segunda-feira, junho 15, 2015
“Só temo Deus”, presidente do Sudão
Autarquias Provinciais? Projecto volta a A.República
O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, voltou a fazer
mais um aviso público sobre a recusa do partido Frelimo de implementação das
“autarquias provinciais”. No encerramento da V sessão do Conselho Nacional da
Renamo, na Beira, Afonso Dhlakama disse que a Frelimo deve recuar na sua
decisão de não aprovar “por bem e sem violência o projecto”, porque, caso a
situação de impasse se mantenha, então, diz Dhlakama: “Vão chamar-me muitos
nomes”.Dhlakama deu a entender que o projecto deverá regressar à Assembleia da
República. “Eu não pretendo dividir o país, mas, sim, criar uma
descentralização do poder central para as províncias, conforme previsto no
Acordo Geral de Paz” disse, acrescentando que o projecto é para todo o país, de
forma faseada.Segundo Dhlakama, só com a implementação do projecto é que haverá
a paz e estabilidade no país. Caso isso não aconteça, declara Dhlakama: “Não me
venham a dar nomes futuramente”.Dhlakama disse ainda que, enquanto se espera
por uma decisão final da Frelimo, o seu partido criou uma comissão que “vai
exercer pressão sobre o regime para que desistam de serem os segundos
colonizadores dos moçambicanos, depois dos portugueses”.“Ainda não declarámos
guerra. Mas, se isto continuar, nós estamos em condições de responder”.Dhlakama
disse que vai continuar a lutar a todo o custo para que o seu projecto seja
aprovado. Sobre um provável encontro com Nyusi, o presidente da Renamo afirmou:
“Se for para aperto de mãos para inglês ver, eu não estou disponível, mas, se é
para debatermos assuntos ligados às ‘autarquias provinciais’, podemos marcar
mesmo agora”. (J. Jeco, na Beira)
quarta-feira, junho 10, 2015
De patins pelo bronze!!!
A selecção Nacional de Hóquei em Patins de
Moçambique defronta a Inglaterra no dia 20 de Junho corrente a partir das 14.30
horas em jogo pontuável para o Grupo “B”, naquele que será o primeiro do
Campeonato do Mundo do Grupo “A” – La Roche Sur-Yon 2015. Jogando com um adversário, em termos teóricos, mais acessível do
seu grupo, a equipa moçambicana terá a oportunidade de começar por assumir a
liderança. Para o mesmo dia estão programados mais três jogos. Logo a seguir,
Angola, um dos representantes africanos na 42.ª edição da competição, entra em
acção às 16.10 horas para jogar com a Holanda em partida do Grupo “A”.O terceiro jogo do dia colocará,
seguramente, os moçambicanos atentos, já que estarão em acção a Suíça e a Argentina,
selecções do seu grupo. Após esse
desafio realiza-se a cerimónia de abertura, que antecede ao momento mais
esperado da noite, o desafio de abertura, às 21.00 horas, entre a anfitriã,
França, e a pentacampeã do Mundo, Espanha.A equipa moçambicana iniciou esta
semana a meta final de preparação em terras portuguesas. Serão mais sete dias
que serão marcados por jogos de controlo tendo em vista dar ritmo competitivo à
equipa nacional e afinar os processos de jogo quando faltam pouco menos de duas
semanas para entrar em cena no pavilhão de Vendeespace.
Em baixo ,no último mundial do grupo A realizado em Angola, Moçambique ficou em setimo lugar.
| Semifinais | 5º lugar | ||||||
| J37 - 27 Setembro 15:15 | |||||||
| | 5 | ||||||
| | 6 | ||||||
| J46 - 28 Setembro 17:15 | |||||||
| | 2 | ||||||
| | 1 | ||||||
| 7º lugar | |||||||
| J38 - 27 Setembro 17:15 | J45 - 28 Setembro 15:15 | ||||||
| | 7 | | 4 | ||||
| | 5 | | 5 | ||||
terça-feira, junho 09, 2015
Crime e incoerência
Há duas coisas
que não vão acabar bem nos próximos dias/meses. Senhor Khalau, actual
Comandante-geral da PRM e a Renamo, com suas exigências excêntricas.O primeiro porque
será “livrado das suas funções”, apesar da resistência até agora em o PR
proceder a remodelação das chefias dos ramos da defesa e segurança. O que está
a acontecer, julgo eu, é que a própria polícia está interessada em mostrar ao
mundo e ao PR o grau do seu envolvimento no mundo do crime como forma de
“incitar” mudanças por dentro. Duvido que o PR resista às evidências que
diariamente são apresentadas pela própria polícia em noticiários. Terá que
fazer algo, pelo menos do que dele depender. E seguramente Khalau será a
válvula de escape. Temo que depois desta onda de denúncias siga a onda de
queima de arquivos. É isto já aconteceu no passado. Recordem-se da Brigada
Anticrime que desapareceu toda ela. Brigada Mamba a Rio, etc.
