quarta-feira, maio 15, 2019

Lições


No passado dia 8 de Maio corrente, a África do Sul foi às urnas para eleger os 400 deputados para a Assembleia Nacional (AN) e membros das assembleias provinciais (AP) para as nove províncias do país, nomeadamente pela sexta vez desde a libertação do carismático Nelson Mandela. Diferentemente de Moçambique, na África do Sul não há eleição directa do Presidente da República: este é eleito pela Assembleia Nacional, de entre os 400 deputados. Geralmente, o presidente é eleito do partido com maioria parlamentar, sendo, comumente, seu líder e/ou cabeça de lista.
Um total de 48 partidos políticos estiveram na corrida para a AN. O número de partidos concorrentes para as AP varia de província em província, assim como o número de membros da AP, que varia de acordo com o tamanho da população de cada província, sendo a mais pequena AP composta por 30 e a maior por 90 membros. Há alguma semelhança com Moçambique em relação a como os deputados da AN são eleitos: o uso do sistema proporcional de lista fechada, com as províncias formando os círculos eleitorais. O sistema eleitoral é também o mesmo para a eleição dos membros das assembleias provinciais. Portanto, na África do Sul cada eleitor recebe dois boletins de voto: um para a escolha do partido para a AN e outro para o partido para a AP.
Foram 17.671.616 de eleitores que se fizeram às urnas, dos 26.779.025 recenseados, o que correspondente a 65.99% de participação, representando uma descida, quando comparado com os níveis de participação (73.48%) nas eleições gerais de 2014. Até às eleições de 2014, a África do Sul apresentava níveis altos de participação na região da SADC; por isso, esta descida deve constituir preocupação regional e um alerta a países como Moçambique, Malawi e Botswana para tudo fazerem para maior mobilização do eleitorado. Dentre estes países que irão às urnas antes do final de 2019, Moçambique está em melhor posição em relação às facilidades de, potencialmente, fazê-lo, , uma vez que está na fase de recenseamento dos eleitores. Uma maior mobilização do eleitorado para se recensear, principalmente em zonas afectadas pelas calamidades naturais (ciclones, Idai e Kenneth, em particular), pode ser um passo significativo para o aumento dos níveis de participação.
Não há nenhuma surpresa significativa. O partido libertador, o Congresso Nacional Africano (ANC), recebeu 57.50 % do total dos votos, a nível nacional, o que lhe confere uma maioria parlamentar, com 230 deputados. Este resultado não é muito celebrado entre os comrades[1], porque revela o agudizar da descida de popularidade do seu partido, descida essa que começou nas eleições de 2009 quando o ANC baixou dos 69.69% que tivera nas eleições de 2004, para 65.90%.
Nas eleições de 2014 a sua popularidade nas urnas veio a baixar ainda mais, nomeadamente para 62.15%. Existem várias possíveis explicações para a descida de popularidade deste partido histórico, desde os conflitos internos que dividem os membros próximos do antigo presidente Jacob Zuma dos do presidente Cyril Ramaphosa, muito facilmente visíveis mesmo no Congresso de 2017, quando Ramaphosa derrotou Nkosazana Zuma e ficou com a presidência do ANC. Segundo, a percepção de que o ANC, na pessoa de Zuma, abriu espaço para a captura do Estado, associados às denúncias de corrupção de alto nível, certamente terá contribuído de alguma forma. Terceiro, há também uma visível frustração dentre os apoiantes tradicionais do ANC, os mais desfavorecidos, que acham que o ANC se esqueceu deles. A campanha eleitoral para estas eleições foi caracterizada por múltiplas manifestações populares de rua, exigindo melhoria da prestação dos serviços públicos.

