quinta-feira, julho 20, 2017

Sonho da LAM fica para depois

Imagem relacionadaO sonho das Linhas Aéreas de Moçambique(LAM) adquirirem três novos aviões Boeing 737 ruiu por falta de dinheiro no ano passado, entretanto o pagamento inicial de cerca de 25 milhões de dólares norte-americanos, um financiamento que a empresa contraiu no Moza Banco com carta de conforto do Governo, não é recuperável por quebra de contrato.
Em Fevereiro de 2014 as LAM anunciaram a aquisição de três aviões Boeing do modelo Next-Generation 737-700, num investimento total de 228 milhões de dólares norte-americanos, como parte da sua estratégia para aumentar destinos. Marlene Manave, a então administradora-delegada, perspectivava que a companhia de bandeira nacional iria poder voar mais destinos no nosso continente e até para fora de África.
Resultado de imagem para boeing 737 700 NGPassados pouco mais de dois anos as Linhas Aéreas de Moçambique suspenderam a compra. De acordo com o actual presidente do conselho de administração, António Pinto de Abreu, por falta de dinheiro para financiar a operação.
Entretanto sabe-se que como pré-pagamento as LAM pagaram à empresa Boeing 25 milhões de dólares norte-americanos, conseguidos através de um financiamento no Moza Banco.
De acordo com o Relatório e Contas de 2015, o empréstimo concedido em 2014, pelo prazo de 30 meses, foi conseguido graças a uma “carta de conforto emitida pela Governo de Moçambique representado pela Direcção Nacional de Tesouro, nos termos e condições aceites pelo banco, com valida até à maturidade do presente financiamento”.
Imagem relacionada
“A 31 de Dezembro de 2015 encontra-se em dívida 864.250.000 meticais”, pode-se ler do Relatório e Contas.Nas contas da LAM está no entanto registada uma dívida da Boeing no valor de 1.164.637.974 meticais, que se entende corresponderem ao valor do pré-pagamento com a devida correcção cambial. Não se conseguiu obter esclarecimentos da Administração das Linhas Aéreas de Moçambique mas esta inscrição na rubrica de activos financeiros deixa a impressão que a empresa está negociar com a contra parte norte-americana o reembolso do pré-pagamento. Entretanto fontes com conhecimento do dossier afiançaram ao que o pré-pagamento, de acordo com o contrato assinado com Boeing, será um valor não reembolsável afinal a quebra de contrato aconteceu por iniciativa da companhia moçambicana.
Resultado de imagem para boeing 737 700 NGAliás a colocação deste valor como recuperável minimiza as perdas das LAM que no fecho do exercício financeiro de 2015 acumularam um prejuízo de 2.716.740.653 meticais que contribuiu a situação de falência técnica pois o capital social próprio da empresa cifrou-se em 1.321.839.818 meticais negativos. Se o pré-pagamento à Boeing fosse adicionado os prejuízos iriam disparar para mais de 3,8 biliões de meticais. Sabe-se que em 2016 o Estado, maior accionista da empresa, alavancou as LAM, com uma injecção de capital que não foi possível apurar. Portanto os moçambicanos além de não receberem aviões perderam 25 milhões de dólares que apesar disso vão ter de pagar ao banco que financiou a operação. Ironicamente a instituição financeira financiadora foi intervencionada pelo Banco de Moçambique justamente com dinheiro do povo. (@VERDADE) 

quarta-feira, julho 19, 2017

Pressão popular,regional,gás,petróleo,carvão,rubis,…...

O académico João Pereira considera positivo o novo formato das negociações entre o governo e Renamo, que reduziu o número de intervenientes no processo. Entende que um diálogo directo permite a rápida identificação do problema para posterior resolução. Para o director-executivo da Fundação do Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC), neste momento, o grande desafio das partes é a construção da confiança para que haja avanços.

