sexta-feira, agosto 11, 2017

Maputo, a segunda cidade!

Resultado de imagem para OpenDatatonA cidade de Maputo é, desde quarta-feira, 9 de Agosto, a segunda cidade da África Subsaariana a contar com um programa de abertura de dados, designado por OpenDataton Maputo 2017.A iniciativa, levada a cabo pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo e pelos parceiros Banco Mundial e Standard Bank, consistirá, numa primeira fase, numa série de encontros de discussão sobre a tecnologia em torno da ciência de análise e processamento de dados.Em seguida, haverá uma maratona de programação na qual várias equipas irão desenvolver soluções de base tecnológica, através do uso de dados relacionados com a capital do País, que serão disponibilizados pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo-CMCM.Intervindo no lançamento da iniciativa, realizado na Incubadora do Standard Bank, cuja abertura oficial será na sexta-feira, 11 de Agosto, o director de Planeamento Urbano do CMCM, Euclides Rangel, referiu que o OpenDataton Maputo 2017 é um importante evento que marca uma relativa mudança na forma de prestação de serviços aos munícipes desta urbe.
“Ao abraçar este projecto, o Município de Maputo fê-lo com convicção de que poderá, por via deste mecanismo, garantir a transparência e fomentar, em grande medida, a qualidade dos serviços prestados aos nossos munícipes”, disse.Euclides Rangel assegurou ainda que, com a abertura dos dados, o CMCM pretende, por outro lado, prestar contas aos cidadãos, em relação aos diferentes serviços ou informações de como, por exemplo, o Município faz a gestão do erário público.Falando também no evento, o representante do Standard Bank, Leovigildo Reis, lembrou aos presentes que esta instituição bancária centenária no País tem como uma das grandes directrizes a transformação radical da experiência do cliente.Por forma a alcançar este objectivo, destacou que “temos reflectido na estratégia do banco e nas suas acções, sobre a disponibilidade de plataformas digitais que permitem o acesso a dados pertinentes e úteis para o dia-a-dia do cliente”.
Imagem relacionada“É, portanto, com grande satisfação que olhamos para esta iniciativa do Município de Maputo de abrir os seus dados, sobre a qual acreditamos ser uma base de criação de conhecimento inovador e empreendedor”, manifestou Leovigildo.A líder do Programa da Área de Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições do Banco Mundial, Carolin Geginat, disse, por sua vez, que esta instituição financeira mundial apoia as entidades públicas nacionais a criarem iniciativas que visam o preenchimento de lacunas existentes na recolha, divulgação e acesso de dados.

“Foi por isso que nasceu a ideia da criação do OpenDataton Maputo 2017, uma iniciativa através da qual pretendemos potenciar a comunidade local na capacidade de análise, utilização e divulgação de dados”, disse Carolin, acrescentando que o Banco Mundial quer colaborar com todos os envolvidos neste processo que, sem dúvidas, ajudará no desenvolvimento do País.

quinta-feira, agosto 10, 2017

Para ler e pensar, sem rir nem chorar

Resultado de imagem para recenseamento população moçambique
Hoje fui recenseado. Jovem simpática, de Inharrime (disse-me quando lanchávamos - fiz questão que assim fosse, para lhe descontrair, pois pareceu-me nervosa, quando nos bateu à porta). Enfim, veio-me à memória que estava no papel dela, há 37 anos, em Mocímboa da Praia, Cabo Delgado. Fazendo este post, por esta altura ter-lhe-ia acrescentado um outro qualificativo: "instruída", porque também me revelou que estava na décima classe. Mas não tenho a coragem de o fazer. Adjectivem-na como quiserem, a partir destes extractos do questionário a que tive de responder:


- "És branco?"
- Tu achas que eu sou branco? Não vês que eu sou negro, preto, ou lá como tu quiseres, minha filha?
- Oh, o tio é que sabe, escolhe lá!
- És malawiano, chinês, indiano...?
- Não, sou moçambicano
- Falas português?
- Claro, estou a falar contigo em português!
- Preenchi aqui licenciado, agora diz-me lá: estudaste?
Estávamos sentados em cadeiras assentes em chão revestido de mosaico:
- Qual é o 'apavamento' da tua casa?
Não resisti e perguntei à jovem, depois de conferir a pergunta, no respectivo campo do impresso:
- Sabes o que significa pavimento, telha e laje?
- Não sei, pai!
Apreciei-lhe a sinceridade e honestidade, coisa rara, hoje, e mais ainda quando aceitou que eu lhe explicasse, com exemplos concretos.

