terça-feira, julho 20, 2010

"DRIFT" em Maputo

Drift ou Drifting (em japonês: ドリフト走行, dorifuto sōkō?), é uma técnica de direcção de carros que consiste em deslizar nas curvas escapando a traseira, girar o volante para que as rodas dianteiras estejam sempre em uma direcção oposta a curva (se o carro vira para a direita então a roda deve estar a esquerda, e vice versa), controlando o nível de derrapagem, fazendo o carro literalmente andar de lado ou captar literalmente. Alguma dezenas de jovens vinham praticando esta técnica aos fins de semana nas avenidas  cidade de Maputo, de  preferência de madrugada, fugindo ao controle da policia. Os danos materiais e a ruidosa noite de descanso parece terem acabado com a primeira iniciativa do Automóvel Turim Clube de Moçambique (ATCM ) ao organizar no ultimo domingo a primeira prova no seu autódromo.

A poesia das vuvuzelas

A Copa acabou, mas só mais uma coisinha, antes de eu mudar de assunto. A vuvuzela foi uma injustiçada nas últimas semanas. Xingada por comentaristas, narradores, jornalistas em geral e grande parte dos torcedores que vieram aos estádios na África do Sul. Não 
serei eu aqui a dizer que não há problemas com o zumbido estridente das cornetas. Mas a vuvu também tem a sua poesia.Eu nem precisava repetir aqui as críticas que foram feitas a elas, mas rapidamente vou recapitular. A vuvuzela é espaçosa. Afoga músicas, o canto das torcidas, o uhhhh!! quando o gol não sai, o xingamento. Intromete-se em momentos que deveriam ser de emoção. Um exemplo é a entrada dos dois times em campo, lado a lado. A Fifa bolou uma música tipo cerimónia do Oscar para marcar esse momento, mas que mal era ouvida. As cornetas se impunham.Tudo verdade. Mas há um outro lado da vuvuzela também.Dizem que vuvuzela uniformiza a experiência de assistir um jogo. Seria um “fuóóóóó” o tempo todo. Nada mais longe da verdade. Ela tem subtilezas.Pode haver ritmo na cornetada. A maior parte do tempo, ouve-se um zumbido permanente, em tom médio, como de uma abelha. Tradução: alguns estão tocando, outros não, e ninguém está muito preocupado com “coreografias”.Mas eis que de repente as vuvuzelas acordam, geralmente quando o jogo esquenta. O estádio inteiro começa um “fó”-“fó”-“fó” pausado, todo mundo ao mesmo tempo, com barulho estrondoso a cada assoprada. Acredite: é de arrepiar.Outro exemplo: não me pergunte como isso é feito, mas de vez em quando um grupinho de algumas dezenas começa um “fó-fó-fó-fó” baixinho, intercalado por um “fó” estrondoso do resto do estádio. Uma espécie de Timbalada vuvuzélica. Carlinhos Brown não faria melhor.E há os instantes de puro drama que só o silêncio das vuvuzelas proporciona. Foi assim um dos momentos mais arrepiantes dessa Copa, o jogo entre África do Sul e Uruguai, vencido pelos sul-americanos por 3 a 0. A cada golo uruguaio o estádio silenciava completamente. Nenhuma única vuvuzelinha dissonante. Nem lágrimas traduziriam melhor essa dor.E elas também sabem respeitar momentos verdadeiramente importantes. O barulho podia ser grande o resto do tempo,mas as vuvuzelas silenciavam na hora dos hinos nacionais. Ontem, na festa de encerramento da Copa, os organizadores mostraram que não estão nem aí para as críticas. Fizeram várias referências às cornetas durante a breve, mas muito bem feita, cerimónia.Hoje, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, decretou: “Sobrevivemos à vuvuzela”. Espero ver uma ou outras delas no Brasil, em 2014.(Escrito por Fábio Zanini jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), com mestrado em relações internacionais pela School of Oriental and African Studies (Soas), da Universidade de Londres.)

