» A minha apertada agenda quase que me consome todo o
tempo. Contudo, tenho sempre em mente e no coração todos os meus
"facefriends". Como referi em Maio, depois da aprovação do PES e do
PQG, seguir-se-ão momentos de muita acção e corrida contra o tempo. Creio que
têm acompanhado pela imprensa a minha actividade...é um verdadeiro
"corre-corre", como sói dizer-se na gíria popular. Tudo no intuito de
imprimir maior dinamismo a nossa acção governativa. Permitam-me que aproveite
esta ocasião para saudar as jornalistas de palmo e meio que se vêm na foto.
Interagi com elas na minha recente visita a Rádio Moçambique. Foi agradável
saber que a RM dispõe de um "viveiro" , de onde serão colhidos os
futuros profissionais de comunicação social. Bem haja...(Carlos Agostinho do Rosárioin facebook)terça-feira, agosto 11, 2015
Assim se comunica o Primeiro Ministro moçambicano
» A minha apertada agenda quase que me consome todo o
tempo. Contudo, tenho sempre em mente e no coração todos os meus
"facefriends". Como referi em Maio, depois da aprovação do PES e do
PQG, seguir-se-ão momentos de muita acção e corrida contra o tempo. Creio que
têm acompanhado pela imprensa a minha actividade...é um verdadeiro
"corre-corre", como sói dizer-se na gíria popular. Tudo no intuito de
imprimir maior dinamismo a nossa acção governativa. Permitam-me que aproveite
esta ocasião para saudar as jornalistas de palmo e meio que se vêm na foto.
Interagi com elas na minha recente visita a Rádio Moçambique. Foi agradável
saber que a RM dispõe de um "viveiro" , de onde serão colhidos os
futuros profissionais de comunicação social. Bem haja...(Carlos Agostinho do Rosárioin facebook)Bairro Limpo

O Presidente do Conselho Municipal da Beira, Daviz
Simango, fez a entrega, na manhã de hoje, 11 de Agosto, à equipa do saneamento
oito tractores com os respectivos atrelados e 17 txovas (carrinhos de mão),
para reforçar a capacidade de recolha de resíduos sólidos (lixo),
principalmente nos bairros periféricos da cidade onde ainda persiste uma
deficiente recolha de lixo.Ao mesmo tempo, Daviz Simango entregou cinco
viaturas, de marca Nissan Hardbody dupla cabine a vários sectores da
administração municipal. Igual modo entregou 70 motorizadas para dinamizar os
serviços administrativos dos postos.Na ocasião, o edil da Beira revelou que os
meios custaram aos cofres do município 23 milhões de meticais (entre viaturas,
tractores com os respectivos atrelados, motorizadas e txovas).mECHIdAS
O Presidente da República,
Filipe Jacinto Nyusi, no uso das suas competências que lhe são conferidas pela
alínea a), no número 2 do artigo 160 da Constituição da República, exonerou
Omar Mithá do cargo de Vice-ministro da Industria e Comercio”, refere o Comunicado
de Imprensa da Presidência da República. Recorde-se que esta é a primeira
mexida que o Presidente Nyusi faz aos nomeados em Fevereiro último.8º Mês
Ao oitavo mês da
governação de Filipe Nyusi, temo que o seu primeiro objectivo estratégico
esteja a perder-se. Refiro-me ao objectivo anunciado aquando da tomada de
posse. Filipe Nyusi prometeu o combate ao despesismo da função pública. É
possível que esteja a fazê-lo ao nível da presidência, aliás, não tenho
dúvidas. Timidamente reduziu os ministérios mas não conseguiu evitar o óbvio.
Desde muito que
se tem discutido a pertinência da figura de Vice-ministro nos governos, estes
que nem membros do Conselho de Ministros são. Quando Nyusi anunciou um governo
com menos ministérios – de 28 para 22 - reavivou esperanças de poder vir a
cumprir a sua promessa: contenção de custos e combate ao despesismo do Estado.
