domingo, janeiro 08, 2017
terça-feira, dezembro 20, 2016
Estado geral da Nação
Filipe
Nyusi
Agora
segue-se o meu comentário...
Filipe
Nyusi conseguiu dar um informe realista e simplificado do Estado geral da Nação
moçambicana(19.12.16), mas a sua conclusão admite interpretações ambíguas.
A
situação geral da Nação moçambicana NUNCA foi vacilante ou de falta de firmeza,
e NUNCA esta Nação foi incapaz de enfrentar os desafios do presente e do
futuro. Infelizmente, o parágrafo de fecho do informe do Presidente da
República (PR) de Moçambique sobre o estado geral da Nação deixa espaço para
aproveitamento político pela oposição ao seu Governo. Com efeito, já se diz,
por exemplo, que o "«estado geral da Nação continua firme» na protecção
dos bajuladores que ladeiam o PR e o impedem de ver correctamente a situação
real do país".
E
esta agora? Será que é isso que Filipe Nyusi quis dizer? Será que os assessores
do PR não se aperceberam de que aquele último paragrafo do informe sobre o
estado geral da Nação admitia interpretações subversivas? O próprio PR não se
deu contra de que aquele último parágrafo era ambíguo e abria espaço para
aproveitamento político desconstrutivo?
Que
tal se o informe terminasse com uma "frase" assim(?):
«Moçambicanas,
moçambicanos, compatriotas! O estado geral da nossa Nação, a Nação moçambicana,
é caracterizado por vários desafios, incluindo a ausência de paz efectiva (por
nos permitirmos conviver com a Renamo teimando em manter-se armada fora da
lei), altos níveis de percepção da corrupção,
baixos níveis de produção e de produtividade da nossa economia, baixa qualidade
de serviços prestados pelas nossas instituições públicas e privadas, e
acentuada queda de princípios e valores morais, entre outros males. Claramente,
neste estado não se pode dizer que a nossa Nação está bem. A nossa Nação NÃO
está bem. E esta Nação NÃO está bem só por causa de quem está a governar. Esta
Nação NÃO está bem por culpa da nossa incapacidade colectiva de viver debaixo
da lei.«
«Só
onde as pessoas, na sua maioria, aceitam assimilar e defender bons princípios e
valores de convivência social como parte integrante da sua cultura, só onde as
pessoas aceitam voluntariamente viver debaixo da lei, é que pode a Nação que
elas (as pessoas) formam estar bem e prosperar. A nós moçambicanos, como
sociedade, como povo, ainda nos falta compreender a importância de vivermos
debaixo da lei.«
«É
por isso que, por exemplo, aceitamos conviver com a Renamo armada e não vemos
mal nisso; aceitamos corromper e sermos corrompidos e não vemos mal nisso;
aceitamos viver de mão estendida e não vemos mal nisso; aceitamos a chantagem
como forma legítima de fazer política e não vemos mal nisso. É por isso também
que a nossa vida colectiva está a ficar cada mais caracterizada por frustrações
que nos levam a viver de apontar dedos acusadores uns aos outros. Enfim, é por
isso que o nosso progresso está a ser lento e titubeante.«
«Para
sairmos desta situação, impõe-se que mudemos de mentalidade. E para que esta
mudança que se impõe por si mesma seja pacífica e efectiva, é imperioso que a
sua necessidade seja sentida por todos nós. É para fazer sentir esta
necessidade que o Governo que eu estou a liderar está, por exemplo, a conversar
com a Renamo para o alcance da paz efectiva em Moçambique. A nossa intenção é
que este diálogo seja franco, nacional e inclusivo.«
«Recentemente
falei com Afonso Dhlakama sobre a necessidade de o diálogo ora em curso ser
célere, honesto, franco, inclusivo e fundado na nossa lei mãe, a Constituição
da República de Moçambique. É minha convicção que este é o caminho mais
apropriado para alcançarmos paz efectiva no nosso País. Continuarei a explorar
esta via, a via do diálogo construtivo, fundado na lei que jurei respeitar e
fazer respeitar, na busca da paz efectiva para o nosso País. Continuo focado na
busca da paz efectiva por entender que só vivendo em paz efectiva é que teremos
tempo para pensar nas melhores opções para acelerar o desenvolvimento do nosso
País.«
«...«
«Por
tudo o atrás dito, e apesar dos esforços que temos estado a empreender para
manter Moçambique na rota do progresso, temos que reconhecer que o nosso
progresso nesta rota tem sido lento. Não obstante, e medindo pelo que fomos
capazes de conseguir realizar no meio de todas as adversidades que marcaram a
nossa governação no ano de 2016 prestes a findar, podemos afirmar
categoricamente que a Nação moçambicana continua firme na rota do progresso.
