quarta-feira, junho 16, 2010

Aprofundar a democracia interna

NA vida das organizacoes politicas, chegadas ao presente, assentes numa historia de profunda integração social, estas convergem na militância unânime, cuja dinâmica aparenta ser capaz de responder aos desafios actuais. A linhagem e sua consolidada consistencia vai esbarrando no presente agora e futuro já amanha. Discute-se nos fóruns de debate de que os militantes conheçam as questões, conheçam as diferentes opiniões sobre elas e as discutam livremente e em profundidade. No presente, colocam-se aos Partidos, seja qual a sua génese, desafios impostos pelas novas tecnologias de comunicação, imagem mais atractiva aos largos sectores do povo, designadamente a faixa etária activa. Estas são alterações que se impõem para aprofundar a democracia interna. Passando uma borracha sobre elas não só mostra que não há interesse em aprofundar o debate , como se insiste em fechar-se à sociedade. A necessária unidade de acção não pode justificar a limitação do acesso à informação e impedir o debate. Os debates têm de ser abertos, para que as diferentes ideias e opiniões sejam conhecidas e permitam a cada um formar a sua opinião e fazer a sua autocrítica. A autocrítica refere-se à capacidade interna do indivíduo de realizar uma crítica de si mesmo. Ela implica na análise dos seus actos, da sua maneira de agir, dos erros cometidos e das possibilidades de realizar uma autocorreção. Desta forma o sujeito aprimora-se, identifica os seus pontos fortes e fracos. Em doutrinas político filosóficas, como o marxismo-leninismo – junção das teorias de Karl Marx e de Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido como Lênin -, a autocrítica é vista como um método científico e também enquanto exercício político constante. Esta forma de abordar a realidade engloba uma constante busca da verdade e do aperfeiçoamento de uma realidade, que assim passa por um exame permanente do real – a crítica – e pela procura de uma perfeição também interior – por intermédio da autocrítica. O contrario tem produzido exemplos em históricas organizacoes politicas, particular da Europa, deparando-se com estas situacoes complexas , vivendo uma verdadeira crise de identidade, de valores e de funcionamento . Se assim acontecer, serão mais os que desistirão de participar e que se acomodarão. Será o definhamento. Qualquer tipo de organizacao tem que enfrentar, sem preconceitos, a necessidade de se adaptar ao momento e contexto em que pretende inserir. Mudar, não para a descaracterizar, mas para modernizar os seus princípios. Para isso nada melhor em contar com os sectores mais dinâmicos e com os actores mais qualificados.

Augusto Paulino

O Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, disse que os moçambicanos devem se perguntar onde o país estaria hoje caso não houvesse corrupção.“Temos que nos perguntar que seríamos se nós não tivéssemos corrupção, se não fossem os desvios de fundo”, disse Paulino, falando Terça-feira a um grupo de lideres e pessoas influentes do distrito de Ka Nhlamankulu, arredores da cidade de Maputo, onde tem vindo a trabalhar desde Segunda-feira passada.“Se calhar estaríamos muito longe. Estaríamos a pagar subsídios de desemprego aos que não podem trabalhar. Estamos a gastar milhões e milhões de Meticais anuais por causa de corrupção e desvio de fundos”, disse. Segundo a Agência de Informação de Moçambique (AIM) Paulino apontou como exemplo o que acontecia na Cadeia Central de Maputo, antes de ser dirigida por Jorge Microsse, assassinado há cinco anos. Segundo o PGR, nessa altura, os reclusos só tinham uma refeição constituída por chima e molho com cheiro de carapau. “Quando chegou o director Microsse, os reclusos passaram a ter três refeições e aos finais de semana comiam carne e até tinham sobremesa”, disse Paulino, acrescentando que “o orçamento não havia subido, era o mesmo dos anos anteriores, só que havia cortado todos os canais de desvio de dinheiro pelos ‘cabritos’. Por outro lado, o Procurador admitiu a existência de pessoas nos mercados que possuem os seus próprios carimbos, através dos quais emitem recibos falsos para cobrança de taxas que nem sequer chegam aos cofres do Estado.“Esses poucos dinheiros quando se juntam constituem um grande bolo que contribuiria para o desenvolvimento do país”, referiu.A prevenção e combate a corrupção tem sido a tónica dos discursos do Procurador Geral da Republica durante a sua visita de cinco dias a cidade de Maputo, capital moçambicana.