A Renamo por sua
vez, não para de se enrolar em promessas embaraçosas. Há mais de seis meses que
anda de ultimato em ultimato, de ameaça em ameaça. Pior, são ameaças de difícil
realização, que só servem para a satisfação individual. Este conselho nacional
será mais um malogro, não trará nada de novo se não contemplar a continuação
das conversações com o governo. O que está mal no país não é o governo ou a
Frelimo.É a forma como a
Renamo formula seus problemas e propõe as suas soluções.
Dois exemplos:
1. A Renamo
propõe a despartidarização do Estado mas como solução avança a partilha dos
cargos de chefias militares a todos níveis, ou seja, a divisão das chefias
militares entre membros do governo e da Renamo!
2. A Renamo
formula e muito bem que a desmilitarização das suas forças é, ao abrigo da Lei
de Cessação das hostilidades, um imperativo. Mas para tal ela propõe como
condição a decisão sobre o regime de integração que é na verdade, a divisão das
chefias nas hostes militares, da segurança e da polícia, por dois.
3. Bacela. A
proposta da Lei para a criação das Autarquias Provinciais. A Renamo sempre quis
convencer o público da existência de um ACORDO VERBAL com o Presidente Nyusi
que o projecto das autarquias deveria passar tal como a Renamo apresentara.
Tendo sido chumbada, a Renamo nem cogitou na possibilidade de encetar
negociações para voltar a submeter outra versão, acomodando algumas
inconstitucionalidades. Rompeu com o diálogo e embarcou em ultimatos. Desde
quando um Estado celebra acordos verbais com entidades políticas ou públicas?
Olha, não voltar
a guerra não é um favor que a Renamo faz ao povo. É o que deve fazer. Algumas
das reivindicações que a Renamo levanta são legítimas e tem aprovação popular.
Mas como sempre, falha na proposta de soluções porque amiúde, são soluções que
não resolvem o problema mas sim encobre-os. Alguém pode dizer que sem as armas
não haveria democracia em Moçambique. Até pode ser verdade, mas também as
mesmas armas da Renamo não preveniram que nos últimos 20 anos pessoas morressem
ou com as armas da polícia, ou com as armas das FADM ou com as armas dos
bandidos. E as suas armas também matam inocentes em momentos de tensão
político-militar.
PS: Acabo
pensando que as armas são o principal factor do subdesenvolvimento político
deste partido pois o MDM sem armas consegue avançar e estar tão perto das
aspirações dos cidadãos que a Renamo, que mesmo arrastando as massas, acaba não
fazendo nada. É por isso que digo que este conselho nacional não vai acabar
bem. Vai acabar como se nada tivesse acontecido. No mesmo discurso e na
instrumentalização da violência. Começa a ficar fora de moda.
PS1: É possível
resolver o diferendo eleitoral, com mútuas vantagens para as partes e para o
povo moçambicano. Mas isto é só possível se os assuntos forem tratados com
alguma ciência e diplomacia.
PS2: E deixe-me
dizer-vos mais. O Conselho Nacional da Renamo, à semelhança das reuniões do
MDM, são autênticos talkshop; ou seja, LOJA DE ORAÇÃO. Lá só se fala e muitas
vezes, só um orador, neste caso, o Presidente do Partido, é queM domina a
cerimónia. Não há documentos muito menos consequência sobre o que se decide.
Ao contrário da
FRELIMO, que tem documentos para análise, enviados muito antes da reunião,
discutem-se os documentos e produzem-se documentos finais, na Renamo não há
memória escrita. Apenas há memória, memorizada. As pessoas apenas se recordam
do que o líder dissera. Não há referência, menção de documentos publicamente
disponíveis para consulta! Enfim, para quem não acompanhar as notícias à saída
desta conferência, corre o risco de perder por completo a informação sobre o
que de lá se decidiu, à semelhança das outras conferências nacionais.