Esta nossa convicção é sustentada pelo facto de que, apesar de o crescimento da
nossa economia ter desacelerado devidos aos múltiplos factores adversos já
mencionados atrás, não houve inversão da tendência de crescimento. Para o ano
de 2017 prevemos um crescimento da nossa economia maior do que registamos este
ano de 2016. Isto é o que significa dizermos que a Nação moçambicana continua
firme na rota do progresso: estamos a crescer de forma sistemática, cada vez
mais aprendendo dos nossos próprios erros e dos erros dos outros.»
Este
talvez fosse uma forma mais feliz de concluir o informe sobre o Estado da Nação
moçambicana.
...
Minha
opinião!
(Por:Juliao Joao Cumbana in Facebook)
No centro da questão fala-se russo
Ontem, em entrevista à MSNBC, um
professor de Harvard que tem estado a fornecer aconselhamento jurídico aos
chamados “faithless electors” garantiu que já há pelo menos 30 membros do
Colégio filiados ao Partido Republicano que vão votar contra Donald Trump — e
que muitos outros garantem, em privado, que também vão invocar objeção de
consciência para desrespeitarem o voto dos seus estados a favor de Trump e
assim chumbarem a nomeação do candidato do seu partido, que levou a cabo uma
das campanhas mais xenófobas e racistas da história moderna dos EUA. Se o número de objetores ascender aos
37, diz Larry Lessig, “vamos assistir a uma dinâmica interessante” que pode
resultar no bloqueio da presidência Trump. “Ao questionar os três grupos que
apoiam os grandes eleitores republicanos, acreditamos que neste momento há 20
[contra Trump] e algo me diz que o número é mais elevado que isso, talvez mais
perto dos 30, mas sinto-me confiante ao falar em pelo menos 20.”
São precisos 37 para derrubar Trump
Neste momento, apenas um punhado de
grandes eleitores do Partido Republicano já garantiram publicamente que não vão
dar o seu aval ao Presidente eleito, sob o argumento de que Trump “não tem
qualificações” para liderar. Para Lessig, os membros do Colégio têm de “poder
exercer o seu julgamento independente não-partidário sobre em quem vão votar” e
há “antecedentes” em considerar que estas pessoas são funcionários federais, o
que quer dizer que a Constituição lhes garante poderes para votarem contra a
decisão da maioria dos eleitores dos seus estados.
O professor de Direito argumenta que o
Colégio Eleitoral não foi criado para ser uma mera peça da engrenagem política,
mas sim “um travão de emergência no processo de seleção de um Presidente”. Não
há registo de algum dia o Colégio ter votado em bloco contra o resultado de uma
eleição presidencial na História dos EUA, mas Lessig argumenta que isso pode
acontecer este ano.
“Os grandes eleitores têm a obrigação
ética e moral, assim que prestam juramento, a votar [de acordo com o seu estado]
a menos que exista uma razão moral preponderante para não votarem dessa forma.
O facto de um candidato falhar em estar à altura das qualificações pode ser uma
dessas razões”, defende. “É exatamente essa a questão que se levanta nestas
eleições, o Colégio Eleitoral foi criado precisamente para estas eleições.”
A matemática depois da ida às urnas
aponta a necessidade de pelo menos 37 grandes eleitores do Partido Republicano
se alinharem com os colegas democratas para impedirem a nomeação de Trump.