RSA: nacionalização do sector mineiro

A Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (ANCYL)afirma ter convencido o partido no poder na África do Sul para incluir a questão da nacionalização das minas na agenda do seu Conselho Nacional Geral (NGC), a ter lugar em Setembro deste ano. Falando ao semanário sul - africano 'Sunday Times', que se edita em Joanesburgo, Floyd Shivambu, porta-voz da ANCYL, revelou segunda-feira que estão em curso discussões acerca do assunto a nível das estruturas do ANC.Julius Malema, o controverso líder da ala juvenil do partido no poder na Africa do Sul, também confirmou que o debate sobre a nacionalização das minas estará no centro da agenda do NGC, marcado para finais deste ano.
'A verdade deve ser dita; não acerca de mim, mas da iniciativa da liga', frisou Malema.
Jackson Mthembu, porta-voz do partido, disse que o NGC não apenas discutira a questão da nacionalização das minas, mas também ira passar em revista o trabalho desenvolvido pelo partido e governo desde o congresso de Polokwane, em Dezembro de 2007. Shivambu afirmou que o ANC convocara uma reunião para discutir a questão da nacionalização do sector mineiro, o suporte da economia do pais, acrescentando que a Liga e o ANC - que varias vezes desmentiram a tomada das minas - estão agora a falar da questão com a mesma linguagem.Ele indicou que a ala juvenil poderá encorajar o partido a 'copiar' o programa da reforma da terra zimbabweano, acrescentando que muitos não compreendem o que exactamente aconteceu no Zimbabwe.Não existe nada de errado no programa da reforma zimbabweana e que na Africa do Sul pode ser realizado sem que haja percepção de que se esta a violar os direitos humanos.
'Aqueles que não estão de acordo com a Liga procuram desviar a atenção com objectivo de proteger os seus interesses. Mas devem saber que não podemos ser guiados por interesses da minoria. A melhor maneira de celebrar Nelson Mandela e tornarmo-nos mais decivisos na luta pela liberdade económica', frisou.O NGCs e convocado para debater assuntos relacionados com a politica da organização.Assim , o Comité Nacional Executivo (NEC) do ANC reune-se próxima semana para preparar a agenda do NGC.Aquele orgão de decisão entre os congressos também ira discutir se as eleições locais, provinciais e nacionais deverão realizar-se ao mesmo tempo.(AIM)

Casas de câmbio em risco

A Associação de Casas de Câmbio de Moçambique afirma que a proposta de regulamentação da nova lei cambial do país, caso seja aprovada, poderá levar parte de operadores deste ramo a falência.A lei cambial do país foi aprovada no ano passado pelo parlamento, a Assembleia da República (AR), com o objectivo de facilitar o uso da moeda estrangeira no país. Contudo, até agora, o instrumento ainda não foi regulamentando.Citado pelo jornal “O País”, o presidente da Associação das Casas de Câmbio de Moçambique, Lázaro Macamo, disse que, uma das razões possíveis de conduzir os operadores do ramo à falência, é o facto da proposta retirar a possibilidade de as casas de câmbio efectuarem transacções com pessoas colectivas.Assim, as empresas e demais instituições passarão a recorrer apenas a bancos para efectuar as suas transacções cambiais, sobrando para as casas de câmbios as pessoas singulares.Contudo, “estes não têm hábito de efectuar trocas connosco, preferindo recorrer ao mercado informal”, reconheceu Macamo, falando esta Segunda-feira num encontro promovido pelo Banco de Moçambique visando apresentar a proposta do regulamento da nova lei sobre esta actividade.Por outro lado, ele disse que a proposta de regulamento não esclarece o intervalo de tempo em que as instituições cambiais são permitidas a transaccionar o valor máximo, de cinco mil dólares.A fraca adesão de pessoas singulares às casas de câmbio deve-se, dentre vários factores, a complexos processos burocráticos para as transacções e aos baixos valores de troca, quando comparados com os praticados no mercado informal.Moçambique conta com diversas casas de câmbios em número considerado excesso, por algumas correntes de opinião, considerando o nível da economia do país. Aliás, essa corrente de opinião defende que a existência de inúmeras casas de câmbio no país constitui um sinal de haver muito dinheiro de proveniência duvidosa a circular no mercado nacional.

Magazine


Esta é a edição 113 do " M.Info”, um  magazine gratuitamente eletrónico. Se estiver interessado veja no Web site minfo.weebly.com todas as edições mais antigas e informação interessante. Se gostou  envie por favor aos amigos ou aos colegas ,podendo responder directamente pelo endereço minfo@ intra.co.mz.


segunda-feira, julho 19, 2010

Será?

