sexta-feira, maio 06, 2016

Qual é a pátria e o partido do homem na imagem?

Povo de Moçambique, perguntai em uníssono ao homem que se vê na imagem, qual é sua pátria e o seu partido.Isto vem a propósito do facto de que este homem (na imagem) fala, fala, fala sem parar; e o que ele diz só revela que destila um ódio visceral por aqueles que ele considera responsáveis pela sua desgraça política. Porém, analisando o percurso político deste homem (na imagem) facilmente se depreende que ele próprio é que é o principal culpado pela sua desgraça.
Ele (o homem na imagem) já desempenhou funções muito cruciais no aparelho do Estado moçambicano e na Frelimo. Por exemplo, quando Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, morreu num acidente de aviação que o povo moçambicano considera não devidamente esclarecido, este homem (na imagem) era o Ministro da Segurança da República Popular de Moçambique. Nessa qualidade, ele era muito próximo do Presidente da República. Mas não é a sua pessoa o objecto desta reflexão; são os seus actos públicos.
Em público, o homem na imagem tem aparecido a acusar o então Governo liderado por Armando Guebuza de ter "pilhado" o Estado moçambicano. E o mais interessante é que quem dirige o Governo actual, o Presidente Filipe Nyusi, foi membro do Governo anterior, liderado por Armando Guebuza. Isto significa que nas acusações de "pilhagem" que o homem na imagem faz ao Governo anterior implica também o actual Presidente. Mas, paradoxalmente, o homem na imagem tem se esmerado em se colocar à disposição do Presidente Filipe Nyusi, para o "ajudar" no que o Presidente julgar que este homem (na imagem) pode ser útil. Isto é muito curioso, contanto que configura o "lambebotismo" que este homem (na imagem) tanto diz execrar.
Resultado de imagem para sergio vieira maputoEnquanto o Presidente Filipe Nyusi não solicita os "preciosos préstimos" deste homem (na imagem), ele vai usando todas as plataformas possíveis de comunicação social para dirigir ataques aos seus "inimigos", que afinal até são seus correligionários. Uma coisa que este homem ardilosamente faz—porque não lhe abona—é evitar relatar que, no tempo em que ele era dirigente, quem falasse contra o regime era tido como "inimigo do povo" e corria risco de ser fuzilado. Houve cidadãos moçambicanos que foram fuzilados no cumprimento de decisões tomadas com o voto favorável deste homem. Não surpreendentemente, ele nunca fala disso; nunca fala que contribuiu para a "pilhagem" de vidas cujo pecado era só  pensar diferente. Mas fala tão facilmente da "pilhagem" que vem supostamente ocorrendo desde que ele deixou de ser dirigente. Eu interpreto este comportamento do homem na imagem como consequência do desespero em que lhe metem a inveja o ódio viscerais que ele nutre por aqueles que o acantonaram justamente em razão da sua inconveniência sistemática.
Assim, em defesa da honestidade e contra a hipocrisia, peço aos jornalistas que têm entrevistado este homem (na imagem) para que o perguntem quais são os erros que ele cometeu no passado, dos quais se arrepende. O povo precisa saber disso, para lhe levar a sério. Sem isso, tudo o que ele (o homem na imagem) tem andado a dizer por onde passa mete tanto nojo ao povo que sabe da sua história do que a ele metem nojo as pessoas que tanto odeia, como foi ouvido alguma vez dizer. Peço igualmente aos jornalistas que têm entrevistado este homem (na imagem) para que o perguntem se ele sabe que o ódio faz mal a quem o tem (i.e. a quem odeia outrem) e nunca a quem se odeia (i.e. ao odiado).
Peço aos moçambicanos para que não julguem a Frelimo em função dos ditos de pessoas emocionadas, cegadas pela inveja, pelo ódio ou pela ganância. Julgue-se a Frelimo, sim, mas em função dos seus feitos. E os grandes feitos da Frelimo são que (i) organizou e guiou o povo moçambicano na sua luta vitoriosa contra o colonialismo português; (ii) organizou e guiou o povo moçambicano na defesa da sua independência e soberania, ameaçadas por agressões externas durante a Guerra Fria; (iii) organizou e guiou o povo moçambicano na busca da paz, a seguir ao fim da Guerra Fria; e (iv) está actualmente empenhada na organização e condução do povo moçambicano na edificação e consolidação do Estado de Direito Democrático e de promoção do progresso de Moçambique. E isto não é tirar mérito ao papel desempenhando por outros partidos políticos e outras  forças vivas da sociedade moçambicana. Longe disso! É reconhecer honestamente os feitos decorrentes das políticas públicas propostas pela Frelimo e postas em prática com a participação de todo o povo moçambicano.

