segunda-feira, junho 15, 2015

“Só temo Deus”, presidente do Sudão

Resultado de imagem para aviao de al-bashirProcurado por crimes de guerra e contra a humanidade, o presidente do Sudão está impedido de sair da África do Sul, onde participa numa cimeira.Com um mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional às costas, Omar al-Bashir viu um juiz sul-africano decretar a medida depois da queixa de um grupo sul-africano de direitos humanos.Mas a delegação sudanesa está tranquila. “Estamos aqui como convidados do governo da África do Sul. Acredito que o governo sul-africano vai conseguir lidar com o tribunal ou com quem quer que seja que está a tentar impedir o presidente de sair deste país. Posso garantir que o presidente Bashir vai partir no horário previsto”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ibrahim al-Ghandour.A sessão judicial deverá realizar-se esta segunda-feira mas dificilmente o presidente sudanês será detido, já que Pretória concedeu imunidade a todos os políticos que participam na cimeira da União Africana.O conflito no Darfur provocou mais de 300 mil mortos e 2 milhões de refugiados.

Autarquias Provinciais? Projecto volta a A.República

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, voltou a fazer mais um aviso público sobre a recusa do partido Frelimo de implementação das “autarquias provinciais”. No encerramento da V sessão do Conselho Nacional da Renamo, na Beira, Afonso Dhlakama disse que a Frelimo deve recuar na sua decisão de não aprovar “por bem e sem violência o projecto”, porque, caso a situação de impasse se mantenha, então, diz Dhlakama: “Vão chamar-me muitos nomes”.Dhlakama deu a entender que o projecto deverá regressar à Assembleia da República. “Eu não pretendo dividir o país, mas, sim, criar uma descentralização do poder central para as províncias, conforme previsto no Acordo Geral de Paz” disse, acrescentando que o projecto é para todo o país, de forma faseada.Segundo Dhlakama, só com a implementação do projecto é que haverá a paz e estabilidade no país. Caso isso não aconteça, declara Dhlakama: “Não me venham a dar nomes futuramente”.Dhlakama disse ainda que, enquanto se espera por uma decisão final da Frelimo, o seu partido criou uma comissão que “vai exercer pressão sobre o regime para que desistam de serem os segundos colonizadores dos moçambicanos, depois dos portugueses”.“Ainda não declarámos guerra. Mas, se isto continuar, nós estamos em condições de responder”.Dhlakama disse que vai continuar a lutar a todo o custo para que o seu projecto seja aprovado. Sobre um provável encontro com Nyusi, o presidente da Renamo afirmou: “Se for para aperto de mãos para inglês ver, eu não estou disponível, mas, se é para debatermos assuntos ligados às ‘autarquias provinciais’, podemos marcar mesmo agora”. (J. Jeco, na Beira)

quarta-feira, junho 10, 2015

De patins pelo bronze!!!

A selecção Nacional de Hóquei em Patins de Moçambique defronta a Inglaterra no dia 20 de Junho corrente a partir das 14.30 horas em jogo pontuável para o Grupo “B”, naquele que será o primeiro do Campeonato do Mundo do Grupo “A” – La Roche Sur-Yon 2015. Jogando com um adversário, em termos teóricos, mais acessível do seu grupo, a equipa moçambicana terá a oportunidade de começar por assumir a liderança. Para o mesmo dia estão programados mais três jogos. Logo a seguir, Angola, um dos representantes africanos na 42.ª edição da competição, entra em acção às 16.10 horas para jogar com a Holanda em partida do Grupo “A”.O terceiro jogo do dia colocará, seguramente, os moçambicanos atentos, já que estarão em acção a Suíça e a Argentina, selecções do seu grupo.  Após esse desafio realiza-se a cerimónia de abertura, que antecede ao momento mais esperado da noite, o desafio de abertura, às 21.00 horas, entre a anfitriã, França, e a pentacampeã do Mundo, Espanha.A equipa moçambicana iniciou esta semana a meta final de preparação em terras portuguesas. Serão mais sete dias que serão marcados por jogos de controlo tendo em vista dar ritmo competitivo à equipa nacional e afinar os processos de jogo quando faltam pouco menos de duas semanas para entrar em cena no pavilhão de Vendeespace.
Em baixo ,no último mundial do grupo A realizado em Angola, Moçambique ficou em setimo lugar.
 Semifinais5º lugar
J37 - 27 Setembro 15:15
  França 5 
  Itália 6 
 
