sexta-feira, agosto 01, 2014

Ucranianos também operam baterias antiaéreas Buk

No calor da última histeria de guerra da mídia norte-americana – que correu para culpar o presidente russo Vladimir Putin pela queda do avião de passageiros da Malaysia Airlines – existe a mesma ausência de cepticismo que fez barulheira no Iraque, na Síria e em outros lugares – perguntas essenciais não são feitas ou respondidas. A pergunta que não quer calar a respeito da catástrofe sobre a Ucrânia é: o que as imagens dos satélites espiões norte-americanos mostram? É difícil acreditar que, com toda a atenção que o serviço de espionagem norte-americano tem prestado ao leste da Ucrânia nos últimos seis meses, o transporte de vários sistemas Buk de mísseis antiaéreos da Rússia para a Ucrânia e depois de volta à Rússia não aparecem em lugar algum. Sim, existem limites para o que os satélites espiões norte-americanos podem ver. Mas os mísseis Buk têm cerca de 16 pés de comprimento e em geral são montados no topo de tanques ou caminhões.
O voo 17 da Malaysia Airlines também caiu durante a tarde, e não à noite, o que significa que a bateria de mísseis não estava escondida pela escuridão.
Então por que essa pergunta sobre as fotos do espião norte-americano dos céus – e o que elas revelam – não está sendo feita insistentemente pela mídia norte-americana?  Como o Washington Post pode publicar uma matéria de primeira página, como a que foi publicada no domingo com o título definitivo: “Oficial americano: russos deram o sistema”, sem exigir das autoridades detalhes a respeito do que revelam as imagens de satélite?
Ao contrário, Micchael Birnbaum e Karen DeYoung do Post escreveram de Kiev:  
“Os Estados Unidos confirmaram que a Rússia forneceu lançadores de mísseis sofisticados aos separatistas da Ucrânia do leste e foram feitas tentativas de transportá-los de volta através da fronteira com a Rússia depois que o avião da Malaysia foi derrubado, disse uma autoridade norte-americana no sábado. ‘Nós acreditamos que eles estavam tentando levar de volta para a Rússia pelo menos três sistemas Buk (lançadores de mísseis)’, disse. O serviço de espionagem norte-americano estava ‘começando a ter indícios … há pouco mais de uma semana, de que lançadores russos foram levados para a Ucrânia, disse a fonte … cuja identidade não foi revelada pelo Post para que ele  discutisse assuntos de espionagem”.
Mas veja como são vagas as afirmações: “Nós acreditamos”, “começando a ter indícios”. E nós devemos acreditar – e, ainda mais relevante, os jornalistas do Washington Post de fato acreditam – que o governo norte-americano com seus serviços de espionagem de primeira não conseguem encontrar três caminhões lentos, cada um carregando enormes mísseis de longo alcance?
O que a fonte  conta, fonte que já passou informações precisas em assuntos semelhantes no passado, é que as agências de espionagem norte-americanas têm imagens de satélite detalhadas das baterias de mísseis que provavelmente lançaram o míssil fatal, mas a bateria parece estar sob o controle de tropas do governo ucraniano, vestindo o que parecem ser uniformes ucranianos.
A fonte disse que os analistas da CIA ainda não eliminaram a possibilidade de que as tropas fossem na verdade rebeldes do leste da Ucrânia vestindo uniformes semelhantes, mas a avaliação inicial era de que as tropas eram compostas por soldados ucranianos.Também foi sugerido que os soldados envolvidos eram possivelmente bêbados indisciplinados, já que as imagens mostram o que pareciam ser garrafas de cerveja espalhados no local, disse a fonte.Mas, ao invés de pressionar para ter mais detalhes, a grande mídia norte-americana simplesmente passou adiante a propaganda vinda do governo ucraniano e do Departamento de Estado, inclusive ecoando o fato de que o Sistema Buk é “feito na Rússia”, um fato insignificante que é muito repetido. 
No entando, usar o argumento do “feito na Rússia” sugere que a Rússia pode ter envolvimento na derrubada do avião, o que é no mínimo enganador e claramente planejado para influenciar os mal informados norte-americanos.Como o Post e outros meios de comunicação certamente sabem, o exército ucraniano também opera sistemas militares feitos na Rússia, inclusive as baterias antiaéreas Buk; assim, a origem da fabricação não tem valor algum de prova.

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