Barclays Bank deixa MBS

Um comunicado divulgado hoje pelo Barclays refere que “a partir do dia 23 de Junho, a agência Barclays do Maputo Shopping Centre estará permanentemente encerrada”. Segundo o comunicado, todas as contas domiciliadas naquele balcão serão transferidas para a agência do Barclays Bank localizada na Avenida Joaquim Lapa, na baixa da cidade de Maputo, e que dista a menos de 500 metros do centro comercial em causa. O banco também sossega os seus clientes afirmando que todos os números de contas permanecerão inalterados, e que os mesmos poderão continuar a fazer as suas transacções habituais tais como requisição de livros de cheques, cartões de débito ou de crédito, pedidos de empréstimos entre outros. A decisão de encerrar esta dependência segue-se a designação pelo Presidente norte-americano do proprietário do Maputo Shopping Center, Mohamed Bachir Suleman, como “barão de droga”. Como resultado, todos os cidadãos, empresas e instituições americanas estão proibidas de manter relações comerciais com as empresas de Bachir. Apesar de as sanções não afectarem directamente as lojas, restaurantes ou bancos que alugam espaços naquele centro comercial, o Barclays parece estar a tomar medidas para se distanciar de Bachir e proteger a reputação do banco. Agora, resta aguardar para ver qual será a reacção dos restantes arrendatários das lojas no Maputo Shopping Centre, em particular o balcão dos bancos BCI e BIM.

Trama

Sim, mais uma trama.O Comité Internacional de Hóquei em Patins (CIRH) entender cancelar a organização da 40ª edição do Campeonato Mundial de hóquei em patins do grupo A de 2011, em Maputo. Num comunicado enviado à Federação Moçambicana de Patinagem (FMP), o Comité Internacional de Hóquei em Patins, através do seu presidente, Harro Strucksberg, refere que o cancelamento da realização desta prova no nosso país deve-se “à falta de cumprimento do contrato entre a Federação Moçambicana de Patinagem, o Governo moçambicano e a Wallstreet, rubricado em Julho de 2009, em Vigo, na Espanha”. O CIRH diz ainda que “não há garantia oficial do Governo moçambicano no anúncio da reabilitação do pavilhão para acolher a prova, bem como um anúncio oficial do presidente do Comité Organizador do Campeonato Mundial em relação aos prazos e ninguém respondeu até agora”. Contactado pela imprensa nacional Cândido Coelho, presidente da Federação Moçambicana de Patinagem diz ter ficado surpreendido com esta decisão. Como se pode deduzir do programa de competição do Comité Internacional de Hóquei em Patins o CIRH há muito que vem sendo pressionado pela Argentina no sentido de retirar a Moçambique a organização desta prova. No mês de Maio o vice-ministro da Juventude e Desportos, Carlos de Sousa, conferiu posse aos membros da Comissão Organizadora do Mundial de 2011 cujo Presidente é Hermenegildo Gamito, um dos impulsionadores da modalidade e responsável pela estreia de Moçambique em campeonatos do mundo (Argentina 1978).

Harro Strucksberg, Presidente do CIRH passado visitou Maputo no ano passado e disse ter ficado impressionado com o que viu.

Homenagem aos nacionalistas

Mais de 50 mil pessoas, entre governantes, dirigentes políticos e população, participam nas celebrações do quinquagésimo aniversário do Massacre de Mueda, em Cabo Delgado. Uma homenagem do Estado aos cerca de 600 nacionalistas moçambicanos que a 16 de Junho de 1960 foram barbaramente assassinados pelas autoridades coloniais portuguesas quando, pacificamente, tentavam exigir a independência nacional .O acto consistirá na realização de uma cerimónia tradicional, deposição de uma coroa de flores, descerramento da lápide do monumento erguido em homenagem às vítimas, inauguração do centro de interpretação do local histórico, apresentação do drama retratando o momento do acontecimento e realização de um comício popular dirigido pelo Chefe de Estado Armando Guebuza no qual serão apresentadas várias intervenções, incluindo de alguns dirigentes políticos da oposição e actividades culturais.Sobre a presença de convidados estrangeiros em Mueda, destaca-se o partido tanzaniano Chama Cha Mapinduzi, com fortes e tradicionais laços de amizade com a Frelimo. Nesta data mas em 1980 o falecido presidente Samora Machel anunciava, em Maputo, a criação da moeda nacional, metical, em substituição do escudo português. O Massacre de Mueda foi um dos últimos episódios da resistência dos moçambicanos à opressão colonial antes do desancadear da Luta Armada de Libertação Nacional. Quantos pessoas foram mortas em Mueda pelas tropas fascistas portuguesas? (leia aqui)