Desafio quem
tiver as decisões dos últimos congressos, conferências ou outro tipo de
encontros da Renamo, a apresenta-los para que também possamos consultar.(Dr.
Egidio Vaz in facebook)
quarta-feira, maio 27, 2015
É o que disse o Coronel!!!
O Arquivo Histórico Sul-Africano
(SAHA) divulgou recentemente o depoimento do antigo Comandante da Força Aérea
Moçambicana, Coronel João Bernardo Honwana, perante a Comissão da Verdade e
Reconciliação (TRC) da África do Sul. O depoimento do Coronel Honwana, que
integrou a Comissão de Inquérito moçambicana instaurada para investigar as
causas do acidente de Mbuzini, foi feito numa sessão à porta fechada da TRC,
realizada na Cidade do Cabo em 3 de Junho de 1998. A divulgação do depoimento
cumpre o estipulado na Lei da Promoção do Acesso à Informação em vigor na
África do Sul desde 2000.
De acordo com o Coronel João
Honwava, as relações entre Armando Guebuza e o Presidente Samora Machel, pouco
antes do acidente de Mbuzini, “eram muito tensas”. O ex-comandante da Força
Aérea Moçambicana acrescentou que “havia rumores de que Guebuza estava a
preparar uma força especial, eventualmente com o objectivo de derrubar o
Presidente Machel”. Em face desta situação, disse Honwana, “Guebuza deixou de
ser ministro do Interior, passando a deter um cargo que, basicamente, não tinha
nenhum significado”.
A sessão à porta fechada da TRC
foi presidida por Dumisa Ntsebeza, membro do Comité para as Violações de
Direitos Humanos, tendo contado com a presença de Wilson Magadhla, chefe de
investigações especiais da Comissão da Verdade e Reconciliação, para além das
jornalistas Debora Patta e Christelle Terreblanche.
No depoimento, Honwana referiu-se
a uma série de reuniões do Bureau Político do Partido Frelimo, que “discutiram
toda a questão em torno de Guebuza”, no decurso das quais “houve uma troca de
palavras bastante tensas entre Guebuza e o Presidente Samora Machel”.
Honwana disse que as forças
governamentais haviam perdido o controlo da situação militar em Moçambique, e
que Samora Machel havia declarado “numa reunião em Maputo três dias antes do
acidente de Mbuzini, que “desconhecia a gravidade da situação militar no
terreno”. Salientou o Coronel Honwana: “Ele deu a entender que havia sido
induzido em erro, e levado a acreditar que as Forças Armadas tinham o controlo
da situação”, quando a realidade era outra. Numa visita à Base Aérea de Nacala,
por ocasião do encerramento de um curso de formação de batalhões de forças
pára-quedistas, Machel declarou, de acordo com o depoimento de Honwana, que
“uma vitória contra a Renamo dependia da colocação da pessoa certa no lugar
certo”. Na sequência destas declarações do Presidente Machel, acrescentou
Honwana, “o General Sebastião Mabote foi substituído no cargo de Chefe de
Estado-Maior da Forças Armadas de Moçambique por Armando Panguene, tendo Mabote
seguido para Cuba”. Ainda de acordo com o depoimento do Coronel João Honwana,
no regresso de Samora Machel da viagem à Zâmbia, em 19 de Outubro de 1986, o
chefe do Estado moçambicano “preparava-se para remodelar a estrutura de comando
das Forças Armadas de Moçambique”. (Redacção)
terça-feira, maio 26, 2015
Com + projectos estrangeiros
Moçambique foi o quinto país africano com maior
número de projectos implementados através de investimento directo estrangeiro
no continente africano, no ano passado. A informação consta num relatório
publicado recentemente pela “Fdi Intelligence”, divisão estatística do
“Financial Times”, que revela ainda que, em 2014, Moçambique implementou
projectos financiados pelo investimento directo estrangeiro na ordem de nove mil
milhões de dólares norte-americanos. O investimento fez com que o país subisse
67% face a 2013. Ainda segundo os mesmos dados, África foi o continente que
mais cresceu durante o período em análise, ao ter aumentado o número de
projectos em 6% e as verbas em 65%, para 87 mil milhões de dólares. Em
Moçambique, onde o Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 7%
para este ano, foram recebidos nove mil milhões de dólares em investimentos de
capital no ano passado, grande parte destinada ao sector imobiliário. O
continente africano cresceu 5% em 2014, estando 1,5% acima do crescimento da economia
mundial para este ano. Entretanto, o FMI e o Banco Mundial alertaram para um
abrandamento do crescimento, entre 4 e 4,5%, devido aos efeitos da descida dos
preços do petróleo no mercado internacional. (R.Moiane)