Questionado sobre porque é que poderemos assistir a esse cenário inédito de
bloqueio de um Presidente eleito, Lessig citou precisamente a questão da
ingerência russa no plebiscito (Harry Reid, líder da minoria democrata no
Senado, garante que a campanha de Trump estava a par disso).
segunda-feira, dezembro 19, 2016
Como entender o que se disse
Terminou esta semana mais uma
missão do Fundo Monetário Internacional (FMI). O chefe da missão emitiu um
comunicado. Os resultados não vão ser discutidos pelo Conselho de
Administração, deixando nas mãos do chefe da missão a responsabilidade de dar o
veredicto. Isto faz com que seja muito importante saber o que diz o seu
comunicado, e o como entendê-lo.
A missão do (FMI) emite largos
elogios à acção na área monetária. Todos os tépidos ares de graça da economia
nos últimos dois-três meses (a ligeira recuperação do saldo da conta corrente
externa, do valor do metical, e das reservas internacionais) são associados à
contenção monetária iniciada pelo Governador Gove nos finais do ano passado, e
recentemente levada ao seu extremo pelo Governador Zandamela. Absolutamente
nada é mencionado como tendo sido feito na frente fiscal que tivesse ajudado a
economia, na perspectiva do FMI. Antes pelo contrário, a missão do FMI destaca
a pressão fiscal exercida pela despesa acrescida com salários e remunerações no
sector público. O Governador Zandamela recebeu uma palmadinha no pulso por ter
tomado pouca atenção a certas “pontas de iceberg” (riscos) no sistema, e a
necessidade de fazer a coisa certa de acordo com a lei e regulamentos. A missão
reafirma as revisões em baixa do crescimento económico para 3.4% em 2016, bem
como as crescentes pressões in- flacionárias no curto prazo. A missão aprecia
positivamente a contratação da auditoria internacional independente às empresas
envolvidas no escândalo das dívidas secretas e ilegais e diz que no momento
próprio se verá como os seus resultados poderão ser usados para considerar
“fortes reformas de governação”. O veredicto veio numa linguagem clara embora
inevitavelmente diplomática e tipicamente críptica: “Medidas adicionais de
ajustamento de políticas são necessárias para abrir caminho para um programa apoiado
pelo Fundo”. Imagino que esta vai passar para a história das relações entre o
FMI e Moçambique como mais uma daquelas frases que gelou até a espinha as
nossas autoridades. E veio na esteira de um outro aviso que o FMI já havia dado
acerca da seriedade da situação. Com efeito, menos de um mês atrás, fechando a
reunião do Conselho de Administração que discutiu a “prestação de dados
incorrectos por Moçambique” no dia 21 de Novembro o Sr. Tao Zhang,
Subdiretor-Geral e Presidente em Exercício do Conselho, declarou que “Devido à
inobservância do critério de avaliação contínua do teto à contratação ou
garantia de nova dívida externa não concessional no âmbito dos PSIs de
2010–2013 e 2013–2016, o Conselho de Administração decidiu que não pode mais
manter uma avaliação positiva do desempenho dos programas no âmbito do PSI.” O
FMI dizia assim, e claramente que devido à mentira à volta das dívidas secretas
e ilegais, a organização retirava todos os créditos que havia dado à gestão da
economia moçambicana desde 2010. Diploma de bom aluno obtido fraudulentamente,
retirado! Quais são então as “exigências” do FMI para que o aluno volte a ser
considerado bom? Não surpreendentemente, elas se direccionam mais aquilo que
até agora me referi várias vezes como o elo mais fraco de todo o sistema de
gestão da economia moçambicana, nomeadamente o fiscal. A missão diz que se o
governo pretender qualificar-se para o apoio do FMI, doadores e uma negociação
bem sucedida com os credores comerciais externos, deve na área fiscal em 2017
implementar medidas para: 1) mais restrição fiscal através da contenção da
expansão da folha salarial, e a eliminação gradual dos subsídios gerais aos
preços); 2) amortecer o impacto dessas medidas sobre as camadas mais
vulneráveis da população, através da protecção de programas sociais críticos, e
reforço do sistema de segurança social; 3) limitar os riscos fiscais
apresentados por algumas empresas públicas de grande dimensão; e 4) mobilizar
receita adicional, através da redução de isenções fiscais, e o fortalecimento
da gestão da receita. Na área monetária o fundo recomenda o Banco Central a
continuar atento aos riscos, garantir uma provisão de liquidez adequada para a
economia, e continuar a melhorar a supervisão e aplicação dos regulamentos
prudenciais.
