quinta-feira, março 03, 2022

Tudo é complicado,


………um ucraniano que segurava uma grande bandeira vermelha e preta, com o símbolo da Ucrânia. Era do Exército Insurgente Ucraniano, força nacionalista que lutou contra ambos os lados na Segunda Guerra Mundial, recorrendo à colaboração com os nazis e acusada de assassinar judeus e polacos.

…………no conflito israelo-palestiniano, em que a ocupação dura há tanto tempo que muitos já a tratam como se não o fosse. Há sempre alguém que me explica que de um lado há uma democracia e do outro não.  ......................

Mas a primeira resposta que dou é sempre a mesma: há um ocupante e um ocupado e eu sei de que lado estou quando isso acontece. Dou este exemplo, mas poderia dar o de outras guerras e ocupações passadas e presentes que agradariam mais a uns ou a outros. ………………………

………… também me fazem chegar informação verdadeira, meio-verdadeira, falsa ou simplificada, por ignorar o contexto, sobre a vida política ucraniana – curiosamente, menorizam coisas piores na Rússia. A existência de milícias neonazis integradas nas forças armadas (o que leva ao salto lógico de transformar o presidente ucraniano, que até é judeu, num nazi), a proibição do Partido Comunista ou a discriminação da minoria russa, com o encerramento dos canais em língua russa, por exemplo. ............................


Nem o regime criminoso de Saddam me impediu de ser contra a ocupação do Iraque, porque haveria o olhar que tinha sobre o Presidente da Ucrânia, democraticamente eleito em 2019 (e não imposto por qualquer golpe Estado em 2014, como alguns insistem e afirmar), impedir que me opusesse sem adversativas a esta ocupação?...................

Não passam de oportunistas políticos que aproveitam a guerra para castrar qualquer debate racional. Não é de agora. Sempre foi assim nas guerras. Não é só a verdade que é a primeira baixa, é o pensamento. ………………………

Nem sempre é tão claro num conflito militar, mas há um agressor e um agredido. Houve outros no passado? Houve. Alguns que agora se indignam não se indignaram ou até estiveram do lado do ocupante? Sim. E isso muda o quê? …………………………


Temos de estar atentos a passos definitivos que aproveitam a dificuldade do debate. E eles começam a ser dados. Quem não se lembra das medidas securitárias e violadoras dia direitos humanos depois do 11 de setembro? ……………………………

E sabemos esta verdade insofismável: há um ocupante e um ocupado. E é por isso que, sem precisar de outras considerações, espero que o povo ucraniano continue a resistir e nós a apoiá-lo. E que o povo russo consiga derrubar o ditador. Em tudo o resto podemos e devemos discordar. Nisto também, claro. Mas nessa discordância, e só nela, se traça uma fronteira moral. ..................................

(D.Oliveira/extractos de opinião)

segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Potencias militares!

Criada em 1949 por 12 países fundadores ,a NATO nasceu como uma aliança militar. Os países fundadores foram os Estados Unidos, o Canadá e um conjunto de países situados sobretudo no oeste e centro da Europa: Bélgica, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal e Reino Unido. Poucos anos depois, em 1955, a então União Soviética fundou a sua própria aliança militar com o Pacto de Varsóvia, assinado com os países socialistas de leste: a Albânia, a Bulgária, a Checoslováquia, a República Democrática da Alemanha, a Hungria, a Polónia e a Roménia. Ao longo dos anos, outros países foram-se juntando à NATO: Grécia, Turquia, República Federal da Alemanha e Espanha. O Pacto de Varsóvia, pelo contrário, perdeu influência com o declínio da União Soviética e acabou por se dissolver em 1991.  

Este era o mapa das alianças militares na Europa antes do fim da União Soviética, no final de 1991:

Legenda: a azul estão os países pertencentes à NATO em 1991, a vermelho os países que assinaram o Pacto de Varsóvia.

Em 1999, três países que tinham feito parte do Pacto de Varsóvia juntam-se à aliança transatlântica: Checoslováquia, Hungria e Polónia. Nos anos seguintes, também se lhes juntaram a Bulgária, a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Roménia, a Eslováquia, a Eslovénia, a Albânia, a Croácia, o Montenegro e a Macedónia do Norte. Esta expansão é vista por Moscovo como a quebra de uma promessa feita no final da Guerra Fria pelo então secretário de estado norte-americano James Baker ao líder soviético, Mikhail Gorbachev. Putin alega que na altura ficou prometido que a NATO não sei ira expandir para o leste da Europa. 