O ano começou com declarações de tréguas, de princípio, prorrogáveis, e agora sem prazos. Como olha para o processo das negociações? Acho que houve dois momentos fundamentais nesse processo. O primeiro é a retirada do processo negocial da esfera pública. As negociações deviam ir para os mecanismos exactos, que sempre trouxeram resultados, se fizermos uma análise comparada com o que acontece no resto do mundo. Acho positiva a retirada de grande parte das pessoas que estavam envolvidas, pois assim se cria um ambiente favorável ao diálogo. O anterior formato impedia que as duas lideranças tivessem informação exacta do que cada uma das partes dizia ou com que não concordava. Quando há muitos envolvidos, há muita contradição, dificuldades de processamento e análise para se apontar os reais problemas com que a outra parte não está de acordo. Permitindo um diálogo directo rapidamente se identifica o problema. Está de parabéns o Presidente Filipe Nyusi por ter concluído que era preciso abandonar aquele modelo alargado e, por outro lado, ao líder da Renamo por ter entendido que era preferível fazer uma negociação directa. O segundo ponto é que se alcan- çou aquilo por que grande parte das populações, principalmente, das áreas altamente afectadas pelo conflito clamava. Conseguiu-se dar uma estabilidade às populações, criou-se um ambiente favorável às populações e para a circulação de pessoas e bens, o que até certo ponto estabilizou a economia do país.
Diz que há um ambiente favorável ao diálogo, que pode contribuir para uma rápida solução, mas o líder da Renamo lamenta a lentidão do processo e o PR pede paciência...
Isto mostra o quão complexo é o processo de negociação de paz. No exacto momento, a questão de fundo é o pacote sobre a descentralização, que, na lógica da Renamo, deve ser submetido primeiro à Assembleia da República (AR) pelo governo, para que se possa avançar com a desmilitarização e a retirada das suas forças das matas para a integração na sociedade. O executivo também teme que possa avançar com a proposta e a Renamo recue, e aqui toda a responsabilização daquilo que vier a acontecer no futuro pode recair para o Presidente Nyusi. Estamos neste dilema de quem avança primeiro. Este é um problema sério, que exige que seja eliminada toda a desconfiança reinante no processo. As negociações devem ir de forma paralela e, por outro lado, deve existir uma data de submissão à AR da proposta de reforma da Constituição da República ou da proposta de descentralização e ao mesmo tempo se avançar com todo o programa de desmilitariza- ção da Renamo.
Resultado de imagem para João Pereira maputo

Agora Dhlakama reivindica que avançou na concessão de tréguas sem prazo e acusa Nyusi de faltar com a palavra ao não retirar as posições militares à volta da Gorongosa...
Isto é normal num processo como este, porque a confiança, embora esteja a ser construída, ainda não é total entre as partes. Há um passado recente em que a retirada de Dhlakama acabou com a intervenção das Forças de Defesa e Segurança na cidade da Beira e isso não se apaga de um dia para o outro. O governo vai dizer que tem de retirar os militares, mas não vai tirar na totalidade, porque tem de vigiar a Renamo para que não se reagrupe e rearme noutras posições estratégicas, o que é difícil agora devido às restrições logísticas. No passado, contava com o apoio dos países vizinhos, que, através de helicópteros, tiravam as tropas de um lugar e colocavam- -nas noutro, bem abastecidas, mas agora não tem esse apoio. A Renamo só pode acusar o governo de manter as tropas nos arredores como uma forma de controlo. Enquanto não houver confiança suficiente na mesa de que ambas as partes vão chegar ao acordo, vai ser difícil. Pode perecer uma contradição ou fragilidade por parte do Presidente da República, mas não é porque ele está a par de tudo o que está a acontecer. Ele foi ministro da Defesa e sabe que em situação de guerra não há como deixar a base estratégica de controlo das movimentações da contraparte, antes de se assinar um acordo. Vai ser difícil a saída na totalidade das tropas governamentais ou vão ter de operar na clandestinidade no sentido de continuar a controlar as movimentações da guerrilha da Renamo.
Pretenderá dizer que as restrições logísticas da Renamo podem ter sido um dos motivos que levaram Dhlakama a negociar tréguas?
 Há vários factores que podem explicar as tréguas. Daquilo que vi no terreno, temos a questão da seca, necessidade de abastecimento alimentar, porque a guerrilha precisa de comer. Quando estás perante uma população que não tem mecanismos de se alimentar a ela própria, fica difícil à mesma população dar de comer aos guerrilheiros. Depois tens a insatisfação das comunidades, porque a base social cria-se quando há insatisfação em relação aquilo que o governo está a fazer. Agora aquelas populações preferem a paz em relação ao que o governo ou a Renamo fazem e concluíram que nenhuma daquelas forças vai resolver os seus problemas do dia-a-dia. As comunidades até se questionam porque a guerra é sempre aqui e não noutros locais, porque já perderam muitos familiares, machambas entre outros bens. A Renamo é uma guerrilha que não foi treinada para o meio urbano, mas sim para o rural e ficaria difícil atacar outros pontos como zonas próximas da capital sem logística muito forte. A guerra estava a ter impacto económico, porque não havia movimento de carros, mas ainda não era suficiente para levar o governo da Frelimo a negociar a paz.