O Ministro moçambicano da Saúde, Ivo Garrido, afirma que o problema de desaparecimento de bebés em hospitais como o Geral José Macamo, localizado na cidade de Maputo, resulta de má fé de algumas pessoas que se introduzem naquela unidade sanitária.O Hospital Geral José Macamo, por exemplo, tem vindo a registar casos sistemáticos de desaparecimento de crianças recém-nascidas, que, felizmente, são depois recuperadas. Nos últimos meses, a imprensa reportou um mínimo de três casos de desaparecimento de bebés naquela unidade sanitária.O caso mais recente deu-se na semana passada, quando um bebé recém-nascido desapareceu e reapareceu em circunstâncias estranhas.Preocupada com esta situação, a população da cidade de Maputo questionou Sábado ultimo ao Ministro da Saúde, Ivo Garrido, o que estaria a acontecer, principalmente no Hospital José Macamo.Na sua intervenção, Garrido disse que os trabalhadores daquele hospital não são culpados por estes actos praticados por pessoas de má fé que se introduzem naquele local disfarçados de familiares das parturientes.
“A Saúde está sendo criticada por problemas criados por gente de ma fe”, disse Garrido.
Falando sobre o caso mais recente, registado na semana passada, Ivo Garrido explicou que a criança desaparecida teria sido roubada por uma parturiente que, infelizmente, havia perdido o seu próprio bebé.Quando as autoridades tomaram conhecimento do caso, procuraram pela criança, tendo depois recuperada no bairro de Mahlampswene, na cidade industrial da Matola, a 15 quilómetros a Sul da capital do pais, Maputo.Os casos anteriores sucederam quase da mesma maneira, mas praticados por mulheres que se fizeram ao hospital com o pretexto de pretender visitar os seus familiares.
“Quando fecharmos as portas e não admitir mais visitas, estaremos a criar outros problemas”, disse Garrido, apelando a sociedade para questionar as razões de ocorrência deste tipo de casos desumanos.

Blatter enganou

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou nesta segunda-feira que não abordará o uso da tecnologia na linha do gol durante a reunião na quarta-feira em Gales."A subcomissão técnica da International Board (órgão da Fifa que regula as leis do jogo) se reunirá na quarta-feira em Cardiff" (Gales), anunciou nesta segunda a Fifa em um comunicado, no qual indica que será estudada a questão das partidas com cinco árbitros."O único ponto na ordem do dia será o estudo e a eventual aprovação das solicitações feitas por várias confederações e federações membros da Fifa sobre a aplicação da experiência de dois árbitros adicionais para as competições nas temporadas 2010-2011 e 2011-2012", indicou a Fifa."O primeiro encontro formal em que se discutirá a tecnologia na linha do gol será realizado em outubro", acrescentou um porta-voz da organização.O anúncio da Fifa contradiz as indicações anteriores dadas pelo presidente da instituição, Joseph Blatter.Blatter anunciou que a polêmica questão do uso da tecnologia estaria na agenda da organização, no mesmo dia em que pediu perdão às seleções de Inglaterra e México pelos erros de arbitragem que cruciais para as suas eliminações da Copa do Mundo da África do Sul.Blatter disse que a tecnologia na linha do gol tinha que ser abordada na "primeira oportunidade" que a Fifa tivesse, que seria na reunião desta semana em Cardiff."É evidente que depois do que acabamos de viver, seria ridículo não retomar a questão da ajuda da tecnologia em julho, em Cardiff", disse Blatter, referindo-se às eliminações de México e Inglaterra por Argentina e Alemanha, respectivamente."O único princípio sobre o qual vamos reabrir a discussão é a tecnologia na linha do gol", indicou Blatter.No mês de maio, a International Board autorizou a continuação da experiência da arbitragem com cinco membros, iniciada na última edição da Liga Europa, e em março descartou qualquer ajuda do uso da tecnologia.

Mourinho no curandeiro?


José Mourinho reage com indignação e desmente em absoluto a notícia divulgada ontem pela France Press, que dava conta de um alegado encontro do treinador com quatro curandeiros quando esteve recentemente de férias no Quénia, para pedir êxito no Real Madrid. Contactado pelo diário AS, o assessor de José Mourinho, Eládio Paramés, repudiou a postura da agência noticiosa gaulesa.«É uma pena que uma agência de notícias como a AFP, que tem um reconhecimento conquistado ao longo dos anos, tenha difundido uma notícia totalmente inventada e é lamentável que o tenha feito sem qualquer tipo de confirmação», afirmou Paramés, que aproveitou para reforçar os laços do treinador à religião católica, recordando a visita de “Mou” ao Santuário de Fátima antes de assinar contrato com o Real Madrid.

