segunda-feira, agosto 11, 2014

"Camisinha" está a arruinar industria pornográfica

O Senado da Califórnia tem nas mãos um projecto de lei que pretende exigir o uso de camisinha nos filmes pornográficos, uma proposta que embora tenha fins de saúde, pode minar financeiramente esse lucrativo sector nos Estados Unidos. A legislação em debate, conhecida como AB-1576, é uma versão estadual da "Medida B", aprovada em 2012 num referendo no condado de Los Angeles - um dos principais centros de produção pornô nos EUA - e cujas consequências dois anos depois são visíveis. De acordo com dados da FilmLA, órgão responsável por administrar as autorizações de filmagem nesse condado, e publicados pelo jornal "Los Angeles Times", as solicitações para gravar filmes com sexo explícito em Los Angeles caíram 90% no ano passado. Em 2014, esse número está 50% inferior ao de 2013. "Na hora em que saiu a 'Medida B' (que está sendo apelada), resolvemos não filmar mais lá", explica à Agência Efe Steven Hirsch, fundador de Vivid Entertainment, um dos principais estúdios de pornô do mundo.A Vivid produz 60 filmes por ano, a maioria na Califórnia, e está radicada no Vale de San Fernando, área que abrange seis municípios da região metropolitana de Los Angeles. Estima-se que as empresas californianas do mundo do pornô lucrem anualmente entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões, apesar de nenhuma instituição pública ou privada possuir estatísticas oficiais sobre a economia desse setor.Empresários e muitos actores se opõem à AB-1576 pelas mesmas razões que usaram para a "Medida B": o público não quer ver camisinhas nas cenas. Além disso, são contra o facto de políticos interfiram na forma com que os adultos mantêm relações.
"Este trabalho é minha vida, eu amo isso! Acho injusto o governo dizer como tenho que fazer", disse Christian Wilde, um dos 600 actores que apoiam a campanha contra a AB-1576 e que busca assinaturas no site "Change.org"."Se esta lei for aprovada, estaremos mais perto do fim do pornô na Califórnia, o que custará ao estado milhões e milhões de dólares", lamentou Steven Hirsch.
Idealizada pelo deputado estadual democrata Isadore Hall, com apoio da organização Aids Healthcare Foundation (AHF), a intenção é fazer com que o uso de preservativos nas filmagens seja obrigatório para proteger os actores de doenças sexualmente transmissíveis (DTs). Além disso, querem que os profissionais informem às autoridades quando realizaram testes de HIV e se fizeram exames para detectar DSTs, pelo menos, 14 dias antes de começarem as filmagens."É de bom senso", declarou a directora de Saúde Pública da AHF, Whitney Engeran-Cordova.Em meio à discussão sobre a tramitação da lei, as atrizes Sofia Delgado e Cameron Bay e o actor Rod Daily, portadores do vírus HIV desde 2013, defenderam a AB-1576. A indústria, por sua vez, garante que a autoregulação actual e seus protocolos de saúde mostraram ser efectivos, e argumenta que as transmissões não acontecem durante as filmagens.

"Fizemos um grande trabalho neste assunto. Ninguém contraiu HIV durante mais de uma década", insiste o fundador da Vivid, cujo discurso se encaixa com o da associação Free Speech Coalition (FSC), que representa os interesses do sector."Esta lei terá um grande custo financeiro para a Califórnia e não fará nada para melhorar a segurança dos actores", afirmou Diane Duke, diretora da FSC.O facto é que só de ser posta em prática a nível estadual, a lei já representaria a perda de US$ 125 mil a US$ 150 mil, o que fez com que a iniciativa tenha ficado suspensa até que seja revista a sua viabilidade orçamentária. No entanto, tudo aponta para que o comitê do Senado dê seu veredicto final no próximo dia 15. (EFE)

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