sábado, junho 12, 2010

As regras do jogo

O gigantesco escândalo que abalou a sociedade moçambicana, a semana passada, tem que ser olhado com toda a atenção. Estou a falar, é claro, da declaração do Presidente americano, Barack Obama, de que o cidadão moçambicano Momade Bachir Suleimane é um traficante de droga de enorme dimensão internacional. Para dizer a verdade, não foi nada que tenha surpreendido ninguém. Ou, pelo menos, não surpreendeu ninguém que não quisesse mostrar-se surpreendido, Há imenso tempo que a enorme riqueza de Momade Bachir se mostrava incom patível com as suas visíveis fontes de rendimento. Piadas a circular no país diziam que as capulanas da Zeinab Têxteis deveriam ser muito bem lavadas porque largavam demasiado PÓ.
Mas isto é o disse-que-disse, a fofoca. Uma acusação formal é outra coisa.
E o que o Presidente americano fez foi uma acusação formal. Ora, neste contexto, não chega fazer uma acusação. É necessário provar essa acusação.E, se não tenho grandes dúvidas de que Barack Obama tinha, na sua posse, essas provas, antes de fazer a acusação, o facto é que eu, simples cidadão moçambicano, não tenho. Em resposta a uma carta de Momade Bachir, a Embaixada dos Estados Unidos respondeu que, se ele quiser provar a sua inocência, deve dirigir-se ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Ora, a minha curta passagem pelas faculdades de Direito de Coimbra e Lisboa, diz-me que o ónus da prova cabe a quem acusa e não a quem se defende. Dito por outras palavras, é o Governo americano que tem que provar as acusações que faz contra Bashir e não Bashir que tem que se defender dessas acusações. Neste momento, a Procuradoria Geral da República já abriu um inquérito, com base nas acusações publicadas na imprensa. Inquérito que não irá dar em nada se não houver actos provados para lhe dar base.
O que vai acontecer é que a PGR vai declarar Bashir inocente com base na falta de provas em contrário. Por outro lado, o Governo moçambicano já veio a público dizer que irá proteger o seu cidadão Momade Bachir se não houver provas concretas contra ele. Estamos, portanto, perante um escândalo social sem bases de sustentação a nível jurídico. E é para isso que eu estou a alertar o Executivo americano. O que foi publicado não chega. O que foi publicado pode, pelo contrário, fortalecer as posições daquele que se pretende acusar.
De acordo com as normas do Direito, Momade Bachir é tão inocente como o mais puro cordeiro. Ele e todos aqueles que têm vindo a beneficiar dos seus favores. Se se pretende alterar isto há que dar à luz do Sol provas consistentes, datas, factos, atitudes. Sem isso, fica a palavra de uma pessoa (Barack Obama) contra outra, que nega (Momade Bachir) e isso dá um empate. Podemos acreditar mais num do que no outro, mas em termos jurídicos as duas opiniões valem a mesma coisa.Creio, portanto, que uma enorme contri buição dos Estados Unidos para uma melhor governação em Moçambique seria a divulgação das provas em que se sustenta a presente acusação. Não entregues ao Governo de Moçambique, mas sim aos órgãos de infor mação de massas. Isso iria permitir que todos nós ficássemos a saber com que linhas o nosso Estado se coze. E isso está longe de ser claro, neste momento.Num momento em que o nosso país começa já a sofrer as consequências do escândalo, com a sua credibilidade internacional a ser muito diminuída, há que concretizar as coisas, custe a quem custar.Esperamos, portanto, para ver o que os dirigentes americanos descobriram sobre as actividades do nosso concidadão.E esperamos com bastante expectativa. (
fonte: colunista Machado da Graça / Jornal SAVANA)

sexta-feira, junho 11, 2010

"7 milhões"

O Fundo de Desenvolvimento do Distrito (FDD), vulgo “7 milhões”, continua a ser debatido quanto aos seus resultados práticos, como a criação de riqueza por aqueles que nunca tiveram acesso a ajudas quer do tipo financeiro, humano e técnico. A presidência aberta que o Chefe de Estado Armando Guebuza vem regularmente fazendo levanta uma questão comum: a sustentabilidade deste projecto de tirar o campo da pobreza extrema, ou seja, diminuir as diferenças entre os ricos e os pobres. O Jornal Noticias publicou uma reportagem com o título “A incógnita chamada reembolsos!” a qual coloca em cima da mesa aspectos de contínua reflexão, onde o sonho de melhorar a qualidade de vida do cidadão é dificultado pela postura de quem tem de decidir ao seu nível. Alguns extractos da redacção do jornalista Victor Machirica:

" Um informe apresentado ao Presidente da República, pela governadora de Manica, Ana Comoane, indica que durante o quinquénio 2006/2010, a província recebeu um cumulativo de 279.51 milhões de meticais, mas a taxa de reembolso situou-se em 20.162,65 milhões, o que representa 10.71 porcento. Porém, apesar dos constrangimentos verificados no reembolso, nem tudo foi farinha do mesmo saco. O governo de Manica destaca ao PR, alguns exemplos do que chamou de “boas práticas de gestão do OIL”, citando oito mutuários que devolveram os valores em tempo recorde e investiram correctamente nos projectos desenhados. Para eles, o Chefe do Estado deveria ir às províncias todos os dias, pois quando os problemas são colocados a si, têm solução imediata, o que não acontece muitas vezes quando os mesmos são apresentados ou encaminhados através das instituições responsáveis ao nível da província.Com a presidência aberta, o Presidente aproxima o seu gabinete à população que muitas vezes não encontra ao nível da província e distritos, pessoas com a necessária flexibilidade e cortesia para compreender e agilizar os processos” – disse Luís, para quem “se as pessoas acabam apresentando os problemas ao PR, é porque localmente não encontram respostas”. Sugiro que continue a ler aqui.

quinta-feira, junho 10, 2010

Preço da competência

Presidente da nova TV pública brasileira, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), a jornalista Tereza Cruvinel deverá ter um salário maior que o do Presidento Luís Inácio Lula da Silva. Cruvinel deve receber 10 mil dólares americanos (340 mil meticais) enquanto o presidente recebe um pouco mais de 5 mil dólares. As informações são da Folha de S.Paulo. A diferença nos salários explica-se porque apesar de ser estatal não será regida pelas regras salariais do Executivo. O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, anunciou os nomes dos 15 conselheiros da TV pública que integram a parte da sociedade civil do Conselho Curador da emissora. O grupo terá 20 pessoas. Quatro serão ministros (da Comunicação Social, da Educação, da Cultura e da Ciência e Tecnologia) e um representante dos trabalhadores que ainda não foi escolhido. Entre os seleccionados do presidente Luís Inácio Lula da Silva estão o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo (Democratas-SP), o cantor de rap MV Bill e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que foi director de programação da Rede Globo. No círculo dos países que têm o português como língua oficial, os salários da empresa pública RTP variam entre 22 mil euros para os jornalistas que dão a “cara” nos principais jornais e 3 mil euros (120 mil meticais) para os correspondentes no estrangeiro. O Presidente da República Portuguesa recebe mensalmente o salário líquido de 10.000 euros e o primeiro-ministro José Sócrates recebe 7.786 euros. Se é uma daquelas pessoas que morre de curiosidade em saber o salário dos outros... o site TV Guide divulgou uma lista com os dez maiores salários pagos pelas emissoras de TV nos Estados Unidos. O valor mostrado na lista, é por episódio, ou seja, basta multiplicar este valor pelo número de episódios da série gravada, que encontrará o valor total:

1. Charlie Sheen (Two and Half Men) – US$ 875 mil

2. Kiefer Sutherland (24 Horas) – US$ 550 mil

3. Hugh Laurie (House) – US$ 400 mil

4. Mariska Hargitay (Law and Order: SVU) – US$ 400 mil

5. Christopher Meloni (Law and Order: SVU) – US$ 400 mil

6. Marg Helgenberger (CSI) – US$ 390 mil

7. David Caruso (CSI:Miami) – US$ 375 mil

8. Laurence Fishburne (CSI) – US$ 375 mil

9. Mark Harmon (NCIS) – US$ 325 mil

10. Ellen Pompeo (Grey’s Anatomy) – US$ 275 mil


MBS/EUA

Alguns membros da Comunidade Maometana de Maputo exigem a demissão do empresário moçambicano Momade Bachir Suleiman (MBS) , que preside à organização. O Departamento de Tesouro Norte-Americano, através do seu Director do Escritório para o Controlo dos Fundos Estrangeiros (OFAC), Adam Szubin em vídeo-conferência de imprensa entre Washington DC e Maputo, desafiou o acusado a defender-se na Justiça Americana, para que então apresentem as provas contra si. Szubin deixou transparecer que o processo terá outras etapas . Bachir a uma semana atraz convocara a imprensa para declarar a sua inocência face a medida da Administração Obama de o classificar como “Barão da Droga” internacional, e exigiu dos EUA provas. Nos últimos anos dezenas de indivíduos foram removidos das listas americanas de narcotraficantes, e questionado de também acontecer com o empresário Bachir, Szubin respondeu que a maior parte dos indivíduos acusados e depois retirados da lista faziam parte do grupo daqueles que se desfizeram das relações com organizações narcotraficantes, e provarem não mais pertencerem a estas. Por se tratar de um cidadão moçambicano, o que encerra implicações para o país além de danos directos nos negócios, na família e na comunidade de que faz parte, os órgãos de justiça mandataram um comissão para investigar o caso, havendo abertura da parte americana em colaborar. Mas as primeiras implicações deste caso “bicudo” surgem da World Check (leia aqui), uma agência internacional de consultoria em avaliação de risco que vem declarar que subiu o risco de investir em Moçambique. Outros desenvolvimentos aqui.