Maputo com dministrações paralelas
O “Observatório Constitucional”, boletim especializado do Instituto para Boa Governação e Desenvolvimento (GDI), escreve que, até aqui, ninguém conseguiu provar, através de norma constitucional, a inviabilidade de autarquias provinciais. Aquele boletim – que foi fundado por Gilles Cistac, que era seu editor-chefe – diz que existe a possibilidade criada pelo legislador constituinte para a criação das autarquias provinciais, à luz do n.o 4 do Artigo 273 da Constituição da República de Moçambique. Contra a ideia de que o projecto pretendia criar dupla administração e, consequentemente, insubordinação, o que ia por sua vez empurrar o país para uma situação de ingovernabilidade, o GDI refere que esta tese só pode ser levantada se quem governa o país não tiver a necessária noção de que administração pública estatal e administração autárquica, são, ambas, administrações públicas, e têm por finalidade servir o interesse público. A posição do GDI consta no “Observatório Constitucional”, um boletim que versa sobre matérias jurídicas.
Em vida, Gilles Cistac argumentou e demonstrou que era possível a criação de autarquias provinciais com base no n.o 4 do Artigo 273 da Constituição da República de Moçambique
Mais tarde, alguns juristas apareceram a declarar que as autarquias superiores referidas pelo legislador constituinte no Artigo em causa não abrangem as províncias. A opinião deste grupo de juristas acabou por ser determinante para a reprovação do projecto.
No seu boletim, o GDI diz que “esses mesmos juristas não demonstraram, através de citação de norma constitucional, onde tal despretensão do legislador constituinte se acha inscrita para fundamentar a sua tese”.
O GDI diz que o n.o 4 do Artigo 273 da Constituição da República deixa claro “que esta abre a possibilidade de exorbitar as autarquias do âmbito restrito das actuais circunscrições territoriais de municípios e povoações, referidas nos números 1, 2 e 3 deste modo.”
Não tendo o legislador se “pronunciado explicitamente de modo a vedar a transformação das províncias em autarquias, então não existe fundamento jurídico-constitucional que impeça ao legislador ordinário” a transformação “das circunscrições territoriais correspondentes às actuais províncias” em autarquias, afirma o GDI. No entendimento desta organização, “constitucionalmente não se detecta argumento jurídico que possa impedir que a AR aprove o projecto de criação das autarquias provinciais”
Sobre o receio de que, com a proposta da Renamo, se criem duas administrações provinciais paralelas, o GDI refere que isto “é o que está a acontecer na cidade de Maputo, onde se tem no mesmo território a administração autárquica e a administração estatal do Governo da cidade com o estatuto de província”. O GDI refere ainda que nos últimos anos se assistiu à “criação de administrações distritais paralelas nos municípios da Beira, Quelimane e Nampula, autarquias estas sob administração de um partido político diferente” daquele que está no Governo central. (A Mulungo)
quinta-feira, maio 21, 2015
Governador recebe embaixador

Em Quelimane, o Embaixador americano Griffiths manteve um encontro com o Governador da Província Abdul Razak. Para além disso, o Embaixador fez uma visita ao projecto de saneamento e drenagem municipal na Cidade, na companhia do Edil Manuel de Araújo.O projecto de saneamento e drenagem municipal na Cidade de Quelimane é uma das obras financiadas pelo Governo Americano através do Compacto do Millennium Challenge Corporation em Moçambique e foi inaugurado em Abril de 2014.
Com uma extensão de um quilómetro,
o sistema de drenagem ajuda a reduzir a incidência da malária e melhora os
resultados de saúde, diminuindo danos pessoais e patrimoniais por inundações
que eram frequentes naquela cidade.
Benesses entre as elites
Qualquer coisa diferente produz exclusão e gera
insustentabilidade perigosa. Os esquemas estabelecidos e ferrenhamente
defendidos em alguns círculos, o poder por todos os meios, devem ser vistos
como os verdadeiros atentados para a unicidade de Moçambique. É conversa fiada e enganadora repetir e mediatizar uma “unidade nacional” que
não se sente nem se vive. Sem participação e comparticipação, sem democracia
política e económica, dilui-se o sentido e significado de pátria. Pelo facto de a elite ou nomenclatura nacional recusar-se a compartilhar o
país, milhões de moçambicanos vegetam, no lugar de viver com dignidade.