Em baixo, mostramos o mapa da Europa em 1999, ano em que o último país que fazia parte do Pacto de Varsóvia, sem contar com a Rússia, se junta à NATO. A azul estão os países pertencentes à NATO, a vermelho aqueles que, embora independentes, continuavam sob influência russa.

Para além de Putin, também Yeltsin, em 1993, invocou esta falta ao então presidente norte-americano Bill Clinton. O ano passado, no entanto, a perspectiva de uma nova expansão da NATO contribuiu para esta escalada de tensão. A aliança transatlântica reconheceu oficialmente três novos aspirantes a membros, assinalados a amarelo no mapa em baixo: Bósnia, Geórgia e Ucrânia.

Pela dimensão do país e também pela sua localização, a Ucrânia é alvo de uma atenção acrescida por parte das autoridades russas. Já em 2014, altura em que a Rússia anexou unilateralmente a província ucraniana da Crimeia, foi uma tentativa de aproximação à União Europeia que despoletou a ação militar.





Ucrania, não prescrições que são ordenadas

A discussão pública sobre a Ucrânia tem a ver com confronto. Mas nós sabemos o que está acontecendo? Sabemos para onde estamos indo? Na minha vida vi quatro guerras iniciadas com grande entusiasmo e apoio público, todas as quais não soubemos terminar e de três das quais nos retiramos unilateralmente. O teste de capacidade e habilidade política é como a guerra termina, não como começa.

Muitas vezes, a questão da Ucrânia é colocada como um confronto: se a Ucrânia se junta ao leste ou ao oeste. Mas para que a Ucrânia sobreviva e prospere, não deve ser um posto aliado avançado de nenhum dos lados contra o outro, deve funcionar como uma ponte entre eles.

A Rússia tem de aceitar que tentar forçar a Ucrânia a tornar-se um satélite e, por conseguinte, mover as fronteiras da Rússia de novo, condenaria Moscovo a repetir a sua história de ciclos autocumpridos de pressões recíprocas com a Europa e os Estados Unidos. dois.


O Ocidente tem de entender que, para a Rússia, a Ucrânia nunca será simplesmente um país estrangeiro. A história russa começou no que se chamava Kievan-Rus. A religião russa se espalhou de lá. A Ucrânia faz parte da Rússia há séculos e suas histórias estavam entrelaçadas antes dessa data. Algumas das batalhas mais importantes pela liberdade russa, começando pela Batalha de Poltava em 1709, foram travadas em solo ucraniano. A Frota do Mar Negro, que é a maneira como a Rússia projeta o seu poder no Mediterrâneo, tem a sua base de operações estratégicas e históricas em Sebastopol, na Crimeia. Mesmo dissidentes tão famosos como Aleksandr Solzhenitsyn e Joseph Brodsky insistiram que a Ucrânia era uma parte integrante da história russa e, na verdade, da Rússia.

A União Europeia tem de reconhecer que a sua atraso de atraso e burocrático, bem como a subordinação do elemento estratégico à política interna na negociação das relações da Ucrânia com a Europa contribuíram para a transformar numa crise. Política externa é, acima de tudo, a arte de estabelecer prioridades.

Os ucranianos são o elemento decisivo. Eles vivem em um país com uma história complexa e composição poliglota. A parte ocidental entrou para a União Soviética em 1939, quando Estaline e Hitler a dividiram como um saque. A Crimeia, 60 por cento da população russa, passou a fazer parte da Ucrânia apenas em 1954, quando Nikita Kruschov, nascido ucraniano, a concedeu à Ucrânia recentemente como parte da celebração do tricentenário de um acordo russo com os C. Ursacos. O Ocidente é maioritariamente católico; Oriente (Leste) em grande parte ortodoxo russo. O Ocidente fala ucraniano; Oriente fala principalmente russo. Qualquer tentativa de uma ala ucraniana de dominar a outra, como tem sido o padrão e a tendência histórica; eventualmente conduziria a uma guerra civil ou a uma ruptura. Tratar a Ucrânia como parte de um confronto Leste-Oeste afundaria durante décadas qualquer possibilidade de levar a Rússia e o Ocidente, ou seja, a Rússia e a Europa, a um sistema internacional cooperativo.