Enfim, atitudes quais as do homem na imagem aqui visam obscurecer as realizações do povo moçambicano, organizado e liderado pela Frelimo, e projectar a imagem de que se não fosse por causa de certas pessoas—aquelas que este homem na imagem odeia—Moçambique estaria melhor, e sobretudo se ele fosse parte da equipa dirigente. Se pensar assim for permitido, então que me seja permitido pensar e dizer que Moçambique estaria muito melhor se o homem na imagem nunca tivesse influenciado as decisões tomadas no tempo quando ele era dirigente. Numa palavra, este homem na imagem faz tanto barulho por ter sido "acantonado" porque obstaculizava o progresso de Moçambique. Os moçambicanos não devem levar a sério os ditos deste homem (na imagem), que se afigura como o verdadeiro "lesa-Pátria", camuflado de benfeitor. Com efeito, os ditos deste homem conduzem ao pensamento de que ele só se vê moçambicano e militante da Frelimo se puder influenciar as decisões que se tomam para a orientação do povo moçambicano e da  Frelimo. Este pensamento mete medo, se invocarmos as decisões erradas tomadas no passado com o voto favorável deste homem! Dai a pergunta "qual é a pátria e o partido deste homem na imagem?".(JM in facebook)

quarta-feira, maio 04, 2016

LAM: estado de emergência

Resultado de imagem para Linhas aereas de moçambique«A companhia estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) deverá contratar um consultor para fazer uma avaliação da situação económico-financeira da empresa e apresentar opções a curto, médio e longo prazo, afirmou o ministro dos Transportes e Comunicações.O ministro Carlos Mesquita adiantou que essa avaliação destina-se a obter uma visão mais aprofundada da situação real da empresa que, de acordo com números apresentados ao primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, “não é boa.”
“Infelizmente, a situação económico-financeira da empresa não é boa e há consciência disso, uma vez que os resultados de há dois anos a esta parte assim o indicam”, afirmou Carlos Mesquita, embora não tenha avançado dados numéricos elucidativos do cenário.
No encontro à porta fechada com a administração da companhia aérea, o primeiro-ministro destacou, entre outros pontos, a importância do cumprimento dos horários dos voos, tendo em conta as constantes reclamações dos passageiros neste aspecto.
“É preciso fazer uma avaliação das rotas rentáveis que têm de ser tratadas com cuidado para que as receitas da empresa sejam maximizadas, reforçando em simultâneo a gestão”, frisou Carlos Mesquita, de acordo com o matutino Notícias, de Maputo»
A LAM tem passado por um investimento ao renovar a sua frota, na pratica com deficiência na sua manutenção e extremamente cara face as apostas feitas no equipamento adquirido.
Dos três EMBRAER 190 (um despenhou-se no Botswana) um esteve paralisado recentemente devido a danificação de um dos motores (Nampula) e ainda em reparação.
O “trio” Bombardier Q-400  tem vindo a preocupar os comandantes que acusam a qualidade de manutenção como a causa das avarias frequentes (perca de óleo afectando as manobras de descolagem e aterragem) algumas delas obrigando a decretar emergência. (Q-400 faziam parte de uma frota de 25 aeronaves vendidas pela SAS /Suíssa depois da recusa dos clientes em viajar neste modelo face à insegurança técnica).

A situação-económica da LAM tem vindo a agravar-se com o avolumar da dívida a BP, fornecedora de combustível à frota que conta ainda com mais 7 aeronaves ( 2 Embraer 120, 3 Embraer 145, um Boeing 737-500 e um Boeing 737-700).

Como foi possível?

