terça-feira, agosto 12, 2014

Corpo na Beira mas pensando nas presidenciais



“A forma como está a ser governado o município da Beira está a mudar para o pior, de mandato para mandato. Quando Daviz Simango chegou ao poder, em2003, mudou completamente a nossa cidade, encontrou uma urbe esburacada,cheia de lixo e com sérios problemas desaneamento do meio.  Em poucos meses, conseguiu tapar buracos, limpar o lixo e devolver a dignidade da cidade, que há muitos anos tinha desaparecido”, recorda. Na opinião de Mateus, “Daviz Simango era um filho preocupado com a sua casa, com os seus irmãos munícipes da Beira. Mas, estranhamente, o seu comportamento mudou a partir do segundo mandato a esta parte. Hoje, a cidade da Beira já não é a mesma do quinquénio 2003-2008. Parece estar a abusar da confiança e do amor que os munícipes da Beira têm por ele”. Diz o nosso entrevistado que, nos dias de hoje, andar de carro na  cidade da Beira é uma tarefa complicadíssima. O grosso das ruas, quer da cidade de cimento, quer da periferia, está quase intransitável. Sublinha que o mais curioso é a maioria das vias hoje intransitáveis terem sido reabilitadas em meados do ano passado, nas vésperas das eleições autárquicas. Teodósio Vilanculos, 45 anos, residente do bairro da Manga, também anda descontente com o estado em que se encontra a cidade. Para Vilanculos, devido à natureza política da Beira, muitos munícipes nutrem simpatias pelo edil, mas este despreza esse facto. 
No seu primeiro mandato, Daviz Simango conseguiu construir, de raiz, várias estradas. São disso exemplo as ruas da Chota (ligando a cidade e o aeroporto) e Kruss Gomes (que liga a cidade e o populoso bairro da Munhava). Porém, nos últimos 10 anos, não é visível nenhuma obra de vulto, se não a fortificação dos laços empresarias do edil bem como dos seus familiares. Mateus Vilanculos diz que as obras que são ultimamente edificadas sob auspícios da edilidade carecem de qualidade. Dá como exemplo a estrada que parte do Aeroporto da Beira até ao bairro da Manga, do aeroporto até ao bairro de Estoril e da estrada velha à zona industrial. Ângela Semente, munícipe da Beira,também conversou com o nosso jornal e queixou-se de um conjunto de problemas que enfermam a cidade e com os quais a edilidade supostamente pouco se preocupa. Semente diz que o actual edil da Beira está mais preocupado com o seu partido que com o município. “Posso garantir-lhe, sem exageros, que o presidente Daviz Simango, em cada 30 dias, apenas permanece 10 na cidade e destes só cinco ou seis dias é que vai ao gabinete. Isso verifica-se desde que foi reeleito”, lamentou.Continua a sua explanação referindo que a cidade da Beira debate-se com a erosão, com casas a ameaçarem desabar a qualquer momento, as vias de acesso são precárias e a corrupção no município está em alta. “O edil tem conhecimento disso mas nada faz”, acusa Ângela Semente. Semente falou de relações pouco simpáticas entre a edilidade e os munícipes, sobretudo com a classe mais visionária ecom conhecimentos básicos daquilo quesão seus direitos.A realidade no terreno demonstra que, apesar do discurso político apontar para o engajamento municipal para com os autarcas, não existem praticamente espaços de participação dos cidadãos na governação municipal. Muitas vezes, os residentes Muitas vezes, os residentes da Beira não comparticipam em vários ciclos que compreendem a gestão municipal. Não são chamados à planificação, implementação e muito menos fiscalização. Na realidade, o único espaço participativo visível são os conselhos consultivos ao nível dos bairros e dos postos administrativos, onde estão representados cidadãos que, supostamente, provêm dasociedade civil, autoridades locais e outras personalidades influentes ao nível do bairro.Os conselhos consultivos foram concebidos pelo conselho municipal para tomar as decisões associadas à atribuição do financiamento no âmbito do Programa Estratégico para a Redução da Pobreza Urbana (PERPU). Contudo, a escolha dos membros para os conselhos consultivos é questionada por algumas esferas da sociedade beirense por se cingir a simpatias políticos, dando-se prioridade aos partidários do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). 
Dércio Zinadanhe, munícipe e professor universitário, 42 anos, residente no bairro Macurungo, é das correntes da sociedade beirense que não sente a aproximação do munícipe à governação municipal. Diz que muitos dos munícipes da Beira não têm acesso aos planos de governação, de actividades e muito menos a prestação de contas.Afirma que não se lembra de uma única vez, desde que foi introduzido a autarcização,que o edil ou as autoridades municipaisse fizeram aos munícipes com objectivo de prestar contas acerca das suas realizações.“As únicas vezes em que os políticos nos dizem o que fizeram é quando estão àbusca de voto. Depois disso, não há mais nada”, lamentou.Continua o nosso entrevistado referindo que as presidências abertas municipaissão as poucas oportunidades dos munícipes dialogarem com as autoridades municipais de forma directa e expor as suas opiniões e preocupações. Contudo, estes encontros pouco contribuem para aproximação do cidadão com os governantes, na medida em que os pedidos dos munícipes assim como as decisões tomadas pouquíssimas vezes são implementadas.
Os cancros da Beira Localizada na zona central do país, cerca de 1.190 quilómetros da capital do país, Maputo, a cidade da Beira, província de Sofala, é habitada por cerca de450 mil pessoas, dispersas por 633 km2,dentro de 26 bairros.A urbe foi erguida numa zona pantanosa,situação também responsável pelo deficiente sistema de saneamento.Quando chove, a cidade fica completamente alagada.Os munícipes da Beira defrontam-se com o desemprego, assentamentos informais, falta de apoio aos idosos, o que abre espaço para o aumento de níveis de mendicidade, bem como criminalidade. A cidade enfrenta igualmente a falta de escolas, sobretudo do índole técnico-profissional, fraco sistema de iluminação pública, fraco acesso à água, falta de transporte, inexistência de balneários públicos, más estradas, erosão e protecção costeira e conflitos de terra. A abundância de crianças e órfãos abandonados e proliferação de vendedores informais nas principais artérias da cidade e prostituição são outras das mazelas do Chiveve.Os munícipes da Beira queixam-se ainda do encurtamento de rotas por parte dos transportadores semi-colectivos de passageiros, sobretudo nas horas de ponta.(SAVANA)

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