A Ucrânia tem sido independente por apenas 23 anos; anteriormente estava sob algum tipo de domínio estrangeiro desde o século XIV. Não admira que seus líderes não tenham aprendido a arte do compromisso consequente, muito menos da perspectiva histórica. A política pós-independência da Ucrânia demonstra claramente que a raiz do problema reside nos esforços dos políticos ucranianos para impor a sua vontade às partes recalcitrantes do país, primeiro por uma fação, depois por a outra. Essa é a essência do conflito entre Viktor Yanukovich e sua principal rival política, Yulia Tymoshenko. Eles representam as duas asas da Ucrânia e não estão dispostos a partilhar o poder. Uma política sábia dos EUA. EUA. para a Ucrânia, procuraria uma maneira de as duas partes internas do país cooperarem entre si. Nós devemos procurar a reconciliação, não a dominação de uma facção.

Rússia e Ocidente, muito menos as diversas facções da Ucrânia não agiram de acordo com este princípio. Cada um piorou a situação. A Rússia não seria capaz de impor uma solução militar sem se isolar numa altura em que muitas das suas fronteiras já são precárias. Para o Ocidente, a satanização de Vladimir Putin não é uma política; é uma estratégia e um álibi para o isolar e desacreditar perante o mundo.

Putin deveria perceber que, quaisquer que sejam as suas queixas, uma política de imposições militares produziria outra Guerra Fria. Por seu lado, os EUA precisam evitar tratar a Rússia como um adversário aberrante e maligno para passar a ensinar diplomática e pacientemente as regras de conduta estabelecidas por Washington.

Putin é um estrategista muito sério, sob os parâmetros da história russa. Compreender os valores e a psicologia dos EUA. EUA. não são seus pontos fortes. A compreensão da história e da psicologia russas também não foi um ponto forte dos legisladores americanos.

Líderes de todos os lados devem reexaminar os resultados, não competir em posições. Esta é a minha noção de um resultado compatível com os valores e interesses de segurança de todas as partes:

A Ucrânia deveria ter o direito de escolher livremente as suas associações económicas e políticas, incluindo com a Europa.

A Ucrânia não deveria aderir à NATO, posição que assumi há sete anos, quando foi tratada pela última vez.

A Ucrânia deve ter a liberdade de criar qualquer governo compatível com a vontade expressa do seu povo. Políticos e líderes sábios ucranianos optarão e escolherão uma política de reconciliação entre os diferentes povos, etnias e facções culturais do seu país

Internacionalmente, eles devem procurar chegar a uma posição como a da Finlândia. E essa nação vive sem dúvida interna sobre sua férrea independência e coopera com o Ocidente na maioria dos campos e espaços políticos; mas evita cuidadosamente a hostilidade institucional contra a Rússia.

É incompatível com as regras do mundo que hoje existe ordenar à Rússia a anexação da Crimeia, mas deveria ser possível colocar a relação da Crimeia com a Ucrânia num estado e posição de muito menor tensão política.

Para alcançar esse objetivo, a Rússia deveria reconhecer a soberania da Ucrânia sobre a Crimeia.

A Ucrânia, por sua vez, deveria reforçar autonomia e independência política na Crimeia e respeitar a total autonomia e independente das suas escolhas internas sustentada e garantida pela presença activa de especialistas e observadores internacionais.

O processo deverá incluir eliminar quaisquer dúvidas ou ambiguidades sobre o «estatus» oficial da frota russa no Mar Negro em Sebastopol.

Estes são princípios que são adotados, não prescrições que são ordenadas. As pessoas que vivem na região devem saber e entender que nem todos serão apetecíveis para todas as partes. O exame não vai conseguir a satisfação absoluta, mas sim uma solução equilibrada de insatisfação.

Se nenhuma solução for encontrada com base nestas ou noutras propostas semelhantes, as ofensivas de confronto violento irão acelerar. A hora de saber chegará em breve.

Este artigo de Henry Kissinger foi publicado pela primeira vez no Washington Post em


2014, mantém-se muito válido e é um raio-X da gênese do conflito ucraniano.

Kissinger  um diplomata americano, de origem judia, que teve um papel importante na política externa dos Estados Unidos da América, entre 1968 e 1976


" Inveja do Mriya "

A Ucrânia informou que o maior avião do mundo, chamado de "Mriya" (sonho, em ucraniano) foi destruído pela Rússia no aeroporto Antonov, em Hostomel, próximo de Kiev, capital do país. "Vamos reconstruir o avião. Cumpriremos nosso sonho de uma Ucrânia forte, livre e democrática", diz a publicação da Ucrânia nas redes sociais....