J46 - 28 Setembro 17:15
    Itália  2
  Flag of Brazil.svg Brasil  1
7º lugar
J38 - 27 Setembro 17:15J45 - 28 Setembro 15:15
 Flag of Brazil.svg Brasil 7  França 4
 Flag of Mozambique.svg Moçambique 5  Flag of Mozambique.svg Moçambique  5

terça-feira, junho 09, 2015

Crime e incoerência

                                    Há duas coisas que não vão acabar bem nos próximos dias/meses. Senhor Khalau, actual Comandante-geral da PRM e a Renamo, com suas exigências excêntricas.O primeiro porque será “livrado das suas funções”, apesar da resistência até agora em o PR proceder a remodelação das chefias dos ramos da defesa e segurança. O que está a acontecer, julgo eu, é que a própria polícia está interessada em mostrar ao mundo e ao PR o grau do seu envolvimento no mundo do crime como forma de “incitar” mudanças por dentro. Duvido que o PR resista às evidências que diariamente são apresentadas pela própria polícia em noticiários. Terá que fazer algo, pelo menos do que dele depender. E seguramente Khalau será a válvula de escape. Temo que depois desta onda de denúncias siga a onda de queima de arquivos. É isto já aconteceu no passado. Recordem-se da Brigada Anticrime que desapareceu toda ela. Brigada Mamba a Rio, etc.
                                         A Renamo por sua vez, não para de se enrolar em promessas embaraçosas. Há mais de seis meses que anda de ultimato em ultimato, de ameaça em ameaça. Pior, são ameaças de difícil realização, que só servem para a satisfação individual. Este conselho nacional será mais um malogro, não trará nada de novo se não contemplar a continuação das conversações com o governo. O que está mal no país não é o governo ou a Frelimo.É a forma como a Renamo formula seus problemas e propõe as suas soluções.
Dois exemplos:
1. A Renamo propõe a despartidarização do Estado mas como solução avança a partilha dos cargos de chefias militares a todos níveis, ou seja, a divisão das chefias militares entre membros do governo e da Renamo!
2. A Renamo formula e muito bem que a desmilitarização das suas forças é, ao abrigo da Lei de Cessação das hostilidades, um imperativo. Mas para tal ela propõe como condição a decisão sobre o regime de integração que é na verdade, a divisão das chefias nas hostes militares, da segurança e da polícia, por dois.
3. Bacela. A proposta da Lei para a criação das Autarquias Provinciais. A Renamo sempre quis convencer o público da existência de um ACORDO VERBAL com o Presidente Nyusi que o projecto das autarquias deveria passar tal como a Renamo apresentara. Tendo sido chumbada, a Renamo nem cogitou na possibilidade de encetar negociações para voltar a submeter outra versão, acomodando algumas inconstitucionalidades. Rompeu com o diálogo e embarcou em ultimatos. Desde quando um Estado celebra acordos verbais com entidades políticas ou públicas?
                                        Olha, não voltar a guerra não é um favor que a Renamo faz ao povo. É o que deve fazer. Algumas das reivindicações que a Renamo levanta são legítimas e tem aprovação popular. Mas como sempre, falha na proposta de soluções porque amiúde, são soluções que não resolvem o problema mas sim encobre-os. Alguém pode dizer que sem as armas não haveria democracia em Moçambique. Até pode ser verdade, mas também as mesmas armas da Renamo não preveniram que nos últimos 20 anos pessoas morressem ou com as armas da polícia, ou com as armas das FADM ou com as armas dos bandidos. E as suas armas também matam inocentes em momentos de tensão político-militar.
PS: Acabo pensando que as armas são o principal factor do subdesenvolvimento político deste partido pois o MDM sem armas consegue avançar e estar tão perto das aspirações dos cidadãos que a Renamo, que mesmo arrastando as massas, acaba não fazendo nada. É por isso que digo que este conselho nacional não vai acabar bem. Vai acabar como se nada tivesse acontecido. No mesmo discurso e na instrumentalização da violência. Começa a ficar fora de moda.
PS1: É possível resolver o diferendo eleitoral, com mútuas vantagens para as partes e para o povo moçambicano. Mas isto é só possível se os assuntos forem tratados com alguma ciência e diplomacia.
PS2: E deixe-me dizer-vos mais. O Conselho Nacional da Renamo, à semelhança das reuniões do MDM, são autênticos talkshop; ou seja, LOJA DE ORAÇÃO. Lá só se fala e muitas vezes, só um orador, neste caso, o Presidente do Partido, é queM domina a cerimónia. Não há documentos muito menos consequência sobre o que se decide.
                                     Ao contrário da FRELIMO, que tem documentos para análise, enviados muito antes da reunião, discutem-se os documentos e produzem-se documentos finais, na Renamo não há memória escrita. Apenas há memória, memorizada. As pessoas apenas se recordam do que o líder dissera. Não há referência, menção de documentos publicamente disponíveis para consulta! Enfim, para quem não acompanhar as notícias à saída desta conferência, corre o risco de perder por completo a informação sobre o que de lá se decidiu, à semelhança das outras conferências nacionais.