As consequências dos investimentos públicos feitos durante os mandatos de Armando Guebuza (direita) recaem agora sobre o atual Presidente, Filipe Nyusi (esquerda).
Resultado de imagem para Nyuse e guebuzaDurante os dois mandatos de Armando Guebuza, entre 2005 e 2015, vários projetos foram implementados em Moçambique, considerados fundamentais para o desenvolvimento económico e bem-estar social do país.A ponte Maputo-Catembe, avaliada em cerca de 700 milhões de dólares, a estrada circular de Maputo, avaliada em 315 milhões de dólares, e a base logística de Pemba, avaliada em 150 milhões de dólares na sua primeira fase, são alguns exemplos destes investimentos.
Apesar de terem sido bem-vindos aquando da sua construção, estes empreendimentos são agora alvo de críticas, devido aos impactos que o pagamento dos investimentos tem na encomia moçambicana. “[A ponte de Catembe vai ser paga] a muito longo prazo”, afirma o economista moçambicano Ragendra de Sousa, que considera que se devem questionar vários elementos na avaliação dos projetos.
“Se dissermos que a ponte vai ser paga pelas portagens, nem daqui a 150 anos [a dívida está paga]”, afirma Ragendra de Sousa. “É uma dívida que se vai repercutir agora, no Orçamento. O segundo elemento desta análise é que, por se tratar de uma infraestrutura citadina-urbana, quem vai pagar a ponte é o cidadão de Lichinga, de Tete, da Zambézia que, de certo modo, tiram pouco benefício dela”.
Resultado de imagem para ragendra de sousaPara o economista é importante existir um “equilíbrio entre quem faz a dívida, o benefício da dívida e a repartição dos custos e pagamentos”.A ponte entre Catembe e Maputo resulta de investimento público, ou seja, o Estado cria novas capacidades produtivas usando impostos cobrados também ao cidadão.
Para Ragendra de Sousa, este tipo de investimentos não deveria recair somente na receita central. “Nos países mais desenvolvidos, esta dívida seria paga pelo Orçamento da província de Maputo, com alguns subsídios do Orçamento central, por ser uma ponte que tem a ver com a província de Maputo. Mas, no nosso caso, não é assim; é investimento público central, é pago com a receita central”, conclui o economista.
Com o agravamento da situação económica de Moçambique, os moçambicanos começam agora a questionar os investimentos públicos, sobretudo ao nível da transparência.
“O problema não é a relevância dos investimentos, mas os custos”
Ericino de Salema, jornalista e jurista moçambicano, afirma que a corrupção técnica é um dos problemas destes investimentos. “Há especialistas que já afirmaram que era possível construir estes empreendimentos com muito menos dinheiro. Para mim, esse é o problema. A corrupção técnica sobre a faturação, para que aqueles que orquestram tais eventos possam tirar benefícios”, diz o jurista.
Para Ericino de Salema, o problema não é a relevância das infraestruturas, mas sim a questão da faturação e dos custos, superiores ao que era suposto. “A questão não é a relevância, por exemplo, da circular de Maputo, é o facto de as obras custarem muito mais do que aquilo que deveriam custar. E se formos estudar um pouco daquilo que o plano do Orçamento da região da grande Maputo diz, aquela obra não é nova”, diz.
Resultado de imagem para Ericino de SalemaAo que tudo indica, estes investimentos mal ponderados apresentam consequências negativas. “A dívida pública é tão pesada que agora posso-lhe garantir que vai haver problemas de manutenção”, afirma Ragendra de Sousa, que usa o exemplo da circular de Maputo para indicar algumas destas consequências negativas. “Manter a estrada é um custo, e como a dívida externa vai consumir muitos recursos, não vão sobrar recursos para fazer essa manutenção”. Como consequência desta falta de manutenção, o economista prevê que “daqui a 6, 7 anos terá que se fazer reabilitação, porque a estrada vai estar cheia de buracos”.Para Ragendra de Sousa, é aqui que é fundamental o papel de um economista. “Estas variáveis são por nós estudadas e manejadas. Preocupamo-nos com o investimento, com a manutenção, com o retorno, para que os escassos recursos disponíveis sejam usados de maneira a que produzam o maior benefício possível”, explica.
Dívida pública pesa no contribuinte moçambicano
Dívida pública é quando o Estado pede dinheiro emprestado para fazer investimentos públicos, quando os recursos resultantes da coleta de impostos se mostram insuficientes para cumprir com os objetivos previstos.
Para pagar esta dívida, é necessário um esforço interno da economia, e a dívida pública é uma dor de cabeça para o Governo de Moçambique. A juntar-se a isto há uma nova situação: empréstimos pouco transparentes feitos pelo anterior Governo para investimentos pouco claros, avaliados em cerca de 1,35 mil milhões de dólares – que, até hoje, não se sabe exatamente como serão pagos.Para Ragendra de Sousa, é importante que os órgãos de decisão governamental tenham competência para “decidir na oportunidade de cada investimento, porque não tendo essa capacidade, num país como o nosso, onde falta quase tudo, alguém tem de tomar a decisão sobre o que é prioritário”.Outra solução para a saída da crise financeira apontada pelo economista é, em primeiro lugar, “renegociar a dívida e, em segundo, fazer tudo o que está ao nosso alcance para acelerar os projetos de gás e a diversificação da economia”.Uma árdua tarefa que recai agora nas mãos do atual Presidente Filipe Nyusi e do seu Governo. O legado de Armando Guebuza é uma realidade que pesa ao cidadão e, ao que tudo indica, vai continuar a atormentá-lo a médio prazo.“Eu acho que toda a avaliação que for feita aos dois mandatos do ex-Presidente da República, Armando Guebuza, se forem minimamente honestas têm de mostrar uma coisa: que, com isso tudo, ainda que potencialmente lhe conseguissem apontar aspetos positivos, estes dois mandatos foram desastrosos, tendo em conta que a toda a estrutura das contas públicas, toda a balança de pagamentos, que por si já é deficitária, está cada vez mais deficitária”, afirma Ericino de Salema. “A consequência mais rápida é a entrada mais forte do FMI [Fundo Monetário Internacional] no país, controlando as fianças públicas”, conclui.