Porém, a nomeação de Vice-ministros turvou esta esperança.
Ontem, o Ministro
da Economia e Finanças, Adriano Maleiane nomeou 26 pessoas para cargos de
Directores Nacionais e Directores Nacionais adjuntos. A minha
pergunta é: Adriano Maleiane precisa de tantos Directores Nacionais assim?
Pior, precisa de tantos directores nacionais adjuntos assim? Se juntarmos os 26
nomeados a ele, a Vice-ministra e o Secretário Permanente, teremos aproximadamente
30 dirigentes de topo de um ministério só. Este ministério não é exemplo de uma
estrutura “SIMPLES E FUNCIONAL”. Este ministério é exemplo de uma estrutura
complexa e macrocéfala. Aqui, Maleiane não deu corpo ao compromisso de Nyusi.
Anda por aí uma
ideia de que este país é grande. E por ser grande surge a necessidade de
dotá-lo de chefes em todo lado, para que os programas e planos de
desenvolvimento mereçam o devido acompanhamento e orientação. Vão daí criar
novos distritos, novos ministérios, novas direcções nacionais, visitas de campo
– do presidente ao administrador, passando pelos governadores e ministros de
pelouro e directores nacionais - e por aí em diante. Na verdade esta forma de
pensar e fazer as coisas é característica de desorganizados. O ministério das
finanças alemão – Alemanha é muito mais grande e rico que nós - apenas possui
um Ministro (não possui nenhum vice-ministro) e cinco secretários de estado.
Confira a estrutura a partir deste link: http://goo.gl/4UPBQR. Está é sim uma estrutura simples e
funcional.
Dizia eu que um
dos sintomas de gente desorganizada é a sua incapacidade em organizar o
trabalho. O trabalho que o Estado deve fazer para alcançar seus objectivos está
desorganizado. Para começar, ninguém o conhece. Muitos de nós pensamos que a
prioridade para que qualquer empreendimento tenha sucesso é a organização da
máquina ou das pessoas que vão realizar este trabalho. Não é verdade. Apesar de
ser importante, esta não é para mim a prioridade. A prioridade é o que deve ser
feito. Conhecer o trabalho, os passos, as acções e o custo.
Nós, povo
moçambicano, herdamos um pesado fardo comunista na nossa forma de pensar. Só
para recordar, no tempo do comunismo criamos aldeias comunais na esperança de
colectivamente podermos produzir em machambas também coletivas e assim vivermos
de forma organizada. A mesma teoria passa pelas cabeças dos dirigentes de hoje
em relação a função pública. Nunca prestamos atenção na organização do
trabalho. Não admira por isso que haja pessoas que até as 10 horas da manhã, já
não tenha mais nada a fazer; funcionários há que deixam os seus postos para dar
aula e depois regressam. O seu trabalho nunca está atrasado. Como é que o
Estado paga um servidor salário completo, e este ainda encontra tempo para dar
aulas em horário normal de expediente? O trabalho não está organizado.
Assim que estes
26 tipos foram nomeados, a próxima guerra é saber quem faz o quê. E nesta
“guerra” vão surgir os que sentem que não têm trabalho, outros acharão seus
poderes “usurpados”, haverá conflito e sobreposição de competências por aí em
diante. Ou seja, estes 26 directores e directores nacionais adjuntos foram
nomeados não porque há trabalho para todos, mas sim porque havia a necessidade
de organizar as pessoas, dotando-as de alguma responsabilidade (mandato). Por
sua vez, estes deverão arranjar trabalho para justificar as suas
responsabilidades que se são conferidas! É chato, É FRUSTRANTE para o pagador
de impostos. Só de pensar em benesses: desde casa paga, viatura, salário,
décimo terceiro mês, telefone celular, combustível e lubrificantes e ainda a
possibilidade real de eles abocanharem toda a contratação pública; despesas de
representação, viagens para dentro e fora de Moçambique, reuniões etc., nenhum
povo suporta tantos dirigentes assim.