- O pai diz que nasceu em Inharrime, agora diz-me lá: desde quando está em Maputo?
- Em Maputo ou Matola?
- É mesma coisa, pai!
- Trabalha em empresa pública, privada ou 'currupição'?
- 'Currupição'?
- Eh pá, deixa ver: 'co-o-pe-ra-ti-vo', é isso aí, pai!
- O pai tem piscina, aqui?
- Não!
- Quer dizer, não pratica aquacultura?
- OK, já percebi, não, não crio peixes ou outras coisas que vivem e crescem em água. Mas sabes o que é aquacultura?
- Não, não sei!

Resultado de imagem para recenseamento população moçambique
Um apelo a todos que ainda podem ajudar: temos que ajudar muitos dos nossos recenseadores, o mesmo que dizer, ajudar o nosso Estado, para que possa ter resultados que lhe possam ser úteis em qualquer coisa. Se não o fizermos, é claro que se está a deitar dinheiro à rua. Uma pergunta: alguém duvida, ainda, que em matéria de Educação temos que rever tudo? Alguém se ofenderá se eu recordar que a administração colonial foi garantida por pessoas com apenas quarta classe, primeiro ciclo e segundo ciclo do ensino geral? Não aponto culpados, mas posso apontar aqueles que resistem em não ver o descalabro que se aproxima, perigosamente, do nosso querido país, e tudo por causa da arrogância e fanfarronice políticas! (L. Loforte)

E se Angola acordasse sem maioria parlamentar?

O MPLA garante que a vitória nas eleições gerais de 23 de Agosto será expressiva de acordo com sondagens internas; a CASA-CE está convicta que irá lutar pela vitória; a UNITA não fala em ganhar, mas sente-se segura de que não será ultrapassada como segunda força política de Angola.
Resultado de imagem para Paulo InglêsAo SOL, o académico Paulo Inglês adiantou os resultados do follow up da sondagem do Instituto Piaget e do Instituto Sol Nascente (que teve numa primeira fase o apoio técnico da Universidade Católica Portuguesa), em que participou, e os resultados são surpreendentes. Reduzidos os indecisos de 23% para 11%, «o MPLA manteria os seus 36% nas intenções de voto, desceu algumas décimas», mas a CASA-CE aproximar-se-ia muito do primeiro lugar, porque ganharia para si 70% dos indecisos. «A CASA-CE estaria nos 28% e a UNITA nos 22%». Se contarmos que a sondagem tem uma margem de erro de 4%, vemos que o resultado da segunda força política se aproxima muito do partido que tem dominado Angola desde a sua independência.
Resultado de imagem para MPLA
Paulo Inglês, com formação em Sociologia, Filosofia, Ciência Política e doutorado em Estudos Africanos, afirma que ficou surpreendido com «a subida nas intenções de voto da CASA-CE», depois de a esta se ter juntado também o Bloco Democrático, de Justino Pinto de Andrade. «A UNITA também me surpreendeu por ter conseguido uma maior mobilização, embora eu ache que seja só o seu eleitorado tradicional que perdeu o medo», diz.
Alcides Sakala, um dos históricos da UNITA, deputado e atual porta-voz do partido, refuta, em declarações ao SOL, os resultados: «Isto não corresponde à verdade, o que há é uma tentativa de manipulação. Segue a lógica com que os órgãos públicos de comunicação social lidam com este processo eleitoral, dando mais tempo ao partido no poder e querendo dar mais tempo a esta coligação [CASA-CE], para criar perceções erradas.»
«Compreendo o mal-estar da UNITA», contrapõe Paulo Inglês, e embora reconheça que «o modo como o questionário está elaborado» possa «induzir certo tipo de resposta», não acredita que «os responsáveis diretos da sondagem tivessem tido alguma intenção de manipular, como a UNITA inventou, ou que o estudo tivesse sido pago pelo MPLA. Não creio que o centro de sondagens da Universidade Católica teria entrado nesse jogo, seria arriscar demais o seu prestígio para ganhar tão pouco».Manuel Fragata de Morais, veterano deputado do MPLA, também menorizou o resultado da sondagem, mostrando-se tranquilo com o que irá acontecer a 23 de agosto. «Nós não temos ainda a tecnologia para ter sondagens que possam refletir... Se as sondagens nos EUA não querem dizer muito, quanto mais aqui».Não acredita que o MPLA terá menos de 50% dos votos? «De maneira nenhuma, isso eu garanto-lhe», afirma o deputado. «Existe a confiança na vitória do MPLA, pode ser que não seja aquela antiga, dos 70 e tais por cento, mas para cima de 60%, isso eu garanto», sublinhou. «Estou confiante, a partir de dados que nós temos», disse, com base nas pesquisas internas do próprio MPLA.
Resultado de imagem para unitaSegundo o deputado, nas informações recolhidas pelo MPLA, a CASA-CE não surge em segundo nas intenções de voto, mas «aparece a ter um desenvolvimento um pouco melhor do que tiveram no passado, sobretudo aqui a nível de Luanda». No entanto, faz o reparo, «isso da CASA-CE ser a segunda ou a UNITA ser a segunda não nos interessa absolutamente nada, até porque é farinha do mesmo saco».
Também no lado da CASA-CE, não se acredita muito na sondagem, mas por razões contrárias. Félix Miranda, secretário nacional para a comunicação da coligação e da campanha, acha que os números ainda ficam aquém e que terão mais votos do que a sondagem demonstra.
«É um bocado difícil fazer um comentário a esse tipo de sondagem porque Angola não se presta a esse exercício - há muito medo, ainda estamos na cultura da repressão, as pessoas têm dificuldade em se pronunciar», disse. «Se for fazer um tipo de sondagem anónima, vai ver que a CASA-CE está em cima», acrescentou Félix Miranda.
Paulo Inglês, na sua interpretação dos resultados do follow up, sublinha que, neste momento, há «quase um empate técnico entre o MPLA e a CASA-CE», a coligação liderada por Abel Chivukuvuku. Este antigo dirigente da UNITA que disputou por duas vezes a liderança a Isaías Samakuva e perdeu, antes de se cansar e bater com a porta, formou uma coligação de pequenos partidos que foi a votos em 2012 e elegeu oito deputados, transformando-se na terceira maior força política angolana.
Resultado de imagem para CASA-CE
Miguel Gomes, assessor de comunicação da organização não governamental ADRA, ex-jornalista e observador atento da realidade angolana, acredita que o resultado do MPLA possa ser inferior a 50%, no entanto, espera mais um «resultado à volta dos 50-55%. Acima disso será uma surpresa para mim. Uma maioria bastante qualificada levantará dúvidas sobre a lisura do processo.»