O avião foi produzido durante a década de 1980 por Antonov Design Bureau e era o único em todo o mundo. O Mriya poderia comportar mais de 1,5 mil pessoas. "A sua recuperação custará mais de 3 bilhões de dólares e levará muito tempo. A Ucrânia fará todos os esforços para que este trabalho seja pago pelo estado agressor", escreveu Ukroboronprom, fabricante de armas estatal ucraniana.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, também usou as redes sociais para falar da destruição do maior avião do mundo. "A Rússia pode ter destruído nosso 'Mriya'. Mas nunca poderão destruir o nosso sonho de uma forte, livre e democrática Ucrânia", escreveu.






quinta-feira, dezembro 30, 2021

Bom Ano Novo !!!!

 


Contra A COVID-19

A empresa produtora de drones, dos EUA, Zipline, assinou uma parceria com a Costa do Marfim, que irá facilitar a entrega de medicamentos e de materiais nas zonas recônditas.

A Costa do Marfim é o quarto país africano a assinar um acordo com a Zipline desde 2016.

A parceria tem em vista a construção e operação de quatro centros de distribuição para armazenar e fazer a entrega de materiais em demanda para mais de 1.000 centros de saúde. Espera-se que o primeiro centro esteja operacional até ao fim de 2022, de acordo com a Zipline.

Pierre N’gou Dimba, Ministro de Saúde, Higiene Pública e Cobertura Universal de Saúde da Costa de Marfim, disse que a parceria irá ajudar o país a alcançar a cobertura universal de saúde. “Avaliamos a capacidade da Zipline, as suas operações em outros países africanos com necessidades semelhantes às nossas, e verdadeiramente acreditamos que esta parceria irá ajudar-nos a remover as barreiras do acesso ao atendimento médico e criar um sistema de saúde mais equitativo e eficiente em todo o país,” disse Dimba num comunicado.

Pouco depois de registar o seu primeiro caso de COVID-19, o Gana tornou-se no primeiro país africano a utilizar os drones da Zipline para expandir as suas capacidades de testagem. Amostras de testes de COVID-19 foram recolhidas dos centros de saúde das zonas rurais, levadas para um centro de distribuição da Zipline e transportadas por via aérea, numa distância de 112 quilómetros, para a capital, Acra, para serem testadas e analisadas. Isso marcou a primeira vez em que drones autónomos foram utilizados para fazer entregas regulares de longa distância para zonas urbanas com alta densidade populacional e foi a primeira vez que drones foram utilizados para fazer a entrega de amostras de testes de COVID-19.

Desde essa altura, a Zipline entrou em parceria com Nigéria e Ruanda para efectuar a entrega de medicamentos e materiais relacionados com o coronavírus. Estes acordos incluem entrega de produtos de sangue, medicamentos e vacinas não relacionadas com a COVID-19. A Zipline distribui sangue através de drones em Ruanda desde 2016 e utiliza drones para fazer a entrega de vacinas, sangue e medicamentos em Gana desde 2019. Na Costa do Marfim, a Zipline será o único fornecedor para alguns centros de saúde das zonas recônditas. Espera-se também que a Zipline empregue trabalhadores locais em centros de distribuição, disse a empresa.

Israel Bimpe, director comercial de África, da Zipline, disse que espera que a parceria melhore drasticamente o sistema de entrega de produtos de atendimento médico do país. “A nossa tecnologia de logística instantânea e revolucionária, que está a ser destacada pelo mundo inteiro, irá melhorar amplamente o acesso e até a distribuição de produtos médicos para zonas recônditas e de difícil acesso,” disse Bimpe num comunicado. “É por esta razão que estamos animados com esta parceria, que, em termos gerais, irá melhorar as vidas da nossa população, garantindo que ninguém fique atrás em termos de acesso a produtos médicos.”


Vinil atinge máximo histórico

Em Inglaterra, as vendas de discos de vinil foram, este ano, as maiores dos últimos 30 anos.

Segundo dados oficiais, venderam-se no país, em 2021, mais de cinco milhões de discos neste formato, o que representa um acréscimo de 8% em relação a 2020. Este foi, também, o 14º ano consecutivo em que os valores registaram uma subida. Dentre os discos vendidos este ano, nos vários formatos, 23% eram de vinil.