Desafio quem tiver as decisões dos últimos congressos, conferências ou outro tipo de encontros da Renamo, a apresenta-los para que também possamos consultar.(Dr. Egidio Vaz in facebook)

quarta-feira, maio 27, 2015

É o que disse o Coronel!!!

O Arquivo Histórico Sul-Africano (SAHA) divulgou recentemente o depoimento do antigo Comandante da Força Aérea Moçambicana, Coronel João Bernardo Honwana, perante a Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC) da África do Sul. O depoimento do Coronel Honwana, que integrou a Comissão de Inquérito moçambicana instaurada para investigar as causas do acidente de Mbuzini, foi feito numa sessão à porta fechada da TRC, realizada na Cidade do Cabo em 3 de Junho de 1998. A divulgação do depoimento cumpre o estipulado na Lei da Promoção do Acesso à Informação em vigor na África do Sul desde 2000.
De acordo com o Coronel João Honwava, as relações entre Armando Guebuza e o Presidente Samora Machel, pouco antes do acidente de Mbuzini, “eram muito tensas”. O ex-comandante da Força Aérea Moçambicana acrescentou que “havia rumores de que Guebuza estava a preparar uma força especial, eventualmente com o objectivo de derrubar o Presidente Machel”. Em face desta situação, disse Honwana, “Guebuza deixou de ser ministro do Interior, passando a deter um cargo que, basicamente, não tinha nenhum significado”.
A sessão à porta fechada da TRC foi presidida por Dumisa Ntsebeza, membro do Comité para as Violações de Direitos Humanos, tendo contado com a presença de Wilson Magadhla, chefe de investigações especiais da Comissão da Verdade e Reconciliação, para além das jornalistas Debora Patta e Christelle Terreblanche.
No depoimento, Honwana referiu-se a uma série de reuniões do Bureau Político do Partido Frelimo, que “discutiram toda a questão em torno de Guebuza”, no decurso das quais “houve uma troca de palavras bastante tensas entre Guebuza e o Presidente Samora Machel”.