Ora, o Governo possui “apenas”22 Ministérios.
• Primeira questão: Pensem num único exemplo de uma estrutura simples e
funcional anunciada pelo actual Presidente da República
• Segunda questão: imaginem a estrutura do Ministério da Economia e Finanças
replicado pelos restantes 21 Ministérios.Este país tem mais de 2000 dirigentes
com cargo equiparável a Directores Nacionais ou Directores Nacionais Adjuntos!
O mais intrigante
é que nós, cidadãos moçambicanos, não temos acesso a estes, senão à apenas
menos de 50, que são os nossos governantes. Na verdade, quem paralisa o país
são estes quadros, a verdadeira face oculta que debocha e imobiliza o Estado.
São estes que vivem em silêncio enquanto desfrutam do melhor que o país produz,
SENTADOS. Não são directamente escrutinados pelos cidadãos; não são
directamente responsabilizáveis por nós cidadãos mas são os que melhor podem
contar as maravilhas deste país; deste maravilhoso povo.
Afinal, de que “estrutura simples e funcional” o Presidente se refere?
Quando é que iremos parar para organizarmos o trabalho? Uma das características
de um Estado com trabalho organizado é a estabilidade das instituições que
cria.
PS: Há oito meses
que este estado paga uma curadora do Museu da Presidência. Onde está o Museu
senhor Presidente?
PS2: Há-de vir
alguém justificar que o actual ministério é junção dos dois. Mesmo assim as
minhas perguntas mantêm-se. Em que é que o anterior Ministério de Planificação
e desenvolvimento foi útil? (Dr.Egidio Vaz in Facebook)
sexta-feira, agosto 07, 2015
Sobre os albinos
Vi dois
„posts“ interessantes do Carlos Serra e da Cléo Mafu nos últimos dois dias. O
primeiro solidarizava-se com os albinos que estão a ser vítima de violência no
norte do País e a segunda mostrava-se inquieta em relação ao mesmo fenómeno. A
leitura dos comentários lá postados suscitou algumas curiosidades em mim,
sobretudo em relação à perplexidade com que costumamos abordar este tipo de
assuntos. A maioria dos comentários agrupava-se em torno de dois temas
principais. Um era sobre a necessidade de educar as pessoas e o outro era sobre
uma maior preocupação com a AMETRAMO – a Associação dos Médicos Tradicionais de
Moçambique – no sentido ou de limitar o seu raio de alcance, ou de a tornar
mais presente.
“Educar” é,
dum modo geral, a resposta de eleição para qualquer coisa que não entendemos.
Isto é, nós próprios não entendemos uma coisa e a primeira coisa em que
pensamos quando algumas pessoas fazem essa coisa é em educar essas pessoas. A
questão é: quem vai ser o educador e educar em quê? É para irmos dizer às
pessoas lá em Nampula que albinos são pessoas como nós os outros que padecem
duma condição rara com uma explicação científica? É para irmos dizer que não é
bom matar um ser humano? Que é irracional pensar que órgãos humanos possam
trazer riqueza? Que magia é demência? Reparem que todas estas perguntas já têm
uma descrição do problema que, por sua vez, já sugere uma resposta: o problema
é que há pessoas que não sabem o que é um albino e que motivadas por crenças
irracionais tiram a vida a albinos na vã expectativa de enriquecerem. É sob o
pano de fundo desta descrição do problema que a educação aparece como solução.
Se ensinarmos às pessoas que albinos são pessoas e que feitiçaria não funciona,
a caça ao albino vai acabar. Pudera.