sexta-feira, abril 29, 2016

Inocentes em fuga

Resultado de imagem para distrito de morrumbalaA situação de tensão político-militar prevalece no distrito de Morrumbala e a população continua abandonar a zona do Sabe refugiando na vila sede e nos distritos circunvizinhos. O administrador daquele distrito, Pedro Sapange disse numa entrevista que concedeu ao Diário da Zambézia que situação não afecta o distrito no seu todo, mas sim um problema localizado, isso é centra-se na localidade do Sabe onde os homens armados do Partido Renamo continuam aquartelados e a movimentarem-se de forma livre. Questionado se o governo daquele distrito tinha um número exacto de quantas pessoas haviam abandonado as localidades do Sabe e do Zero para a vila sede de Morrumbala, Sapange  confirmou o registo de algumas famílias, incluindo algumas que optaram por Chimuara (Mopeia) e Mutarara na província de Tete. A fonte explicou que no total são 75 famílias que  saíram das zonas de conflito. O  entrevistado diz que o governo daquele distrito não tem registo de famílias  refugiadas na vizinha República do Malawi e que todas estão acomodadas no distrito de Morrumbala e  circunvizinhos. Pedro Sapange disse que neste momento o governo daquele distrito está a fazer um levantamento, porque as pessoas estão junto as famílias. Sobre o ambiente de negócios, a fonte diz que continua normal, apesar dos agentes económicos continuarem a movimentarem-se com receios para trazerem produtos até a vila sede. Assume que há escassez de alguns produtos devido a movimentação dos homens da Renamo e alguns produtos estão a subir de preço com destaque para o arroz.

quinta-feira, abril 28, 2016

Os doadores são o rosto da nossa pobreza!