Em primeiro lugar no top dos discos de vinil mais comprados este ano está o regresso dos ABBA, com "Voyage". O álbum "30", de Adele, surge em em segundo, e "Seventeen Going Under", de Sam Fender, em terceiro.

terça-feira, dezembro 28, 2021

Clube grande com grande problema de governação

Vieira contratou Jesus para mudar de assunto depois de um fracasso. Rui Costa despede-o para mudar de assunto depois de um fracasso. Jesus serviu para tudo menos para ganhar jogos. Só dinheiro

O cheque em branco do Benfica em 2020 acabou num xeque ao banco em 2021. O treinador sai forrado, Rui Costa desforrado e o Benfica segue saltando de nenúfar em nenúfar sobre um pântano de maus resultados. Jesus soube gastar dinheiro, soube ganhar dinheiro, só não soube ganhar troféus. Como o próprio disse uma vez, “ganharam bola”.  Zero.

“Zero titoli”, diria hoje de novo José Mourinho. 18 meses e mais de cem milhões de euros depois, nem houve “Benfica europeu” nem há Benfica nacional, nem taças nem campeonatos, e grandes vitórias só se foram camisolas contra coletes nos treinos no Seixal.

Provavelmente, a contratação de Jesus foi o pior investimento de sempre do Benfica. Foi contratado a ganhar mais dinheiro do que qualquer jogador em Portugal e teve os famosos “cem milhões” para construir a equipa que quis. Mais do que dependurá-lo hoje pelo fracasso depois de voltar ao sítio onde foi feliz, é preciso questionar a megalomania e a arrogância do Benfica, cujo então presidente sai agora coberto de ridículo de cada vez que se ouvem as suas promessas de “hegemonia”.

Um treinador treina, um presidente gere – e não é possível olhar para o investimento no projecto de Jesus sem concluir pelo rotundo fracasso. Alguns números que comparam 2020/2021 (depois de Jesus) com 2019/2020 (antes de Jesus). A folha salarial subiu de Benfica subiu de 85 para 97 milhões de euros (14%) mas as receitas caíram de 140 para 94 milhões (33%).

A pandemia só explica parte deste desaire: da queda de 56 milhões nas receitas, as perdas em bilheteira “só” representam 17 milhões. Onde o Benfica falhou foi nas receitas de competições internacionais. E nas vendas de jogadores: com o investimento realizado, o valor líquido do plantel aumentou de 103 para 146 milhões (41%) mas os ganhos líquidos com transações de jogadores caíram de 126 para 88 milhões (quase 30%). O investimento fez o passivo subir de 325 para 380 milhões (17%), reduzindo o (ainda sólido) capital próprio de 161 para 144 milhões (11%), depois de os lucros de 42 milhões de 2020 se terem transformado em prejuízos de 17,5 milhões em 2021.

Insisto: a covid-19 não explica tudo. Não só o investimento em Jorge Jesus é realizado em plena pandemia, no verão de 2020, assumindo pois esse risco, como tanto os resultados desportivos como os financeiros demonstram o fracasso de quem investiu. Mas porquê?

Porque Luís Filipe Vieira quis mudar de assunto. Tinha acabado de perder mais um campeonato, tinha eleições pela frente e obnubilou as mentes dos benfiquistas com o futuro para fazer esquecer o passado. Gastou o que foi preciso para isso, ganhou as eleições e prometeu o céu. Zero. Hoje fora do Benfica e dentro de um processo judicial, Vieira sai como o presidente que estourou dinheiro num desapontamento. E Rui Costa?

Rui Costa também usa Jorge Jesus para se safar. As manobras de comunicação dos últimos dias serviram para isso, para deixar o novo presidente do Benfica ileso. É por isso que Jesus é um seguro de vida dos presidentes, do que foi e do que está. Um seguro com apólice cara.

Jorge Jesus vai agora à sua vida, bem na vida e provavelmente de bem com a vida. Já o Benfica fica com um problema: a meio de mais uma época em perda e concluindo que o dinheiro não resolve tudo e pode mesmo não conseguir nada. O novo presidente tem a sua primeira prova agora, o bode Luís Filipe Vieira já não será expiatório para o que se segue.

É melhor Rui Costa pensar bem no que vai fazer, ou acabará também num lugar difícil: onde Jesus perdeu as botas.


Acabou!

O regresso de Jorge Jesus ao Benfica redundou num enorme fracasso.