Isto, para
mim, é sinal de perplexidade. É uma perplexidade que se alimenta de várias
fontes. Uma fonte é a conversa sempre adiada com o que insistimos em chamar de
cultura africana. Se for irracional do ponto de vista da ciência é cultura
africana, é a nossa maneira de abordar o mundo. Quanto mais bizarro for, mais
autêntico é. Espero que, já agora, o Américo Matavele (“maprovoco”),
tradicionalista confesso, venha aqui defender a caça ao albino como
manifestação da nossa cultura milenar. A conversa que temos adiado com a nossa
cultura é a que nos permitiria formular um argumento coerente que explica
porque certas práticas são aceitáveis e fazem parte da nossa cultura, e outras
não. Idealmente, esse argumento devia conter princípios que nos permitam
elaborar posições coerentes sobre qualquer prática que fira o nosso sentido ético
ou mesmo científico. O que não me parece correcto é manter esta relação
esquizofrénica com a cultura. Quando é bom – porque serve para defender alguma
posição – dizemos que é nossa cultura; quando nos embaraça, ou não entendemos,
dizemos que temos que educar as pessoas.
A outra
fonte é a ressaca da guerra da Renamo. Apareceram no nosso país estudiosos a
mostrarem que a adesão da população rural à Renamo explicava-se melhor com
recurso às crenças metafísicas africanas e o papel que elas desempenharam na
articulação da resistência às políticas colectivistas da Frelimo gloriosa. Esta
perspectiva, a partir dos finais dos anos oitenta, virou uma autêntica praga
nos meios académicos. Misturava a excitação compreensível do investigador
estrangeiro que “descobre” uma lógica local que lhe permite entrar em comunhão
com o moçambicano duma forma que nem o próprio investigador moçambicano é capaz
de fazer porque membro da elite urbana, e os argumentos circulares que
caracterizam os “estudos africanos”, particularmente na sua confusão
metodológica e analítica entre explicação e justificação. De repente, a
“cultura africana” ganhou conjuntura sob a forma da importância dada à
autoridade tradicional. O Ministério da Administração Estatal, num “black-out”
total de lucidez – mas impelido por alguns destes investigadores estrangeiros –
santificou a coisa, introduziu uma bifurcação horrível e incoerente no nosso
sistema administrativo e emulou categorias coloniais de classificação dos
moçambicanos em “civilizados” e “indígenas” sem, naturalmente, usar estes
nomes. Na ânsia de corrigir supostos erros do passado promoveu-se uma atitude
acrítica em relação a instituições e formas de exercício de poder que eu
considero retrógradas (para usar terminologia da Frelimo gloriosa).
Uma outra
fonte foi a elevação do charlatanismo à condição de representante legítimo da
racionalidade moçambicana. Esta frase é dura e injusta para aqueles que têm
conhecimento de plantas medicinais e têm ajudado muita gente sem acesso à
medicina formal. Mas ao criar uma categoria “medicina tradicional” sem um
conhecimento claro e sistemático das suas práticas, capacidades e habilidades –
apenas na base da crença na sua utilidade, já que existe… - promoveu-se uma
tensão desnecessária entre a medicina formal e a tal medicina tradicional. Esta
tensão atinge níveis de paroxismo quando algumas pessoas depois dizem que
existem “realidades” ou “coisas” que só são acessíveis a esta forma de
medicina. Bullshit. O que a gente chama de “medicina tradicional” não é prerrogativa
dos africanos ou dos não-europeus. Eu que me interesso pela história social
europeia – e mato essa sede lendo também romances históricos – fico espantado
quando encontro crenças e práticas igualzinhas ao que nós teimamos em chamar de
“racionalidade africana”. Ao invés de investirmos, como uma vez aconselhou o
grande filósofo do Gana, Kwasi Wiredu, na integração das práticas terapêuticas
africanas no grande sistema de medicina formal também como forma de as
aprimorar e identificar o que é específico a elas (como, por exemplo, os
chineses foram capazes de fazer) mistificamos o assunto desnecessariamente.