MADIBA: paz e liberdade


O primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, celebrou neste domingo (18) o seu 92º aniversário o primeiro Dia Internacional de Nelson Mandela, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em Novembro do ano passado, por sua contribuição "à cultura da paz e da liberdade".Diante dos muros da residência do ex-presidente no bairro de Houghton, em  Johannesburgo, várias pessoas reuniram-se para tentar ver o querido 'Madiba', como o chamam afectuosamente os sul-africanos.Jessy Martina chegou cedo para exibir um cartaz com as palavras "Feliz aniversário, Madiba". Várias crianças também tentam entregar cartas com parabéns escritas por elas mesmas."Esperamos mais gente durante o dia. Infelizmente, ninguém pode entrar. A família pediu intimidade", declarou um policial que cuida da segurança da casa.De uma caminhada de caridade em Madrid até um torneio de futebol em Darfur (Sudão), vários eventos recordam neste domingo o líder sul-africano.No seu país, os sul-africanos dedicaram 67 minutos do seu tempo a obras de interesse público, por iniciativa da Fundação Mandela, em referência ao número de anos que dedicou à luta pela igualdade.Várias personalidades, entre elas o ator Morgan Freeman, que fez o papel de Nelson Mandela no filme "Invictus", subiram numa moto para percorrer durante seis dias a rota até a Cidade do Cabo (sudoeste), parando, de vez em quando, para participar em projetos humanitários.Nelson Rolihlahla Mandela deixou a prisão Victor Verster em 1990, caminhando ao lado da sua esposa na época, Winie Madikizela. Aos 72 anos, ele havia passado os últimos 27 atrás das grades por opor-se ao regime racista que dominava a África do Sul. Mandela é filho do conselheiro do chefe máximo  de Qunu (actual província do Cabo Oriental), onde nasceu. Aos sete anos, tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Aos 16 anos, seguiu para o Instituto Clarkebury, na África do Sul, onde estudou cultura ocidental.

Jornalismo "bota-a-baixo"


Em teoria, entendo que um jornalista, sobretudo se sedento de notoriedade, poderia perguntar ao Papa qual foi a última vez em que teve relações sexuais; ao primeiro-ministro se recebeu dinheiro dos Chineses para facilitar acordos; ao Presidente da República se não está arrependido de ter mandado um assessor filtrar uma notícia falsa a um jornal, etc., etc., etc.Para que não fiquem dúvidas: condeno este tipo de perguntas, tal como estão enunciadas, porque as considero insultuosas. De igual modo discordo na totalidade do jornalismo seguido pelo Jornal Independente ZAMBEZE, (ver foto). Isto  é  afastar-se das pessoas, trair a grande tradição da seriedade, partindo para o servil, copiando o péssimo, um certo tipo de jornalismo anglo-saxónico, com o qual pouco temos a ver. Isto acontece com o jornalismo «descomprometido», chegando a ser insultuoso. Todo o jornalismo, sobretudo o da tal «distanciação», está comprometido, neste caso com deplorável, com o desprezo pelo humano, com o desdém pelas causas. O compromisso com o humano possui um carácter ético, moral. Tão simples quanto isso.