A mensagem principal é a de que
passou a época de ganhar pontos por via de charme e piruetas estatísticas. O
que vai contar agora (como deveria ter sido sempre) são resultados reais de
adoptar e implementar políticas adequadas. Praticamente tudo o que cá entre nós
temos vindo a dizer. Há um verdadeiro ajustamento fiscal que ainda tem que
começar e que o governo tem estado a recusar. É um ajustamento fiscal muito
forte, mas selectivo e que proteja as camadas mais vulneráveis. É necessário
reduzir mais as despesaa com as remunerações e benesses dos funcionários do
Estado (casas pagas pelo cidadão para todos e qualquer um que é chefe, carros e
senhas de combustível para tudo que é chefezinho, e indo até as benesses dos
antigos chefes de Estado e dos deputados da Assembleia da república, e outros
dirigentes de um aparelho de Estado que se tornou parasita. É necessário que o
dinheiro dos contribuintes pare de servir para alimentar o fausto de
Presidentes de Conselhos de Administra- ção e delegado do governo em Empresas
Públicas ou com participação do Estado, e que nada fazem senão servir de túnel
para drenar recursos públicos para fins obscuros, muitas vezes associados aos
interesses políticos que lhes promoveram e protegem. É necessário fechar as
fugas ao pagamento de impostos pelas empresas da nomenklatura política e seus
associados (e protegidos) nacionais e estrangeiros. É necessário realocar os
recursos que o Banco de Moçambique coleta através das suas políticas monetárias
draconianas e que transfere para o Estado como lucros e outra parte usa para
financiar benesses de seus funcionários e para financiar projectos imobiliários
de utilidade duvidosa; esses recursos devem voltar as empresas sobretudo as de
pequena e média dimensão, sob a forma de taxas de juros bonificadas, o que
serviria também a redistribuição de recursos de bancos quase predatórios que em
momentos de crise sempre fizeram lucros, enquanto as empresas trabalham para
eles presas em dívidas insustentáveis e encostadas á parede por um ambiente de
negócios que lhe é cada vez mais desfavorável. Em resumo, o que a missão do FMI
disse já foi dito e explicado cá dentro. Agora esperamos para ver se o peso de
ser dito pelo FMI vai levar a acção necessária. (Por Roberto Timbana/economista)
Estas coisas de guerra são complicadas.....
A velha questão dos mediadores na
mesa de diálogo entre o Governo e a Renamo volta à ribalta e ameaça fazer
descambar um processo que estava quase para ver a luz do dia. Apesar de não ver
problemas na nova ideia do Governo na Comissão Mista de se criar um grupo de
trabalho para flexibilizar e harmonizar os consensos alcançados sobre o pacote
de descentralização a ser submetido à Assembleia da República, Afonso Dhlakama
não concorda com o afastamento dos mediadores e vê nisto “mais uma manobra da
Frelimo” para atrasar o processo e provocar a irritação da Renamo, obrigando-a
a atirar a toalha ao chão. Num briefing de quase meia hora ao SAVANA a partir
das matas da Gorongosa, Dhlakama garantiu que a Renamo não vai recuar e irá
insistir pela via do diálogo.
No princípio da noite de 14, Afonso Dhlakama
reagiu ao novo modelo “proposto pela Frelimo”, manifestando o seu desagrado
pela exclusão dos mediadores, estratégia que, segundo ele, visa atrasar as
negociações e arrastar o processo. Nas últimas semanas, Mário Raffaelli, o
mediador que representa a União Europeia e um dos arquitectos do Acordo de Roma
em 1992, tem sido claramente hostilizado pelo lado governamental, incluindo os
media que lhe são afectos. Na última deslocação à Gorongosa, os dois mediadores
presentes estavam ligados à fundação do antigo PM britânico, Tony Blair, depois
de uma iniciativa idêntica liderada por Raffaelli ter sido deliberadamente
abortada pela parte governamental. Dhlakama entende que a nova iniciativa “é
uma proposta da Frelimo. Mas de princípio este grupo não causaria problemas à
Comissão Mista. A comissão é grande e não é fácil numa mesa com muita gente
flexibilizar a proposta. A ideia (da Frelimo) não é má. A ideia é
descentralizar os trabalhos e seriam criados dois grupos. Um grupo para tratar
da questão da descentralização e o segundo para tratar dos outros pontos
(Forças Armadas, Polícia e SISE). O novo grupo de descentralização não era para
recomeçar com o trabalho, porque estas questões já estavam muito avançadas na
sub-comissão em que estava o ( Jeremias) Pondeca. As posições estavam próximas,
faltavam detalhes. O novo grupo iria apenas consensualizar os princípios gerais
sobre o pacote de descentralização a ser enviada à Assembleia da República.