Jesus fora a carta que Luís Filipe Vieira havia lançado para a mesa para ganhar o jogo da reeleição.

O ex-presidente dos ‘encarnados’ lançou mão de uma relação muito próxima (chamam-lhe amizade) e explorou até ao tutano o efeito do trabalho realizado por Jorge Jesus na liderança do Flamengo.

Jesus chegou a Lisboa de peito feito. Com o ego em alta. Inchado de orgulho e de conquistas no Rio de Janeiro. O seu discurso de (re)apresentação foi retumbante: era ganhar, jogar o triplo e unir a nação benfiquista.

Não ganhou, nunca jogou o triplo e desuniu ainda mais a já fraturada nação benfiquista. Talvez tenha unido ainda mais a fação mais radical contra a sua presença na Luz e perdido alguns ‘votos’ entre os apoiantes, porque perante o investimento também era legítimo esperar mais do seu desempenho.

A questão da união ou da desunião resultou determinante e foram elas que tiveram um peso inelutável neste desfecho.

Jesus acreditou que conseguia impor as suas ideias, métodos e forma de estar junto dos jogadores e do ‘aparelho’, mas essa ‘imposição’, isto é, a projecção da “autoridade com brutalidade” — o verdadeiro calcanhar de Aquiles do treinador — acabou por ser a sua guilhotina.

Há uma lei inexorável que Jesus desprezou, com toda a sua experiência: não há nenhum treinador que resista se não tiver o apoio dos jogadores.

A quebra de confiança foi decisiva: Jesus já não tinha a confiança de ninguém e o próprio Jesus já não confiava em ninguém. E, aqui, a responsabilidade é geral.

Jorge Jesus só funciona se tiver apoio máximo de toda a gente: do presidente, de cada um dos dirigentes (que ele genericamente despreza), da equipa técnica (com a qual chega a ser implacável), de cada um dos jogadores (se não houver veneração fica mais difícil), do tratador da relva e da águia Vitória (activa ou passiva).

Jorge Jesus acreditou que Rui Costa iria ser a sua rede. Não foi: por uma razão. Porque Rui Costa quer sobreviver. Rui Costa está numa fase em que faz crer que é capaz de liderar ou não.

Jesus rebentou, mas é preciso ter a noção de que há muitos culpados nesta incrível telenovela. O que se consentiu (os ‘cafezinhos’ do Flamengo), o que não se fez e as ilações a tirar de toda esta representação.

Um clube tão grande com um grande problema de governação. Esta é a verdade. Jesus constituiu-se num problema, mas o Benfica tem um enorme problema pela frente: redefinir o seu centro de poder e introduzir um treinador que ‘pense Benfica’ além de ‘pensar futebol’. Com uma ‘paixão racional’, com uma comunicação justa e equilibrada, com vontade de agregar e compreender o fenómeno global.

Jesus teve um problema adicional: o contraste estabelecido por Rúben Amorim, no Sporting. Rúben Amorim era o treinador certo para o Benfica, mas esse deixaram-no voar…

quinta-feira, dezembro 16, 2021

Captura ,é uma questão de tempo

As Forças de Defesa e Segurança (FDS) abateram, recentemente, um dos líderes dos terroristas em Niassa. Trata-se de Maulana Ali Cassimo, um muçulmano conhecido em Mavago a quem se acredita que para além de liderar grupo terrorista também disseminava a propaganda jihadista e recrutava jovems para se juntarem aos extremistas.

Bernadino Rafael, comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (recentemente reconduzido ao cargo pelo chefe de Estado) confirmou que o terrorismo chegou a província de Niassa e a porta de entrada foi o distrito de Mavago.

“A seguir, a nossa patrulha, que chamamos de ‘Reconhecimento Combativo’, entrou numa emboscada onde os colegas combateram e, neste combate, foi atingido um dos terroristas que era procurado, chamado Cassimo. As pessoas de Niassa conhecem-no, era muçulmana em Mecula e, a partir da morte deste terrorista, tiramos a conclusão de que se trata de terroristas que atravessaram de Cabo Delgado para Mecula”, disse o comandante-geral da PRM.