Honwana disse que as forças governamentais haviam perdido o controlo da situação militar em Moçambique, e que Samora Machel havia declarado “numa reunião em Maputo três dias antes do acidente de Mbuzini, que “desconhecia a gravidade da situação militar no terreno”. Salientou o Coronel Honwana: “Ele deu a entender que havia sido induzido em erro, e levado a acreditar que as Forças Armadas tinham o controlo da situação”, quando a realidade era outra. Numa visita à Base Aérea de Nacala, por ocasião do encerramento de um curso de formação de batalhões de forças pára-quedistas, Machel declarou, de acordo com o depoimento de Honwana, que “uma vitória contra a Renamo dependia da colocação da pessoa certa no lugar certo”. Na sequência destas declarações do Presidente Machel, acrescentou Honwana, “o General Sebastião Mabote foi substituído no cargo de Chefe de Estado-Maior da Forças Armadas de Moçambique por Armando Panguene, tendo Mabote seguido para Cuba”. Ainda de acordo com o depoimento do Coronel João Honwana, no regresso de Samora Machel da viagem à Zâmbia, em 19 de Outubro de 1986, o chefe do Estado moçambicano “preparava-se para remodelar a estrutura de comando das Forças Armadas de Moçambique”. (Redacção)

terça-feira, maio 26, 2015

Com + projectos estrangeiros

Moçambique foi o quinto país africano com maior número de projectos implementados através de investimento directo estrangeiro no continente africano, no ano passado. A informação consta num relatório publicado recentemente pela “Fdi Intelligence”, divisão estatística do “Financial Times”, que revela ainda que, em 2014, Moçambique implementou projectos financiados pelo investimento directo estrangeiro na ordem de nove mil milhões de dólares norte-americanos. O investimento fez com que o país subisse 67% face a 2013. Ainda segundo os mesmos dados, África foi o continente que mais cresceu durante o período em análise, ao ter aumentado o número de projectos em 6% e as verbas em 65%, para 87 mil milhões de dólares. Em Moçambique, onde o Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 7% para este ano, foram recebidos nove mil milhões de dólares em investimentos de capital no ano passado, grande parte destinada ao sector imobiliário. O continente africano cresceu 5% em 2014, estando 1,5% acima do crescimento da economia mundial para este ano. Entretanto, o FMI e o Banco Mundial alertaram para um abrandamento do crescimento, entre 4 e 4,5%, devido aos efeitos da descida dos preços do petróleo no mercado internacional. (R.Moiane)

Maputo com dministrações paralelas

O “Observatório Constitucional”, boletim especializado do Instituto para Boa Governação e Desenvolvimento (GDI), escreve que, até aqui, ninguém conseguiu provar, através de norma constitucional, a inviabilidade de autarquias provinciais. Aquele boletim – que foi fundado por Gilles Cistac, que era seu editor-chefe – diz que existe a possibilidade criada pelo legislador constituinte para a criação das autarquias provinciais, à luz do n.o 4 do Artigo 273 da Constituição da República de Moçambique. Contra a ideia de que o projecto pretendia criar dupla administração e, consequentemente, insubordinação, o que ia por sua vez empurrar o país para uma situação de ingovernabilidade, o GDI refere que esta tese só pode ser levantada se quem governa o país não tiver a necessária noção de que administração pública estatal e administração autárquica, são, ambas, administrações públicas, e têm por finalidade servir o interesse público. A posição do GDI consta no “Observatório Constitucional”, um boletim que versa sobre matérias jurídicas.
Em vida, Gilles Cistac argumentou e demonstrou que era possível a criação de autarquias provinciais com base no n.o 4 do Artigo 273 da Constituição da República de Moçambique
Mais tarde, alguns juristas apareceram a declarar que as autarquias superiores referidas pelo legislador constituinte no Artigo em causa não abrangem as províncias. A opinião deste grupo de juristas acabou por ser determinante para a reprovação do projecto.
No seu boletim, o GDI diz que “esses mesmos juristas não demonstraram, através de citação de norma constitucional, onde tal despretensão do legislador constituinte se acha inscrita para fundamentar a sua tese”.
O GDI diz que o n.o 4 do Artigo 273 da Constituição da República deixa claro “que esta abre a possibilidade de exorbitar as autarquias do âmbito restrito das actuais circunscrições territoriais de municípios e povoações, referidas nos números 1, 2 e 3 deste modo.”
Não tendo o legislador se “pronunciado explicitamente de modo a vedar a transformação das províncias em autarquias, então não existe fundamento jurídico-constitucional que impeça ao legislador ordinário” a transformação “das circunscrições territoriais correspondentes às actuais províncias” em autarquias, afirma o GDI. No entendimento desta organização, “constitucionalmente não se detecta argumento jurídico que possa impedir que a AR aprove o projecto de criação das autarquias provinciais”