Seriam duas pessoas indicadas pela Frelimo, duas pela Renamo e outras duas pela
mediação. As pessoas já estão lá na Comissão Mista. Não são pessoas estranhas.
Só que a forma como a Frelimo colocou o assunto deu a entender que já não eram
precisos os mediadores. Que não era preciso que os estrangeiros mexessem no
assunto.
"Irreparável”
Diversas
individualidades, de entre políticos, empresários e amigos da família Guebuza,
participaram da cerimónia.Na ocasião, o Presidente da República e do partido no
poder, a Frelimo, Filipe Nyusi, transmitiu a sua mensagem de conforto e solidariedade
á família Guebuza.“Estamos aqui para transmitir a nossa solidariedade e dizer
que aquele povo que conheceu e conhece, está consigo, está com a sua família
neste momento difícil da partida prematura da jovem Valentina da Luz Guebuza,
disse.
Durante o
velório, a família Guebuza classificou, igualmente, o assassinato de Valentina
“uma perda irreparável”. Valentina Guebuza, 36 anos, foi morta a tiro,
supostamente pelo marido, Zófimo Muiuane, na residência do casal em Maputo, e
deixa uma filha de um ano e seis meses.A família Muiuane, por sua vez, disse
estar envergonhada e revoltada com a acção do seu familiar.“Pedimos perdão à
família Guebuza', afirmou Armando Pedro, irmão mais velho de Zófimo Muiane, na
mensagem fúnebre.
Nascido nos anos últimos do jugo colonial, na
década de setenta, Zófimo fez a sua instrução primária na capital. Aqui também
fez o ensino técnico-profissional na Escola Industrial de Maputo. No seu
Curriculum Vitae (CV), consta uma passagem pela British American Tobbaco (BAT)
na delegação de Nampula, província onde jaz o cordão umbilical do seu sogro,
concretamente no distrito de Murrupula. Desemboca na Mcel onde trabalha, no departamento de marketing, onde
vezes sem conta foi o rosto da empresa
em eventos patrocinados por aquela empresa de capitais públicos.Zófimo Armando
Muiuane, iniciou a actividade comercial em Novembro de 2003, ao constituir com
Ismael Ribeiro de Pinho, a Izo - Importação e Exportação, Limitada.
Com dez
milhões de capital incial, o objecto social da IZO é a “importação e exportação
de produtos e prestação de serviços, representação de marcas e gestão de
participações sociais.Em Janeiro de 2010, junta-se a Tony Alves Camarinha e a
Eugene Swart e constituem a Capsstone Trade, Limitada. Dez mil meticais foi o
capital social da constituição desta empresa que tem como objecto principal “a
importação e exportação de bens e serviços, representações de marcas e
intermediação de parcerias.Em 2011 os sócios cederam a totalidade das quotas ao
jovem a que nos referimos, tornando-se no único sócio da empresa.
Nascida
pouco depois da independência, quando o seu pai ocupava uma pasta
ministerial no governo de Samora Machel, Valentina da Luz Guebuza, começa a
aparecer em várias parcerias económicas, tal como o seu pai, tios, primos e
irmãos.O primeiro registo de Valentina nas lides empresariais
data de 2001, quando, com o seu pai em 2001 (ainda não era Presidente de
Moçambique) que alterava a estrutura accionista, o pacto, as quotas e os
sócios, entrava com os seus irmãos, Armando Ndambi Guebuza, Mussumbuluko Armando Guebuza, na Focus 21,
Gestão e Desenvolvimento, Limitada.
