, modalidades e esquemas naturais que se considerem adequados à sua convivência pacífica”.Portugal continua a ser, desde 2008, um dos principais investidores externos de Moçambique e maior criador estrangeiro de emprego, tendo criado cerca de 75 mil postos de trabalho.Assim, Duarte não vê com bons olhos a instabilidade que se vai instalando no país, devido às ameaças da Renamo, o principal partido de oposição, de criar forças policiais e de defesa paralelas às já constitucionalmente existentes, que podem prejudicar todo um clima de investimento.“As pessoas, quando investem, querem ter lucro. Para que tenham lucro, convém que haja paz e estabilidade. Só assim é que as coisas evoluem. Nós gostamos de ver os moçambicanos a terem sucesso. Nós gostamos de ver taxas de crescimento económico em Moçambique que rondam os sete e sete e meio por cento. Nós gostamos de ver Moçambique a evoluir, a descobrir gás natural, a ter perspectivas de ser um país mais rico, a ter perspectivas de ver menos gente pobre, a ver mais gente a participar nessa riqueza”, realçou.Portugal tem uma comunidade de cerca de 23 mil pessoas em Moçambique.
Por seu turno, a Alta Comissária do Reino Unido e Irlanda do Norte afirmou que a existência de partido político armado, como é o caso da Renamo, é condenável, visto não ser uma parte de saída para uma paz sustentável, encorajando, por conseguinte, o estabelecimento dum diálogo consolidado e a todos os níveis.“Eu disse que, segundo a nossa história, nós sabemos que do lado do governo é muito importante ter a responsabilidade de combater sempre para a paz, para que o público não tenha medo, para acabar com a incerteza que existe dada esta tensão”, disse Kuenssberg.A diplomata realçou que o passado recente moçambicano mostra que não há um espaço para as armas, referindo-se à tensão político-militar entre o governo e Renamo, cujo acordo de cessação foi assinado em 2014.“É necessário o diálogo e conversa face a face entre pessoas e não pelas armas. O público não quer violência. Encorajo ambas as partes a falarem. As respostas só vão sair da conversa, do diálogo. Ninguém quer a guerra. Todos querem a paz. O Reino Unido considera também que as instituições públicas também deviam ser respeitadas”, acrescentou.O Reino Unido e Moçambique estão a reforçar cada vez mais as relações existentes. No encontro, a diplomata e o Primeiro-Ministro falaram também da cooperação britânica que está a apoiar todas as prioridades do Plano Quinquenal do Governo para o desenvolvimento político, social e económico do país.Os dois trocaram ainda impressões sobre o investimento do sector privado e ambiente de negócios.Em Moçambique, há mais de 40 empresas britânicas que operam em todos os sectores.
Resultado de imagem para Douglas Griffithsor sua vez, o embaixador Douglas Griffiths disse que, para além de ter encorajado para um diálogo de paz, deixou bem claro que os EUA não apoiam a nenhum partido político no país e que sempre estão a favor do uso das instituições para fortalecer a paz em benefício do povo.
“Temos que usar um diálogo de paz. Acho que as pessoas têm que colaborar. Precisamos de usar palavras para construir em vez de dividir”, sublinhou.A trajectória e o estágio das relações bilaterais entre os EUA e Moçambique e o investimento norte-americano foram outros assuntos debatidos. Em relação ao investimento, Griffiths revelou que o seu país colocou à disposição cerca de 500 milhões de dólares, para investir na educação, saúde, agricultura, entre outros sectores em Moçambique. 




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