Paulo Inglês estava à espera até que a sondagem desse ao MPLA menos do que aquilo que acabou por ter. «Apesar da situação do país e das críticas» é para ele surpreendente «o MPLA ter ainda muita aderência, especialmente nos seus comícios». Será a rational choice, como lhe chamam os sociólogos, pergunta-se. «Algumas pessoas fazem contas à vida e acham que, apesar de tudo, nunca estiveram melhores do que entre 2002 e 2015». Depois, «também há o fator medo, claro» e «a esperança de que o problema era José Eduardo dos Santos e que com o João Lourenço será diferente».

Proíbido cortar árvores

Resultado de imagem para noruega florestasA Noruega se tornou o primeiro país do mundo a se comprometer com o fim desmatamento em todo o território nacional, após decisão do Parlamento na primeira semana de junho. Para cumprir com a meta, o governo proibiu o corte de árvores e baniu a compra e a produção de qualquer matéria-prima que contribua para a destruição de florestas no mundo, informou o site da revista "Veja".
 Na sessão decisiva, o Parlamento também se responsabilizou a encontrar uma maneira de fornecer alguns produtos essenciais, como carne, soja, madeira e óleo de palma, sem causar impactos no ecossistema. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), esses quatros produtos são responsáveis por quase metade do desmatamento das florestas tropicais do planeta.
Imagem relacionada
A Noruega é a primeira nação a botar em prática a promessa feita junto à Alemanha e ao Reino Unido de promover esforços significativos contra cadeias de produção que gerem corte de árvores, assinada na Cúpula do Clima da ONU, em 2014.

Não é a primeira vez que o país escandinavo toma uma atitude pioneira em favor da proteção do meio-ambiente. Segundo a CNN, em 2008, a Noruega deu ao Brasil US$ 1 bilhão (mais de R$ 3 bilhões) para ajudar a combater o desmatamento na Amazônia e a situação foi reduzida em 75% em sete anos. Além disso, o país está no processo de restringir as vendas de carros movidos à gasolina até 2025.

segunda-feira, agosto 07, 2017

Para de beijar para atender o Chefe!