Sobre o receio de que, com a proposta da Renamo, se criem duas administrações provinciais paralelas, o GDI refere que isto “é o que está a acontecer na cidade de Maputo, onde se tem no mesmo território a administração autárquica e a administração estatal do Governo da cidade com o estatuto de província”. O GDI refere ainda que nos últimos anos se assistiu à “criação de administrações distritais paralelas nos municípios da Beira, Quelimane e Nampula, autarquias estas sob administração de um partido político diferente” daquele que está no Governo central. (A Mulungo)
Gosto · Comentar · 

quinta-feira, maio 21, 2015

Governador recebe embaixador


Em Quelimane, o Embaixador americano Griffiths manteve um encontro com o Governador da Província Abdul Razak. Para além disso, o Embaixador fez uma visita ao projecto de saneamento e drenagem municipal na Cidade, na companhia do Edil Manuel de Araújo.O projecto de saneamento e drenagem municipal na Cidade de Quelimane é uma das obras financiadas pelo Governo Americano através do Compacto do Millennium Challenge Corporation em Moçambique e foi inaugurado em Abril de 2014.
Com uma extensão de um quilómetro, o sistema de drenagem ajuda a reduzir a incidência da malária e melhora os resultados de saúde, diminuindo danos pessoais e patrimoniais por inundações que eram frequentes naquela cidade.