Então o que leva o governo a negociar?
A pressão popular, regional e internacional e um jogo de interesses que existem a nível do gás, petróleo, carvão e outros recursos de que o país dispõe. A questão da dívida pública, a incapacidade do Estado de arrecadação de receitas para alimentar uma guerra de grande envergadura ou de baixa intensidade que seria de longa duração. Ambas as partes compreenderam bem que não era possível vencer por via de um conflito armado, era preciso entrar na via negocial, porque as condições materiais para a guerra não existiam.
Dizia que não existe confiança suficiente para o governo deixar as bases da Renamo, agora decidiu transformar Namadjiwa e Satungira em esquadra e quartel, respectivamente, será que isto não vai comprometer o diálogo?
Se eu estivesse no lugar do governo faria a mesma coisa, porque estamos perante uma luta de sobrevivência e de natureza política e militar. Se o governo está em condições de defender os seus interesses de natureza política, num campo onde há falta de confiança mútua, só pode ocupar as áreas vitais que alimentam a guerrilha. O governo viu que aqueles lugares são estratégicos e a solução é transformá-los em quartéis e esquadras, o que se enquadra na política governamental. Ninguém pode criticar o governo quando implanta esse tipo de infra-estruturas para garantir a segurança do país.

A construção da confiança cai ou não por terra?
Acho que não. O governo e a Renamo deviam encontrar um ponto em que de uma vez por todas retirem todos os obstáculos. Criavam uma comissão mista [agora existe de monitoria e verificação composta por oito homens, quatro para cada lado] para verificar o que está a acontecer no terreno, que deve trabalhar com outros sectores como sociedade civil e órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros, que desenvolvesse um mecanismo de monitoria do que se está a passar lá. Esse tipo de mecanismos neutros, que permite a recolha de informação e apresentação à comissão mista, seria muito útil neste momento do que transformar aquelas áreas em áreas puramente militares ou ligadas à polícia.
Isto pode ou não levar a Renamo a activar outras bases suas noutros pontos? A melhor via é o diálogo. Se a Frelimo mostrar um sentido de arrogância e começar a ser vista como o não facilitador do processo por transformar aquelas áreas em esquadra e quartel, pode sofrer consequências severas nas eleições, por não ter garantido uma paz duradoura ou um diálogo para a paz. É que nesse processo existe a parte política, que é o diálogo, mas também a opinião pública e, neste momento, com a crise da dívida pública, a Renamo leva vantagem. Ficando na defensiva, ganham mais aceitação a nível da popula- ção.

O presidente da República diz que está comprometido com a paz, sente esse compromisso? Ele já deu indicação de que está a avançar no processo. O que noto é que se calhar ele não tinha noção da complexidade das coisas e, se tinha, pensava que era fácil a sua resolução. Para ser fácil ele precisa do apoio não só da Renamo, para identificar o problema, que está já minimamente identificado. Tem de saber que há coisas que não podem ser feitas em menos de um mês, se falharam, por mais de vinte anos. É preciso que o sector privado, comunidade internacional, Sociedade Civil e meios de comunicação social ajudem não só na apreciação crítica, mas também na solu- ção como fazer a integração dos homens da Renamo. Que tipo de mecanismos podemos usar para fazer o enquadramento no sector da Defesa e Segurança e integrá-los na sociedade.
Quando o líder da Renamo admite que o acordo saia no final do ano é sinal de que entendeu a complexidade do diálogo? Ele não é criança e sabe que não é de um dia para o outro que se resolve. Toda a gente concorda com a questão da descentralização. Não há ninguém da Frelimo que nega a descentralização, só que discordam de como fazer e que nome atribuir. Se chamares federalismo, a Frelimo fica em pânico, alegando que nos vai dividir. Há Estados centralizados que acabaram em caos e há tantos outros federais que não acabaram em caos. EUA e Brasil são exemplos de estados federados, enfrentam crises sucessivas que não degeneram em guerra civil. Temos estados centralizados como Moçambique que há mais de 40 anos vivem de guerras. Não é por causa da descentralização, é porque não existe mecanismo apropriado que ajude a inclusão.