quarta-feira, junho 09, 2010

Cobras exportadas

Duas empresas, de capitais moçambicano e chinês, obtiveram licenças do governo da província de Manica, centro de Moçambique, para a captura de serpentes que estão a “matar” pessoas em Guro. As empresas AKS Investiments e a Chikwirimite foram autorizadas pelo governo a capturar cobras mamba, espécie de serpentes altamente venenosas e gigantes, para posterior exportação. Estas serpentes estão, desde o início do ano passado, a atacar residentes da sede do distrito de Guro e Nhamassonje. “Duas empresas já foram licenciadas para capturar as serpentes em Guro. As empresas têm o aval para capturar serpentes em toda a província, mas com incidência em Guro pelo mal que estas (serpentes) estão a causar à população”, disse Domingos Zemenino, adjunto chefe dos serviços provinciais de florestas e fauna bravia, citado pela Rádio Moçambique (RM), a emissora publica nacional. As empresas já se encontram a operar na província e deverão pagar ao governo um valor de dois mil meticais (67.6 dólares norte-americanos) por cada serpente capturada, para lhes ser passado o certificado de exportação. Até ao momento, apenas a África do Sul está identificada como potencial mercado para a exportação. “Não existe um plano específico de quantos animais devem ser capturados. Agora está declarada apenas a África do Sul como potencial mercado. Tratando-se de empresas privadas, elas é que sabem onde colocar o produto”, disse a fonte, acrescentando que “até agora nenhuma empresa apresentou animais capturados aos serviços”. O governo do distrito de Guro, norte de Manica, decidiu colocar no final de 2009 cerca de 20 “gatos caçadores” para reduzir os ataques de serpentes naquela região. Segundo a administradora daquele distrito, Deolinda Vissai, “desde que decidimos colocar os 20 gatos caçadores na região, que com o tempo se multiplicaram nas matas, reduziu grandemente o número de ataques e as empresas foram licenciadas para reduzir esta população animal e tranquilizar a convivência na região”. Em 2009, pelo menos nove pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas com gravidade por ataques de serpentes. Até Abril deste ano, haviam sido registados um óbito e quatro feridos na sequência da ofensiva das serpentes.

Governadora adia visita

A governadora da província de Maputo, Maria Jonas, adiou hoje a visita que deveria efectuar, até Quinta-feira, a Cidade da Matola, alegadamente porque o edil do município, Arão Nhancale, está de malas aviadas para o Reino da Espanha. O facto foi confirmado a Agência de Informação de Moçambique (AIM) por fontes do Governo provincial, explicando que a governadora não foi avisada formalmente e com a devida antecedência sobre a viagem de Nhancale.Aparentemente, a governadora apenas foi informada na manhã de hoje, durante um encontro de cortesia mantido com o edil e o Administrador da cidade da Matola, que deveria marcar o início da visita de Jonas a este ponto do país.Contactado telefonicamente pela AIM, o administrador da cidade da Matola, Avelino Muchine, explicou que “questões organizacionais” ditaram o fracasso da visita de Jonas a cidade da Matola, sem adiantar mais pormenores.Contudo, Muchine assegurou que a mesma (visita) terá lugar entre os dias 21 e 22 do mês corrente, após o regresso de Nhancale ao país. Com uma população estimada em 675.4 mil habitantes e ocupando uma área de 373 quilómetros quadrados, a Cidade da Matola enfrenta vários problemas, com destaque para a componente de saneamento e mau estado das vias de acesso.Em Abril último, o Secretário-Geral da Frelimo, partido no poder em Moçambique, Filipe Paunde, reconheceu a existência de problemas na gestão do Município da Matola, apontando, como exemplo, a questão da recolha de lixo, que vem apoquentando os munícipes.Os conflitos de terras, falta de água e de transporte na Matola são outros problemas que afligem o Município. A AIM apurou ainda que varias centenas de residentes e convidados, incluído alunos da Escola Secundária de Fomento, concentraram-se a partir das primeiras horas da manha em frente da sede do Governo da cidade da Matola, para receber a governadora.Alias, informações na posse da AIM indicam que a agenda da visita de Maria Jonas incluía um comício popular no bairro de Muhalaze, passando pela Escola Secundária de Khongolote, inauguração da maternidade do Centro de Saúde da Machava II, apresentação do informe pelo presidente do Concelho Municipal da Matola, visita a algumas associações, entre outras actividades. A visita de Maria Jonas enquadra-se no âmbito da Governação Aberta e Inclusiva que esta governante tem vindo a efectuar aos distritos da Província de Maputo, com o objectivo de avaliar o grau de cumprimento do Programa Quinquenal do Governo.