Valentina é a presidente do Conselho de
Administração (PCA) da Focus 21, conhecida como a holding presidencial.
Valentina da Luz Guebuza é a gestora de várias empresas da família com destaque
para a Focus 21 que lidera desde 2006. Estudou Engenharia Civil na África do
Sul e, durante esse período, terá trabalhado num restaurante. No último ano de
curso, conta a filha Guebuza à FORBES, iniciou uma consultoria numa empresa de
Engenharia Civil e foi aí que terá ganho experiência prática na área.
Em Agosto de 2008, Valentina e seu irmão
Mussumbuluco e seu tio José Eduardo Dai (primo em primeiro grau de Tobias Dai,
irmão da então Primeira Dama, Maria da
Luz Dai Guebuza), constituem a Crosswind Holdings, S.A fundir as empresas Focus
21 e Rachana Global, Limitada. Dois milhões e quinhentos mil meticais foi o
capital social da Crosswinds que tem como objecto social “...o exercício de
actividade de construção e desenvolvimento de infra-estruturas”.
No mesmo ano de 2008, Valentina Guebuza e seu tio
José Dai e a Inforcom, Limitada constituem a Servicon, Limitada. Com a módica
quantia de vinte mil meticais no capital social, esta empresa tem como objecto
social a “actividade mineira; compra, tratamento, processamento, e venda dos
seus derivados, obras públicas, agricultura”.
Ainda em 2008, em Novembro, Valentina junta-se
novamente ao seu tio José Dai, ao seu irmão Mussumbuluco e a Carlos Nicolau
Salvador Júnior e constituem a Orbittelcom, Limitada. Duzentos mil meticais foi
o capital inicial da empresa que tem como objecto social a “informática e
telecomunicações”. Em 2009, ano em que o seu pai concorre para o
segundo mandato, Valentina, José Dai (o seu tio outra vez), Lilia Szakmesiter e
Voo Chong Min constituem a Moçambique Desenvolvimento & Investimentos,
Limitada. Em 2010, a filha do Presidente junta-se a Luís Filipe Pereira Rocha
Brito e constituem a IMOGRUPO – Investimentos e Participações, Limitada. Com um
capital de quinhentos mil meticais o objecto social desta empresa é, entre
outros a “aquisição, administração, locação e alienação de bens imóveis,
próprios ou de terceiros”.
Ainda em 2010, Valentina junta-se a Margarida
Maria Duarte Oliveira Nunes Figueiredo, Rita Maria Figueiredo de Sousa Borges
Furtado, Stephanie Baaklini, Sylvie Cristelle Lasoen, Mussumbuluco Guebuza e a
empresa OLOHA Investments, SA e constituem a Christiam Bonja Moçambique,
Limitada. Com cinquenta mil meticais de capital inicial esta empresa tem como
objecto social “o exercício da actividade de ouriversaria, joalharia e
relojoaria, com a máxima amplitude permitida, podendo, para o efeito, proceder
à importação...”.
Valentina é membro do Comité Central da Frelimo
saída do X Congresso daquela organização em 2012.Valentina era também presidente do Conselho de
Administração da StarTimes Media, uma Joint Venture entre a chinesa StarTimes e
a Focus 21 para a área da migração digital no país. A entrega, sem concurso
público, deste projecto milionário à empresa liderada por Valentina Guebuza foi
amplamente criticada por vários sectores da politica, e da chamada sociedade
civil.
sexta-feira, dezembro 09, 2016
Prefiro ser afastado, excluído, banido por....
Quarenta dias
depois ter deixado o país futebolístico de “boca aberta”, ao acusar os irmãos
Sidat (Rafik e Shafee) de ditarem os campeões nacionais, Artur Semedo diz, que
aquilo foi um elogio, pelo nível de influência que estas figuras têm no nosso futebol.
Semedo revelou ainda que não continua na União Desportiva do Songo (UDS),
primeiro, por não ter aceitado a exigência da actual direcção de pedir,
publicamente, desculpas aos visados e, segundo, por não partilharem os mesmos
valores: transparência e honestidade. Acompanhe, nos próximos parágrafos, os
excertos desta entrevista, onde Artur Semedo avalia os dois anos no Songo e
explica as razões da constante instabilidade daquele clube.