À semelhança de Brazão Mazula e Carlos Machile defende que Moçambique seja um Estado Federado?
Resultado de imagem para João Pereira maputoNão. Eu defendo um Estado que cria mecanismo que permitem a inclusão dos outros e nada de exclusão. Pode-se atribuir o nome que quiserem desde que mantenha o princípio. A Nigéria é um Estado Federado, mas ainda não acabou com o conflito. Pode criar autonomia numa região, mas se os recursos estiverem na mão de um grupo a nível central vai resolver problemas de assimetrias? Vai resolver problemas de exclusão? O problema neste país não é o nome das coisas, é o mecanismo e a cultura que permite a exclusão de uns e a vitória dos outros. O enriquecimento dos mesmos grupos e o empobrecimento dos outros. O nosso problema tem que ver com a atitude, a cultura política de como vês o adversário, como é que trazes o teu adversário para fazer parte do mesmo jogo consigo. O projecto Moçambique Capitais, que detinha o Banco Moza, tinha de inspirar os nossos políticos, porque estão lá representados indivíduos da toda a esfera da sociedade (Renamo, Frelimo, MDM, empresários, sociedade civil entre outros) é isso que defendo quando falo de inclusão.
Dos protagonistas do diálogo quem tem uma proposta que se aproxima a essa? Desta vez, o diálogo decorre fora dos holofotes dos media e é tão restrito que nem a Renamo nem o governo apresentam as propostas. Soubemos que o MDM submeteu uma proposta sobre descentralização na AR, mas não é pública. O MDM ainda não apresentou ao povo o que pretende com a descentralização, do que acompanho nas pequenas entrevistas não explica como devem ser executadas as coisas. Não é só dizer que o governador deve ser eleito, há que falar da política de compensação, porque haverá províncias com maior capacidade de arrecadação de recursos e outras com menor capacidade. Então como será feita a compensação financeira nessas províncias, qual será a relação entre o governo central e provincial; governo provincial e os municípios, quais as representações do Estado a nível do município e da província que tipo de mecanismos serão implementados. Se esta reflexão não for feita de forma profunda vamos acabar com conflito de hoje para criar outros no futuro. Por mais que a Renamo queira que seja rápido tem de ser gradual, com um sistema de monitoria e implementação de políticas futuras. O que é feito pelos partidos políticos, apesar de não ser especialista nessa área, acho que devem ser análises muito profundas, que possam ajudar a responder as minhas dúvidas. Na área de descentraliza- ção, há que responder às questões de fundo, porque se está alterar um sistema político. Este país é enorme para ser gerido a partir de Maputo.

Acredita num acordo até ao final deste ano? Sim. Mas vai ser uma “trégua”, porque as condições que levaram o país à guerra ainda existem hoje e vão ser postas em prática em 2019, depois das eleições. Não temos instituições credíveis. A Comissão Nacional de Eleições (CNE) não é credível, as investigações do afrobarómetro mostram a tendência de declínio dos índices de confiança da população pela CNE. O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e o Ministério do Interior não são credíveis, os níveis de confiança são baixos. Se hoje temos alguém do SISE a concorrer para ser director duma CNE provincial já mostra o que o processo nos vai dar. Esta é uma trégua, pode não ter característica de uma violência armada, mas é uma trégua.

Para dizer que estamos longe de alcançar a paz efectiva? A paz efectiva deverá ser construída por todos nós. Não é responsabilidade de Nyusi, Dhlakama e MDM apenas, é de toda a sociedade moçambicana. Acredito que a Renamo vai passar por uma fase de transformação e chegará o momento em que existirão condições para que continue a participar no jogo democrático armada. A Renamo é um caso de estudo por ser único partido a nível da região que participa no jogo democrático armado. Mas, alguns dizem que o governo força a Renamo a armar-se, ou seja, ela reflecte o tipo de governo que temos.(X)