terça-feira, junho 08, 2010

Falível

O Departamento de Tesouro norte-americano, tem no decorrer da sua responsabilidade de denunciar figuras envolvidas no narcotráfico internacional, também voltado atraz. Ou seja , acaba por concluír que os acusados não são responsáveis suficientes para constar da sua lista negra. Leia aqui.

...porrada no Dunga

Candidato a deputado federal do Rio de Janeiro pelo PSB, Romário Faria de Souza, 44 anos, quer provar que também é bom na politica. Pretende focar seu trabalho em projectos para jovens carentes e para crianças com necessidades especiais.Ele tem seis filhos de quatro relacionamentos, entre eles Ivy, 5 anos, portadora de síndrome de Down, do actual casamento. Apesar de ter acumulado uma fortuna no decorrer sua carreira, no ano passado Romário enfrentou problemas financeiros que lhe custou a luxuosa em que vivia, na Barra da Tijuca, leiloada por 8 milhões de reais pela Justiça para pagamento de dívidas. “Lula não é um ídolo, mas é um dos caras pelos quais eu tenho grande admiração e que me dá orgulho de ser brasileiro".Leia aquí.


Punição colectiva

"Inaceitável", "desproporcionado" e "chocante" foram os termos mais utilizados pelos responsáveis internacionais ao condenarem o ataque de Israel ao Mavi Marmara, um dos seis barcos da Flotilha da Liberdade. Estava a bordo do navio turco na madrugada de 31 de Maio a cineasta brasileira Iara Lee, quando foram atacados em águas internacionais por uma unidade militar israelense. Leia na íntegra, as suass anotações.Nosso navio era parte de um comboio de ajuda humanitária para a necessitadaa população civil de Gaza. Fora inspecionado por agentes alfandegários na Turquia, membro da Otan, que certificou que não havia armas a bordo. De fato, o governo israelense não encontrou armas no carregamento apreendido.Havia, sim, a bordo centenas de passageiros civis, oriundos de dezenas de países, cujos planos eram entregar os artigos humanitários a uma população que sofre um cerco ilegal, imposto por Israel em 2005 e intensificado a partir do início de 2009. Cerco este denominado, pela Anistia Internacional, de "flagrante violação da lei internacional". Os passageiros do nosso navio, incluindo representantes eleitos, diplomatas, profissionais da mídia e dos direitos humanos, juntaram-se à flotilha como um ato de protesto pacífico. A poderosa marinha israelense poderia facilmente ter abordado nosso navio à luz do dia e nos impedido de passar, sem empregar violência. Ao invés disso, os militares lançaram um assalto no meio da madrugada, fortemente armados. Alguns passageiros resistiram à invasão dos soldados, usando cabos de vassoura e outros itens improvisados que estivessem ao seu alcance. Os militares e soldados da Marinha atiraram, matando pelo menos nove civis, ferindo gravemente dezenas mais. Outros ainda estão desaparecidos. Ouvi tiros e temi pela vida dos meus companheiros de viagem. Mais tarde vi os corpos sendo carregados para dentro. Podia esperar que os soldados atirassem no ar, ou nas pernas das pessoas, mas em vez disso vi que tinham atirado para matar. Os legistas que examinaram o corpo de um dos mortos, o americano de origem turca Furkan Dogan, 19 anos, disseram que há quatro feridas de bala na testa e uma no peito. O governo israelense confiscou todo nosso equipamento de vídeo, notebooks, registos de filmagens e celulares. Detiveram todos os jornalistas por dias, impedindo que reportassem o que tinha ocorrido. No entanto, mesmo nesse momento inicial, o mundo expressou sua indignação perante um facto: não há motivo para lançar um ataque mortal no meio da noite contra um comboio humanitário. Agindo em defesa de Israel no Conselho de Segurança da ONU, os EUA tentaram impedir uma investigação internacional plena e imparcial do incidente.