Não se percebe por que dão esmola a Moçambique para importar cereais, quando tem das maiores potencialidades agrícolas de África. De igual modo, não se entende por que se dá esmola a este país para importar gás natural e electricidade, que ele próprio produz e exporta, para depois importar.
A pobreza no continente africano, em Moçambique, em particular, tem rostos: os doadores. Quer dizer, se hoje somos cada vez mais pobres é devido aos biliões de dólares que os doadores nos injectam. Se hoje vivemos num mundo de desigualdades sociais – em que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres – é devido ao dinheiro que nos é drenado, sem controlo, pelos ocidentais, o que beneficia os governantes corruptos.
 É esse dinheiro que é usado pelos nossos governantes em África para fomentar as guerras no continente. Se em África governar não representasse enriquecimento (ilícito), pelo contrário representasse responsabilização em caso de má gestão, não haveria tanto interesse em se ser governante. Porque estar no poder significa gerir, a seu bel-prazer, o dinheiro de doadores, as instabilidades políticas são constantes. É assim que temos, no Zimbabwe, um Morgan Tsvangirai e Robert Mugabe, oposição e Governo, respectivamente, a governarem sob a “teoria de partilha de poderes”; é assim, também, que temos, no Quénia, Mwai Kibaki e Raila Odinga, Governo e oposição, a governarem o mesmo país sob a mesma teoria de partilha de poderes. Quer no primeiro caso, como no segundo, já não há oposição como tal e ninguém está disposto a libertar o ramo que agarrou, porque está em causa o controlo dos donativos ocidentais.O que África, concretamente Moçambique, meu país, precisa não é de dinheiro para custear as despesas públicas como salários, energia, água, rendas, entre outros. É, porém, dinheiro para construir barragens de retenção de água sobre os rios Limpopo, Save, Zambeze, Lugela, Púnguè, Rovuma, etc. É, também, dinheiro para construir uma estrada que ligue o sul e o centro de Moçambique, via Massangena e Chókwè, alternativa a sinuosa estrada nacional número 1, entre outras, para escoar os produtos de Manica e Sofala para o sul, com custos baixos. 
É dinheiro para investir numa agricultura mecanizada e no respectivo agro-processamento, o que vai permitir que deixemos, um dia, de ser importadores para exportadores de cereais. Precisamos de dinheiro para investir em infra-estruturas socioeconómicas para reduzir os custos de produção.  Não faz sentido que o milho proveniente dos Estados Unidos – mais de 12 mil quilómetros – seja mais barato que os cereais produzidos em Manica e Sofala, a cerca de 1000 quilómetros de Maputo; o frango proveniente do Brasil seja duas vezes menos barato que o frango produzido nos arredores da cidade de Maputo; o trigo vindo da China e do Vietname seja menos caro que o produzido em Manica, Chókwè e Zambeze.
O ocidente, tal como diz o ditado chinês, não nos deve dar peixe porque estamos com fome, deve, porém, ensinar-nos a pescar e criar toda a cadeia de valores nos sectores que nos apoiam. Não deve fazer o que a Noruega fez no nordeste do Quénia, quando aquele país africano estava a ser devastado pela fome, seca e mortes, onde forneceu aos sofridos nómadas do Lago Turkana uma indústria de pescado para aliviar o impacto das catástrofes naturais periódicas, mas que, mais tarde, se deram conta de que o povo turkana, tradicionalmente criador de gado, desprezava os peixes como fonte de renda; que a energia necessária para congelar os filés de tilápia na região semi-desértica custava muito mais do que o preço de mercado do produto; e que eles não tinham levado em consideração os milhões de dólares exigidos para a construção de novas ruas para possibilitar que o produto chegasse ao mercado. (Bartholomaus Grill, director da sucursal na África da revista semanal alemã “Die Zeit”, no seu livro mais recente “Gott, Aids und Afrika” (“Deus, Aids e África”).
O que nós queremos é que o ocidente, se quiser nos ajudar, de facto, faça o que os americanos, por peso de consciência das bombas atómicas que despejaram, fizeram para desenvolver o Japão, lavando a sua imagem; que o ocidente faça o que os americanos, por rivalidade dos sistemas, fizeram na Coreia do Sul para provar à Coreia do Norte que o socialismo que usa está ultrapassado; que o Ocidente faça o que os americanos fizeram com ele mesmo (o ocidente), para persuadir a Rússia a abandonar o socialismo, desenvolvendo-o e deixando a Rússia como uma ilha na Europa; o ocidente deve fazer também o que os americanos vão fazer no Iraque, pelo peso de consciência pelas chacinas por eles cometidas em nome de combate ao terrorismo, para mostrar ao Irão que deve renunciar aos seus programas nucleares e estar do seu lado para desenvolver.
Moçambique, tal como África, devem aprender do fracasso do auxílio para o desenvolvimento na África alocado nos últimos 50 anos. Dambisa Moyo e James Chikwati, economistas zambiana e queniano, respectivamente, consideram que o continente ficou mais pobre agora do que era há 50 anos, mesmo com mais de 1 trilião de dólares que recebeu nesse período, o que revela que as ajudas aos países africanos não só são ineficazes como também são venenosas.  Não se entende por que se fornecem esmolas aos angolanos, nigerianos, sudaneses (...), que estão a nadar em petróleo. Não se percebe por que dão esmola a Moçambique para importar cereais, quando tem das maiores potencialidades agrícolas de África. De igual modo, não se entende por que se dá esmola a este país para importar gás natural e electricidade, que ele próprio produz e exporta, para depois importar. 