Então,
quando pessoas começam a agredir agentes de saúde acusando-os de estarem a
propagar a cólera, quando raparigas desmaiam nas escolas, ou quando as pessoas
caçam albinos ficamos todos perplexos por causa desta esquizofrenia auto
induzida. E queremos logo “educar” as pessoas sem nenhuma clareza sobre o que
isso significa. Significa tirar as pessoas do “obscurantismo”? Significa dar
aulas de moral e religião? Nesta questão específica dos albinos aposto que vão
aparecer sabichões que nos vão aconselhar calma e com recurso a sua grande
empatia com populações marginalizadas e seu profundo conhecimento de
cosmogonias locais vão nos dizer com ar grave e erudito que é preciso primeiro
perceber as lógicas locais. Não é irracional caçar albinos, vão dizer, é
importante entender o sistema de valores e crenças que torna essa prática
inteligível. Estou a caricaturar essa posição, claro, mas a situação é mais ou
menos essa. Só que para mim este tipo de atitude “acadêmica” revela
insuficiências metodológicas e analíticas, para já não falar de insuficiências
epistemológicas. Muitas vezes as ciências sociais complicam o seu acesso à
realidade por causa da sua maior preocupação em sempre se legitimarem perante
as outras ciências. Sofrem dum complexo de inferioridade que as conduzem a
abordagens muitas vezes problemáticas.
Por
exemplo, o desafio que a caça aos albinos coloca às ciências sociais é simples.
É o desafio de saber em que ela consiste. Só isso (bom, não bem, bem assim).
Quantas pessoas já foram vítimas disto? Onde? Quais são as características
socio-económicas desses lugares? Quais são as motivações que são dadas para
isso por aqueles que foram apanhados? Qual é o perfil dessas pessoas que se
envolveram nisso? São jovens do sexo masculino? Há alguma particularidade que
os identifique? Etc. Precisamos de factos e não só de pegar na cabeça e
gritarmos “nyandayeyo, estão a matar albinos, rápido, temos que educar o povo”.
E o meu palpite é o seguinte: há maior probabilidade de atinar com a solução
para este problema tentando encontrar resposta para a seguinte pergunta: que
tipo de pessoa (ou, em que circunstâncias) estaria disposta a tirar a vida a
alguém como forma de ganhar dinheiro? Só essa pergunta. Porque é evidente que
não faz parte da nossa cultura matar gente para ganhar dinheiro, logo, haverá
por aí gente muito especial com certa predisposição para isso. É essa gente que
precisamos de entender, e não o sistema cultural ou sua irracionalidade.
Mas sei que
isto, traduzindo literalmente uma expressão idiomática tsonga, é água em cima
do pato… (é indiferente para quem devia pensar seriamente no assunto).(Elisio Macamo in Facebook)
quinta-feira, julho 16, 2015
Registada como “Malvinda”, porque a gravidez não tinha sido boa
Um pouco por todo o país, os serviços de Registo Civil
tem estado a registar um movimento desusado de cidadãos que solicitam a mudança
de nome. Uns porque acham que a sua vida anda às avessas devido ao nome que
receberam e que dá azar. Outros porque descobriram que o nome é feminino,
enquanto são rapazes. E ainda há quem faz a troca porque o seu nome, numa outra
língua, é um autêntico palavrão.Só na cidade de Maputo, na Primeira
Conservatória de Registos e Notariado correram 38 requerimentos para a troca de
nomes, sem contar com magotes de outros processos de pedido de mudança de
grafia, porque o nome está mal escrito, a data de nascimento está errada e os
nomes dos pais, não tem nada a ver.Observa-se igualmente que muitos pais
residentes nas zonas urbanas escusam-se de atribuir aos filhos nomes como João,
Filipe, Felisberto, Jorge, José ou Mário, bem como nomes femininos como Luísa,
Maria, Ana, Paula, Francisca, e por aí em diante. Agora sobram Agnes, Milson,
Sholtz, John, Duke, Sunilton, Colin, entre outros do género.Enquanto
produzíamos a presente Reportagem, apurámos que uma família submeteu um pedido
de rectificação de grafia do nome que tinha atribuído ao filho, porque