A conclusão da imensa maioria das autoridades especialistas em direitos humanos é de que o governo israelense, porque não aceita a legitimidade do governo eleito do Hamas, realiza uma política denominada, pelo Human Rights Watch, de "punição colectiva da população civil", ilegal segundo a lei internacional. Enquanto isso, o ggoverno israelense nega que o bloqueio a Gaza esteja submetendo aquela população à fome, ao frio, à miséria, à desnutrição, a doenças, ao desgaste psicológico e finalmente, à morte precoce e à falta de perspectiva de vida. As vítimas incluem crianças cujas escolas foram destruídas pelos militares israelenses em 2009 e ainda estão em ruínas, bem como praticamente dois terços da população que, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), não têm acesso a alimento em quantidade adequada. O governo israelense declarou que teria permtido que nossa ajuda humanitária entrasse em Gaza se tivéssemos optado pelas "vias adequadas". No entanto, as "vias adequadas" do governo israelense -os mesmos "checkpoints" restritivos que têm reiteradamente negado a passagem de medicamentos da Organização Mundial da Saúde ou atrasado e rejeitado a entrega de alimentos pela ONU- são a própria origem da crise humanitária, uma tragédia que o governo israelense nem sequer admite existir. Os porta-vozes israelenses insistem que a flotilha do Free Gaza foi uma provocação. Pode-se dizer que sim, mas apenas no sentido em que todo protesto não violento contra atos ilegítimos de um governo pode ser, tecnicamente, uma provocação. Se, sob um cerco ilegal, a entrega de ajuda humanitária a civis constitui um ato proibido, nosso objetivo era violar essa injusta proibição. Pelo menos nove dos meus companheiros de bordo foram assassinados pelos militares israelenses, por tentar desafiar a proibição já morreram como resultado do próprio cerco. O que ocorreu com a de entregar ajuda humanitária. Muitos mais civis palestinosflotilha foi uma pequena amostra daquilo a que a população civil e inocente de Gaza está sendo submetida. Isso não irá parar até que a lei internacional seja aplicada a todos os países, Israel incluído. (Fonte: Folha de S.Paulo)

segunda-feira, junho 07, 2010

Salários dos treinadores do Mundial

Já em contagem decrescente para o Mundial FIFA 2010 na África do Sul e depois de divulgar-mos os valor económico das selecções presentes na prova, revelamos hoje os salários dos 32 seleccionadores das selecções que vão estar presentes na maior competição mundial de futebol.Em primeiro lugar bastante destacado está o seleccionador da Inglaterra Fabio Capello. O Italiano aufere quase 9 milhões de Euros por ano, o que em comparação com o último da lista, Shaibu Amadu, treinador na Nigéria com 250 mil Euros ano, espelha bem as diferenças entre duas realidades. Pim Verbeek é o mais bem pago do continente Asiático e Oceania, enquanto Carlos Parreira o mais bem pago de África, a par de Javier Aguirre o mais bem pago do continente Americano.

Os salários dos treinadores do Mundial 2010:
Treinador Valor Anual Treinador Valor Anual
1 Fabio Capello ING 8.800.000 € 17 Marcelo Bielsa CHI 575.000 €
2 Marcelo Lippi ITA 3.000.000 € 18 Raymond Domenech FRA 560.000 €
3 Joachim Low GER 2.500.000 € 19 Vahdi Halilhodzic CIV 505.000 €
4 Berter Van Marwijk NED 1.800.000 € 20 Hun Jung Moo KOR 405.000 €
5 Ottmar Hitzfeld SUI 1.750.000 € 21 Morten Olsen DEN 390.000 €
6 Vicente Del Bosque ESP 1.500.000 € 22 Milovan Rajevac GHA 365.000 €
7 Carlos Queiroz POR 1.350.000 € 23 Radomir Antic SRB 305.000 €
8 Pim Verbeek AUS 1.200.000 € 24 Bob Bradley USA 275.000 €
9 Carlos Parreira RSA 1.200.000 € 25 Majtaz Kek SLO 245.000 €
10 Javier Aguirre MEX 1.200.000 € 26 Gerardo Martino PAR 245.000 €
11 Carlos Dunga BRA 800.000 € 27 Rabah Saadane ALG 245.000 €
12 Diego Maradona ARG 800.000 € 28 Reinaldo Rueda HON 240.000 €
13 Takeshi Okada JPN 800.000 € 29 Vladimir Weiss SVK 215.000 €
14 Ricki Herbert NZL 800.000 € 30 Oscar Tabarez URU 205.000 €
15 Otto Rehhagel GRE 750.000 € 31 Kim Jong Hun PRK 170.000 €
16 Paul Le Guen CMR 650.000 € 32 Shaibu Amodu NGR 125.000 €

