quinta-feira, março 26, 2015

O diplomata tem que ser discreto

O antigo embaixador moçambicano nos Estados Unidos de América, no período de 2009 a 2012, Armando Panguene, questionou esta quarta-feira, na cidade central da Beira, a atitude de diplomatas ocidentais acreditados em Maputo, no tocante a pronunciamentos contra o Governo, considerando que os representantes de estados africanos, incluindo de Moçambique, nunca veiculam as suas opiniões em público nem no domínio da imprensa naqueles países. “O princípio de um diplomata é ser discreto. Nunca expõe as suas ideias em público. Mas, os diplomatas doadores saem desta área discreta”, afirmou Panguene, citado hoje pelo “Diario de Moçambique”, publicado na Beira. Pangue falava como orador na aula de sapiência intitulada o “Papel do diplomata enquanto representante do Estado”, que marcou a abertura do ano académico no Instituto Superior de Ciências e Tecnologia Alberto Chipande (ISCTAC).
Resultado de imagem para armando pangueneDurante o seu discurso, ele disse que esses embaixadores acreditados em Moçambique aproveitam-se do facto de os seus países também serem doadores, daí assumirem a autoridade de fazer declarações contra o Governo baseado em Maputo. Sublinhou que os diplomatas africanos não tecem as suas considerações sobre os países onde cumprem as suas funções. Ele estabeleceu uma diferença entre os diplomatas africanos e os europeus: “Há uma diferença entre os embaixadores que estão em Moçambique, os europeus e nós, como moçambicanos, que estamos noutros países. Os que estão em Moçambique representam países doadores. Nós quando estamos nestes países, nunca nos podemos pronunciar sobre as políticas nacionais destes países, falamos nas nossas reuniões privadas. Mas nunca em público, nunca à imprensa”. 

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