Antigamente as atitudes de subserviência dos “lambe-botas” cingiam-se aos fóruns privados. Costumavam fazer as suas operações cosméticas nos bastidores, mas depois foram evoluindo numa ordem inversa a da escala da evolução do homem, até se tornarem répteis. Antigamente, a subserviência pautava por certa discrição. Os “lambe-botas” regiam-se por regras mais dignificantes para eles, salvaguardando alguma auto-estima, que ainda havia, daí que se postulavam na prática de vassalagem mais subtil, como perguntar ao chefe como almoçou, como jantou, elogiar o corte de cabelo, elogiá-lo adjectivamente a excelente família e bela mulher do chefe, transmitir recados sociais, como que o povo está feliz com a governação e patati patatá. Conservavam uma atitude demasiadamente atenciosa para com o chefe, tratando-os como ovos ou vidros no seu funesto e servil exercício, apesar deles como subordinados serem mais fracos que o chefe. E nas situações em que o chefe se desequilibra e se vê quase a tombarem os bons dos novéis “lambe-botas” vão primeiro ao chão para poupar o chefe de cair e os colocam na posição normal.
Resultado de imagem para lambebotismo o que ]eUm novel “lambe-botas” comporta ligeiramente como um clone, sente o que o chefe sente, e antes do chefe tratar de chamar o médico, pessoal de apoio, já ele antecipou.
É uma profissão moderna e contemporânea, o lambebotismo. No nosso país, com a economia de mercado florescente, esteve para cair em desuso, mas foi salvo pelo centralismo, pois na falta de alternativas muitos “lambe-botas” encontram vagas na função pública, onde, pois, sem fazerem nada senão bajular o chefe têm o salário garantido e gozam de emprego estável porque cada vez mais há muitos chefes com apetência para serem publicamente bajulados. Alguns “lambe-botas” se redimiram do seu servilismo, enquanto outros sofisticaram os seus actos, porque não têm criatividade, ou senão, têm propensão pela vida fácil, já que podem conseguir muita coisa transpirando pouco e escovando bastante o chefe. A técnica dos “lambe-botas” corriqueiros, os nacionais, já que regrediram à primeira forma da evolução humana, consiste em limpar mecanicamente os sapatos dos chefes em público.
Inclinados sobre a cintura e à língua vão sorvendo a sujidade nos sapatos do chefe até à última poeira e cumprem escrupulosamente com o seu sagrado ofício. Não lhes faz nenhum caso, quando se trata de garantir minimamente o seu posto cobiçado por outros “lambe-botas” de carreira, pois quando se abre a vaga há sempre outro disponível para cumprir zelosamente com a função. Depois de jurarem aos pés dos chefes que cumprirão com toda a dedicação e energias indispensáveis este ofício que os tornam invertebrados antes os olhos comuns, ao que eles consideram a tarefa como a mais dignificante à face da terra.
Alguns poderão se espantar quando em público de repente o “lambe-botas” segura na calça do chefe, não seja porque tais calças estejam a cair, mas representa um rito, uma táctica mais avançada de polimento do chefe, o que lhe garante o pão. E um novel “lambe-botas” conhece as pretensões, as simpatias e o espécime do chefe e, em função disso, vai tecendo elogios ao chefe, para garantir a continuação nas tarefas e funções. Nos últimos dias os “lambe-botas”, graças à sua forma apurada de escalar a montanha, conseguiram a proeza de puderem bajular o chefe na nossa televisão nacional. Assistimo-los a rastejarem e avultam na Imprensa em suas vozes maviosas, a defenderem com lágrimas o chefe. Apressam-se a elogiar o chefe em público pela camisa bem engomada, esquivando-se a falar dos engomadores que não deixam o povo dormir e que praticam os mais bárbaros crimes na cidade.
Um novel “lambe-botas” conhece a lista de necessidades do chefe. Sabe a que hora o chefe é tomado por necessidades das mais primárias (comer, dormir, ir à casa-de-banho urinar ou defecar) até às gerais (férias, compras na África do Sul, data de aniversário da mulher do chefe e dos filhos). Um novel “lambe--botas” moçambicano pode cumprir dialéctica e biologicamente as funções pelo chefe, quando este não o pode fazer por si.
O novel “lambe-botas” tem no seu telemóvel um som específico de chamada para reagir num eventual telefonema do chefe, que por isso, quando o seu telemóvel começa a ladrar, estando com amigos ou mulher, mesmo a fazer sexo, detém-se. Exibe-o como uma medalha, como um troféu, porque o que conta para ele é mostrar que lida com gente superior, do poleiro. E quando os seus contactos são do mais alto nível, aumentam o volume do auscultador do telemóvel para que os demais reconheçam a sua importância. Tem uma inclinação a défice de amor-próprio.
O novel “lambe-botas” agora procura por um espaço na comunicação social, onde escreve a sua opinião. A opinião do “lambe-botas” circunscreve-se a não ter opinião.
Ele refugia-se em tarefas do seu expediente comum. Ao longo da semana ler todos os jornais, após o que elabora a sua prosa virulenta tentando regular a opinião e dizer como tal deve ser, num exercício de ditadura para agradar ao chefe e garantir o posto. O novel “lambe-botas” ganha um bom salário, por isso é da classe média alta.
Antigamente, para o ofício de “lambebotismo” dispensava-se a formação superior. Os “lambe-botas” do passado eram cidadãos básicos e que se contentavam com o pouco, mas os novéis “lambe-botas” que têm aspirações inconfessáveis e expectativas muito altas, alguns querem ser ministros e outros PCA’s de empresas públicas, antes de aparecerem em funções queimam alguns anos na faculdade.
Começam aqui o seu exercício de escalar na vida. Se estiverem numa academia pública, tratam de desempenhar funções de agente de segurança do Estado e todo o colega que manifestar nas aulas ou corredores um pensamento crítico ao regime, ao seu chefe directo tem denúncia garantida. E isso no fim recebe como prémio uma bolsa para frequentar uma universidade como a da Wits, na África do Sul, donde regressa mais treinado e mais determinado a desestabilizar quem quer que seja, quer o pai, a mãe, parentes. Porque ao novel “lambe-botas” o que lhe interessa é subir na escala da vida, ter uma casa no Belo Horizonte, no Triunfo, em Muhala Expansão, no Estoril, dois ou três carros, cinco amantes, de preferência aquelas que, como ele, guiam-se por levar uma vida faustosa. E o novel “lambe-botas”, contrariamente aos do passado que ainda tinham pudor, tem a sua ética, o elogio da mentira, o elogio da mediocridade. O que é a fonte maior da sua subsistência. O novel “lambe-botas” cuida, meticulosamente, de preparar e entregar ao chefe a lista de quem não simpatiza com o chefe e, se não houver, ele, pura e simplesmente, inventa inimigos do chefe, para isolar o chefe e tê-lo à sua mercê. Sacrifica normalmente os colegas competentes. O novel “lambe-botas” não faz paninhos quentes ao chefe em privado, fá-lo em público, como um acto perene de lealdade.
O novel “lambe-botas” é um verdadeiro vende-pátria!

