quarta-feira, março 11, 2015

Entre "santos e diabos"


Resultado de imagem para fernando lima moçambiqueFernando Lima é uma figura (foto) sobejamente conhecida nas lides jornalísticas moçambicanas e não só. Na noite do dia em que foi assassinado o constitucionalista Gilles Cistac apareceu nas câmaras da STV a afirmar de forma categórica que os comentadores da TVM e da Rádio Moçambique, bem como alguns os colunistas do jornal “Notícias”, que são, na sua óptica, integrantes do chamado G40, afirmou, dizia, que são responsáveis pela diabolização de um certo grupo de cidadãos (brancos neste caso), sendo que essa diabolização terá contribuído para o assassinato do professor Cistac.Na mesma linha, “lembrou” a quem o quis ouvir, que uma rádio, no Ruanda, nos anos de 1990, levou ao genocídio de milhares de pessoas. Fernando Lima reiterou, no seu pronunciamento, a tese de que a TVM, o Jornal Notícias e a Rádio Moçambique, “são autênticas tribunas” por onde são veiculadas as mensagens de ódio e de diabolização dos brancos. Atenção a este aspecto da evocação da tragédia de Ruanda… Voltarei ao assunto num outro momento.Depois de ouvir aqueles pronunciamentos, e, sobretudo, depois de “absorver” a essência da mensagem, destaquei dois ou três aspectos por ele nomeados, aliás: G40 e a promoção do ódio racial, ódio que teve como consequência o assassinato do professor Cistac. A “lembrança” do que aconteceu no Ruanda nos anos de 1990 envolvendo hutus e tutsis.
As sociedades, desde os tempos imemoriais, foram-se desenvolvendo graças ao debate permanente de ideias, muitas vezes divergentes. E foi em resultado desses debates, que nuns casos foram alcançados consensos; noutros, nem tanto. Durante esses debates, grupos opostos “entrincheiraram-se” sempre em posições diferentes. Cada um defendendo os seus pontos de vista. Em autênticas campanhas pela vitória “da sua dama”.    O mundo não se fez de um dia para o outro e nem se fez de forma linear. Se calhar apenas Deus foi o único que o construiu num único momento. Mesmo assim, não conseguiu criar toda a gente no mesmo momento. No mundo dos nossos dias desfrutamos de meios materiais que nos facilitam a vida. A criação dessas coisas não ocorreu num abrir e fechar os olhos. Resultou de esforços que incluíram acesos debates de ideias, experimentações técnicas e científicas que duraram décadas, senão séculos. Durante esses debates terá, certamente havido grupos que acusaram os seus adversários de incompetentes, incapazes, etc. Porém, como o objectivo era construir algo para servir a todos, os debates terminaram com a adopção daquilo que aos olhos de “todos” (antes com ideias divergentes sobre um mesmo assunto) se apresentava como o mais ideal.   Durante a última campanha eleitoral e ao longo dos últimos meses, tem feito história a tentativa de encontrar no tal G40, o culpado do actual estado de coisas, no que à situação política do país diz respeito. Essa história vem sendo construída por uma determinada “ala” jornalística, que se considera a verdadeira defensora da paz e da democracia, defensora da estabilidade no País. Na construção dessa história, a ala não aceita a opinião contrária à sua.Para os construtores dessa história, as opiniões expressas pelos comentadores do Jornal Notícias, TVM e da Rádio Moçambique são contrárias ao bem-estar do País, são contrárias à paz e a democracia. Apenas eles, os constituintes dessa ala (a que G pertencem?) é que falam do que está correcto. Quando defendem os discursos incendiários do Presidente da Renamo, estão a defender, na sua óptica, a paz, a democracia, a estabilidade. Quando defendem os discursos incendiários do Fernando Mazanga, da Renamo, estão a defender, na sua óptica, a paz, a democracia, a estabilidade.
Fernando Lima, ao falar das tribunas de disseminação da mensagem de ódio e de diabolização, esquece-se de que também usa (ele e os outros opinadores) as suas próprias tribunas (é necessário indicá-las?), para disseminar a sua doutrina “imaculada” e “inquestionável”! Quem não se lembra de editoriais e textos de opinião, publicados em três jornais publicados na praça maputense, “batendo” sempre e sempre, e apenas um lado da política moçambicana? Como se numa sociedade como a nossa, apenas um lado é que está mal. Como se numa sociedade como a nossa, o “outro” lado é que está bem. Divino.Os grupos, com diferentes opiniões, existiram sempre nas sociedades. Cada um a defender posições que considera correctas. Nenhum desses grupos tem o direito de reclamar para si o direito de propriedade da verdade absoluta. O grupo a que pertence Fernando Lima, ainda que sem se identificar em forma de “Gx ou Gy”, quer, a todo o custo, apresentar-se como o dono da verdade. E isso não é correcto. A verdade não tem dono. Deixe que os outros exprimam os seus pontos de vista. Concorde ou não com eles.
(Marcelino Silva in facebook)

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