terça-feira, julho 18, 2017

O AUTARCA previa a crise do MDM

Resultado de imagem para cidade da beiraO Autarca (21/04/11) (primeiro jornal electrónico editado na cidade da Beira) – Desde o anúncio público da crise no Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a mais recente formação política criada no país, que tem a principal base de apoio a cidade da Beira, onde coincidentemente o Jornal O Autarca tem a sua sede desde 1998, temos sido confrontados por diversos segmentos da sociedade para emitirmos o nosso posicionamento em relação ao que se está a passar neste partido que apregoa “Moçambique para Todos”. Quanto a nós, a crise actual no MDM é apenas uma pontinha do iceberg. Conhecendo o MDM por perto, não temos receios de afirmar que este partido já nasceu de crise, por conseguinte é óbvio afirmarmos que vai continuar a viver de crises. Foi preciso haver crise que afectou alguns membros da Renamo para os mesmos fundarem o MDM. Portanto, o MDM não foi estruturado numa base semelhante a outros partidos que são fundados para se tornarem alternativa política, com pressupostos científicos, mas sim este partido foi criado numa base de vingança à liderança da Renamo, o principal partido da oposição moçambicana. Isso que se diga em a bono da verdade, e o que resultou foi a fragilização antecedida da fragmentação de toda uma oposição nacional, dando enormes vantagens a Frelimo que governa o país há 36 anos. Foi preciso os Ismael Mussa, os Dionísio Quelhas e companhia se desentenderem com a liderança da Renamo para se pensar na criação do MDM. Foi preciso o próprio Daviz Simango que lidera o partido ser expulso da Renamo para se precipitar nesse projecto político que de início até teve a felicidade de reunir alguma simpatia do eleitorado a ponto de conseguir sete assentos na Assembleia da República. Mas tanto o MDM como o próprio líder todos falharam porque acreditavam que fosse possível suplantar a Renamo e o seu líder Afonso Dhlakama, o que não aconteceu, acabando por ficar atrás e com uma diferença enorme. Ou seja, Daviz Simango não conseguiu tornar-se o segundo candidato mais votado que lhe daria no mínimo o direito a membro do conselho de estado, e os membros que conseguiu eleger para Assembleia da República foi necessário um “favor” da Frelimo para se constituírem em bancada, passando a obter alguns privilégios que a lei consagra para esse estatuto. De tudo quanto se diz hoje sobre a liderança do MDM não vemos nada de novo. Os problemas de nepotismo, amiguismo, servilismo, clientelismo e outros promovidos por Daviz Simango já são sobejamente conhecidos, a começar da gestão do município da Beira…………..


Exmo Senhor Presidente do Partido MDM
Assunto: Carta dos Quadros Preocupados
Senhor Presidente (na foto)
Resultado de imagem para daviz simango
A nossa história política recente de que os moçambicanos têm memória mostrou que a falta de visão e má fé de alguns homens criaram um ambiente de desconfiança, de desprezo e desvalorização do “outro” pelas suas diferenças étnicas, regionais e de pensamento. Esta situação, de algum modo, justificou a necessidade do surgimento do MDM como um partido congregador e respeitador de valores e princípios éticos e morais que poderiam renovar, nos moçambicanos, a esperança de um Moçambique íntegro, inclusivo e democrático; um MOÇAMBIQUE PARA TODOS! Duvidamos que estes princípios, hoje, constituam a base que norteiam as acções políticas do MDM e o comportamento dos seus quadros superiores. Nós, membros fundadores e quadros do MDM, estamos preocupados com o rumo que o nosso partido está a seguir. Quando se fundou o MDM, estávamos convencidos de que iríamos desenvolver uma instituição/organização moderna que funcionasse nos moldes verdadeiramente democráticos e inclusivos. Granjeamos respeito e admiração, dentro e fora de Moçambique, pelo facto de, em pouco tempo, termos conseguido mobilizar meios humanos, técnicos e materiais para se formar o partido MDM, em 7 de Março de 2009, na cidade da Beira, província de Sofala, e participarmos, de forma condigna, nas eleições gerais de 2009. No entanto, o que temos vindo a verificar é a construção de uma organização política baseada na confiança familiar, étnica/tribal e regional. Estávamos esperançados que com o decorrer do tempo, o Partido iria abrir-se para permitir que mais moçambicanos, desejosos de darem a sua contribuição para o crescimento e fortalecimento da nossa organização política, se juntassem a nós pelo simples facto de serem moçambicanos e não por pertencerem a determinada família, etnia ou região. O que vemos hoje a acontecer é toda uma estratégia camuflada de impedir que tal aconteça e até mesmo de impedir que os actuais membros do partido (fundadores) que não partilham da mesma visão estratégica da liderança do Partido e que não se enquadram nas condicionantes familiares, étnicas e regionais desta liderança encontrem espaço de acção no seio do Partido e contribuam efectivamente para o engrandecimento do mesmo, gerando-se assim um ambiente de desvalorização do outro, desprezo e desconfiança.