O que os doadores devem fazer, tal como diz o especialista William Easterly, que já trabalhou para o Banco Mundial, é reduzir o auxílio para desenvolvimento e a reforma dessas estruturas. James Shikwati e Dambisa Moyo sugerem a suspensão completa desses auxílios. Não creio que se os doadores cortarem financiamento, poderemos deixar de existir. África já existia há milhares de anos antes de doações ocidentais. (LAZARO MABUNDA in facebook)

Interesses são também contraditórios

Foto de Adérito CaldeiraDesde Agosto de 2015 que o diálogo entre o Governo de Moçambique e o maior partido de oposição parou. A guerra é uma realidade bem presente, embora oficialmente não tenha sido declarada, e já ninguém parece contabilizar as vítimas. O ónus recai naturalmente sobre o partido Frelimo que decide o destino do nosso país há mais de 40 anos, por isso muita expectativa existia em torno da 5ª sessão ordinária do Comité Central. “(...) Todos nós partíamos do princípio que iriam sair dali algumas soluções concretas mas infelizmente não vimos qual é o plano que o presidente (Nyusi) vai adoptar, ou o Governo vai adoptar, no sentido de avançar com a questão do diálogo”, constatou o politólogo João Pereira que explicou,  porque razão das duas forças intensificaram as suas acções militares, “quem tiver maior controle do território tem mais força e capacidade de negociar quando estiver na mesa de negociação”.
No encerramento da reunião magna, que decorreu na cidade da Matola entre os dias entre os dias 13 e 16 de Abril, o partido Frelimo, que dita as acções que o Presidente de Moçambique deve encetar, encorajou Chefe de Estado “a continuar incansavelmente o diálogo e pragmatismo que sempre o caracterizou, alargando a outras forças vivas da sociedade”.
Em entrevista o professor de Ciência Política da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), João Pereira, afirmou que partilhava da expectativa que muitos moçambicanos tinham para “ver quais eram as medidas concretas do Comité Central especialmente sobre os assuntos de importância para o país, que é a questão da estabilidade política e questão da situação económica. Praticamente todos nós partíamos do princípio que iria sair dali algumas soluções concretas mas infelizmente não vimos qual é o plano que o presidente (Nyusi) vai adoptar, ou o Governo vai adoptar, no sentido de avançar com a questão do diálogo”.
Relativamente ao alargamento do diálogo a outros actores Pereira destaca que a questão que se impões é como alargar e quem serão esses actores. “Porque os actores também têm diferentes interesses e muitos desses interesses são também contraditórios. Então se for a alargar para outros actores quem seriam, a igreja católica, a igreja protestante, a comunidade muçulmana, a sociedade civil, os doadores? Não se sabe muito bem quem vão ser esses actores e como serão envolvidos nesse processo todo”.
“Muita das vezes o alargamento para outros actores não significa encontrar uma solução para o problema, significa também trazer a mesa de negociações mais actores pode ainda complicar mais porque não conhecem bem os dossiers, estes novos actores não tem uma dimensão muito profunda sobre as exigências do partido Renamo e por outro pela resistência do Governo. Então trazer novos actores para a mesa de negociações só se for para serem observadores, porque ao fim ao cabo quem tem que encontrar a solução é o Governo e o partido Renamo”, explicou o académico.
Como dialogar estando simultâneamente em guerra?
Resultado de imagem para dhlakamaQuestionado, telefonicamente, pelo @Verdade sobre como esse diálogo poderá acontecer se a guerra não esmorece e o Comité Central do partido no poder ainda encorajou “o Governo a reforçar as suas instituições para garantir a defesa da soberania, recolher as armas na posse ilegítima, fazendo cumprir as leis do país”, o professor João Pereira afirmou que é um discurso “muito normal num processo desta natureza ter este tipo de discurso, faz parte da própria lógica e do próprio próprio jogo”.
Pereira esclareceu que “(...)se o Governo não põe forças para diminuir, por exemplo, a acção da Renamo em termos de controle do espaço geográfico significa que vai perder grande parte do território. Perdendo território, mesmo quando for a mesa de negociação significa o quê, significa que a Renamo vai com um espaço já controlado e terá muito mais força e legitimidade para controlar sob aquele mesmo espaço. Não é por acaso que em todo o processo negocial grande parte dos actores envolvidos na guerra quando está quase a terminar tentam ocupar o maior espaço possível para lhe dar a tal força, porque o exercício de poder não se faz por exemplo fora de um espaço geográfico. Faz-se pela ocupação de um espaço geográfico”.