descobriu que Nicole não é nome masculino, mas, sim, feminino. O rapaz tinha
beneficiado de alguma zombaria na escola.Dados em nosso poder indicam que os
pedidos para a troca de nome não são um fenómeno isolado da Primeira
Conservatória da cidade de Maputo. “Há muitos em curso um pouco por todo o
país”, indica fonte ligada ao Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e
Religiosos. Os factos remontam ao momento em que os pais se veem confrontados
com a necessidade de dar um nome a um filho já nascido ou a caminho. Por vezes
o evento é pacífico. A família, sem fazer grande esforço, oferece um nome
tranquilo e o beneficiário cresce numa boa, sem fazer nenhuma objecção à designação
que lhe foi oferecida. Porém, casos há, e aos milhares, em que o nome vira
pesadelo para o dono e, o único remédio é trocá-lo mesmo. Por exemplo, Tristeza
e Miséria parecem nomes corriqueiros, mas muitas mulheres começam a rejeitá-los
porque não lhes trazem nenhuma felicidade. Ao contrário de Alegria, Esperança,
Felizarda e Felicidade.Aliás, parte das beneficiárias destes nomes, quando se
encontram perante o infortúnios da vida, de tipo falta de namorado, emprego,
dinheiro e filhos, vão à busca de respostas em igrejas evangélicas ou no
submundo dos curandeiros que, entre outros, questionam “como queres ser feliz e
sortuda com um nome que remete à desgraça”. Para o caso de crianças, o confronto
com o nome começa a ser difícil no contacto com colegas de escola, pois, é
frequente ser vítima de zombaria no seio escolar a ponto do menor desistir por
causa do nome que não ajuda. Exemplo, Mainato Manteiga, Alfinete Canivete,
Sabonete Candeeiro Fogo, entre outros, são nomes susceptíveis de escárnio de
“baliza aberta”. Na pesquisa que desencadeamos, constatamos que alguns pais
optam por oferecer nomes difíceis simplesmente porque pretendem vincar um
determinado episódio, por vezes negativo, que terão enfrentado durante a
gestação ou no namoro.A título de exemplo, Esperança Nhangumbe, conservadora e
directora da Primeira Conservatória da cidade de Maputo, revela que já recebeu
uma mãe solteira que pretendia registar a sua filha, já crescidinha, com o nome
de “Malvinda”, só porque a gravidez não tinha sido boa. Daquelas que fazem a
gestante fazer pensar seriamente em desistir da caminhada.Entretanto, e como
era de esperar, os conservadores rejeitaram com um sonoro “não”, uma vez que o
nome era pejorativo. “Aliás, a própria criança pediu para ser tratada por
Dércia alegando que era vítima de chacota na escola”. Dados em nosso poder indicam que, nos últimos
tempos, progenitores mais jovens atribuem nomes aparentemente modernos aos
filhos e, poucos meses ou anos depois, descobrem que cometeram o erro de dar um
nome que numa outra língua é literalmente um palavrão.Há também situações em
que pais oferecem aos filhos um nome feito de iniciais de ambos. Pai e mãe. O
resultado é um composto bizarro que se torna difícil de pronunciar até para os
próprios progenitores. Para não mencionar os avós. Fala-se de um casal que
levava o nome de Ivan e Sofia. Deram ao filho o nome de Soivan, que lembra a
marca de um tractor.Outros dificultam ainda mais a vida da criança e dos avós e
primos ao rebuscarem o nome de Patrick Cluvert, antigo jogador de futebol
holandês. Os avôs da criança mordem a língua para chamar o neto e acabam
apelidando-o de Papaíto. Assim fica mais fácil. Papaíto. Na senda de oferecer
nomes de fora aos filhos, os serviços de Registo Civil da capital do país já se
depararam com situações fora do comum de um casal que decidiu atribuir ao filho
o sugestivo nome de Heineken. Assim mesmo. Heineken. Segundo o pai do petiz, a
ideia era homenagear o holandês que inventou a cerveja e não a bebida.Na mesma
senda, aqueles serviços receberam uma família que tinha o plano de dar ao seu
recém-nascido o nome completo de Nelson Mandela. Algo como Nelson Rolilhalha
Mandela. Os funcionários daqueles serviços voltaram a torcer o nariz. Depois de
ouvirem Heineken, este segundo caso foi para cair de costas.