Com efeito:
1. Verifica-se hoje que tanto a liderança como a maioria dos quadros do partido não conhecem aquilo que é a lei mãe do partido – o seu Estatuto. Consequentemente, estes Estatutos são repetidamente violados pelos órgãos do Partido particularmente pela Presidência e pela Comissão Política. Todos os órgãos do Partido têm a obrigação de conhecer os Estatutos e agir em conformidade com o mesmo;
2. O Presidente do Partido desconhece ou prefere ignorar os limites das competências estatutárias a si atribuídas chamando para si competências que não lhe foram atribuídas pelos Estatutos do Partido agindo assim como dono e senhor do mesmo, passando a impressão que apenas tolera a existência de outros órgãos no Partido por mera questão formal e porque a lei impõe a existência destes órgãos;
3. O manifesto eleitoral do Partido elaborado por alguns dos signatários desta carta e adoptado pelo Partido antes das eleições e publicitado pelo mesmo não foi alvo de estudo por parte da liderança do Partido nem dos seus órgãos, consequentemente, muitas das acções do Partido não se coadunam com aquilo que é a visão do Partido, plasmado naquele manifesto eleitoral;
4. As deliberações políticas do Partido são tomadas atropelando os procedimentos estatutários do Partido. Na última reunião da comissão política esta aprovou, segundo foi publicitado pelo porta-voz do Partido, o plano estratégico do Partido sem que tivesse competência para tal atropelando assim os estatutos do Partido;
5. Hoje verifica-se no Partido a existência de estruturas paralelas, uma gerida pelo Presidente e outra pelo Secretário-geral. Este facto tem vindo a criar um ambiente de desgaste, desvalorização das estruturas legitimadas e crise de autoridade bem como a dispersão de esforços e parcos recursos existentes, como resultado da existência destas estruturas paralelas;
6. Verifica-se, actualmente, no seio do Partido a formação de brigadas ditas nacionais, sob as ordens do Presidente do Partido, sem qualquer intervenção do Secretariado-Geral que é a entidade competente para coordenar as actividades políticas e administrativas do mesmo, saídas da Cidade da Beira. Estas para além de serem um órgão não previsto em termos estatutários, tem criado, nas Províncias que as recebem, um clima de suspeição, de desconfiança e insegurança por parte dos dirigentes locais, porque elas tendem a ser vistas como instâncias ou grupos de “choque” do Presidente para impor a ordem e reestruturar os órgãos de direcção ao nível provincial e/ou local. Muitas vezes, a formação destas brigadas baseia-se em critérios subjectivos e clientelistas. Estas brigadas tomam decisões de forma arbitrária e ilegal uma vez que elas funcionam fora do âmbito do conhecimento da estrutura executiva do Partido, para além de constituírem uma sobrecarga financeira para o Partido porque até aqui, as suas actividades nunca foram objecto de planificação. Ou seja, nunca tiveram cabimento orçamental;
Resultado de imagem para nepotismo
7. As brigadas ditas nacionais funcionam como o “olho” do Presidente e, ao mesmo tempo, como a sua principal estrutura de confiança no terreno, em detrimento das instâncias legais e legítimas do Partido que aliás, têm merecido pouca confiança e credibilidade por parte do Presidente;
8. Há falta de transparência na gestão dos fundos do Partido. Ao secretariado, que deveria gerir as contas do Partido, pura e simplesmente lhe é vedado o acesso ficando os mesmos sob gestão directa do Presidente;
9. Hoje verificamos que o modus operandi da direcção máxima do Partido baseia-se em intrigas e arbitrariedades onde os problemas de índole administrativa transformam-se em problemas de âmbito pessoal entre os chamados grupos do Presidente e do Secretário-Geral. Os mesmos, a não serem atempadamente resolvidos, dentro do Partido, tomarão, seguramente, uma dimensão política e de difícil solução;
10. Verifica-se um tratamento diferenciado, por parte da Presidência do Partido, em relação aos quadros do Partido. Ou seja dá valor a uns em detrimento de outros, muitos dos quais, sem nenhuma história dentro da Partido, o que de todo viola o princípio de igualdade;
11. Quadros do Partido, sem qualquer competência estatutária e sem qualquer mandato dos órgãos competentes tomam decisões, algumas das quais próprias dos órgãos colegiais do Partido, e implementam-nas. Nestes casos, dependendo da afinidade do membro com a liderança do Partido, esta tolera a decisão e nem sequer toma medidas para que não haja lugar no Partido à usurpação de competências;
12. Os órgãos do Partido, por falta de leitura dos Estatutos não conhecem as suas atribuições e competências bem como os limites da mesma, usurpam competências de outros órgãos e nesta base tomam decisões e implementam nas gerando assim uma total confusão no seio do MDM;
13. Temos uma Comissão Política essencialmente dominada pelos membros da família do Presidente e das suas relações pessoais e de vassalagem. Isto também reflecte-se ao nível de outros cargos de direcção como o da Bancada Parlamentar do MDM, do Presidente da Liga da Juventude do MDM, do Gabinete Central de Eleições do Partido e do Conselho Nacional de Jurisdição;
14. Hoje, grande parte dos cargos de direcção no seio do Partido foram ocupados por familiares da liderança do Partido ou por pessoas que de uma forma ou de outra dependem financeiramente da liderança do Partido criando-se assim um ambiente em que os comandos da liderança são sempre acolhidos sem qualquer discussão crítica e minando assim todo o ambiente democrático indispensável aos partidos políticos;
15. Hoje o principal critério de acesso aos órgãos do Partido é a relação de familiaridade, dependência financeira, afinidade étnica e regional e não o de competência técnica e mais-valia em termos de eleitorado, o que de certa forma impossibilita uma visão mais ampla do país e das expectativas do eleitorado do MDM. Impossibilita a adopção de estratégias que visem assegurar que o eleitorado que deuo seu voto de confiança ao MDM nas últimas eleições continue a apostar no Partido e impede a visibilidade pública e capacidade de acção destes órgãos;
16. Após as eleições de 2009, como qualquer partido organizado, o MDM deveria ter-se reunido para fazer um balanço das eleições, analisar os resultados eleitorais e com base neles desenhar estratégias para consolidar o voto dos eleitores conquistados e arrecadar mais eleitores. Não obstante a insistência de alguns membros, a liderança do Partido mostrou-se reticente e pouco interessado nesta análise recusando-se a fazer pessoalmente a análise dos dados eleitorais chegando mesmo ao ponto de insistir, sem qualquer base fáctica e estatística de que o eleitorado do MDM não está nas cidades, mas sim no campo, o que corresponde a uma negação total e completa dos números constantes dos mapas de apuramento eleitoral a que o Partido tem acesso;
17. A Comissão Política se apresenta pouco interventiva e “agressiva” politicamente. Esta situação a torna pouco visível no cenário político nacional;
18. A nossa Bancada Parlamentar é, igualmente, pouco interventiva e “agressiva” dentro da Assembleia e do ponto de vista da actividade de fiscalização e debate sobre grandes assuntos de interesse nacional;
19. Verifica-se hoje, no Partido, uma atitude de tolerância e até de encobrimento de situações que podem ser consideradas de inconstitucionais. O Partido tem hoje um chefe de bancada parlamentar que possivelmente foi eleito ilegalmente, no entanto, não se assiste no Partido qualquer debate para colher ideias que ponham cobro a esta situação, esta atitude de encobrimento de ilegalidades poderá minar as chances do MDM assumir o seu verdadeiro papel de partido da oposição, dentro e fora da Assembleia da República;
20. Hoje não se verifica no Partido o debate de ideias, só as ideias defendidas pela liderança do Partido é que prevalecem, o que evidencia o caminho antidemocrático que o Partido está a trilhar;
21. Actualmente temos visto, através dos media, acusações sobre a gestão pouco transparente do Município da Beira, sem que no seio do Partido se discuta o impacto deste debate público para a vida do Partido tendo em conta que o Presidente do Município da Beira é o Presidente do MDM;
22. Hoje a liderança do Partido se julga dona do mesmo, age à revelia dos seus órgãos e em certas circunstâncias violando os Estatutos do Partido e sem coordenação com o órgão executivo do mesmo;
23. Hoje o Secretariado Geral do Partido, que é a entidade que coordena as actividades políticas e administrativas do mesmo, não tem conhecimento das actividades que estão a ser desenvolvidas no Partido. Estas actividades são ordenadas pela liderança do Partido e mantidas em sigilo de modo a que o Secretariado não saiba o que de facto está a ser realizado;
24. Hoje verifica-se no seio do Partido situações em que determinadas entidades ligadas por laços familiares à liderança do Partido desrespeitam toda a estratégia definida pelo Partido e toda a discussão levada a cabo por órgãos competentes do Partido e produzem documentos contrários ao definido pelos órgãos competentes;
Curiosamente, é isto o que está a acontecer no MDM.