(Por Adelino Timóteo)

Gorongosa, 6 de Agosto de 2017

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, reuniram-se para discutirem os próximos passos do processo de paz, refere um comunicado divulgado pela presidência.O encontro decorreu na Gorongosa e nele Jacinto Nyusi e Afonso Dhlakama “discutiram e acordaram sobre os próximos passos no Processo da Paz, que esperam que seja concluído até finais do ano“.O comunicado precisa ainda que os dois responsáveis “acordaram que iriam manter o seu diálogo e acompanhar de perto o trabalho das duas comissões, visando um novo encontro, em breve, para preparar os passos finais“.O texto do gabinete de imprensa da presidência de Moçambique foi enviado à imprensa , acompanhados com fotos do encontro.

quarta-feira, agosto 02, 2017

Neymar,quatro epocas e uma bola de ouro

Image result for neymar
Brasileiros, problemas fiscais, família e pressão são fundamentais para o camisa 11 azul-grená abandonar o Barcelona.Pelo menos é o que diz o jornal catalão Sport, que fez uma lista revelando porque o camisa 11 azul-grená  deixar o clube para jogar no Paris Saint-Germain, que  disposto a pagar a multa rescisória de 222 milhões de euros para tirá-lo da Catalunha. Confira a lista,  de motivos para Neymar ter deixado o Barça:

Messi não é o culpado
Segundo o periódico, Messi não é uma das razões para Neymar querer deixar o Barcelona. O argentino e o brasileiro são grandes amigos e o camisa 11 inclusive declarou, em entrevista exclusiva à Goal Brasil, que o número 10 é muito generoso e lhe deixa brilhar.