sexta-feira, julho 16, 2010

Conversão para gás natural

O Governo de Moçambique decidiu massificar a conversão de viaturas movidas a gasolina e diesel para o uso de gás natural comprimido como forma de reduzir a dependência do país aos combustíveis fosseis importados, bem como ajudar a combater as alterações climáticas.Nesse contexto, em 2008, o Executivo comprometeu-se a converter 10 por cento das viaturas do Estado para passarem a mover-se a gás natural, uma meta que está longe de ser cumprida.Aliás, o próprio Ministério da Energia, responsável por implementar esta medida, só conseguiu converter duas viaturas.De 2008 a esta parte, em todo o país foram convertidos 150 veículos, sendo a maior parte mini-buses. So a provincia de Maputo e a cidade capital mocambicana tem um universo de cerca de 200 mil viaturas. Em Moçambique, a Autogás é a única empresa que converte veículos para funcionarem a gás.Esta empresa conta com apenas três instalações de conversão e dois pontos de reabastecimento, todos em Maputo e na cidade vizinha de Matola. A empresa quer expandir as suas instalações. Porém, tal expansão só é viável financeiramente se mais veículos forem convertidos para funcionarem a gás. Entretanto, a adesão à conversão não ocorre conforme o desejado devido aos custos da mesma, que são elevados.A conversão de um carro familiar custa cerca de 36 mil Meticais e a de um veículo como um Range Rover ou mini-bus custa quase 45 mil meticais. O Ministro da Energia, Salvador Namburete, reconhece que os custos são proibitivos e considera que não existe nenhum incentivo para persuadir as pessoas a converterem os seus veículos, tendo revelado que o Governo está a estudar a questão, concretamente, maneiras de subsidiar os custos de conversão.'Temos uma estratégia clara de priorizar nossas próprias fontes de energia, e que inclui o gás natural', salientou Namburete, acrescentando que 'mas isso não é um processo de curto prazo'.Namburete, que falava, em Maputo, na última quarta-feira, durante o seminário sobre o uso do gás natural em automóveis e seu impacto sobre a poluição, salientou que o uso de gás natural é vantajoso para Moçambique, sobretudo por se tratar de um produto moçambicano e como tal sofre menor pressão das variações do preço do petróleo no mercado internacional.Na ocasião, Namburete advertiu que a tendência futura é de provável aumento contínuo de preço de petróleo e seus derivados no mercado.'É uma ilusão pensar que os preços dos combustíveis vão cair novamente', advertiu.
Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração da Autogás, o ex-Ministro da Indústria, Octavio Muthemba, apontou que o preço actual de um equivalente de litro de gás natural comprimido é 13.85 meticais, quando um litro de diesel custa 30.98 meticais e um litro de gasolina 37.02 meticais.Estes números mostram claramente que o gás é quase 66 por cento mais barato que a gasolina, para além de ser muito menos nocivo para o ambiente do que a gasolina ou diesel. A monitoria da poluição em cidades de vários países do mundo como a Argentina, China e Índia demonstraram ganhos consideráveis na qualidade do ar após a introdução dos veículos movidos a gasolina. O uso do gás natural reduz as emissões de monóxido de carbono em 99 por cento, de óxido de azoto em 94 por cento, de hidrocarbonetos em 82 por cento e de dióxido de carbono em 15 por cento dos veículos. O director executivo, João das Neves, observou que, se pelo menos 50 autocarros funcionassem a gás, em vez de combustíveis líquidos importados, Moçambique pouparia 1.5 milhão de dólares por ano. 'O custo do transporte público seria menos susceptível a oscilações dos preços internacionais do petróleo', disse. O processo de conversão de viaturas para o uso de gás natural está a ser afectado por alguns receios relacionados com alegada periculosidade deste produto.Neves explicou que estes receios são infundados.Na verdade, o ponto de auto-ignição de gás (580 graus centígrados) é muito maior do que de gasolina ou diesel (280 e 210 graus, respectivamente). Um carro movido a gás envolvido em acidente não se incendeia, em vez disso, se os cilindros de gás romperem, o gás, que é mais leve que o ar, simplesmente dissipa-se na atmosfera, o que é diferente de derramamentos de gasolina ou diesel, que têm um potencial sério para poluir o solo ou a água.Neves apontou outro aspecto de segurança que é importante para o bolso dos consumidores, que está relacionado ao roubo da gasolina ou diesel em carros estacionados, o que já não ocorre com o gás.Por sua vez, o Professor universitário, António Matos, advertiu, na ocasião, que a idade do petróleo está chegando ao fim. Ele prevê que dentro de 50 anos não haverá mais petróleo no mundo.Assim, ele considera o gás natural uma alternativa segura durante a transição para combustíveis de hidrogénio.O gás usado é retirado em Pande e Temane, na província meridional de Inhambane, recurso que está a ser explorado pela petroquímica sul-africana Sasol.