Ademais, “quem tiver maior controle do território tem maior força e capacidade de negociar quando estiver na mesa de negociação. Então faz sentido que o Governo por exemplo este tipo de discurso que é a única forma de mostrar que também tenho controle de 70% do território e você aí só tem se calhar 10%. É por isso que a gente vê esta questão parecer uma contradição entre o discurso sobre a paz e acção militar, e a Renamo também está a fazer a mesma coisa”, explicou o docente da UEM.
Dhlakama ganhou, as Eleições Gerais, em mais províncias do que o partido Renamo
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“A Renamo está a dizer queremos paz mas também sobre fogo, porque só assim é que vai acelerar o processo da negociação e vai dar a possibilidade de a Renamo ter maior força na mesa de negociação, porque se a Renamo consegue por exemplo ocupar toda zona Centro e Norte do país, por exemplo, significa que vem à mesa de negociação já com um território controlado e dificilmente vai aceitar a sua perda. Mas se vem à mesa de negociações sem operacionalizar grande parte das usas promessas, em termos de ocupação de espaço, também vem um pouco fragilizada porque não tem controlo sobre o território”, acrescentou o nosso entrevistado.
Entretanto o polítógo chama atenção para o que mostra uma análise mais profunda dos resultados das Eleições Gerais de 2014, “o presidente Dhlakama ganhou em mais ou menos seis províncias, como presidente, mas a Renamo só ganhou em duas províncias (Zambézia e Sofala)”.
“A questão que se coloca é se nas outras províncias não votaram à favor da Renamo como é que se justifica por exemplo o argumento da ocupação desse território? Há aqui também algumas contradições em termos daquilo que a Renamo pede na questão do seu próprio espaço”, analisou João Pereira.
Filipe Nyusi ainda precisa de tempo para mexer no partido Frelimo
Relativamente a instruição da Comissão Política do partido Frelimo para “aprofundar o processo de descentralização e desconcentração política e administrativa no quadro da Constituição, incluindo os ajustamentos legais e/ou constitucionais que se mostrem necessários” o professor Pereira explicou que não é uma novidade.
Resultado de imagem para nyuse“O que a Frelimo está a fazer agora, é que eles também já perceberam que esta questão da descentralização é um processo irreversível, tarde ou cedo vão ter que avançar nesse sentido. Se avançaram na constituição das Assembleias Provinciais porquê não podem avançar num modelo quase idêntico ao sul-africano onde cada região pode montar a sua máquina política e administrativa e nem tem gerado conflitos de grande dimensão que leve a uma guerra civil? Eu acho que a Frelimo já se apercebeu que é preciso avançar nesse sentido, e já tinha feito uma proposta nesse sentido nos anos noventa. Não sei porquê a Frelimo não avançou com a proposta da municipalização até ao nível do distrito (…) Se calhar agora é o momento oportuno de ir buscar esse projecto e começa-lo a discutir seriamente qual é o tipo de descentralização que este país precisa”, afirmou o académico.
O docente de Ciência Política que no início do ano, depois de Filipe Nyusi dirigir pela primeira vez o Comité Central como presidente do partido, afirmou que o Presidente de Moçambique não dispunha de capital político para fazer grandes reformas dentro do seu partido declarou que o estadista moçambicano continua a precisar de tempo para mexer na máquina partidária.
“Mas eu acho que deu grande pontapé de saída, primeiro porque abriu o partido a outros sectores que muitas vezes não eram chamados para discutir questões não só do país mas também o funcionamento interno e as dinâmicas do próprio partido. Ao trazer indivíduos que não estão no Comité Central do partido, que não estão na Comissão Política, ao trazer os sues convidados, ao abrir o partido a outros membros que antigamente tiveram destaque político no partido, essas coisas todas criaram a base para alargar a sua base de acção. É uma forma inteligente de fazer”, afirmou João Pereira.
O nosso entrevistado explicou que “Se você não tem um controle forte dentro do partido e nem tem um apoio forte então você procura os apoios que tem fora mas que são membros do partido e, ao nível das oportunidades que são criadas lá, pôr os seus pontos de vista. E assim o partido também se apercebe que não é só aquele posicionamento que os seus membros defendem, há outras formas de pensar e há outras correntes no partido que é preciso também por na balança e ver também qual é a melhor alternativa”, concluiu o professor Pereira.