Clã brasileiro
Uma das razões, porém, seriam os brasileiros. O Barça tem apenas Rafinha e Douglas no elenco atual, sendo que o segundo provavelmente será emprestado. A contratação de Paulinho virou novela, Lucas Lima não deverá reforçar o clube, que já falhou em contratar Gabriel Jesus e Gabigol. O Barça ainda negociou Dani Alves e Adriano nos último anos. Ney ainda tem Messi e Suárez como grandes parceiros, mas sua amizade com eles é diferente por vários motivos: idade, idioma, estado civil, filhos, escola dos filhos, mulheres...
Já o PSG conta com Thiago Silva, Marquinhos, Dani Alves e Lucas, sem falar no ítalo-brasileiro Thiago Motta, e Neymar gosta de ter compatriotas por perto e no vestiário.

A família
Também existe uma pressão familiar para que Neymar deixe o Barcelona. Destinado a ser o melhor jogador do mundo, Neymar só chegou ao pódio da Bola de Ouro uma vez desde que se transferiu para a Europa. Ele já está há quatro épocas no Velho Continente e conquistou 10 títulos.
Image result for neymarNeymar teria a sensação de que precisa de uma mudança para dar o salto que todos querem ver e se tornar o melhor jogador do mundo.
Posicionamento e Seleção
O posicionamento também faz diferença. No Barça, Neymar atua aberto pela esquerda, sem a liberdade extrema que possui na Seleção Brasileira, onde seu protagonismo é ainda maior e ele marca mais gols, proporcionalmente. Sendo a grande estrela de uma equipe, como pode ser no PSG, Neymar pode atuar em um posicionamento semelhante e ser ainda mais líder, como é no time de Tite.

Problemas judiciais
Desde que chegou ao Barcelona, Neymar enfrenta vários problemas por polêmicas em sua transferências. Audiências, denúncias, acusações de fraude fiscal, julgamentos... Isso afeta a imagem do craque, que acredita que poderá acabar com isso se transferindo para o PSG.

Novo treinador
A forma como o Barcelona tem trabalhado no mercado também afeta seu futuro. Nenhum compatriota foi contratado, nem um treinador que pode lhe convencer a continuar no clube.