Beira: lavagem de dinheiro


A Procuradoria da República, na província de Sofala está a investigar o empresário Naguib Ravat, proprietário da Farmácia 786, casa de câmbios 786 e empresa de compra e venda de viaturas denominada N&S.Ravat é indiciado de envolvimento em crime de branqueamento de capitais na ordem de milhões de dólares. Na busca da casa de câmbios , localizada no bairro Maquinino e na residência do empresário, foram confiscados vários bens, incluindo equipamento informático, entretanto já em análise por peritos.A instauração de um processo contra Naguib Ravat, neste momento em parte incerta no estrangeiro, surge em virtude da denuncia do  Banco de Moçambique,depois  daquela instituição bancaria, na Beira, se ter recusado a aceitar um deposito em numerário em mais de 500 mil dólares. Recusado o deposito em dólares, Ravat terá procedido a troca do valor para meticais, montante que viria a ser depositado no mesmo dia. Contudo, a denuncia do banco central manteve-se. O parque de venda   está nestes dias sem viaturas de alta cilindrada que ali se viam habitualmente, parte delas consideradas ilegais por fuga ao fisco. Naguib Ravat é suspeito de ser o mandante do assassinato ocorrido há pouca semanas de um  jovem empresário da capital do país, Nito Khan.Apesar das investigações em curso, as actividades comerciais de Ravat continuam a funcionar normalmente.

quinta-feira, julho 15, 2010

Cerveja de mandioca

Áreas de cultura de mandioca tendem a aumentar na província de Inhambane, na perspectiva de um mercado garantido agora que surgiram interesses do empresariado em utiiza-la no lugar da cevada para produzir cerveja.A literatura mostra que a utilização de derivados da mandioca como adjunto de malte na fabricação de cervejas é estudada desde meados do século passado no exterior, havendo registos desse uso nos anos 40, nos Estados Unidos e no Brasil na década de 1990. A cerveja feita de mandioca tem sabor apenas ligeiramente diferente do produto normal, mas seus ingredientes, produzidos localmente, são mais baratos do que o milho importado. O problema para as cervejarias é que os mercados africanos frequentemente são difíceis e caros de operar. Como a indústria e a agricultura são pouco desenvolvidas em África, produtos como caixas, garrafas e até matérias-primas como cevada e lúpulo precisam de ser importados. As estradas e a infraestrutura básica normalmente são deficientes, o que eleva o custo de distribuição. Os portos, são irremediavelmente congestionados e ineficientes. Tais factores tornam a cerveja importada inacessível para a vasta maioria da população.

Gases tóxicos sobre Maputo

O Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental confirmou ter autorizado a empresa de fundição de alumínio, Mozal (BHP Billiton), a operar no sistema Bypass, que consiste na emissão directa dos gases tóxicos produzidos nas suas actividades, apesar da posição contrária dos ambientalistas, para o perigo deste tipo de operações. Foi necessário um mês para o governo corresponder às pretensões da Mozal (17Km de Maputo), depois de ter recebido estudos conclusivos que afirmam não haver danos para o ambiente, uma vez que os níveis de poluição seriam mínimos. Durante os próximos seis meses, período previsto para a conclusão do processo de substituição dos filtros das emissões de gases produzidos, as comunidades circunvizinhas da fábrica, até ao raio de 40 km, segundo ambientalistas, estarão expostos a diversos tipos de poluição a vários níveis, desconhecendo-se os efeitos que poderão resultar para a sua saúde. Residentes próximo à Mozal, afirmam que a empresa prometeu disponibilizar transporte para o transporte de possíveis afectados que necessitem de tratamento hospitalar, contudo, a questão de tratamento médico não foi avançada. A dormência quando se fica na mesma posição ou se cruza as pernas; grande oleosidade no couro cabeludo e queda de cabelos; descalcificação dos ossos e dentes causando osteoporose; depósitos no cérebro, característicos do mal de Alzheimer , são alguns dos sintomas da contaminação pelo alumínio.A fundição de alumínio Mozal lidera a lista das 100 maiores empresas de Moçambique, lugar que mantém há vários anos, com lucros em 2009 de 10,668 milhões de meticais (cerca de 236,6 milhões de euros), seguida da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), com 3,998 milhões de meticais (cerca de 88,69 milhões de euros) que subiu para segundo, e o Millennium BIM, que obteve 1,755 milhões de meticais (39 milhões de euros) descendo de segundo para terceiro lugar. A Mozal e a Sasol, multinacionais que operam em Moçambique a uma década, estão isentas de pagar impostos e só ano passado usufruiram de 108 milhões de euros de benefícios fiscais,