Os espectáculos dispendiosos chamados comícios são como os circos da antiga
Roma. Finda a apresentação dos figurinos escolhidos a dedo, os jornais
regimentalistas e estacões televisivas espalham a mensagem preparada, mas, no
concreto, nada muda, pois o alvo continua a se não sentir envolvido nas lides
nacionais.
Depois de tantos anos de promoção de assimetrias e estratégias de afunilamento
e concentração do poder através de artifícios étnico-políticos, chegou-se a um
fim de linha. De dentro do partido no poder surgem sinais preocupantes de
clivagens em linhas supostamente raciais, que denotam um divórcio entre gente
que antes era “camarada”. Na defesa daquilo que pode ser considerado de espólio
de guerra, jamais vencida, mas oferecida de bandeja por outros “camaradas de
Lisboa”, testemunha-se uma incoerência gritante por parte de pessoas com
responsabilidades históricas.
Como já se concluiu que não é possível continuar a excluir a maioria, adopta-se
corta-matos, para mostrar que todos beneficiam da riqueza nacional. Mas é por
demais evidente que quem beneficia são os mesmos de sempre. Onde haja rubi ou
turmalinas, ouro ou ferro, carvão ou gás, são os mesmos que atacam e agarram
tudo. Como deve ser propagandeado que outros participam, até se concedem
posições de accionistas a alguns eleitos, mas, no essencial, tudo está tomado e
de forma ilícita por uma elite que se julga proprietária do país.
Numa situação de completa desigualdade e de regras de jogo diferentes, é
caricato falar de “unidade nacional”. Os moçambicanos não estão à espera de
distribuição gratuita de riqueza nem de esmolas.
Afastar a guerra do vocabulário das pessoas e concorrer efectivamente para a
consolidação da paz passa por haver uma atitude de responsabilidade,
honestidade e coerência entre os políticos.
Processos eleitorais vencidos através de manipulação e violência policial e
política e através de conluios entre “toupeiras judiciais” e poder político são
de utilidade reduzida e limitada. Como se pode ver, as eleições de Outubro de 2014 produziram toda a tensão
actual por terem acontecido sob o signo da fraude organizada nos mais altos
escalões politico-governamentais.
A mobilização dos pesos-pesados do partido no poder para o processo só confirma
que havia consciência do risco de aquelas eleições não correrem de afeição e de
passar de posição a oposição.
Este Moçambique precisa de normalizar-se, e isso só pode acontecer se houver
disposição e realismo por parte de todos.
Um dos pilares da sustentabilidade nacional é a Justiça, que não pode continuar
amarrada ao partido Frelimo. Foi a impunidade em Gaza que distorceu o jogo
democrático. Foi a violência policial e coerção que mancharam o processo
eleitoral. Se os observadores fazem vista grossa e se a máquina eleitoral está infiltrada
por especialistas informáticos que antecipadamente decidem quem é o vencedor,
não se pode designar os resultados finais como livres, justos e transparentes.
Se a elite detentora do poder decide que, para manter-se no topo da pirâmide,
deve rapidamente distribuir parte do bolo, essa opção pode ser acertada, mas é
insuficiente, pois continua a não responder aos anseios de milhões de
moçambicanos.
Enquanto persistir a incapacidade de ver os assuntos discordantes ou as razões
para a discórdia e tratá-los de forma realista, estaremos promovendo crises e
alimentando o oportunismo divisionista.
Começaram com pequenos gestos como “lojas dos responsáveis”, depois avançaram
para outros patamares, até se apresentarem com frontalidade como senhores
todo-poderosos, senhores da vida e da morte dos outros. Quem viveu não se esquecerá jamais do que significava ser “estrutura” e o poder
conferido a esta entidade. Depois de uma longa e sangrenta guerra civil, chegou-se a um entendimento e
acordo chamado AGP. Regista a história que o AGP foi um fiasco no essencial,
pois não conseguiu trazer a separação efectiva dos poderes democráticos.
Será que há seriedade e realismo para abordar os verdadeiros “dossiers”
nacionais e tratá-los de forma adequada, promotora da paz e da estabilidade?