Sr. Presidente,
Resultado de imagem para conferencia mdm
Apesar de, por vias extra-oficiais, termos tomado conhecimento que os nossos adversários políticos iriam infiltrar-se no seio do Partido e aí criar instabilidade de forma a destruir o MDM, o nosso sentimento é que este estado de coisas no Partido não tem necessariamente uma mão externa. Ela resulta da ausência de uma visão clara e mais realista sobre os rumos que o Partido deve seguir como um partido de oposição que aspira chegar ao poder. A intransigência e relutância em não querermos aceitar que há problemas e enfrentá-los com frontalidade está a reflectir uma cultura de falta de diálogo e/ou debate e, portanto, pouco democrática. Para além disso, ela reflecte, uma lógica de construção e constituição da nossa organização baseada na figura central do Presidente em que o culto à personalidade, à lealdade e à obediência cega minam o profissionalismo, a competência e a confiança dos militantes e membros do Partido. Sentimos e temos dito que o Partido caminha para uma direcção contrária àquela que certamente nos animaram aquando da sua criação, do ponto de vista dos seus princípios. Estamos cientes de que Moçambique e o actual Partido no poder bem como o maior partido da oposição estão a atravessar uma crise sem precedentes na sua história recente. Este factor cria certamente um ambiente favorável ao MDM, o qual deveria trabalhar para ocupar um espaço no cenário político nacional e consolidá-lo. No entanto, a liderança do MDM está precisamente a trabalhar no sentido inverso.