Certamente que o ANC estava ciente de que a colheita eleitoral de 2019 não seria das abundantes, a olhar para os resultados obtidos nas autárquicas de 2016, onde chegou a perder o controlo de grandes cidades metropolitanas como Joaneburgo, Tswane (Pretória) e Nelson Mandela Bay. Se o ANC fez uma reflexão e operou alguma mudança para corrigir a percepção negativa depois das eleições locais, então não foi suficiente para recuperar a sua imagem eleitoral.
O descontentamento dos membros do ANC com o desempenho do Governo do ANC terá também contribuído para a subida da abstenção. Em teoria, eleitores insatisfeitos com o desempenho do governo tendem a punir o partido governante votando para partidos da oposição. Mas um estudo feito na África do Sul mostra que os apoiantes do ANC preferem mostrar sua insatisfação ficando em casa, do que dar o seu voto a outros partidos.
Os conflitos internos no partido da Aliança Democrática (DA), que culminaram, de resto, com a saída de Patricia de Lille, quadro sénior do partido e antiga Presidente do Município da Cidade do Cabo entre 2011 e 2018, terão afectado negativamente o desempenho eleitoral do DA, a nível nacional. Um membro sénior do DA, Solly Msimanga, antigo Presidente do Município de Tswane, reconheceu que a maneira como o DA lidou com a ‘Questão De Lille’ terá penalizado o partido nas urnas. De Lille formou um novo partido, o Good, um dos debutantes, mas que conseguiu assegurar dois assentos na AN. DA desceu dos 22.23% conquistados nas eleições de 2014 para 20.77%. A olhar-se para os números e para as características dos partidos, o mais provável é que os cerca de 1.5% de eleitores que o DA perdeu se tenham distribuído entre o Partido Good e o VF-PLUS. Este último é um dos partidos que pode cantar victória, ao ter conseguido uma subida dos 0.9% em 2014 para 2.38%.
O partido de Julius Malema, o Economic Freedom Fighters  (EFF), foi o terceiro mais votado. EFF conseguiu a mais alta subida de todos os partidos, dos 6.35% de 2014 para 10.79%. Contudo, a expectativa que se havia levantado sobre o desempenho do EFF faz com que este resultado não seja euforicamente celebrado. Em campanha eleitoral, com recurso ao uso agressivo dos media sociais, o EFF fez passar aos cidadãos sul-africanos a mensagem de que era desta vez que destronava o histórico ANC.
A questão da expropriação da terra e sua devolução aos seus “legítimos proprietários”, os negros, para corrigir os erros históricos, foi sempre o pendão discursivo do EFF. Contudo, um pouco mais de um de um ano antes das eleições, o ANC afogou o protagonismo do EFF, mormente quando puxou para si, a nível do parlamento, o debate sobre a questão da necessidade da correcção dos erros do passado, com a devolução da terra. Esta viragem do ANC terá, sobremaneira, influenciado os resultados do EFF.
O partido de Mangosuthu Buthelezi, o Inkatha Freedom Party (IFP), também conheceu uma ligeira subida de cerca de um porcento (de 2.40% em 2014 para 3.38% em 2019). Este é um partido predominantemente regional, de KwaZulu Natal, terra natal do presidente Zuma. Curiosamente, nesta província o IFP evoluiu dos 10.86% para 16.34 % e o ANC regrediu cerca de 10%, dos 64.52% para 54.22%. O mais provável é que alguns membros do ANC, a nível de KwaZulu Natal, que não tenham gostado da forma como os dossiers Zuma, Nkandla e Guptas foram tratados, tenham preferido apoiar o IFP.