Um estudo publicado recentemente pelo Observatório do Meio Rural (OMR), intitulado “Do inimigo sem rosto” fez referencia ao Maulana Ali Cassimo como um dos lideres dos terroristas. Trata-se de um indivíduo inteligente, bem articulado na língua portuguesa e com capacidade argumentativa. Maulana é um indivíduo claro, com cerca de 1,70m de altura. É natural de Lichinga, tendo concluído o curso médio de Agropecuária, no Instituto Agrário nesta cidade. É classificado de “ bom aluno ” por ex-professores. Trabalhou para a Mozambique Leaf Tobacco em Tete e em Cuamba. Alegadamente, foi após ter estado preso pela polícia (por não ter licença de condução) que ingressou no aparelho do Estado. Entre 2014 e 2017 foi técnico de Extensão Agrária no SDAE de Mecula. Devido ao seu envolvimento e dedicação na sua área de extensão, Maulana chegou a ganhar um prémio provincial. É descrito como carismático e com muita aceitação junto dos produtores. Ficou conhecido entre os colegas por ser rigoroso nos preceitos islâmicos (rezando cinco vezes ao dia) e por ser profissionalmente “activo” e “agitado”. É recordado por ter demonstrado, várias vezes, a sua revolta em relação à attitude das autoridades para com garimpeiros (em Mariri, na localidade de Mbamba) e caçadores furtivos na reserva do Niassa. Os colegas destacam a veemência com que criticava a extorsão de bens e detenção de 

jovens garimpeiros, justificando que a agricultura não constitui uma actividade rentável e que os jovens não dispunham de outras alternativas. Em defesa dos garimpeiros, com quem tinha relações, insurgia--se abertamente contra as autoridades do distrito, inclusivamente contra o Administrador e Secretário Permanente. A partir de 2016 envolve-se na organização de uma mesquita e perde interesse pela sua actividade profissional. A radicalização do discurso, incluindo a proibição de crianças de frequentarem a escola, levou ao encerramento da mesquita pelo Estado. Neste processo foi impedido de utilizar a motorizada do SDAE (que colocava ao serviço das suas actividades religiosas) gerando-lhe um grande descontentamento e revolta. Em Julho de 2017 abandonou o posto de trabalho e deixou de ser visto em Mecula.

Os colegas foram informados que se tinha dirigido para Cabo Delgado para receber formação religiosa, para posteriormente abrir uma mesquita em Mecula, onde iria receber um subsídio de 60 mil meticais, bem superior ao salário que auferia do Estado.

Com o início do conflito armado,  juntou-se aos insurgenets nas matas de Mocímboa da Praia, tal como muitos outros jovens de Mecula. A esposa ainda tentou juntar-se ao marido em Cabo Delgado, mas foi detida pela polícia nesse processo, residindo actualmente em Lichinga com os seus dois filhos, assim como a família do marido.

 Maulana participou nos ataques a Mocímboa da Praia e a Palma.

Entretanto, sabe-se que com a morte de Ali Cassimo já são três os elementos importantes que comandam o grupo terrorista que há quatro anos actua na província de Cabo Delgado sendo que nesta altura a prioridade das forças no terreno é capturar Bonomado Machude Omar, que várias vezes muda de nome, aquém é atribuída a liderança do grupo que atacou e ocupou por quase um ano a vila de Mocimboa da Praia e dali desencadeou acções que atacaram Palma. Com o aperto de Cabo Delgado acredita-se que Bonomado Machude Omar está Escondido nas montanhas e a sua captura é questão de tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


quinta-feira, dezembro 02, 2021

Os primeiros fósseis encontrados no Parque da Gorongosa

A posição e ecologia única do Parque Nacional da Gorongosa permitem aos investigadores trabalhar lado a lado, recolhendo o tipo de dados modernos e pré-históricos necessários para "pintar" uma imagem mais clara do que conduziu a nossa evolução. A equipa do Projecto Paleo-Primata identificou várias grutas e sítios promissores de fósseis ao ar livre no Parque da Gorongosa. As escavações estão a produzir fósseis de mamíferos anteriores à mais antiga evidência de fósseis de hominídeos registada, actualmente localizada em cerca de 8 a 10 milhões de anos atrás. Além de mamíferos, a equipa encontrou fósseis de fauna aquática, como tartarugas, crocodilos, tubarões e raias, crustáceos e ostras, entre outros.

Houve uma época em que a Gorongosa era uma floresta costeira localizada num estuário, o único local deste tipo no Vale do Rift Africano. A procura de fósseis de primatas, incluindo hominídeos, pode ser uma exploração de várias décadas e um esforço de pesquisa que produzirá novas perspectivas sobre como e quando os nossos primeiros ancestrais humanos evoluíram!