DE VOLTA ÀS RAÍZES
O facto de Moçambique ter estado sob dominação colonial
portuguesa em parte contribuiu para o desaparecimento dos nomes indígenas,
sobretudo na província da Zambézia, onde muitos adultos ainda se apresentam com
nomes de tipo Garfo Tigela, Penteado Azul, João Sabonete, Lurdes Vai Embora,
Maria Faz Bem, Tudo Mal Feito, entre outros.Nos tempos que lá vão, quem
quisesse ser um cidadão com mínimos direitos, de tipo assimilado, era
condicionado a deixar seus hábitos e costumes e, automaticamente, assimilar a
identidade e cultura portuguesas, muitas vezes porque os colonos desprezavam
tudo o que era nosso.Pode se dizer que este acto era compulsivo, pois quem
fosse registar o seu filho nunca lhe era permitido dar nome africano, de tipo
Camizinga, Potesse, Bissopo, Nhantsave, kharige, entre outros. No lugar destes,
muitos cidadãos acabaram recebendo nomes e apelidos como Alves, Pereira,
Araújo, Teixeira, Costa, Silveira, Silva e mais.Com o acesso à informação, que hoje
caracteriza a sociedade, muitos procuram resgatar a identidade perdida. Por
conta disso, está a registar-se uma tendência de se rejeitar nomes de origem
portuguesa e até se buscam os verdadeiros apelidos. Os Costas, Alves e Pereiras
procuram ser Cossa, Mandlate, Nguila, Bambo, Guitsetse, por aí em diante.
De igual modo, e para os descendentes, muitos pais jovens
começam a resgatar nomes feitos em línguas locais. Mas há ainda aqueles que
preferem os brasileiros e americanos.“Há uns 10 anos a tendência era de buscar
nomes de origem brasileira, como Walter, Edmilson, Edson, Emerson, entre
outros. Actualmente, as pessoas buscam nomes tradicionais como forma de
resgatar a identidade moçambicana. A maior parte destes nomes contêm significados
diversos, desde alegria e agradecimentos. A título de exemplo temos Tsaquilke,
Nkensany, Nkensa, Wanga, Mbonguile e mais”, referiu Esperança Nhagumbe.Perante
este novo fenómeno, os serviços de Registo Civil têm sido obrigados a
questionar o significado de alguns nomes que os pais apresentam, para evitar
passar para o Boletim de Nascimento identidades que em outras línguas contêm
significados pejorativos.Neste processo, quando os progenitores mostram sinais
de não conhecerem o significado do nome que pretendem dar ao filho, o Registo
Civil encarrega-se de investigar. “Já recebemos alguém que registou um nome e,
pouco tempo depois, veio trocá-lo alegando que não desejava ver a sua criança
com maus espíritos uma vez que tinha descoberto que o mesmo significava
Satanás”, disse.
Azares por detrás dos nomes
“Os pais deveriam pensar muito bem antes de atribuir
certos nomes aos filhos, pois essa é marca que fica para o resto da vida.