Nenhuma democracia terá jamais uma eleição perfeita. O processo eleitoral ora terminado no país vizinho também teve alguns desafios, desde acusações de fraca qualidade da tinta indelével, um elemento importante para a garantia da integridade do processo, o que resultou em tentativas de múltipla votação. Há evidencias de que algumas urnas foram encontradas em lugares indevidos. Algumas assembleias de voto abriram tarde e poucas não abriram, em resultado de bloqueio pelos protestantes. Por causa destes e outros problemas, um número significativo de pequenos partidos juntou a sua voz para exigir a anulação total do escrutínio, enquanto outros pediam a realização de uma auditoria aos resultados. No entanto, o nosso enfoque aqui é para o que correu bem e que pode servir de lição para Moçambique.
A primeira lição a copiar é a estratégia usada pela comissão eleitoral (IEC) para mobilizar os jovens. Apesar da subida dos níveis de abstenção a nível nacional, e embora não haja ainda dados desagregados por idade, existe a percepção de que a estratégia do IEC e dos partidos para a mobilização de eleitores que iriam votar pela primeira vez e os jovens nascidos depois do fim da era do apartheid (os born free) foi um sucesso. A campanha de educação cívica lançada em Janeiro, o X SÊ, foi muito bem elaborada e abrangente. Há muito a aprender deste sucesso, assumindo que os abstencionistas são a camada jovem.

Segundo, uma experiência que mostra resultados positivos na prevenção e gestão de conflitos é a existência do Party Liaison Committe[1] (PLC). O PLC junta todos os partidos políticos a todos os níveis. Se um conflito eclodir a nível do distrito, o PLC reúne-se e em conjunto com o IEC a esse nível delibera e resolve o conflito. O mesmo acontece a nível provincial e nacional. Os encontros regulares para discussão de várias questões e partilha de informação, funcionam como elemento importante na prevenção de conflitos. A CNE tem efeito esforço importante para realizar encontros regulares com as partes interessadas, mas a existência deste órgão seria uma mais valia para a credibilidade dos processos eleitorais. Pode-se perceber que o modelo já existe em Moçambique, uma vez que os órgãos de gestão eleitoral são compostos de membros de partidos, mas a exclusão de partidos extraparlamentares e os mecanismos de funcionamento são diferentes.

Terceiro, a África do Sul registou apenas 235;472 votos nulos, cerca de 1.3% do total dos votantes. Este não é resultado do acaso. O boletim para a eleição da AP tinha 48 partidos, uns com nomes, cores e símbolos próximos dos outros. Para além dos níveis satisfatórios de educação do eleitorado sul-africano, há que reconhecer o papel do IEC e dos partidos políticos na educação do seu eleitorado, um exemplo a seguir.
Imagem relacionada
Quarto, depois de uma campanha eleitoral violenta, com protestos e conflitos intra e inter-partidários, o dia de votação e todo o processo de contagem e transmissão de resultados foram, no geral, calmos e pacíficos. É preciso procurar saber o que ditou esta paz. Não restam dúvidas de que houve uma grande colaboração entre todos os stakeholders, com enfoque para as forças de segurança, que, duma forma imparcial, trabalharam a todos os níveis. A polícia nunca deve, pois, trabalhar em favor de um determinado partido, como tem acontecido em Moçambique.

Quinto, há que reconhecer a celeridade na transmissão dos resultados. As urnas abrem das 7horas da manhã até às 21horas, e a contagem começa imediatamente. Até à meia noite do dia de votação os resultados já começavam a chegar ao centro de operações nacional (ROC) depois de ter passado pelos ROC provinciais. Isto permitiu que os resultados fossem anunciados três dias depois da votação. No modelo moçambicano os resultados estariam ainda a ser agregados a nível do distrito. Em África, é a demora que leva, em grande medida, à eclosão de violência eleitoral, porque os eleitores perdem a confianca no processo.Há que pensarmos numa possível revisão da legislação eleitoral para nos aproximarmos aos patamares do gigante eleitoral que é a África do Sul.

Por último, a África do Sul conduziu o processo eleitoral com uma transparência invejável, com recurso ao uso de Tecnologias de Informação e Comunicação, facilitado pela pujança de infraestruturas físicas, electrónicas e recursos financeiros. Os painéis electrónicos gigantes montados no ROC central faziam a actualização dos resultados a cada 10 minutos, fazendo-se o mesmo na página web do IEC. Moçambique está longe de fazer algo próximo do que vimos na RSA, mas é de encorajar a CNE e o STAE para consolidar a iniciativa iniciada e interrompida no meio nas eleições autárquicas de 2018, para que os eleitores, os partidos concorrentes e todas as pessoas interessadas possam acompanhar os resultados. O benefício disto é que se evitam desconfianças e torna-se o processo mais transparente e credível.