A ver vamos, pois o tempo escasseia, e os moçambicanos esperam por muito mais
do que comícios e proclamações. O que é lamentável é que, após 40 anos, se toquem os mesmos “discos furados”.
Há oportunidade de incluir os outros na discussão sobre e por Moçambique.
Ninguém sabe tudo e ninguém nada sabe.
Os moçambicanos não querem esmolas, “frozy” nem bolachas oferecidas para
baterem palmas ocasionalmente.Haja sensatez e seriedade e que se assuma que a “mentira tem pernas curtas”.Os “históricos” têm o seu lugar garantido na História de Moçambique, mas
entendam que não são deuses para porem e disporem conforme lhes apeteça. (N.N.)
quinta-feira, maio 14, 2015
Abra o olho!
Em primeiro lugar, tenho de saudar a coragem e a
determinação que o ex-ministro das Finanças Manuel Chang demonstrou ao
manifestar publicamente a intenção de se candidatar para as próximas eleições
da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), numa altura em que o actual titular
do cargo, Feizal Sidat, por força da lei, não mais poderá concorrer.A aparição de Manuel Chang é bem-vinda à família
do futebol moçambicano, pois a sua experiência, acumulada ao longo de muitos
anos como governante, poderá trazer uma mais-valia para a modalidade, só que,
caro Chang, quem avisa amigo é.
Eu, que por obrigações profissionais tenho ido aos
campos aos fins-de-semana, não posso admitir que haja pronunciamentos deste
género, porque nos jogos do Moçambola, principalmente nas províncias, os campos
andam abarrotados. Por exemplo, quando os “Mambas” jogam, mesmo que os
resultados não sejam abonatórios, tanto o Estádio Nacional do Zimpeto como o
Estádio da Machava ficam prenhes de espectadores.
Afinal de que campos estão a falar os seus
sequazes, Manuel Chang? Acho que de todos menos dos que eu, como profissional,
frequento com muita regularidade, sobretudo em cobertura dos jogos do
Moçambola. Acho que deve haver outros campos algures, onde essa gente deve
praticar outra modalidade que não seja futebol.
Aliás, entristece-me quando se fala do que
acontecia há 20 anos. Queremos trazer o futebol de há 20 anos? Onde se jogava
nos pelados e os atletas treinavam depois das horas normais de serviço? É isto
que queremos trazer de volta? Gosto muito de comparações, sobretudo quando elas
são sustentadas com dados, o que não deve estar a acontecer. Neste caso, acho
que estamos diante de discursos infundados, elaborados por pessoas que não
conhecem a actual realidade do futebol no país.
Afinal o que move esta gente toda a andar atrás do
ex-ministro das Finanças? Será mesmo por questão de pura e simples vontade de
ajudar o futebol nacional a desenvolver? Abra o olho, Chang, sob o risco de
manchar o seu “bom” nome e a reputação de que goza em vários meandros do país.
Uma outra vertente, Chang, talvez por indicação
dos seus seguidores, terá dito na Beira, na sua campanha, que quer potenciar a
componente de infra-estruturas, sobretudo através dos campos nos bairros para a
descoberta de novos talentos.
Não acredito que isto tenha saído da boca de uma
figura idónea como Manuel Chang, um ex-governante que durante muito tempo teve
o “saco azul” deste país nos seus pés. É muito delicado falar deste assunto,
porque já tem “barbas brancas”.O que o candidato Chang devia ter feito, quando
governante, era ter evitado que esses espaços nos bairros destinados à prática
desportiva fossem usurpados por pessoas que não são da área para fins ilícitos
como a construção de barracas, bombas de gasolina, etc., etc.Não acho que este assunto de infra-estruturas nos
bairros seja da competência da Federação Moçambicana de Futebol. Talvez seja,
em dose maior, do Governo que tem a função de proteger o seu cidadão de
qualquer que seja a infracção. O bem-estar do povo é competência exclusivamente
do Governo e do Estado.
Portanto, se o ex-ministro Chang quer granjear a
simpatia dos amantes do futebol tem de falar mais do futuro do que do passado,
porque efectivamente o que nos preocupa a nós todos são os resultados
desportivos que raramente aparecem, principalmente nas competições
internacionais. A não ser que Chang queira ser presidente de uma Federação
Moçambicana de Futebol de Veteranos.
Abra o olho, Manuel Chang, sob o risco de cair no
descrédito!
(Por Gil Carvalho/jornalista Notícias)
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