Os
Estados Unidos da América (EUA), Portugal e Reino Unido condenaram hoje o uso
de violência e palavras ameaçadoras que atentam à paz e estabilidade para a
resolução de diferendos entre as várias esferas da sociedade moçambicana, em
lugar do diálogo.Este sentimento foi manifestado pelos respectivos embaixadores
acreditados no país, Douglas Griffiths, Joanna Kuenssberg e José Duarte,
durante um encontro que mantiveram, em separado, com o Primeiro-Ministro,
Carlos Agostinho do Rosário, em Maputo.Nas suas declarações à imprensa, após o
encontro com o Primeiro-Ministro, os diplomatas mostraram-se satisfeitos e
disseram ter manifestado o interesse de cada um dos países que representam
apoiar sempre ao povo e às autoridades moçambicanas no desenvolvimento,
prossecução da paz e no respeito pela democracia no país.O diplomata português,
por exemplo, disse existirem dois motivos grandes que se ligam ao interesse em
apoiar o país, nomeadamente afectivo e material, como são os casos da ligação
histórica longa que os dois países têm, que permite à sociedade portuguesa ter
uma relação de afectividade genuína com Moçambique e os investimentos.
Por seu turno, a Alta Comissária do Reino Unido e Irlanda do Norte afirmou que
a existência de partido político armado, como é o caso da Renamo, é condenável,
visto não ser uma parte de saída para uma paz sustentável, encorajando, por
conseguinte, o estabelecimento dum diálogo consolidado e a todos os níveis.“Eu
disse que, segundo a nossa história, nós sabemos que do lado do governo é muito
importante ter a responsabilidade de combater sempre para a paz, para que o
público não tenha medo, para acabar com a incerteza que existe dada esta
tensão”, disse Kuenssberg.A diplomata realçou que o passado recente moçambicano
mostra que não há um espaço para as armas, referindo-se à tensão
político-militar entre o governo e Renamo, cujo acordo de cessação foi assinado
em 2014.“É necessário o diálogo e conversa face a face entre pessoas e não
pelas armas. O público não quer violência. Encorajo ambas as partes a falarem.
As respostas só vão sair da conversa, do diálogo. Ninguém quer a guerra. Todos
querem a paz. O Reino Unido considera também que as instituições públicas
também deviam ser respeitadas”, acrescentou.O Reino Unido e Moçambique estão a
reforçar cada vez mais as relações existentes. No encontro, a diplomata e o
Primeiro-Ministro falaram também da cooperação britânica que está a apoiar
todas as prioridades do Plano Quinquenal do Governo para o desenvolvimento
político, social e económico do país.Os dois trocaram ainda impressões sobre o
investimento do sector privado e ambiente de negócios.Em Moçambique, há mais de
40 empresas britânicas que operam em todos os sectores.
“Temos que usar um diálogo de paz. Acho que as pessoas têm que colaborar.
Precisamos de usar palavras para construir em vez de dividir”, sublinhou.A
trajectória e o estágio das relações bilaterais entre os EUA e Moçambique e o
investimento norte-americano foram outros assuntos debatidos. Em relação
ao investimento, Griffiths revelou que o seu país colocou à disposição cerca de
500 milhões de dólares, para investir na educação, saúde, agricultura, entre
outros sectores em Moçambique.
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