Benesses entre as elites

Qualquer coisa diferente produz exclusão e gera insustentabilidade perigosa. Os esquemas estabelecidos e ferrenhamente defendidos em alguns círculos, o poder por todos os meios, devem ser vistos como os verdadeiros atentados para a unicidade de Moçambique. É conversa fiada e enganadora repetir e mediatizar uma “unidade nacional” que não se sente nem se vive. Sem participação e comparticipação, sem democracia política e económica, dilui-se o sentido e significado de pátria. Pelo facto de a elite ou nomenclatura nacional recusar-se a compartilhar o país, milhões de moçambicanos vegetam, no lugar de viver com dignidade.
Os espectáculos dispendiosos chamados comícios são como os circos da antiga Roma. Finda a apresentação dos figurinos escolhidos a dedo, os jornais regimentalistas e estacões televisivas espalham a mensagem preparada, mas, no concreto, nada muda, pois o alvo continua a se não sentir envolvido nas lides nacionais.
Depois de tantos anos de promoção de assimetrias e estratégias de afunilamento e concentração do poder através de artifícios étnico-políticos, chegou-se a um fim de linha. De dentro do partido no poder surgem sinais preocupantes de clivagens em linhas supostamente raciais, que denotam um divórcio entre gente que antes era “camarada”. Na defesa daquilo que pode ser considerado de espólio de guerra, jamais vencida, mas oferecida de bandeja por outros “camaradas de Lisboa”, testemunha-se uma incoerência gritante por parte de pessoas com responsabilidades históricas.
Como já se concluiu que não é possível continuar a excluir a maioria, adopta-se corta-matos, para mostrar que todos beneficiam da riqueza nacional. Mas é por demais evidente que quem beneficia são os mesmos de sempre. Onde haja rubi ou turmalinas, ouro ou ferro, carvão ou gás, são os mesmos que atacam e agarram tudo. Como deve ser propagandeado que outros participam, até se concedem posições de accionistas a alguns eleitos, mas, no essencial, tudo está tomado e de forma ilícita por uma elite que se julga proprietária do país.
Numa situação de completa desigualdade e de regras de jogo diferentes, é caricato falar de “unidade nacional”. Os moçambicanos não estão à espera de distribuição gratuita de riqueza nem de esmolas.
Afastar a guerra do vocabulário das pessoas e concorrer efectivamente para a consolidação da paz passa por haver uma atitude de responsabilidade, honestidade e coerência entre os políticos.
Processos eleitorais vencidos através de manipulação e violência policial e política e através de conluios entre “toupeiras judiciais” e poder político são de utilidade reduzida e limitada. Como se pode ver, as eleições de Outubro de 2014 produziram toda a tensão actual por terem acontecido sob o signo da fraude organizada nos mais altos escalões politico-governamentais.
A mobilização dos pesos-pesados do partido no poder para o processo só confirma que havia consciência do risco de aquelas eleições não correrem de afeição e de passar de posição a oposição.
Este Moçambique precisa de normalizar-se, e isso só pode acontecer se houver disposição e realismo por parte de todos.
Um dos pilares da sustentabilidade nacional é a Justiça, que não pode continuar amarrada ao partido Frelimo. Foi a impunidade em Gaza que distorceu o jogo democrático. Foi a violência policial e coerção que mancharam o processo eleitoral. Se os observadores fazem vista grossa e se a máquina eleitoral está infiltrada por especialistas informáticos que antecipadamente decidem quem é o vencedor, não se pode designar os resultados finais como livres, justos e transparentes.
Se a elite detentora do poder decide que, para manter-se no topo da pirâmide, deve rapidamente distribuir parte do bolo, essa opção pode ser acertada, mas é insuficiente, pois continua a não responder aos anseios de milhões de moçambicanos.
Enquanto persistir a incapacidade de ver os assuntos discordantes ou as razões para a discórdia e tratá-los de forma realista, estaremos promovendo crises e alimentando o oportunismo divisionista.
Resultado de imagem para nao querem esmolasPrecisa ser dito que quem divide são aqueles que desde os primeiros dias após a Independência se colocaram como senhores inquestionáveis e donos da verdade absoluta.
Começaram com pequenos gestos como “lojas dos responsáveis”, depois avançaram para outros patamares, até se apresentarem com frontalidade como senhores todo-poderosos, senhores da vida e da morte dos outros. Quem viveu não se esquecerá jamais do que significava ser “estrutura” e o poder conferido a esta entidade. Depois de uma longa e sangrenta guerra civil, chegou-se a um entendimento e acordo chamado AGP. Regista a história que o AGP foi um fiasco no essencial, pois não conseguiu trazer a separação efectiva dos poderes democráticos.
Será que há seriedade e realismo para abordar os verdadeiros “dossiers” nacionais e tratá-los de forma adequada, promotora da paz e da estabilidade?
A ver vamos, pois o tempo escasseia, e os moçambicanos esperam por muito mais do que comícios e proclamações. O que é lamentável é que, após 40 anos, se toquem os mesmos “discos furados”.
Há oportunidade de incluir os outros na discussão sobre e por Moçambique.
Ninguém sabe tudo e ninguém nada sabe.
Os moçambicanos não querem esmolas, “frozy” nem bolachas oferecidas para baterem palmas ocasionalmente.Haja sensatez e seriedade e que se assuma que a “mentira tem pernas curtas”.Os “históricos” têm o seu lugar garantido na História de Moçambique, mas entendam que não são deuses para porem e disporem conforme lhes apeteça. (N.N.)

Isto SÓ a ..........


quinta-feira, maio 14, 2015

Abra o olho!