Que balanço faz
da época 2016, que culminou com a conquista inédita da Taça de Moçambique e do
segundo lugar, no Moçambola...
Pode nos dizer
que interesses ocultos são esses?
-Trata-se de uma
matéria extremamente dissecada ao longo dos tempos e isto acaba por ser nefasto até para
a minha pessoa. Ter convicções, defender a causa da transparência, da
honestidade, do trabalho e do profissionalismo contrasta com aquilo que está sublimado
no nosso campeonato. Assim, acabo sendo a pessoa que é preciso excluir, abater
e até pôr em causa a continuidade neste futebol. Mas, prefiro ser afastado, excluído,
banido por revelar competência e honestidade no que faço.
Congratulou, no
final do jogo com o Ferroviário da Beira, os irmãos Sidat (Rafik e Shafee) por “ditarem
os campeões”. Reitera este posicionamento?
-Tenho sido
perseguido ao longo dos anos, por isso, considero perca de tempo falar das
mesmas coisas sem que haja vontade de alterar o panorama instalado. Não
aconteceu apenas em 2016. Já perdi vários campeonatos pela frontalidade que
demonstro e pelo posicionamento que tenho neste futebol. Há vontade de muita
gente que eu abandone o futebol e estas pessoas vão propalando, todos os dias,
mentiras e inverdades. Portanto, combater estas coisas anos a fio, sem que se
resolvam as questões, não vale apena estar a falar destas coisas. Sempre disse que
há pessoas que sabotam o teu trabalho, mas foi a primeira vez que tocou em
nomes concretos e de pessoas conhecidas.
Que razões
concorreram para essa revelação?
-Nunca tive uma
relação próxima com o presidente da Liga (Liga Desportiva de Maputo/foto de Rafik sidat)). Estabelecemos
uma relação profissional muito boa, que até extravasou alguns limites
profissionais. Mas, não posso concordar que pessoas não aceitem o facto de ter
de trilhar os meus caminhos, seguindo a minha consciência. Eu é que devo
escolher os clubes, onde quero trabalhar.
Ninguém deve conduzir a minha vida e nem me votar ao ostracismo só porque convém
que esteja com ela.
Assim, quer nos
dizer que estes não o querem ver noutros clubes...
-É evidente. Até
fiz elogio às pessoas em causa. O que quis dizer, na verdade, é que têm grande
influência neste futebol.
Como se
manifesta a sua influência, tendo em conta que o Moçambola é gerido pela Liga
Moçambicana de Futebol (LMF) e os visados não fazem parte deste órgão?
-Já disse que
não me interessa nada estar aqui a falar de assuntos que acabam não tendo
resolução. Se eu tiver de tecer comentários sobre esta matéria, farei nos
fóruns próprios. Estas pessoas têm muita influência neste futebol; há um poder
instalado; este futebol não é transparente e passa por várias vicissitudes que
colocam em causa o seu normal desenvolvimento. Se alguém quer dotar este
futebol de mais verdade e transparência, que actue sobre estas questões. Não sou
polícia e nem investigador e não cabe a mim fazer este tipo de diligências.
Alguma vez já
denunciou estes factos a entidades competentes, como foi o caso de Arnaldo
Salvado?
-Nunca fiz e nem
vou fazer porque o desporto não tem importância que outras actividades. Este é
o parente pobre de todas as actividades que norteiam a sociedade. Aparentemente
tem um lugar de destaque, mas não tem a importância que merece. Por isso, não adianta
nada querer ser mártir por uma causa que não diz respeito a ninguém.
Os visados
prometeram recorrer às entidades competentes (tribunais) para o esclarecimento
deste caso. Será que já foi notificado para tal?
-Ainda. Se
alguém se sente ofendido, que abra um processo contra o prevaricador. Apenas
fui contactado pela Comissão de Inquérito. Aliás, o actual Presidente da UDS (
José Costa) exigiu-me pedido de desculpas públicas aos amigos (pessoas em
causa) e à população do Songo, pelo eventual desrespeito, como condição para a
minha continuidade. É evidente que não peço desculpas a ninguém. Quando falo
das coisas ou tomo as minhas decisões faço em consciência.