Sr. Presidente,
O rumo que o MDM hoje está a trilhar, fruto da Vossa arrogância, intolerância, intransigência e falta de visão estratégica, está a afastar o Partido daquilo que é o seu principal objectivo – GOVERNAR O PAÍS. Por tudo o que acima foi referido, conclui-se que no MDM vive-se, hoje, um ambiente de desconfiança, de desprezo e desvalorização do “outro” pelas suas diferenças étnicas, regionais e de pensamento, pondo, assim, em causa os fundamentos do seu surgimento no cenário político nacional.

Sr. Presidente,
Não pretendemos e nem é nossa intenção abandonar o partido porque sentimos que temos todos a responsabilidade e compromisso perante os moçambicanos que tanto nos apoiaram e acreditaram em nós como uma forca política emergente e com grandes potencialidades para sermos um partido de alternância política em Moçambique. Contudo, sentimos que é, também, nosso dever alertar-lhe sobre a actual situação interna do partido que pouco ou nada irá contribuir para os sucessos que pretendemos alcançar. Nesta perspectiva, apelamos ao Sr. Presidente, o bom senso e que é urgente abrir espaços de diálogo de modo a tornar o Partido mais inclusivo, mais profissional e menos personalizado; e que o mesmo funcione respeitando os estatutos do Partido e os princípios constantes nos nossos Manifestos Politico e Eleitoral. Os subscritores desta carta, preocupados, estão abertos ao diálogo com o Sr. Presidente porque é nosso desejo levarmos ao bom porto o projecto MDM.

Juntos pela construção de um MOÇAMBIQUE PARA
TODOS.
Moçambique, Abril de 2011

Volvidos seis anos…….

O presidente do Concelho Municipal da cidade de Nampula (3ª maior cidade e capital da provincia com o maior círculo eleitoral), Mahamudo Amurane (eleito  sob a bandeira do MDM) , disse  (28/06/17) que o Movimento Democrático de Moçambique, MDM, não constitui uma alternativa no xadrez político do país acrescentando que assume nos últimos tempos uma postura de diversão com o propósito de distrair a população da realização de actividades que visam suprir as suas reais necessidades para garantir o seu bem-estar social. 
Resultado de imagem para amurane abandona mdmFalando no decorrer da segunda sessão ordinária da Assembleia Municipal da cidade de Nampula, Amurane argumentando a sua análise explicou que o MDM não tem, neste momento, nenhuma agenda para o desenvolvimento do país, senão inspiração para promover actos de confusão no seio população numa tentativa frustrada de travar os avanços que a nação tem vindo conquistar. “Agora está a contestar a compra pela Assembleia da Republica de viaturas Mercedes Benz para afectar aos membros da comissão permanente do órgão mas a pergunta que qualquer cidadão menos atento pode fazer é por que razão os membros que compõem a bancada a do Movimento Democrático de Moçambique não chumbaram o projecto quando estavam no processo de discussão e aprovação do respectivo orçamento. 
É tentativa de buscar protagonismo por um partido carente em termos imaginativos para fazer politica”, ajuntou Amurane. O edil de Nampula disse que o país precisa neste momento de partidos políticos com visão para resolver as questões que possam promover o desenvolvimento acelerado da economia que tem impacto directo na melhoria da qualidade de vida das populações. Apontou a descentralização com enfoque dos processos administrativos e financeiros que contribui para a melhoria do processo de gestão pública e dos seus órgãos.