sábado, maio 29, 2010

FMI pressiona

Segundo consta de um documento do Executivo intitulado “Carta de Intenções do Governo de Moçambique na qual se descrevem as políticas que o país pretende implementar no contexto da sua solicitação de apoio financeiro do FMI”, dirigido ao director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, o Governo deve eliminar completa e definitivamente o subsídio aos combustíveis até ao final de Março de 2010, mas isso não aconteceu dentro desse período limite. A missiva, em posse do Canalmoz, é datada de 18 de Novembro de 2009, e foi assinada pelo ministro das Finanças, Manuel Chang, e pelo governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove. Nessa missiva, o Governo refere que deixará para sempre de subsidiar os combustíveis, a partir do fim de Março de 2010. De facto, o abandono à política de subsídios iniciou mesmo em Março, quando foi anunciado o primeiro aumento, que não foi o desejável, mas o possível, para evitar reacções internas semelhantes às que se viu a 5 de Fevereiro de 2008.Agora é a terceira vaga de aumentos. Os preços de comercialização no mercado interno vão ainda ser sucessivamente revistos até se atingir a realidade do preço do barril no mercado internacional. Tudo indica que os aumentos terão que continuar, até se aproximar dos 40 meticais por litro, para a gasolina. Para o gasóleo está por se saber como o governo irá tratar do assunto agora que o preço chegou a 2 cêntimos do limite (31,00 MT/litro) acordado com os operadores semi-colectivos de transporte, antes de ter do governo ter de passar a subsidiar a actividades deste operadores. A alternativa é os preços dos transportes aos utentes ter de subir. A desvalorização do Metical relativamente ao dólar é outro senão com que o governo terá de lidar.Há, no entanto, nesta actual realidade, um dado novo a considerar. O aumento de viaturas no parque automóvel do país é hoje essencialmente de viaturas a gasolina e elas pertencem na sua esmagadora maioria a funcionários públicos e à classe média.Mesmo com uma classe média hoje servida de viatura própria, o drama dos transportes continua apesar das empresas públicas terem aumentado a sua oferta de transporte colectivo.Receia-se com este novo aumento de preços que aumente o descontentamento sobre as políticas governamentais e venham a suceder-se convulsões. Já se sente o soar das vozes indignadas. (detalhes aqui)

0 comments: