quinta-feira, junho 15, 2017

Tema do Congresso : combate à pobreza

O director do Programa África do Instituto Real de Assuntos Internacionais do Reino Unido defendeu que o tema central do congresso da Frelimo deve ser a utilização das receitas do gás de Moçambique para combater a pobreza.“A inflação desceu face ao ano passado, o metical fortaleceu-se, o governador do banco central trouxe confiança, há alguma estabilidade a curto prazo, mas a pobreza e a crescente desigualdade mantêm-se um problema, e isto terá de ser a discussão central no congresso da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique]”, disse Alex Vines.Entrevistado pela Lusa em Londres, na sede da Chatham House, o analista vincou que o tema central do congresso deve ser “como mudar isto e dar um desenvolvimento mais equitativo ao país no contexto das autárquicas de 2019 e dos desafios que os governos de libertação nacional enfrentam na região”.
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Para o analista, “a grande preocupação sobre Moçambique é que, apesar dos desenvolvimentos económicos positivos nos últimos tempos, a pobreza aumentou no centro e norte do país, a desigualdade e a pobreza estão a aumentar e, mesmo em Maputo, com o corte dos subsídios, haverá muitas dificuldades e uma classe média mais descontente”.
O congresso do partido no poder será, por isso, muito importante para a política interna de Moçambique, e Alex Vines prevê que o poder do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, seja reforçado de forma mais assertiva que em 2015, quando chegou à Presidência.
“Este congresso vai fortalecer Nyusi e permitir que ele aplique a sua visão e a sua agenda para o país, porque em 2015, quando tentou fazer isso, não conseguiu; afastou Guebuza da presidência do partido, mas não era ainda suficientemente forte para imprimir a sua agenda”, considerou. Questionado sobre a importância da assinatura do Acordo Final de Investimento pela petrolífera ENI, no final de maio, o que deverá garantir uma receita fiscal de 16 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, Vines admitiu que “é importante que um investimento tão significativo como este vá em frente, porque o Governo ganha previsibilidade nas receitas”, mas alertou que o executivo está a ser demasiado otimista nas metas. “O início da exportação não será tão cedo como o Governo espera, nem as receitas serão tão altas, penso que só lá para 2023 é que a exportação vai começar a sério”, disse, vincando que, ainda assim, “em termos de receitas futuras, qualquer progresso é importante”.

terça-feira, junho 13, 2017

Depois dos albinos,caça aos calvos

Confino-me neste texto na esperança de viver a plena paz, aquela que nasce por si e vive em si mesma. Porém, não consigo me tornar alheio aos acontecimentos com os quais a sociedade na qual ganho existência me brinda. Por isso, ao invés de viver a plena paz me proponho mais uma vez a reflectir esta sociedade em apuros, dizer sim ao certo e dizer não ao errado.Estive em dúvida ao início desta reflexão se abordava a compra de viaturas luxuosas aos deputados num período de crise, que desde já digo que estamos perante mais um acto em que se demonstra o quão a injustiça e a sem vergonhice são deveras pujantes neste Estado, ou se abordava os recentes casos de perseguição aos homens calvos.
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Porque a perseguição aos homens calvos é algo que contraria totalmente os direitos humanos e para além do mais mostra até que ponto somos todos parte de uma espécie cheia de contrariedades decidi dar mais relevo a este tema e deste modo repudiar por completo tal ultraje.
Pelo que me consta a calvície é um problema de saúde que afecta o Homem, caracterizada por uma gradual e progressiva perda de cabelos devido a factores hereditários. E em nenhum momento soube de fontes fiáveis que os homens calvos tinham ouro na cabeça. Tal como no caso da perseguição feita às pessoas albinas, estamos mais uma vez perante um caso em que a ignorância dá lugar a actos macabros e cria uma situação em que a espécie humana se põe contra si mesma. Com este tipo de actos corremos o risco de um dia dizermos que todos os que tiverem cabelo, cabeça, pernas e seja qual for o membro do corpo devem ser perseguidos, pois tem ouro e nos darão riqueza.Entristece-me imenso que tal acto tenha lugar no nosso país, um Estado com muitos recursos para serem explorados, uma população maioritariamente jovem que podia combinar esses factores para gerar riqueza e não andar atrás de pessoas calvas para lhes tirar órgãos afim de os usar em ritos mágico-religiosos que prometem enriquecimento sem substância.
Resultado de imagem para calvos moçambiqueHá quem diga que estamos perante um acto normal no meio cultural em que verifica, porém eu prefiro repudiar essa realidade e dizer que estamos perante mais uma demonstração de quão desumanos podemos ser até o ponto de darmos espaço à existência de tais actos.Devemos envidar esforços para colocar um basta a este tipo de cenário enquanto ainda for cedo, sob o risco de mais dia menos dia fenómenos como este ser tido como normal de igual modo como as sem vergonhices que acontecem na política nacional. Não a qualquer tipo de descriminação!

Por Miguel Luís

MPLA,ganhará por quanto?

Resultado de imagem para mplaAngola terá eleições gerais em agosto deste ano (2017). Eleições que irão decorrer numa conjuntura pouco favorável para o partido “comandante” MPLA devido à queda da renda petrolífera, com repercussões em toda a economia, e à descapitalização da banca. A incerteza que rodeia a situação económica não será suficiente para causar uma surpresa eleitoral. A única dúvida será a dimensão da vitória do partido no poder desde 1975 e o grau de representatividade alcançado pelos principais partidos da oposição, UNITA e CASA. 
Resultado de imagem para mplaAqui será interessante ver como se arrumarão entre si, em matéria de peso eleitoral, os dois partidos. Do lado governamental, o presidente angolano e líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, estabeleceu a meta clara de uma "maioria qualificada ou no mínimo maioria absoluta". 
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Ambição que não se concretizando (cenário algo inverosímil), dirá muito sobre a conjuntura angolana. Mas a saída de Eduardo dos Santos da presidência, que ocupa desde 1979, não deixa de conter uma série de incógnitas na esfera política. Se anunciou João Lourenço como o candidato às presidenciais não declarou nada, até agora, sobre o seu futuro estatuto no MPLA. Poucos duvidam que não mantenha a presidência do partido. 
Mas terá deixado a presidência "livremente", como notava no início de dezembro uma análise do África Monitor e "pode mesmo passar à história" por isso, referia o texto - em África continuam a ser raros estes casos. Por outro lado, o candidato do partido no poder, o ministro da Defesa, João Lourenço, considerado muito próximo do presidente, foi aprovado pela direcção do MPLA, sob proposta de Eduardo dos Santos, iniciou a sua pré-campanha a Presidente de Angola. Mas há uma  ténue "cortina de fumo" que esconde algo mais real que é o reforço da presença dos próximos do presidente e da sua família em posições-chave da economia angolana, cuja diversificação continua por avançar. Exemplo deste processo foi notado, em  Dezembro passado , pelo Africa Confidential, que refere terem sido ganhas oito das dez primeiras licenças de exploração petrolífera onshore por empresas de dirigentes do MPLA ou de familiares do presidente. Sinal de que nada mudará na matéria, apesar de todas as incertezas e desafios atuais e futuros.

segunda-feira, junho 12, 2017

Quebrado o enguiço!!!!

 Sábado (11), em Ndola, Abel Xavier conduziu os Mambas à sua primeira vitória na Zâmbia por 1-0, em desafio referente à primeira jornada do Grupo K de qualificação para o Campeonato Africano das Nações CAN Camarões-2019.
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Com uma exibição primorosa e um controlo dos acontecimentos de grande nível, nomeadamente na etapa complementar da contenda, os Mambas marcaram por intermédio de Stanley Ratifo, aos 89 minutos, ao se intrometer de forma decisiva entre o guarda-redes e um defesa, rematando seco após um passe de Telinho.A turma moçambicana dispôs do maior quinhão de oportunidades de chegar ao golo, sendo de destacar os lances perdidos por Telinho e Dominguez, no melhor período dos Mambas e durante o qual os zambianos praticamente se renderam perante as evidências. Também entrou na história o atacante Stanley Ratifo, que joga na Alemanha, ao assinar o tento que proporcionou a Moçambique a primeira vitória sobre a Zâmbia em desafios oficiais. Aliás, o triunfo dos Mambas ante os Chipolopolo remontava o ano de 1975 – (FOTO NOTICIA anexa)  – numa partida de carácter amigável.

Refira-se que, neste grupo, estão também as selecções da Guiné-Bissau e da Namíbia.

sexta-feira, junho 09, 2017

Nomear governadores? Não alternativa, sim alternância.

Resultado de imagem para amurane nampulaÉ de cortar a respiração o ambiente no Movimento Democrático de Moçambique (MDM). O presidente do município de Nampula, Mahumudo Amurane, acusou o líder do partido, Daviz Simango, de ditador e de estar por detrás das campanhas difamatórias contra a sua imagem bem como da família, supostamente desencadeada por membros do MDM. Sem falar da sua desvinculação do MDM, Amurane diz que está a ser vítima de vingança por ter questionado o líder do partido publicamente, para além de recusar drenar fundos do município para alimentar interesses do partido, bem como dos seus membros seniores. Amurane diz que a sua saída do MDM depende de Daviz Simango e que nas eleições autárquicas de 2018 vai concorrer à reeleição com ou sem apoio do MDM. Um ano e meio nos separa das eleições autárquicas, isto é, o seu mandato chega ao fim. Como é que olha para a cidade de Nampula neste horizonte temporal da sua governação, a partir da situação que encontrou em 2014.

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Resultado de imagem para nampulaEncontrámos uma cidade cheia de dívidas, esburacada, sem mercados condignos para os munícipes, sem vias de acessos nem ligaçoes entre bairros. Na nossa governaçao, construímos pontes, ligando bairros, pavimentamos ruas, construímos praças, jardins, parques e tudo isto nos orgulha bastante e afirmamos que valeu a pena termos apostado num projecto que os munícipes ansiavam. Sentimos que os munícipes estao satisfeitos e encorajam-nos a darmos seguimento a estes passos.

Isto para dizer que o seu manifesto eleitoral está a ser implementado na plenitude? O nosso manifesto está a ser implementado na plenitude, tendo em atençao o princípio “Nampula para todos”. Nós nao discriminamos as pessoas, em funçao da filiaçao partidária, pelo contrário, incluímos todas as pessoas, no que diz respeito as respostas das necessidades das populaçoes. O munícipe está em contacto directo com o seu presidente.

Como outras cidades do país, Nampula apresenta muitos assentamentos informais, sobretudonos bairros da periferia. Qual é o plano da edilidade para inverter o cenário?
Resultado de imagem para nampula novaAvançamos com duas respostas. A primeira é a requalificaçao dos bairros, que consiste na abertura de vias de acesso, certamente que vamos derrubar algumas habitações que estao dentro das vias projectadas. Bairros como Muala, Muatala, Namicopo e Murapaniua sao exemplos de locais onde estamos a trabalhar, construindo estradas e pontes para melhorar as vias de acesso. A segunda resposta é um projecto de longo prazo, que consiste num plano-director já aprovado na assembleia municipal, no qual nos propomos a erguer uma nova cidade para o futuro. Agora estamos a buscar mecanismos de viabilizaçao do processo. Como município, nao podemos implementar sozinhos este projecto, precisamos de Parcerias Público- Privadas (PPP). Alguns investidores já mostraram alguma abertura para que possamos avançar com a implementaçao desse projecto. O nosso desejo é fechar os contratos ainda neste mandato mesmo que nao consigamos avançar na execuçao. Vamos parcelar a área, construir as vias de acesso, as valas de drenagem, colocar a tubagem de água, postos de energia, isto para que o munícipe chegue lá e encontre uma área infra-estruturada, com espaços para comércio, habitaçao e reservas para jardins.

Resultado de imagem para Mahamudo AmuraneEm muitos municípios dirigidos pela oposição há queixas da obstrução da governação municipal por parte do Governo Central ou de outras entidades públicas conotadas com a Frelimo. Como é a situação de Nampula? Em 2014, tivemos problemas sérios. Até o Fundo de Compensaçao Autárquica (FCA) atrasou três meses e só recebemos o Fundo de Investimento Local (FIL) no final de Novembro. Em 2015, o cenário mudou com a nomeaçao do novo governador, Victor Borges. Acho que este é um dos melhores que o país já teve. É um indivíduo que está ali com o seu partido, mas olha para questões do Estado. Quando é para resolver questoes de interesse do Estado, ele está sempre disponível ao seu nível, porque nem tudo depende dele para que as coisas possam fluir com normalidade. Tivemos o FCA sem problemas maiores, mas o mesmo nao se verificou com o FIL devido a problemas de tesouraria e foi liberto a medida que havia condiçoes, o que nao aconteceu em 2014, porque eram mais problemas políticos do que financeiros. É preciso elogiar o Governo Central, na pessoa do ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleane, que é uma pessoa excelente, está sempre apta para nos atender. Devido ao problema de tesouraria, nao recebemos o fundo de estradas e, só em 2016, foram criadas condições para recebermos fundos de 2014, mas até ao momento ainda nao temos nenhum tostao.

Que relatos tem dos municípios geridos pelo partido no poder?
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Com o Fundo de Estradas, o problema é generalizado a todos os municípios. Por isso, nas reuniões da nossa associaçao, sempre dissemos que nao faz sentido que, num país tao extenso, com milhares de estradas, seja um homem a tomar decisoes, isso é um absurdo. Esse fundo deve ser descentralizado.

Resultado de imagem para nampula novaComo vão as relações entre o governo da cidade de Nampula e o município de Nampula? Já foram muito tensas em 2014, a situaçao mudou em 2015, temos um novo governador(na foto), que é uma pessoa que nomeia os administradores do distrito de Nampula. Se ele tem o espírito de abertura, não seria compreensível que fôssemos hostilizados pelo administrador. A ideia é colaborar para que juntos possamos trazer melhores soluções para o ambiente urbano. É por isso que digo que alguns confundem, que o facto de alguém estar alinhado e trazer soluçoes para os problemas do povo pensa-se que está a beneficiar a oposiçao. Quem está na cidade deve comprometer-se com os problemas da cidade.

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Quais os principais desafios da sua governação? Do lado político, há muita gente que confunde as coisas, dei oportunidade a membros da Frelimo, julgando que tinham competência para realizar certas tarefas, mas, ao invés de executar com responsabilidade as tarefas, sabotaram-me e,naturalmente, demiti essas pessoas. Notei que nao tem qualidade para executar as tarefas com imparcialidade. Nao podemos confundir o cidadao e partido. Esse é o maior desafio que temos. Outro desafio é educar o povo, queprecisa de ter a consciencia de que viver na cidade tem custos que devem ser partilhados. Nós temos de contribuir o pouco que temos para o desenvolvimento do município. Eles difamaram-me

Resultado de imagem para Mahamudo AmuraneMahamudo Amurane tem-se apresentado publicamente como um dirigente alérgico à corrupção.Porém, a chefia da bancada do MDM, seu partido, apareceu publicamente a falar das obras em curso na área onde foi erguido o viaduto, alegando que a autorização das obras é sinal de corrupção no seio da direcção do município de Nampula. Qual é o seu comentário? Nao gostaria de comentar esse assunto, porque qualquer pessoa que nao tenha ido a escola está a observar estes cenários e facilmente conclui que há um projecto de denegrir a minha imagem e desacreditar-se. Há obras, sim, debaixo do viaduto, e vao prosseguir. Agora dizer que há obras porque houve corrupçao e nao apresentam provas, pelo amor de Deus. Todos me acusam de corrupçao, mas nao apresentam provas. São matérias difamatórias. É preciso perceber que nao fui eu que corri para a televisao denunciar os problemas no MDM, pelo contrário, fui explicar. Eles foram a televisão difamar a minha imagem.

Resultado de imagem para amurane nampulaPartidos organizados têm a cultura de tratar questões internas em meios fechados. Porém, a zanga entre o MDM e o edil de Nampula é exposta a todos. Não havia um mecanismo interno de resolução deste diferendo? Eu expliquei que este assunto é antigo.Tudo começou na reuniao do partido que teve lugar em Marracuene cujas desinteligencias já expliquei a comunicaçao social. Tudo pairava em torno da nomeaçao dos governadores. Nao fui percebido e logo disse claramente que não contem comigo, porque o projecto é uma falsa alternativa. Nao é alternativa, é alternância. Voces querem tirar a Frelimo para continuarem doutra forma.

Imagem relacionadaQuer dizer que o Edil está a ser vítima de vingança por ter confrontado em público o presidente do partido? Exactamente. Ele quis usar métodos baixos, que chama de “politicamente correctos”. Depois do encontro, voltamos para Nampula, eu todo satisfeito com a ingenuidade de que apresentei um projecto fantástico que vai servir de base legal e de discussao e acreditava que muitos moçambicanos iriam adoptar o projecto, mas foi em vao, porque as campanhas difamatórias contra a minha imagem foram lançadas. Infelizmente, no MDM o chefe não pode ser criticado.

Quer dizer que há culto à personalidade do chefe…..
É evidente. Os outros dizem que eu afrontei o presidente. Ele agora vai fazer 15 anos de mandato, mas é ele que vem a frente dizer que os outros estao há 40 anos e devem sair. Qual é a diferença com os outros? Vai candidatar-se a edil e quer ser presidente do partido e da República, depois vai dizer que quer separaçao dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Eu tenho as minhas dúvidas, porque se ele pretende controlar os governadores como terao independencia na sua actuaçao. 
Imagem relacionadaNaturalmente que vai ser falácia, vai nomear os governadores, o executivo, legislativo e judiciário, será uma fantochada, o poder será dele. Nao há diferença com o actual modelo. Para as eleiçoes gerais de 2014, tivemos candidatos a deputados a serem nomeados a dedo por ele, contestou-se que o irmao (Lutero Simango) nao podia ser o chefe da bancada do MDM na Assembleia da República, mas Simango insistiu que seria ele. O primeiro a criticar o presidente foi Manuel de Araújo e foi isolado. Ele aceitou engolir sapos, mas os sapos quando enchem no estômago arrebentam. Eu nao sou Araújo.

A crise instalada entre o edil e MDM levou a direccão máxima do partido a atribuir-lhe nomes, tais como ingrato, maluco e infiltrado ao serviço do SISE. Que comentário faz sobre estas acusações? Isso revela um desprezo total, mostra a outra face deles, mas que escondem a populaçao, eles nao tem condiçoes para serem servidores públicos. Todas essas pessoas já me quiseram arrastar para práticas contrárias aos princípios de administração pública na vertente da gestao da coisa pública, mas rejeitei. Por exemplo, o chefe da Liga Nacional da Juventude do MDM, o deputado Sande Carmona, chamou-me bandido. 
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Como é que um homem que aspira ser ministro usa esse tipo de termos? A raiva de Sande Carmona contra mim resulta do facto de este ter vindo ao meu gabinete com um amigo a propor uma parceria, com o município, para a criaçao de um estúdio de gravaçao de música. Identificou o local e nós, como município, aceitámos e prontificamo-nos a parcelar e legalizar novos terrenos para as pessoas que seriam afectadas pelo projecto. Contudo, encarregamo-los, através de um memorando de entendimento, as despesas de reassentamento assim como o pagamento de taxas autárquicas. Assinamos o memorando há mais de um ano e nunca mais os vi. Até hoje, nao há sinais de tal estúdio. Na verdade, o que Sande Carmona queria era que o município movimentasse pessoas, construísse casas e reassentá-los e ele ficar com o espaço a custo zero com o amigo. Nao aceitámos isso. Só que eles estao enganados, porque nós vamos andar atrás deles para nos indicar o estúdio ou, caso contrário, veremos quem é bandido. O Carmona vai ter de explicar ao povo de Nampula quem é bandido. 