(Por: Zefanias Matsimbe  pesquisador do Eisa-Moçambique.)

terça-feira, maio 14, 2019

Recuperados 3% dos 2 mil milhões USD

Em todo mundo, prender um corrupto e mantê-lo na prisão já não basta. É preciso confiscar-lhe a propriedade gerada na corrupção. Isso dói mais do que uns anitos de confinamento na cela. Dizem que os nossos detidos das “dívidas ocultas” calote estão se nas tintas. Quando saírem vão se chafurdar no ouro sujo calote. A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC, na sigla em inglês), que Moçambique ratificou em 2006, contém provisões essenciais para equipar a legislação doméstica dos países membros nesse domínio. Alguns países foram mais flexíveis e adoptaram leis nacionais que ajudam quando se trata de confiscar bens provenientes de negócios sujos. Outros nem tanto! Moçambique só agora está a “tentar” adoptar um quadro legal específico que permitirá a recuperação em tempo razoável de activos obtidos ilicitamente.
O caso vigente do calote com as chamadas “dívidas ocultas” mostra a urgência de um tal aparato legal. Nominalmente, o Estado moçambicano foi lesado em mais de 2 mil milhões de USD. O esquema envolveu pagamentos chorudos, subornos a servidores públicos, titulares de cargos políticos e intermediários por terem orquestrado e facilitado o endividamento ilegal. Este caso do calote (investigado sob o processo nº 1/PGR/2015) tem 20 acusados, entre os quais 11 detidos, mas dos 2 mil milhões de USD a investigação só rastreou 61 milhões de USD (apenas 3 por cento).
 Parte desse valor é o que foi apurado como tendo entrado em contas bancárias locais. Outra é representada por propriedade alegadamente adquirida (os carros e as casas do Teófilo Nhangumele!) pelos implicados, usando o dinheiro do calote. E o resto onde está? Como rastrear o que Ndambi Guebuza terá encaixado? E terá chegado algum ao pai? E Gregório Leão? Quanto recebeu? Onde está afinal o dinheiro dos subornos a Inês Moiane? E Renato Matusse declarou tudo na sua famosa proposta de “transação penal”? Manuel Chang tem mesmo propriedade na Espanha e Portugal? É sua propriedade ou de seus parentes? E como chegar lá?

A UNCAC contém provisões que facilitam a cooperação judiciária internacional visando recuperar activos. Por exemplo, se Manuel Chang for extraditado para os EUA não será nenhum drama para o Estado moçambicano neste domínio específico. Aliás, do ponto de vista de recuperação de activos, até é bom que assim seja. Porque isso permitirá o FBI ir a tudo o que é lugar no mundo e buscar o que comprovadamente foi gerado na roubalheira. Mas, será que Moçambique quer ou vai continuar a achar que a figura do “confisco alargado” constante do “indictment” americano é-nos prejudicial? (Na verdade não é!).
Enfim, o tema tem muito pano para mangas. Aliás, o caminho seguido por Moçambique é muito discutível. Angola, que seguiu uma estratégia diferente, já recuperou largos milhões de USD, sem prender tanta gente. Moçambique prendeu meio mundo e não recuperou quase nada. Mas, será apenas por falta de legislação? Ou vontade política? Ou falta de meios técnicos? Ou a captura do Estado pela elite da Frelimo não facilita a investigação? O dinheiro foi gasto lá fora? E porque não usamos a cooperação judiciária internacional para irmos um pouco mais longe? Até onde os Emirados Árabes Unidos podem protelar essa cooperação?
Eis algumas das questões que estarão em discussão, numa conferência organizada pelo CIP, a ter lugar no VIP Maputo. O principal orador é Rick Messick, um advogado especialista na UNCAC. Já trabalhou para o Banco Mundial e foi assessor no Senado americano para extradição e recuperação de activos. Há pouco menos de dois meses, ele almoçou com “Carta”, em Maputo, e explicou quais eram as possibilidades de Moçambique dar um golpe tremendo, com o apoio do FBI, nos caloteiros por via do confisco do património “lavado” em grande parte estrangeiro. Quem tem medo?
Vale a pena atender a este evento! (M.M.)


