sexta-feira, abril 18, 2014

Senhor Simango: a sua cidade está um caos

Daviz Simango, presidente do Conselho Municipal da Beira -CMB, é, pela segunda vez, proposto pelo seu partido, o Movimento Democrático de Moçambique -MDM, do qual também é o presidente, a candidato presidencial às eleições gerais de 15 de Outubro próximo, depois de anunciadas as candidaturas de Filipe Nyussi, da Frelimo, Afonso Dhlakama, da Renamo, e Ya-qub Sibindy, do PIMO.
Sem querer retirar mérito ao gestor municipal do Chiveve, o que esperar agora no desempenho das suas responsabilidades sabido das tantas e quantas vezes em que os munícipes se viram órfãos pelas suas constantes ausências devido ao envolvimento nas respostas ás solicitações do seu partido e, quando parece, uma tendência crónica, os funcionários e vereadores municipais aparecerem fazendo sempre algo a reboque do presidente?
A disciplina urbana navega sem autoridade. O lixo e a sua deficiente recolha; as estradas retalhadas; as vias terciárias desaparecendo engolidas pelo capim; o desaparecimento dos espaços verdes; a cumplicidade municipal na instalação de barracas e bancas nas estradas e passeios onde “construções” habitacionais e comercias precárias inconcebíveis se juntam à inexistência no vocabulário do ordenamento urbano e transformam a Beira em uma urbe rural. Uma anarquia total.
Quem se nega a reconhecer que à problemas nesta cidade não está sendo realista. São aspectos gritantes que os munícipes lamentam, vindas de quem iniciou de forma exemplar na gestão municipal, onde os aplausos se faziam sentir pela chegada do “salvador”.
Não nos sentimos constrangidos nesta crítica aberta na medida em que andando pelas ruas vemos um sentimento de frustração da população e um avolumar de críticas já a nível nacional. E, essa insatisfação pelo desempenho actual do edil da Beira serve, é usado como cavalo de batalha uma vez que este, como candidato presidencial e a-tendendo ao crescimento, expansão me-teórica do seu partido, ameaça os alicerces políticos do país tendo em vista as Gerais de Outubro próximo.
A particular situação geográfica e história política conjugam-se para tornar mais complicado o momento difícil que a Beira vive desde sua existência.
O pântano sempre presente, requer investimentos em tecnologias e recursos acima da média. E uma dotação orçamental manifestamente insuficiente pode continuar a prender as iniciativas municipais que seriam desejáveis para resolver os graves e fundamentais problemas em vários sectores.
Não é fácil resolver os problemas e da noite para o dia as coisas cada vez mais vão se tornando ruins. Não admitimos que o fraco desempenho do edil da Beira possa ser atribuído à sua inexperiência para ocupar o cargo.
Os funcionários e vereadores municipais poderiam muito e bem fazer as intervenções de emergência. Para tapar um buraco não é necessário que o senhor presidente se faça ao terreno. Existe a necessidade destes fazerem um trabalho de fiscalização dos acontecimentos diários. Impõe-se a profissionalização do CMB nos seus diversos sectores para ter respostas no atendimento e resolução aos problemas da cidade.
Por mais que louvemos a existência de projectos em carteira em prol do desenvolvimento da urbe como o Plano Director - Mastarplan, a implantar pelo município até 2035 para reestruturar a cidade desde o sistema de esgotos e drenagem (reabertura do canal Chiveve), habitação, espaços verdes, sistema de transporte entre outros, nada justifica o mau trato de que a urbe padece e literalmente abandonada.
Os citadinos, obrigados, viraram malabaristas. Fica cada vez mais complicado fazer-se aos passeios e estradas da cidade. Embora estejamos convictos, acreditemos, aceitemos que os munícipes se vejam obrigados a abraçar todo o tipo de esquemas e actividades para sobreviverem, isso não deve concorrer para que não haja uma acção tendente a garantir que quem mesmo sob crassa imundice confecciona alimentação ao ar livre e a comercializa carregando consigo inimagináveis atentados à saúde pública, não cumpra com a postura camarária. Há que por um travão a procedimentos completamente contrários ao que as posturas municipais rezam. Aqui, não deixaremos de frisar que a falta de boas práticas por parte dos munícipes ajuda, e em grande medida, para o actual descalabro. Para tal, cabe ao município articular o necessário para realizar acções, mostrando exemplos de como utilizar e estar, complementando e aprimorando a gestão municipal com o envolvimento das igrejas, das escolas e mais que tais.
Por outro lado, não se deve deixar de lado o fluxo migratório de pessoas decorrente da guerra civil e da economia do mercado no país que aumentou sobremaneira o número de cidadãos sem que isso fosse acompanhado por um crescimento de infraestruturas públicas e sociais, não conseguindo assim a urbe suportar a pressão.

Portanto, são várias as razões que transformam a Beira em desenvolvimento para o seu actual estado rural. Sim, a urbe continua a desenvolver-se e disso ninguém tenha dúvidas. Mas o estar melhor que ontem não significa que não existam problemas. O município está mergulhado num mar de dificuldades reais e sem manutenção de rotina e com qualidade não à infraestruturas que tenham durabilidade.
Urge ao CMB introduzir a participação social e empresarial em suas administrações. Recuperar e promover a participação destes através de mecanismos que garantam o seu envolvimento na formulação, execução e fiscalização das políticas públicas municipais. Qual-quer projecto participativo será mais ou menos êxitoso se existir uma sociedade organizada e esta for nela incorporada. -Por que não a criação de um “movimento comunitário”?
Cabe aos governantes desenharem cenários e estratégias que sirvam os objectivos do desenvolvimento pro-posto. Quando os problemas surgem, são ocasiões a serem tomados como desafios e não base para novos problemas ou origem de conflitos entre os interlocutores. Que seja respeitada a lógica de coabitação em que os ideias políticos ou cores partidárias promovam a facilitação.
Temos o caso das estradas que sofreram uma acentuada degradação. Não acreditamos que o município por si só reúna recursos suficientes para lançar-se num programa de reabilitação de raiz como se mostra necessário. Se torna urgente trazer ao de cima e rever o tipo de relações existentes entre o CMB, o Governo provincial, o empresariado privado e as empresas públicas operando na cidade, como forma de contribuírem para a conjugação de meios e recursos no sentido de atacar o que a todos atormenta.
Quem está se beneficiando do porto da Beira deveria colaborar com a melhoria dos acessos a esta porta de entrada e saída de produtos. Quem opera a partir da Beira, empresas de médio e grande porte, deveria desenhar seus programas de responsabilidade social e corporativa tendo em conta o que a cidade necessita. Os grandes armazéns sedia-dos na cidade, alguns dos quais com a dimensão de portos secos, têm de reconhecer que sua intervenção se mostra necessária no capitulo de estradas.
No fim, olhando comparativamente para o actual estágio em que a urbe se apresenta, chama-nos à atenção as diferenças em relação às mostras já dadas pelo Edil da Beira.

No actual contexto se torna imperioso o Engº Daviz Simango recuperar a confiança e repor a legitimidade, continuando a sua primeira gestão municipal mesmo com o seu grau de envolvimento no processo eleitoral que se avizinha. Se se afigura pertinente atender de forma imediata aos apelos da comunidade, respondendo as várias questões da população e assim consolidar a sua popularidade.

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