E quanto a Geraldo de Carvalho (na foto),que lhe chamou maluco...
Foi infeliz, na medida em que disse que Nampula está num bom caminho, a cidade está a mudar, está óptima, mas o problema está na cabeça. Como isso é possível? Como é que podes dizer que o comboio está muito bem, a máquina está a transportar a carga devidamente, mas a locomotiva tem problemas, Isso é possível? 
Resultado de imagem para Geraldo de Carvalho maputoAí quem na realidade nao está bem é a pessoa que faz esse tipo de pronunciamentos. Esses termos de violencia, de mentiras, intrigas, calúnias e difamação sao o modus operandi deles, porque isso é também incentivado pelo presidente do partido. Digo isso porque, na última reunião do MDM em que participei, o presidente do partido trouxe uma fita que mostrava membros do MDM violentando membros de outros partidos na campanha eleitoral de 2014, na província de Gaza. Disse que é assim que os membros do partido devem agir para nao serem abusados e o presidente orgulha-se disso. Isso é um mau sinal. Como é que essas pessoas vao se comportar quando chegarem ao poder?

...Então para além de ser ditador, Daviz Simango(na foto esquerda) é violento?
De certeza que para além de ser ditador é violento. Daviz Simango  apresenta-se como um homem de paz, mas na realidade ele nao é isso. As pessoas podem dizer que eu tenho problemas com o partido, isso nao é verdade, apenas sou contra certas práticas dentro do partido. Em nenhum momento vou aceitar que as contribuiçoes dos munícipes de Nampula sirvam para alimentar apetites individuais.No dia em que os dirigentes do MDM voltarem a alinhar com os princípios que nortearam a nossa candidatura em 2014, voltarei a estar ao lado deles. Aparecem empresários no meu gabinete a dizer que querem apoiar o partido. Eu sempre lhes digo que essa ajuda deve ser fora do município e com pessoas ligadas ao partido porque nao sou nenhum chefe. 
Resultado de imagem para Mahamudo Amurane Daviz SimangoUma vez apareceu, na minha casa protocolar, um empresário interessado em oferecer 200 mil meticais ao partido. Disse logo que isso deve ser na sede do partido e nao na casa do Conselho Municipal. Chamei Fernando Bismarque para receber o valor. Agora nao sei se ele canalizou ao partido, mas recebeu o valor fora das instalaçoes do município. Para além de Carmona e Carvalho temos outro papagaio nesta ofensiva de me desacreditar perante a sociedade, que é o Fernando Bismarque. 
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Este senhor, que até foi vosso colega, veio ao meu gabinete apresentar um amigo que passaria a fazer parte dos concursos da edilidade. Respondi-lhe que nao havia problema, mas todas as obras do Conselho Municipal de Nampula sao na base de concurso público. Tentou convencer-me e até identificou uma obra abandonada que o município estava em vias de adjudicar de forma directa. Pedi para ir fazer a orçamentaçao e trazer a proposta financeira. Foram fazer seus cálculos e apresentaram uma proposta de 16 milhoes de meticais. Fomos ao mercado e procurámos outras propostas e acabamos efectuando a obra com qualidade desejada por cinco milhões de meticais com outros empreiteiros. Isto é, uma obra de 16 milhoes, que a empresa do amigo de Bismarque queria foi feita por cinco milhoes. A minha questao é: para onde ia o resto do dinheiro? Imagina uma pessoa gananciosa e ambiciosa como Fernando Bismarque como ministro? Todos os moçambicanos estao mal.
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O presidente diz que não vai aceitar engolir sapos. Os preparativos para o congresso do MDM estão a passos galopantes, pondera participar ou já está consumada a sua retirada do partido?
Eu nao sou presidente do partido. Espero que o presidente do partido tome a decisao que lhe convier, eu nao estou preocupado, a minha concentraçao neste momento é com os munícipes de Nampula.
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Aventa a possibilidade de renunciar ao seu lugar na Comissão Nacional MDM? Isso nao depende de mim, mas do presidente do partido. A verdade é que nao vou vergar nos meus princípios. Nao estou intimidado.
Resultado de imagem para Mahamudo Amurane Daviz Simango 
Tudo indica que o divórcio entre o MDM e Mahamudo Amurane está quase consumado. Quando é que vai oficializar a sua desvinculação do partido? Que seja o presidente do partido a oficializar a minha desvinculaçao. Aliás, tudo indica que a minha desvinculação está consumada, porque, quando o presidente Daviz manda seus papagaios para violentar-me ou difamar-me está a querer tirar-me do partido, mas cabe a ele efectivar essa desvinculaçao, porque ele é que tem todos os instrumentos para fazer tudo o que bem entender do partido.
Os munícipes de Nampula podem contar com a candidatura do edil nas próximas eleições? Independentemente do apoio do MDM, vou levar o meu mandato até ao fim e a populaçao da cidade de Nampula deve contar comigo nas próximas eleiçoes autárquicas como candidato. Com ou sem MDM, serei candidato as autárquicas de 2018.