terça-feira, maio 07, 2019

Nyusi pediu que Machel se explicasse


Não está para breve a decisão em torno do processo aberto contra Samora Machel Jr., em virtude de ter encabeçado a lista da AJUDEM, um movimento cívico, cuja candidatura para as eleições autárquicas do ano passado, na cidade de Maputo, foi chumbada pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Resultado de imagem para comite central frelimoO Comité Central da Frelimo, órgão do qual Samora Machel Jr. é membro activo, decidiu conceder mais tempo ao Comité de Verificação, órgão de disciplina do partido, para trabalhar no processo. A decisão foi tomada, este domingo (05 de Maio), último dia da III Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo, que confirmou Filipe Nyusi como candidato desta organização partidária para as Eleições Gerais, agendadas para o dia 15 de Outubro deste ano, enterrando, por completo, as suspeições que pairavam à volta da sua continuidade como candidato único do partido.
 A “Carta” apurou que não foi estabelecido qualquer horizonte temporal para que o órgão se pronuncie sobre o processo do filho do primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Machel.Aliás, soube, igualmente, de fontes bem posicionadas, que a decisão não será tomada no decurso do presente ano, devido às implicações que dela podem advir, mormente por se estar em ano eleitoral. No sábado, segundo dia dos trabalhos da III Sessão Ordinária do Comité Central, o Comité de Verificação, durante a apresentação do seu relatório de actividades, pediu mais tempo, alegadamente, porque surgiram novos elementos.O processo de que é alvo Samora Machel Jr., uma vez comprovada a violação dos estatutos, pode culminar com a aplicação da punição mais gravosa, no caso a perda da qualidade de membro do partido. O posicionamento assumido pelo Comité Central, órgão decisório entre os congressos, tem por objectivo permitir que Samora Machel Jr. seja ouvido pelos órgãos do partido.
Resultado de imagem para samora machel junior
Contrariamente ao que havia avançado o porta-voz do partido, Caifadine Manasse, o caso Samora Machel Jr. foi mesmo objecto de debate durante a III Sessão do Comité Central.
 Depois da apresentação do relatório do Comité de Verificação do Comité Central, Samora Machel Jr. foi convidado a apresentar explicações sobre o sucedido aos restantes membros. As explicações foram solicitadas pelo presidente do partido.Entretanto, antes de Samora Machel dirigir-se aos “seus camaradas”, Graça Machel, esposa do seu falecido pai, tomou a palavra para dizer que ele (Samora Jr.) não devia apresentar a sua defesa naquele fórum.
Depois da intervenção de Graça Machel, Filipe Nyusi interveio, exigindo, na sequência, que Samora Machel Jr. devia sim explicar-se sobre o sucedido. Durante a sua defesa, Samora Machel Jr. disse que jamais falara fora dos órgãos. Disse, igualmente, que tudo quanto se fala é obra da imaginação criativa dos órgãos de comunicação social.
E porque os ânimos, na sala, estavam exaltados, coube a Joaquim Chissano, antigo presidente do partido e da República, o papel de apaziguador das partes em “conflito”.
O processo contra Samora Machel Jr. foi aberto na sequência da sua candidatura à presidência do Conselho Autárquico da Cidade de Maputo, pela AJUDEM.Na defesa ao processo aberto pelos órgãos do partido, Samora Machel Jr, para além vincar que não violara as normas estatutárias, sugere a suspensão do actual presidente do partido pela violação grosseira dos estatutos. Aliás, defendeu, no documento a que “Carta” teve acesso em primeira mão, que Filipe Nyusi não devia ser o único candidato a candidato da Frelimo nas eleições que se avizinham. (Ilódio Bata)