Estes valores dizem apenas respeito ao salário anual bruto de cada treinador. Não estão incluídas outras regalias, como prémios de jogo, prémios por objectivos, ou contratos de publicidade. Por exemplo o treinador da França Raymond Domenech, recebe um bónus de 30 mil Euros por vitória e de 15 mil Euros por empate, tendo recebido um prémio de 1,1 milhões de Euros pela qualificação da selecção Francesa para o Mundial. África do Sul-México, as 16 horas de Moçambique, é o primeiro dos 64 jogos do Mundial de Futebol a serem transmitidos pela estação televisiva SPORT TV, vista em território nacional via satélite (Multichoice).

As provas?

O Jornalsta Gustavo Mavie da Agência de Informação de Moçambique, no seu comentário referindo-se a noticia veiculada em primeira mão pelo dominical sul-africano “Sunday Times”, sobre a existência de campos de treino da al-Qaeda em Tete e Nampula, fêz referência a acusação contra Bachir e o seu Grupo MBS. " Para mim, esta acusação peca por não se valer de provas, o que evoca aquilo que os EUA fizeram contra o agora enforcado Saddam Hussein, a quem acusaram então de ser um barão de armas de destruição em massa. A semelhança de Saddam Hussein, Washington limita-se a acusar o empresário moçambicano de ser um barão de droga, uma acusação que carece de provas, do mesmo modo que nunca apresentaram provas contra o líder iraquiano. Isso leva alguns a questionar a sustentabilidade material desta acusação. Na falta de evidências, o cepticismo prevalecerá, tanto mais que os EUA já provaram não serem infalíveis. A falsa acusação contra Saddam foi apenas uma das outras incontáveis que cometeram. A meu ver, esta acusação baseia-se nas mesmas alegações que vêem sendo feitas contra este e outros empresários moçambicanos detentores de grandes fortunas. Seria bom e vantajoso para uma super potência como os EUA, substanciar a sua acusação com factos irrefutáveis, para que não seja um simples ecoar, em voz grossa, dessas alegações que como disse já, vêm já sendo feitas por muita gente dada à especulação baseada no tipo diz-se que...diz-se que... Pessoalmente, já ouvi que até existem clientes das lojas do MBS que compraram geleiras, congeladores e televisores nas suas lojas, e ao abri-las descobriram, já nas suas casas, grandes quantidades de drogas pesadas, e que quando as devolveram, foram-lhes oferecidos em troca valores monetários astronómicos para os calar a boca e que os catapultaram a ricos de dia para a noite. Os que propalam este tipo de enredos em torno do MBS, nunca apontam sequer de longe pelo dedo quem terão sido esses clientes enriquecidos por Bachir. Limitam-se apenas a dizer que também ouviram falar desses clientes, tudo ao estilo daqueles supersticiosos, que passam a vida a dizer que ouviram dizer que no local de tal, há um grande curandeiro, que sabe de tudo e resolver de tudo, incluindo dizer os nomes dos que o vão consultar sem que sejam os próprios a se identificarem.Para que não se assuma e se tome como válida a tese que alguns já começam a defender agora, de que Bachir está sendo vitima de facto mais pelas suas afinidades políticas, tal como Saddam que foi sacrificado por se recusar a dar o petróleo do seu país de mão beijada aos EUA do tempo do Bush, Obama terá de mostrar que é diferente do seu antecessor, acusando Bachir com provas visíveis a todos nós, e não se limitar a enviá-las ao nosso governo, como alega a Embaixada do seu país em Maputo. Para o seu bem, aconselho Obama a não acreditar cegamente nos relatórios que lhe são enviados pelos seus agentes diplomáticos em Maputo, porque alguns deles já provaram que têm muita dose de “Jetismo”, e que passam o seu tempo a forjar relatórios que não reflectem a realidade. Sem querer aqui e agora ser advogado de Bachir ou assinar por baixo à declaração solene deste que é um inocente que está sendo alvo da difamação, julgo que para que Obama mantenha em nós moçambicanos a boa imagem e credibilidade que o outorgamos até agora, é imperioso que ele apresente essas provas à luz do dia e da noite. Caso não apresente, será visto como tendo metido o pé na mesma poça em que meteu o seu antecessor, por ter acusado Saddam Hussein de possuir armas de destruição em massa, e daí desencadear uma terrível que acabou matando muitos iraquianos também inocentes, antes de orquestrar um julgamento fictício que o condenou a um enforcamento televisionado por um crime que os próprios EUA viriam a reconhecer mais tarde que não tinha cometido."