"Fogo" nas gasolineiras

O Ministro da Energia, Salvador Namburete negou, falando ontem a jornalistas (registado pelo MULIQUELA da STV), a existência de facturas emitidas pelas gasolineiras que o governo ainda não pagou no âmbito da implementação da política da contenção do valor dos combustíveis que vem se arrastando há mais de 1 ano, embora o processo esteja já fora do prazo, visto que o período legal terminou a 31 de Dezembro passado. Mostrando bastante cuidado e alguma insegurança na abordagem do assunto, o titular da pasta da energia respondeu: Não há contas atrasadas. Quer dizer, contas atrasadas deviam ser baseadas em algum acordo, em algum contrato. Mas, esse assunto não pode ser discutido aqui. Nós somos parceiros e vamos conversar com eles. Não vou fazer um debate aqui, na ausência doutro parceiro. Porque nós (governo) e as gasolineiras somos parceiros e temos um fórum próprio onde discutimos os nossos assuntos, vamos continuar a discutir” – disse. Entretanto, as gasolineiras insistem que a sua preocupação tem exactamente a ver com o facto de estarem a enfrentar dificuldades para continuar a trabalhar normalmente no sentido de garantir o pagamento de fretes de importação de combustível para assegurar que não falte combustível no país. As dívidas do governo para com as gasolineiras está já na ordem dos 60 milhões de dólares americanos. Congregadas na Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMOPETROL), estas exigem o pagamento imediato do valor em dívida porque para se efectuar encomenda de combustível à Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO) é necessário que a contabilidade esteja em dia. Caso contrário, as empresas são obrigadas a fazer créditos bancários no sentido de garantir a encomenda que, normalmente, é feita mensalmente. Numa situação de se recorrer a créditos bancários, as gasolineiras é que são obrigadas a assumir o pagamentos dos contra valores no que diz respeito aos juros referentes ao empréstimo, custos esses que não são suportados pelo governo. As gasolineiras sempre defenderam a necessidade de aplicação, no território nacional, de preços reais, ou seja, que o consumidor adquira, a preço de mercado, o combustível. Está inscrito no Orçamento do Estado deste ano, 43 milhões de dólares norte-americanos de compensação às gasolineiras, mas só nos dois primeiros meses de 2010 o Governo pagou 40 milhões de dólares àquelas empresas, devendo mais de 60 milhões de dólares referentes aos meses de Março a Junho. O FMI , em consenso com as autoridades nacionais, acordou o fim das compensações para Março deste ano e também desencorajado o Governo a compensar às gasolineiras, no âmbito da teoria de Bretton Woods de “apagar” a mão do Estado no mercado. O economista e antigo ministro das Finanças, Magid Osman, chegou a alertar para a incapacidade de Moçambique pagar compensações para congelar o preço dos combustíveis, sugerindo apoios apenas aos sectores produtivos da economia, em particular, a revolução verde. As compensações estão a ser pagas desde 2008 (altura das manifestações violentas na cidade de Maputo contra o subida da tarifa dos transportes de passageiros) e deviam cessar a 31 de Dezembro de 2009, de acordo com um memorando de entendimento assinado entre o Governo e as gasolineiras.

quarta-feira, julho 14, 2010

F1 na África do Sul

E com o fim do primeiro Campeonato do Mundo de futebol num país africano, a anfitriã África do Sul começa a ensaiar seus próximos passos. O trabalho de recolocar o país no mapa depois das décadas de trevas do apartheid registou um avanço monumental com o Mundial. Agora é a hora de aproveitar o embalo para conseguir subir mais alguns degraus. Nos negócios e nas relações com o resto do mundo, o impacto só vai começar a ser sentido a partir de agora – e ainda há as contas a pagar em função da realização do Mundial no país. Mas no âmbito desportivo, já surgem os primeiros frutos da organização exemplar do Mundial deste ano. A começar pela provável inclusão do país entre as sedes das provas do circo da Fórmula 1.O principal dirigente da categoria, Bernie Ecclestone, confirmou que há planos de colocar a África do Sul de volta no roteiro das corridas, possivelmente na Cidade do Cabo, num novo circuito, que ficaria pronto dentro de três anos. A África do Sul não recebe um Grande Prémio desde 1993 – as corridas eram realizadas em Kyalami, circuito próximo de Pretória. O outro sonho sul-africano – esse, muito mais ambicioso – é repetir a façanha inédita do Mundial de futebol trazendo ao continente, pela primeira vez na história, uma edição dos Jogos Olímpicos. De novo, a Cidade do Cabo seria uma candidata natural – já chegou até a concorrer oficialmente. Mas é fortíssima a tendência de que a também a Durban litoral seja concorrente na próxima eleição do Comité Olímpico Internacional, que escolherá a sede da Olimpíada de 2020.