Assim, podemos
considerar este o único motivo para não continuar na UDS?
-Não, mas foi um
factor dissimulador. O actual presidente da UDS tem, no seu elenco, indivíduos com
os quais há diferenças insanáveis, que foram despoletadas desde a altura que
assumi a equipa, na direcção do senhor Saíde Tuhair. As querelas que foram criadas
naquele clube tinham um destinatário: o presidente Tuhair.E como consequência,
propalou-se outra mentira: a de que eu destitui a direcção. Acho que devia ter
muito poder para destituir uma direcção empossada e legitimada pela empresa
(HCB). A direcção da UDS (na altura HCB) foi posta em causa pelos senhores que
estão lá, novamente.
Se este foi um
factor dissimulador, então, qual foi a razão principal?
-Talvez os
valores que defendo não sejam partilhados pelas pessoas que estão lá neste
momento. Durante os dois anos percebi quem estava contra a equipa e as
direcções que passaram por lá nunca trabalharam em condições de estabilidade.
Por isso que, em dois anos, o clube teve três direcções.
No que
testemunhou, o que justifica esta instabilidade?
-São questões de
natureza cultural. As pessoas procuram instituições para atingir algum
protagonismo nacional. O clube parece um veículo de promoção para fora das
fronteiras da localidade, pelo que acaba sendo apetecível. Sempre que há uma
direcção em gestão, a mesma é desestabilizada e usa-se a equipa para atingir
esse objectivo. Mas, estranhamente, não aconteceu o
mesmo com a direcção do senhor Luís Canhemba. Teve uma prestação inédita que
contrasta com tudo o que foi feito anteriormente. Aliás, aferindo os
resultados, Luís Canhemba é o melhor presidente porque ele é quem ganhou, mas,
mesmo assim, foi substituído.
Portanto, há interesses que colocam em causa o desenvolvimento do clube e da própria
equipa de futebol.
Como se sente
pelo facto de não poder continuar com o seu projecto?
-Não estou
preocupado e nem magoado por não poder continuar na UDS. Ninguém fez favor em levar-me
para Songo. Fui porque quis e porque fui contratado por uma pessoa extremamente
honesta (Saíde Tuhair). As duas épocas que fizemos têm muito mérito dele porque
contratou-me, já que sabia da importância que teria no seu projecto.(Foto:Semedo,primeiro agachado na esquerda)
Mas, é
suficiente deter-se as questões externas para justificar a perca do título?
Será que algumas opções técnicas do mister não terão contribuído, como no caso
do jogo com o Costa do Sol, em que deixou de fora Luís Miquissone e Mano?
-Foi apenas um
jogo que eles não jogaram. Jogaram em outras partidas, mas o que aconteceu?
Luís e Mano jogaram contra o Estrela Vermelha e perdemos a partida. Em mil
partidas, o Estrela só nos podia ganhar aquela. Se alguém pensa que perdemos
por acaso, deve estar num mundo irreal e imaginário. Quem anda no futebol sabe
como nós perdemos o campeonato. Por outro lado, quem define as estratégias do
jogo é o treinador. Luís e Mano estavam no limite dos cartões amarelos e o jogo
com o Costa do Sol não era decisivo, mas determinante. O decisivo era o jogo
com o Ferroviário da Beira e é suposto que os melhores estejam nos grandes
jogos e ninguém vai me impor regras como fazem a outros treinadores nos outros clubes.
E no caso da
Taça de Moçambique, onde estavam os seus “inimigos”?
Mas, onde mudou
a “boa relação” que mantinha com o presidente da Liga?
-Ser um bom
presidente não significa ser uma boa pessoa. As pessoas podem ser
caracterizadas em várias dimensões (humana, social, profissional, etc.).
Estabeleci uma boa relação profissional porque é assim como me apresento aos
clubes e as pessoas que se relacionam comigo, profissionalmente. Mas, todos os
factores que gravitam à volta disto é outra história.
Pode nos dizer
onde o mister estará, em 2017?
-Não estou preocupado
com isso. Estaria preocupado se fosse incompetente ou se não tivesse qualidade.
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