Dakika kumi na sita

Na semana passada escutei uma entrevista impressionante. Não me lembro de ter ouvido uma moçambicana – ou um moçambicano – a abordar questões políticas com tanta lucidez, tanta coerência e tanta convicção como essa moçambicana da entrevista nos últimos 40 anos. Reconheço que o que não me lembro não precisa de coincidir com a realidade. A entrevista foi em 1974. Ela falava da independência que se avizinhava, dava o crédito pela libertação à Frelimo e formulava o desejo legítimo de que a independência a ser negociada com Portugal produzisse um Moçambique plural que iria acomodar todas as opiniões, sensibilidades e culturas.
Foto de Elisio Macamo.Eu, como muitos outros moçambicanos da minha idade, vivi a euforia dos primeiros anos da independência como um filme “Western”. Havia os bons e havia os maus. Os bons eram os que trouxeram a liberdade. Os maus eram os que os bons acusavam de ter sido traidores duma pátria que ainda não existia. Essa moçambicana fazia, e continua a fazer, parte dos maus. E cantávamos sobre ela, dizíamos que tinha sido “reaccionária”. Ela desapareceu, não se sabe para onde. Até hoje. Há apenas especulações mais ou menos fundadas sobre a sua execução sob acusação de ter traído a pátria ou, como alguém sugeriu numa discussão, de ter sido “lesa-pátria”. Estou a falar de Joana Simeão.
Este não é um assunto fácil de abordar. Para pessoas como eu, beneficiárias da liberdade que outros mais corajosos, mais visionários e mais intrépidos do que os nossos próprios pais produziram, é sempre muito mais fácil assumir uma posição de superioridade moral. É fácil hoje, com a distância do cheiro da pólvora, das intrigas próprias duma insurreição armada, exigir o tipo de rectidão moral que eu próprio, nas mesmas circunstâncias, talvez nunca teria tido. E é fácil também transmitir a ideia de que as vítimas das acções desses grandes homens e mulheres que fizeram a nacionalidade moçambicana seriam, elas próprias, santas ou, quiçá, a melhor alternativa para o país. É fácil também transmitir a impressão de querer remexer em feridas que se deviam deixar sarar para o bem de todos. Portanto, não é fácil abordar este assunto.
Não obstante, abordo-o porque as razões que são dadas para que o assunto não seja abordado não me parecem úteis e, também, porque acho que a cultura política predominante no país está profundamente ligada ao facto de abordarmos estes assuntos como se fossem tabús. Dão-se essencialmente três razões para que se não fale deste assunto.
A primeira é que ela estava contra a independência e, por isso, não merece nenhuma atenção. O problema com esta razão é que ela impõe como pré-condição para a discussão a aceitação daquilo que está em discussão. Impõe-se como critério o conjunto de razões que levou ao afastamento dessa mulher do processo político. Este critério é difícil de satisfazer sobretudo também porque nos obriga a adoptar um vocabulário (marxista) responsável pela traição do nacionalismo quando, e como bem diz o historiador João Paulo Borges Coelho, a luta armada de libertação nacional se tornou numa fábula para justificar a prerrogativa de alguns de governar e não num momento da história nacional.
A segunda razão aponta para um facto incontornável, nomeadamente que a história não é sempre feita por santos. Isto é verdade. A independência de Moçambique conquistou-se a ferro e fogo. É natural, portanto, que nesse processo pessoas de bem, pessoas que em circunstâncias normais nem a uma mosca fariam mal, virem feras e tenham de fazer coisas extremas. Eu concordo com este ponto de vista, mas não o considero razão suficiente para que se não discuta o passado, incluíndo essas acções. Isto por duas razões.
Primeiro, ao se falar desses casos num momento de reflexão sobre as pessoas e as acções que constituíram a nossa nação não se está necessariamente a falar de responsabilidade criminal ou jurídica. Está-se a falar do conjunto de valores que devem fazer parte da nossa comunidade moral. Está-se a levantar a questão de saber se o princípio dos fins que justificam todos os meios é útil no processo de construcção da nação. A julgar pelo constante recurso que se faz a este princípio no nosso país, é evidente que ele não é bom. Ele legitima tudo, incluíndo a falta de respeito que parece ser uma característica forte da maneira como nos relacionamos. Se alguém se sente prejudicado pela forma como as eleições decorreram, ele pega em armas, embosca e mata civis e militares e ainda tem o benefício da dúvida duma esfera pública moldada e forjada no principio dos fins que justificam os meios.
Image result for colonizacao mocambique
Também não concordo com o ponto de vista segundo o qual a prática de atrocidades seria normal em processos desta natureza e, por isso, não devíamos falar sobre o assunto porque queremos olhar para as pessoas que fizeram isso como nossas heroínas. Ora, um herói não é uma pessoa imaculada – nem mesmo Jesús ou Maomé foram. Não são só as acções que definem um herói, mas a sua coragem em assumir responsabilidade moral pelo que fez. Impedir a discussão destes assuntos com base no argumento segundo o qual essas coisas seriam normais é privar os heróis da oportunidade que eles têm de assumirem públicamente o que fizeram. E pior: é negar-lhes o direito de irem ao seu descanso eterno aliviados dum peso que devem ter na consciência se realmente forem pessoas moralmente íntegras. Se a execução de pessoas sem processo nem transparência não lhes cria nenhum problema de consciência, então duvido muito da integridade moral dessas pessoas e, por isso, da sua heroicidade.