Em primeiro lugar, tenho de saudar a coragem e a determinação que o ex-ministro das Finanças Manuel Chang demonstrou ao manifestar publicamente a intenção de se candidatar para as próximas eleições da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), numa altura em que o actual titular do cargo, Feizal Sidat, por força da lei, não mais poderá concorrer.A aparição de Manuel Chang é bem-vinda à família do futebol moçambicano, pois a sua experiência, acumulada ao longo de muitos anos como governante, poderá trazer uma mais-valia para a modalidade, só que, caro Chang, quem avisa amigo é.
Resultado de imagem para manuel changEm abono da verdade, candidato Chang, as pessoas que o rodeiam, em algum momento, não lhe estão a ser fiéis. Elas não lhe transmitem fielmente a actual realidade do futebol nacional. Quando lhe aconselham a dizer que hoje em dia muita gente não vai ao futebol, induzem-no em erro ou seja, não estão a ser realistas. Não é verdade que as pessoas não vão ao futebol. E não é verdade que os campos andam às moscas. O que deve estar a acontecer, na minha modesta opinião, é que as pessoas que o rodeiam devem ser elas primeiro que não vão aos campos. Por consequência, estão totalmente desfasadas da realidade futebolística do país.
Eu, que por obrigações profissionais tenho ido aos campos aos fins-de-semana, não posso admitir que haja pronunciamentos deste género, porque nos jogos do Moçambola, principalmente nas províncias, os campos andam abarrotados. Por exemplo, quando os “Mambas” jogam, mesmo que os resultados não sejam abonatórios, tanto o Estádio Nacional do Zimpeto como o Estádio da Machava ficam prenhes de espectadores.
Afinal de que campos estão a falar os seus sequazes, Manuel Chang? Acho que de todos menos dos que eu, como profissional, frequento com muita regularidade, sobretudo em cobertura dos jogos do Moçambola. Acho que deve haver outros campos algures, onde essa gente deve praticar outra modalidade que não seja futebol.
Aliás, entristece-me quando se fala do que acontecia há 20 anos. Queremos trazer o futebol de há 20 anos? Onde se jogava nos pelados e os atletas treinavam depois das horas normais de serviço? É isto que queremos trazer de volta? Gosto muito de comparações, sobretudo quando elas são sustentadas com dados, o que não deve estar a acontecer. Neste caso, acho que estamos diante de discursos infundados, elaborados por pessoas que não conhecem a actual realidade do futebol no país.
Afinal o que move esta gente toda a andar atrás do ex-ministro das Finanças? Será mesmo por questão de pura e simples vontade de ajudar o futebol nacional a desenvolver? Abra o olho, Chang, sob o risco de manchar o seu “bom” nome e a reputação de que goza em vários meandros do país.
Uma outra vertente, Chang, talvez por indicação dos seus seguidores, terá dito na Beira, na sua campanha, que quer potenciar a componente de infra-estruturas, sobretudo através dos campos nos bairros para a descoberta de novos talentos.
Não acredito que isto tenha saído da boca de uma figura idónea como Manuel Chang, um ex-governante que durante muito tempo teve o “saco azul” deste país nos seus pés. É muito delicado falar deste assunto, porque já tem “barbas brancas”.O que o candidato Chang devia ter feito, quando governante, era ter evitado que esses espaços nos bairros destinados à prática desportiva fossem usurpados por pessoas que não são da área para fins ilícitos como a construção de barracas, bombas de gasolina, etc., etc.Não acho que este assunto de infra-estruturas nos bairros seja da competência da Federação Moçambicana de Futebol. Talvez seja, em dose maior, do Governo que tem a função de proteger o seu cidadão de qualquer que seja a infracção. O bem-estar do povo é competência exclusivamente do Governo e do Estado.
Portanto, se o ex-ministro Chang quer granjear a simpatia dos amantes do futebol tem de falar mais do futuro do que do passado, porque efectivamente o que nos preocupa a nós todos são os resultados desportivos que raramente aparecem, principalmente nas competições internacionais. A não ser que Chang queira ser presidente de uma Federação Moçambicana de Futebol de Veteranos.
Abra o olho, Manuel Chang, sob o risco de cair no descrédito!
(Por Gil Carvalho/jornalista Notícias)