Quando o nome nos desagrada torna-nos pessoas sem autoconfiança”, disse
Esperança Nhangumbe.Por conta deste problema, há muitos casos de adultos
insatisfeitos com os seus nomes e desejam trocar. Geralmente, têm um nome de
registo, mas no seu meio social são conhecidos por outro nome, simplesmente
porque não se identificam com o que consta nos documentos.“É por isso que
apelamos aos pais para pensarem nos nomes antes de os atribuir aos filhos. Que
não sejam egoístas. É sempre conveniente que se pondere no que o nome pode
significar para os filhos que amanhã serão pessoas adultas, e irão carregar
essa denominação pelo resto da vida”.No que se refere a eventuais azares que um
nome pode “ostentar”, a nossa fonte disse acreditar nesta crença e alerta que
“não podemos dar nomes que estão associados à maldade e a energias negativas,
pois, à medida que são pronunciados se está também a invocar tais coisas más”.Mais
adiante questionou “se a criança é um dom divino, então porquê começar a dar
energias negativas cedo através do nome? É certo que o azar pode vir da crença
da pessoa, mas é preciso que os pais evitem esses nomes. É triste quando somos
rejeitados só porque temos um nome “feio”.
Estigmatizados
Para o sociólogo Carlos Bavo, a busca pelos nomes
estrangeiros resulta da vontade humana de se integrar no sistema internacional
através dos nomes. Por outro lado, este fenómeno está associado ao esforço para
a recuperação da tradição perdida por força da actuação colonial.“A busca dos
nomes não termina apenas nos africanos, mas sim nos americanos e brasileiros,
isso porque essa é uma forma que as pessoas encontraram de
internacionalizarem-se, já que estamos num mundo globalizado”, disse.No que
concerne aos nomes estranhos atribuídos pelos pais, o sociólogo Bavo afirma que
“as pessoas tentam fazer com que um determinado evento vivido no passado se
reflicta na criança. Mas, isso pode trazer consequências para quem transporta o
nome. Ela pode sofrer um estigma e até ser desqualificada por causa do nome”,
disse.Avança ainda que é traumático quando ao começarmos a construir a
identidade somos duramente criticados e “agredidos” por causa do nosso nome.
“Quando a pessoa é discriminada pelos colegas ainda em tenra idade, mesmo sem
tanta noção da auto-estima, isso desenvolve em si um sentimento de rejeição
pelos próximos”.Por seu turno, o antropólogo Marílio Wane acredita que o facto
de a colonização ter desprezado a cultura moçambicana faz com que as pessoas
queiram e procurem recuperar a identidade que estava perdida. “Agora já ninguém
pode impedir, por isso as pessoas sentem a necessidade de fechar esse défice.”No
que concerne à adopção de nomes brasileiros ou americanos, Wane explica que isso
se deve à forte influência e interferência cultural que o povo moçambicano
sofre desses países. As novelas, programas brasileiros, futebol internacional e
astros americanos influenciam-nos e é neles que vamos buscar esses nomes”,
concluiu.sexta-feira, julho 10, 2015
Olhar o norte com mais atenção
A título de exemplo,
notou-se que enquanto no Sul e Centro há uma tendência de o número de raparigas
igualar-se ao dos rapazes em diversos níveis de ensino, na parte norte as
cifras das meninas encontram-se abaixo das dos efectivos do outro género.
É igualmente facto que da
província de Maputo até Zambézia e Tete regista-se, no geral, uma descida dos
números de alunos por turma, mas no Norte os efectivos continuam cerca de 70 em
cada sala de aulas nas primeiras classes. Contudo, já na quinta o universo
baixa drasticamente, o que ilustra elevadas cifras de abandono e/ou
reprovações.
A Fundação José Abudo tem
como patrono o antigo ministro da Justiça e actual Provedor da Justiça.O director executivo da
Fundação, Charifo Ali, disse que os três mil livros destinados ao ensino do 1.º
ao 12.º ano do sistema português resultaram de parcerias da sua instituição com
uma congénere lusa.Destacou que embora sejam do
ensino português a ciência é universal, pelo que acreditam que serão úteis nas
bibliotecas das escolas nacionais, não só para os alunos, mas também na
planificação das matérias por parte dos professores.
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