A terceira razão dada para não falarmos deste assunto é de que só atrapalharia o processo de construcção nacional. Aqui também concordo que há um potencial destructivo em toda insistência naquilo que de negativo existe na nossa história. Uma nação, essa comunidade imaginada sobre a qual falam alguns historiadores, constrói-se com mensagens positivas. Sim, mas não só. Há, por um lado, um certo sentido em que uma história não reflectida estimula o cinismo, o que produz o efeito contrário de minar o sentimento patriótico. Existem vários exemplos disto na nossa esfera desde a algo estúpida discussão sobre se Chipande deu o primeiro tiro até à irrelevante discussão sobre se Mondlane é mesmo o arquitecto da unidade nacional. A narrativa histórica sobre a qual Moçambique assenta como projecto nacional virou em muitas mentes uma farsa, objecto de ridicularização.
Mas por outro lado existe o perigo de valorizar uma versão histórica que apenas legitima a prerrogativa de poder dum grupo de pessoas e é vista assim pelo público. Isso traz consigo três problemas. O primeiro é óbvio. A legitimidade do poder será sempre posta em causa por aqueles que não têm o poder. A consequência disso é que cria um ambiente intelectual dentro do qual a resistência a esse poder, não importa se bem fundada ou não, será sempre bem vista por muitos sectores de opinião. Há um lado doentio na celebração, por exemplo, da morte de militares vitimados pelas acções da Renamo nos últimos quatro anos, mas ela é também fruto da perda de legitimidade não por causa duma suposta fraude eleitoral, mas por se não reconhecer autoridade moral naqueles que detêm o poder.
O segundo problema é que gente que não tendo praticado acções tenebrosas, mas defendeu discursivamente essas acções como fazendo parte dum projecto supostamente “revoluccionário”, hoje passeia pela história como apóstola moral e exemplo duma ética que fez mal ao país. Hoje essa gente reclama a perda de valores que foi possível justamente por causa desse projecto, por causa do seu autoritarismo, da sua arrogância e da sua incapacidade em pensar um Moçambique que não fosse prerrogativa exclusiva dos fazedores da “revolução”.
O terceiro problema é um problema com o qual estamos a braços desde 1975. É o problema de se pensar que se a luta pela independência confere a prerrogativa de poder a alguns só uma outra luta – como a da Renamo com todas as suas atrocidades – constitui forma viável de contestação do poder. É de novo aquele problema dos fins que justificam os meios. Um desgraçado aguerrido e disposto a soltar o gatilho lá de Manica mantém o nosso país refém da sua vaidade pessoal há décadas com recurso a este princípio.
https://cursista.files.wordpress.com/2012/06/colonizac3a7c3a3o1111111111111111.jpgHoje temos uma cultura política violenta que está intimamente ligada à ausência duma discussão franca e aberta sobre os maus momentos da nossa história. Por causa das zonas de penumbra da nossa história, ninguém tem autoridade moral para nada, por isso, não existe entre nós figura(s) moralmente capaz(es) de liderar o processo nacional. O grande feito que foi a independência é visto com cinismo, na melhor das hipóteses, ou até posto em causa, na pior, simplesmente porque foi conduzido por pessoas de conduta moral duvidosa. Só num país como o nosso é que um líder político pode manifestar em plena entrevista pública o desejo ainda que retórico de ver o país entregue de volta aos colonizadores e só sofrer críticas daqueles que o criticariam de qualquer maneira, falasse ele bem ou não.
A violência da nossa cultura política vem também desta história que nunca foi trabalhada. Por causa dessa lógica dos fins que justificam os meios, todo aquele que se sente com razão para seja o que for que lhe der na gana sente-se também no direito de tratar os outros como bem entender. Quando vejo gente que se espanta pelos maus tratos a que pessoas estão sujeitas nas minas de rubis fico eu próprio espantado. Esse é o Moçambique real da falta de respeito pela dignidade humana, algo que não é prerrogativa do governo, mas sim de todo aquele que se sente em posição de infligir a dor ao outro. Mesmo aquilo que chamamos de corrupção - e dá de comer aos espertinhos que vendem isso aos doadores - não é outra coisa senão uma manifestação da falta de respeito que define as relações humanas entre nós. Se eu estiver com fome, ou quiser mais, tiro simplesmente, que se lixem aqueles que não têm, que se lixe a comunidade. E se alguém me apertar para justificar, vou evocar o interesse nacional. Eu posso sujar o nome de pessoas, arrastar a sua reputação na lama em nome duma moral bombástica que tem a sua raiz neste princípio dos fins que justificam os meios.
Como simpatizante assumido duma Frelimo que aos poucos se tem distanciado da folia revolucionária que a levou a violar a dignidade humana naqueles anos de euforia guardo a esperança de que ela um dia, mais cedo do que mais tarde, e em nome da nacionalidade que ela criou, mas também para permitir que os heróis se libertem do peso do que eles em circunstâncias normais nunca teriam feito, trabalhe esse passado, peça desculpas onde for necessário e mostre que é, na verdade, muito maior do que os outros. À Frelimo posso manifestar esse desejo porque, apesar de tudo, ela se norteou por objectivos nobres ao contrário dos que se deixaram instrumentalizar por forças externas para semear a morte e a destruição no país.
Um primeiro passo nesse sentido seria a meu ver a reabilitação de pessoas como a J.Semeao num distanciamento claro dessa horrível linguagem de “contra-revoluccionária”, “lacaia do imperialismo” e “fantoche” que adiou a nossa independência efectiva por muitos e longos anos e, potencialmente, tirou a nacionalidade a muitos que a ela tinham direito, mesmo pensando diferente. (Eliseu Macamo,professor na Universität Basel )