Resultado de imagem para Mahamudo AmuraneSem o MDM quem vai sustentar a sua candidatura?
Nao estou preocupado com isso, porque a populaçao de Nampula está feliz com o meu trabalho. Não é só Nampula, mas todo o país. Moçambique tem, neste momento, o melhor gestor da coisa pública, que é Mahamudo Amurane. O trabalho que estou a fazer, de proporcionar melhoria das condições de vida dos munícipes de Nampula, vai ditar o meu apoio. Ninguém vence o povo e este está comigo, porque sou bom gestor, simpático, jovem.

Vai ou não participar no congresso do MDM em Dezembro próximo?
Que congresso?

Do MDM...
Tenho muita coisa na minha cabeça que ocupa toda a minha agenda. Sabes que nem tenho tempo para pensar nesse congresso? Neste momento estou mais concentrado em como fazer as coisas. Aliás, acho que Moçambique devia ser isso. Assuntos da naçao em primeiro lugar.
Se não tiver apoio de nenhum partido político na sua corrida pelo pleito eleitoral de 2018, aventa a possibilidade de criar o seu próprio partido? Isso dependerá daquilo que o povo almeja. Se no futuro sentir que o povo quer contar com o meu próprio partido nao vou hesitar. A dinâmica da vida é assim, ontem nao estava no município, veio um grupo, acreditei no projecto e juntei-me. Infelizmente, as minhas expectativas foram totalmente goradas e hoje estou totalmente decepcionado.
Num passado recente, o edil de Quelimane, Manuel de Araújo (foto), disse que a crise do MDM é normal numa organização em crescimento. Qual é o seu comentário?
Resultado de imagem para Mahamudo Amurane Daviz Simango
Nao quero acreditar nisso. Tivemos problemas com o senhor Ismael Mussá, que até explanou publicamente e acabou por deixar o partido. O próprio Manuel de Araújo foi vítima de humilhação e isolamento por várias vezes por expor suas opinioes ou criticar a direcçao do partido. Agora, o meu colega Manuel de Araújo só podia dizer aquilo devido ao seu passado. Esteve na Renamo e depois passou para o MDM. Acho que nao se sente confortável em deixar o partido, porque politicamente nao tem muito espaço de manobra. Com Amurane é totalmente diferente. Eu sou voltarei a dizer Simango hoyeee... se as pessoas que lincham o meu bom nome se retratarem publicamente.
Disse recentemente que o país corre o risco de sair de uma oligarquia para uma dinastia, a que se refere objectivamente? Nao tem nada a ver com objectividade, já expliquei tudo sobre esse assunto.